Pertuzumabe adjuvante no câncer de mama HER2: APHINITY

Sumário
Uma enfermeira de 52 anos operou um nódulo de 2,5 cm na mama direita sem tratamento antes da cirurgia, porque o tumor parecia pequeno e a axila parecia normal no exame. O laudo da peça trouxe uma surpresa: carcinoma invasivo HER2 positivo, com receptor de estrogênio positivo, e 3 de 14 linfonodos da axila com metástase. O ecocardiograma mostra fração de ejeção de 58 por cento. Ela tem pressão alta controlada e sobrepeso. A oncologista planeja quimioterapia com antraciclina e taxano e quer decidir se soma o pertuzumabe ao trastuzumabe. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. O tema é o pertuzumabe adjuvante no câncer de mama HER2 positivo, testado no estudo APHINITY. O foco é pesar o benefício absoluto, que depende muito do risco de base e sobretudo dos linfonodos, contra a toxicidade e o custo. Ele não substitui o protocolo do seu serviço nem a decisão da equipe multidisciplinar. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: a mesma razão de risco pode valer muito para uma pessoa e pouco para outra.
Principais pontos
- O APHINITY randomizou 4805 pacientes operadas para receber trastuzumabe com pertuzumabe ou com placebo, junto com a quimioterapia adjuvante, por 1 ano.
- Na análise principal, a razão de risco para doença invasiva ou morte foi de 0,81, mas a diferença absoluta em 3 anos foi pequena, 94,1 contra 93,2 por cento.
- O benefício apareceu sobretudo com linfonodo positivo; sem linfonodo positivo, nenhum efeito foi detectado.
- Na análise final de sobrevida global da bula, a razão de risco foi de 0,83, com intervalo de 0,69 a 1,00.
- A diarreia foi o efeito adverso que mais aumentou, e os eventos cardíacos graves foram raros.
- A FDA aprovou o uso adjuvante em 20/12/2017, e o comitê da EMA deu parecer favorável em 26/04/2018.
Por que este é um cenário de raciocínio
O trastuzumabe com quimioterapia mudou o prognóstico do câncer de mama HER2 positivo inicial, e 1 ano de trastuzumabe virou o padrão (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O pertuzumabe se liga a outra região do receptor HER2 e impede que ele forme pares com outros receptores da mesma família (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Na doença metastática e no tratamento antes da cirurgia, a soma dos dois anticorpos já tinha mostrado ganho (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O APHINITY perguntou se a soma também ajudava depois da cirurgia (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
A resposta foi sim, mas com um ganho absoluto pequeno para a maioria e maior para quem tinha mais risco (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Por isso o pertuzumabe adjuvante é um bom exercício de raciocínio: a decisão não depende só de o estudo ter dado positivo, mas de quanto aquela paciente ganha. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a não esquecer a pressão alta e o sobrepeso da enfermeira, que pesam no risco do coração, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que o laudo dos linfonodos é a pista central.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é olhar os linfonodos antes de olhar o tamanho do tumor. O segundo é traduzir a razão de risco em benefício absoluto para aquela paciente. O terceiro é conferir o coração antes e durante o tratamento. O quarto é avisar sobre a diarreia. O quinto é saber em que ordem entram a antraciclina, o taxano e os anticorpos. O sexto é explicar que o objetivo é reduzir o risco de recidiva, não garantir cura.
O que não está em jogo
O texto não repete a discussão sobre o T-DM1 na doença residual depois do tratamento neoadjuvante, que foi o tema do texto anterior desta série, sobre o T-DM1 na doença residual. Também não trata do neratinibe estendido depois de 1 ano de trastuzumabe, testado em outro estudo (Copeland e Anders, 2018). O post sobre incerteza diagnóstica ajuda quando o laudo dos linfonodos deixa dúvida.
Quem é candidata: o peso dos linfonodos
Linfonodo positivo
No APHINITY, 63 por cento tinham linfonodo positivo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Nesse grupo, 92,0 por cento do braço do pertuzumabe e 90,2 por cento do braço do placebo estavam vivos e sem doença invasiva em 3 anos, com razão de risco de 0,77 e intervalo de 0,62 a 0,96 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, os números foram de 87,9 contra 83,4 por cento, com razão de risco de 0,72 (Krawczyk e colaboradores, 2022). A enfermeira da cena, com 3 linfonodos positivos, está nesse grupo.
