Pertuzumabe adjuvante no câncer de mama HER2: APHINITY

Ilustração médica da mama com os linfonodos axilares e os vasos linfáticos vizinhos
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. Quem é candidata: o peso dos linfonodos
  3. O que o APHINITY testou
  4. O que o APHINITY mostrou
  5. Como usar o pertuzumabe adjuvante
  6. Situação regulatória: FDA e EMA
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Checklist final
  10. Referências

Uma enfermeira de 52 anos operou um nódulo de 2,5 cm na mama direita sem tratamento antes da cirurgia, porque o tumor parecia pequeno e a axila parecia normal no exame. O laudo da peça trouxe uma surpresa: carcinoma invasivo HER2 positivo, com receptor de estrogênio positivo, e 3 de 14 linfonodos da axila com metástase. O ecocardiograma mostra fração de ejeção de 58 por cento. Ela tem pressão alta controlada e sobrepeso. A oncologista planeja quimioterapia com antraciclina e taxano e quer decidir se soma o pertuzumabe ao trastuzumabe. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. O tema é o pertuzumabe adjuvante no câncer de mama HER2 positivo, testado no estudo APHINITY. O foco é pesar o benefício absoluto, que depende muito do risco de base e sobretudo dos linfonodos, contra a toxicidade e o custo. Ele não substitui o protocolo do seu serviço nem a decisão da equipe multidisciplinar. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: a mesma razão de risco pode valer muito para uma pessoa e pouco para outra.

Principais pontos

  • O APHINITY randomizou 4805 pacientes operadas para receber trastuzumabe com pertuzumabe ou com placebo, junto com a quimioterapia adjuvante, por 1 ano.
  • Na análise principal, a razão de risco para doença invasiva ou morte foi de 0,81, mas a diferença absoluta em 3 anos foi pequena, 94,1 contra 93,2 por cento.
  • O benefício apareceu sobretudo com linfonodo positivo; sem linfonodo positivo, nenhum efeito foi detectado.
  • Na análise final de sobrevida global da bula, a razão de risco foi de 0,83, com intervalo de 0,69 a 1,00.
  • A diarreia foi o efeito adverso que mais aumentou, e os eventos cardíacos graves foram raros.
  • A FDA aprovou o uso adjuvante em 20/12/2017, e o comitê da EMA deu parecer favorável em 26/04/2018.

Por que este é um cenário de raciocínio

O trastuzumabe com quimioterapia mudou o prognóstico do câncer de mama HER2 positivo inicial, e 1 ano de trastuzumabe virou o padrão (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O pertuzumabe se liga a outra região do receptor HER2 e impede que ele forme pares com outros receptores da mesma família (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Na doença metastática e no tratamento antes da cirurgia, a soma dos dois anticorpos já tinha mostrado ganho (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O APHINITY perguntou se a soma também ajudava depois da cirurgia (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

A resposta foi sim, mas com um ganho absoluto pequeno para a maioria e maior para quem tinha mais risco (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Por isso o pertuzumabe adjuvante é um bom exercício de raciocínio: a decisão não depende só de o estudo ter dado positivo, mas de quanto aquela paciente ganha. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a não esquecer a pressão alta e o sobrepeso da enfermeira, que pesam no risco do coração, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que o laudo dos linfonodos é a pista central.

O que a cena ensina

A cena treina seis hábitos. O primeiro é olhar os linfonodos antes de olhar o tamanho do tumor. O segundo é traduzir a razão de risco em benefício absoluto para aquela paciente. O terceiro é conferir o coração antes e durante o tratamento. O quarto é avisar sobre a diarreia. O quinto é saber em que ordem entram a antraciclina, o taxano e os anticorpos. O sexto é explicar que o objetivo é reduzir o risco de recidiva, não garantir cura.

O que não está em jogo

O texto não repete a discussão sobre o T-DM1 na doença residual depois do tratamento neoadjuvante, que foi o tema do texto anterior desta série, sobre o T-DM1 na doença residual. Também não trata do neratinibe estendido depois de 1 ano de trastuzumabe, testado em outro estudo (Copeland e Anders, 2018). O post sobre incerteza diagnóstica ajuda quando o laudo dos linfonodos deixa dúvida.

Quem é candidata: o peso dos linfonodos

Linfonodo positivo

No APHINITY, 63 por cento tinham linfonodo positivo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Nesse grupo, 92,0 por cento do braço do pertuzumabe e 90,2 por cento do braço do placebo estavam vivos e sem doença invasiva em 3 anos, com razão de risco de 0,77 e intervalo de 0,62 a 0,96 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, os números foram de 87,9 contra 83,4 por cento, com razão de risco de 0,72 (Krawczyk e colaboradores, 2022). A enfermeira da cena, com 3 linfonodos positivos, está nesse grupo.