Linfonodo negativo
Entre quem não tinha linfonodo positivo, houve poucos eventos, 3,6 por cento com pertuzumabe e 3,2 por cento com placebo, e nenhum efeito do tratamento foi detectado (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, os números continuaram parecidos, 95 contra 94,9 por cento (Krawczyk e colaboradores, 2022). No relatório da EMA, a razão de risco nesse grupo foi de 1,13, com intervalo de 0,68 a 1,86, sem evidência de benefício naquele momento (relatório de avaliação da EMA, 2018). Uma análise posterior do mesmo estudo também concluiu que o benefício se limitou a quem tinha linfonodo positivo (Maurer e colaboradores, 2025).
Receptor hormonal negativo
Entre quem tinha receptor hormonal negativo, a razão de risco foi de 0,76, com intervalo de 0,56 a 1,04 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O intervalo inclui o valor 1. Mesmo assim, a EMA restringiu a indicação a pacientes com alto risco de recidiva, definido como linfonodo positivo ou receptor hormonal negativo (relatório de avaliação da EMA, 2018). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a separar o que é risco alto do que só parece alto.
Benefício absoluto
Com base no risco evitado em 3 anos, foi preciso tratar 112 pacientes para evitar um evento na população toda, 56 com linfonodo positivo e 63 com receptor hormonal negativo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Os autores lembram que a razão de risco de 0,81 deve ser pesada contra o risco absoluto de recidiva (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Uma revisão italiana resume a mesma ideia: o ganho é pequeno na população geral e maior nas pacientes de alto risco com linfonodo positivo (Stucci e colaboradores, 2022). O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra por que a conversa sobre custo e benefício envolve mais de uma pessoa da equipe.

O que o APHINITY testou
Desenho
O APHINITY foi um estudo de fase 3, randomizado, multicêntrico, duplo-cego e controlado com placebo, feito em 549 centros de 43 países (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Entre novembro de 2011 e agosto de 2013, 4805 pacientes foram randomizadas, 2400 para pertuzumabe e 2405 para placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Todas tinham câncer invasivo HER2 positivo sem metástase, operado com margens adequadas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A fração de ejeção tinha de ser de pelo menos 55 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
Mudança no meio do caminho
No início, entravam também pacientes sem linfonodo positivo com tumor maior que 1 cm ou entre 0,5 e 1 cm com fatores de risco (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Depois de 3655 randomizações, uma emenda passou a aceitar só pacientes com linfonodo positivo, para chegar à distribuição planejada (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Segundo a EMA, a proporção de pacientes sem linfonodo positivo estava quase o dobro do esperado, e por isso o recrutamento desse grupo foi limitado e o tamanho planejado subiu para 4800 (relatório de avaliação da EMA, 2018).
Os dois braços
O pertuzumabe ou o placebo foi dado na dose de ataque de 840 mg por via venosa, seguida de 420 mg a cada 3 semanas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O trastuzumabe foi dado na dose de ataque de 8 mg/kg, seguida de 6 mg/kg a cada 3 semanas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Os dois começavam no primeiro ciclo de taxano e seguiam por até 18 ciclos em 1 ano (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A quimioterapia podia ter antraciclina seguida de taxano ou ser docetaxel com carboplatina (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
Hormonioterapia e radioterapia
Quem tinha receptor hormonal positivo começava a hormonioterapia no fim da quimioterapia, planejada por pelo menos 5 anos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A radioterapia era dada no fim da quimioterapia, ao mesmo tempo que os anticorpos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A fração de ejeção era medida a cada 3 meses durante o tratamento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
O que o APHINITY mostrou
Análise principal
Com mediana de seguimento de 45,4 meses, houve evento de doença invasiva em 7,1 por cento do braço do pertuzumabe e em 8,7 por cento do braço do placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 3 anos, 94,1 por cento e 93,2 por cento estavam vivos e sem doença invasiva, com razão de risco de 0,81 e intervalo de 0,66 a 1,00 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O grupo do placebo foi melhor do que o planejado, 93,2 em vez de 89,2 por cento, e por isso o estudo demorou mais para juntar os eventos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A metástase à distância foi o primeiro evento em 4,7 por cento contra 5,8 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
Sobrevida global
Na primeira análise interina, morreram 80 pacientes do pertuzumabe e 89 do placebo, sem diferença significativa (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, a razão de risco para morte foi de 0,85, ainda sem significância (Krawczyk e colaboradores, 2022). Na análise final prevista depois de 10 anos de seguimento, descrita na bula, morreram 8,5 por cento do braço do pertuzumabe e 10,3 por cento do braço do placebo, com razão de risco de 0,83 e intervalo de 0,69 a 1,00 (bula do Perjeta de 04/2026). Entre quem tinha linfonodo positivo, uma análise de seguimento longo citada em 2026 traz razão de risco de 0,79 para sobrevida global, com intervalo de 0,64 a 0,97 (Mattar e colaboradores, 2026). Outro texto de 2026 descreve essa melhora como significativa, mas modesta em termos absolutos (Valachis e colaboradores, 2026).
A tabela resume os números principais.
| Medida | Pertuzumabe | Placebo | Fonte |
|---|---|---|---|
| Sem doença invasiva em 3 anos, todas | 94,1 por cento | 93,2 por cento | (von Minckwitz e colaboradores, 2017) |
| Sem doença invasiva em 3 anos, linfonodo positivo | 92,0 por cento | 90,2 por cento | (von Minckwitz e colaboradores, 2017) |
| Sem doença invasiva em 6 anos, linfonodo positivo | 87,9 por cento | 83,4 por cento | (Krawczyk e colaboradores, 2022) |
| Número que é preciso tratar em 3 anos, linfonodo positivo | 56 | Referência | (von Minckwitz e colaboradores, 2017) |
| Razão de risco para morte, análise final | 0,83 (0,69 a 1,00) | Referência | (bula do Perjeta de 04/2026) |
Idade
Das pacientes do estudo, 768, 16,0 por cento, tinham 40 anos ou menos (Lambertini e colaboradores, 2022). O pertuzumabe melhorou a sobrevida livre de doença invasiva em 6 anos tanto nas jovens, 89 contra 87 por cento, quanto nas mais velhas, 91 contra 88 por cento (Lambertini e colaboradores, 2022). A idade jovem não mudou o resultado de forma significativa (Lambertini e colaboradores, 2022).
Dose fixa
A dose do pertuzumabe não depende do peso. Uma análise de farmacocinética do APHINITY apoia a dose fixa de 840 mg seguida de 420 mg a cada 3 semanas, como já tinha sido visto no tratamento neoadjuvante (Kirschbrown e colaboradores, 2019). O post sobre pausa diagnóstica ajuda a conferir a prescrição antes da primeira infusão.
Na vida real
Num estudo nacional da Suécia, a sobrevida de pacientes com linfonodo positivo foi menor do que a do braço de controle do APHINITY, que tinha 89,2 por cento de sobrevida em 8,4 anos (Valachis e colaboradores, 2026). Os autores sugerem que, mantida a mesma redução relativa, o benefício absoluto fora do estudo pode ser maior (Valachis e colaboradores, 2026). No Brasil, um modelo estimou que levar o T-DM1 adjuvante e o pertuzumabe a mulheres com câncer HER2 positivo de estádio II e III no sistema público reduziria de forma importante as mortes evitáveis em 8 anos (Mattar e colaboradores, 2026). Uma metanálise em rede sugeriu que somar ao trastuzumabe o lapatinibe ou o pertuzumabe é provavelmente a melhor estratégia para sobrevida (Debiasi e colaboradores, 2018).
Como usar o pertuzumabe adjuvante
Dose e infusão
A bula indica 840 mg na primeira dose, em infusão de 60 minutos, e depois 420 mg a cada 3 semanas, em infusão de 30 a 60 minutos (bula do Perjeta de 04/2026). No uso adjuvante, o pertuzumabe vai com trastuzumabe e quimioterapia por 1 ano, até 18 ciclos, começando no primeiro dia do primeiro ciclo com taxano (bula do Perjeta de 04/2026). Quem recebe antraciclina deve receber o pertuzumabe e o trastuzumabe depois de terminar a antraciclina (bula do Perjeta de 04/2026). A bula recomenda observar a paciente por 30 a 60 minutos depois de cada infusão de pertuzumabe, antes do próximo medicamento (bula do Perjeta de 04/2026).
Atraso de dose
Se o intervalo entre duas doses for menor que 6 semanas, dá-se 420 mg o quanto antes (bula do Perjeta de 04/2026). Se for de 6 semanas ou mais, repete-se a dose de ataque de 840 mg e depois volta-se a 420 mg a cada 3 semanas (bula do Perjeta de 04/2026). A única contraindicação da bula é a hipersensibilidade conhecida ao pertuzumabe ou aos componentes da fórmula (bula do Perjeta de 04/2026).
O coração
Na análise principal, eventos cardíacos graves ocorreram em 0,7 por cento do braço do pertuzumabe e em 0,3 por cento do braço do placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Na análise cardíaca com mediana de 74 meses, a soma dos dois anticorpos não aumentou o risco de evento cardíaco em comparação com o placebo (de Azambuja e colaboradores, 2023). Além da antraciclina, idade de 65 anos ou mais, índice de massa corporal de 25 ou mais e fração de ejeção inicial de 55 a menos de 60 por cento foram fatores de risco (de Azambuja e colaboradores, 2023). A bula informa insuficiência cardíaca sintomática em 0,6 por cento das tratadas com pertuzumabe adjuvante, e 86 por cento desses eventos foram em quem recebeu antraciclina (bula do Perjeta de 04/2026). O aviso em destaque da bula fala em disfunção do ventrículo esquerdo e dano ao feto (bula do Perjeta de 04/2026).
Diarreia e outros efeitos
A diarreia de grau 3 ou mais foi a maior diferença entre os braços, 9,8 por cento contra 3,7 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Depois do fim da quimioterapia, com os anticorpos sozinhos, a diarreia de grau 3 ou mais caiu para 0,5 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Somando todos os graus, a diarreia foi de 71,2 por cento contra 45,2 por cento, e o rash foi de 25,8 por cento contra 20,3 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O 1 ano completo foi cumprido por 84,5 por cento do braço do pertuzumabe (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Uma revisão lembra que a diarreia, o coração e o custo entram na conta (Bulbul e colaboradores, 2018).
A vigilância pode seguir os pontos abaixo.
- Fração de ejeção antes de começar e a cada 3 meses durante o tratamento.
- Atenção maior com antraciclina, idade de 65 anos ou mais, sobrepeso e fração de ejeção inicial limítrofe.
- Orientação sobre diarreia, hidratação e quando procurar o serviço.
- Observação de 30 a 60 minutos depois de cada infusão de pertuzumabe.
- Contracepção eficaz durante o tratamento, por causa do risco para o feto.
O post sobre deterioração clínica na enfermaria ajuda a reconhecer a piora de uma paciente desidratada pela diarreia.

Pertuzumabe ou T-DM1?
Quando o tratamento começa antes da cirurgia, a escolha depois da operação depende da resposta. Quem tem resposta patológica completa completa 1 ano de pertuzumabe com trastuzumabe, como prevê a bula (bula do Perjeta de 04/2026). Quem tem doença invasiva residual entra no cenário do T-DM1, discutido no texto sobre T-DM1 na doença residual. Uma revisão de 2019 resume o lugar do pertuzumabe nos diferentes cenários (Ishii e colaboradores, 2019).
Situação regulatória: FDA e EMA
FDA
O Perjeta tem a BLA 125409 na FDA, com aprovação original em 08/06/2012 (Drugs@FDA, BLA 125409). O suplemento S-118, que acrescentou o uso adjuvante em câncer de mama HER2 positivo inicial com alto risco de recidiva, foi aprovado em 20/12/2017 (Drugs@FDA, BLA 125409) (carta de aprovação da FDA de 20/12/2017). O suplemento S-141, aprovado em 23/04/2026, acrescentou à bula os dados adicionais de sobrevida global do APHINITY (carta de aprovação da FDA de 23/04/2026). A bula atual foi revisada em 04/2026 (bula do Perjeta de 04/2026).
EMA
Na EMA, o Perjeta tem autorização de comercialização desde 04/03/2013 (página do Perjeta na EMA). A extensão para o uso adjuvante foi avaliada no procedimento II/0034, com parecer do comitê de medicamentos de uso humano em 26/04/2018 (relatório de avaliação da EMA, 2018). Nesse procedimento, a indicação foi restringida a pacientes com alto risco de recidiva, definidas como linfonodo positivo ou receptor hormonal negativo (relatório de avaliação da EMA, 2018). Na consulta de 24/10/2026, o resumo de detalhes do produto na página da EMA lista as indicações metastática e neoadjuvante, então vale conferir o texto atual do resumo das características do medicamento antes de citar a indicação adjuvante europeia (página do Perjeta na EMA).
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. O pertuzumabe adjuvante é um bom exercício porque a mesma decisão muda conforme o número de linfonodos. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.
Três exercícios com casos
Mude os linfonodos. Diga o que muda se todos os linfonodos da enfermeira fossem negativos e o receptor hormonal fosse positivo.
Mude o coração. Diga o que você faria se a fração de ejeção caísse de 58 para 46 por cento no meio do tratamento.
Mude a ordem. Diga o que muda se ela tivesse feito o tratamento antes da cirurgia e a peça mostrasse doença residual.
O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a conversa com a paciente sobre benefício absoluto e efeitos adversos.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
O pertuzumabe adjuvante cura o câncer de mama?
Ele reduz o risco de recidiva, sobretudo com linfonodo positivo, mas não garante cura (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
Qual é a dose?
840 mg na primeira dose e depois 420 mg a cada 3 semanas, por 1 ano, até 18 ciclos (bula do Perjeta de 04/2026).
Vale a pena sem linfonodo positivo?
No estudo, nenhum efeito foi detectado nesse grupo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A decisão precisa pesar o risco de cada paciente.
O pertuzumabe aumenta o risco do coração?
Os eventos graves foram raros, e a análise de longo prazo não mostrou aumento claro em comparação com o placebo (de Azambuja e colaboradores, 2023).
Qual é o efeito adverso mais comum?
A diarreia, sobretudo durante a quimioterapia (von Minckwitz e colaboradores, 2017).
Checklist final
- Contei os linfonodos positivos no laudo.
- Conferi o receptor hormonal.
- Traduzi a razão de risco em benefício absoluto.
- Pedi fração de ejeção antes de começar.
- Planejei os anticorpos depois da antraciclina, com o taxano.
- Orientei sobre diarreia e hidratação.
- Orientei sobre contracepção.
- Expliquei que o objetivo é reduzir o risco de recidiva.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- Bulbul A, Araujo-Mino E, Dayao ZR. The Conundrum of Adjuvant HER2 Treatment Options. Front Oncol. 2018. PMID 29900124.
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- Debiasi M, Polanczyk CA, Ziegelmann P, et al. Efficacy of Anti-HER2 Agents in Combination With Adjuvant or Neoadjuvant Chemotherapy for Early and Locally Advanced HER2-Positive Breast Cancer Patients: A Network Meta-Analysis. Front Oncol. 2018. PMID 29872641.
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- Food and Drug Administration. BLA 125409/S-113 BLA 125409/S-118 SUPPLEMENT APPROVAL. Carta de aprovação de 20/12/2017. Fonte oficial.
- Food and Drug Administration. BLA 125409/S-141. SUPPLEMENT APPROVAL. Carta de aprovação de 23/04/2026. Fonte oficial.
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- Genentech. PERJETA® (pertuzumab) injection, for intravenous use. Bula revisada em 04/2026. Fonte oficial.
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- Kirschbrown WP, Kågedal M, Wang B, et al. Pharmacokinetic and exploratory exposure-response analysis of pertuzumab in patients with operable HER2-positive early breast cancer in the APHINITY study. Cancer Chemother Pharmacol. 2019. PMID 30976844.
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