Linfonodo negativo

Entre quem não tinha linfonodo positivo, houve poucos eventos, 3,6 por cento com pertuzumabe e 3,2 por cento com placebo, e nenhum efeito do tratamento foi detectado (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, os números continuaram parecidos, 95 contra 94,9 por cento (Krawczyk e colaboradores, 2022). No relatório da EMA, a razão de risco nesse grupo foi de 1,13, com intervalo de 0,68 a 1,86, sem evidência de benefício naquele momento (relatório de avaliação da EMA, 2018). Uma análise posterior do mesmo estudo também concluiu que o benefício se limitou a quem tinha linfonodo positivo (Maurer e colaboradores, 2025).

Receptor hormonal negativo

Entre quem tinha receptor hormonal negativo, a razão de risco foi de 0,76, com intervalo de 0,56 a 1,04 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O intervalo inclui o valor 1. Mesmo assim, a EMA restringiu a indicação a pacientes com alto risco de recidiva, definido como linfonodo positivo ou receptor hormonal negativo (relatório de avaliação da EMA, 2018). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a separar o que é risco alto do que só parece alto.

Benefício absoluto

Com base no risco evitado em 3 anos, foi preciso tratar 112 pacientes para evitar um evento na população toda, 56 com linfonodo positivo e 63 com receptor hormonal negativo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Os autores lembram que a razão de risco de 0,81 deve ser pesada contra o risco absoluto de recidiva (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Uma revisão italiana resume a mesma ideia: o ganho é pequeno na população geral e maior nas pacientes de alto risco com linfonodo positivo (Stucci e colaboradores, 2022). O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra por que a conversa sobre custo e benefício envolve mais de uma pessoa da equipe.

Dois cirurgiões de touca e máscara operam a mama de uma paciente, com um terceiro profissional de costas em primeiro plano
Cirurgia da mama. No APHINITY, as pacientes eram operadas primeiro, e o laudo dos linfonodos da peça definia boa parte do benefício do pertuzumabe. Foto: Linda Bartlett, Wikimedia Commons, domínio público.

O que o APHINITY testou

Desenho

O APHINITY foi um estudo de fase 3, randomizado, multicêntrico, duplo-cego e controlado com placebo, feito em 549 centros de 43 países (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Entre novembro de 2011 e agosto de 2013, 4805 pacientes foram randomizadas, 2400 para pertuzumabe e 2405 para placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Todas tinham câncer invasivo HER2 positivo sem metástase, operado com margens adequadas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A fração de ejeção tinha de ser de pelo menos 55 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

Mudança no meio do caminho

No início, entravam também pacientes sem linfonodo positivo com tumor maior que 1 cm ou entre 0,5 e 1 cm com fatores de risco (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Depois de 3655 randomizações, uma emenda passou a aceitar só pacientes com linfonodo positivo, para chegar à distribuição planejada (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Segundo a EMA, a proporção de pacientes sem linfonodo positivo estava quase o dobro do esperado, e por isso o recrutamento desse grupo foi limitado e o tamanho planejado subiu para 4800 (relatório de avaliação da EMA, 2018).

Os dois braços

O pertuzumabe ou o placebo foi dado na dose de ataque de 840 mg por via venosa, seguida de 420 mg a cada 3 semanas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O trastuzumabe foi dado na dose de ataque de 8 mg/kg, seguida de 6 mg/kg a cada 3 semanas (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Os dois começavam no primeiro ciclo de taxano e seguiam por até 18 ciclos em 1 ano (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A quimioterapia podia ter antraciclina seguida de taxano ou ser docetaxel com carboplatina (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

Hormonioterapia e radioterapia

Quem tinha receptor hormonal positivo começava a hormonioterapia no fim da quimioterapia, planejada por pelo menos 5 anos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A radioterapia era dada no fim da quimioterapia, ao mesmo tempo que os anticorpos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A fração de ejeção era medida a cada 3 meses durante o tratamento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

O que o APHINITY mostrou

Análise principal

Com mediana de seguimento de 45,4 meses, houve evento de doença invasiva em 7,1 por cento do braço do pertuzumabe e em 8,7 por cento do braço do placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 3 anos, 94,1 por cento e 93,2 por cento estavam vivos e sem doença invasiva, com razão de risco de 0,81 e intervalo de 0,66 a 1,00 (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O grupo do placebo foi melhor do que o planejado, 93,2 em vez de 89,2 por cento, e por isso o estudo demorou mais para juntar os eventos (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A metástase à distância foi o primeiro evento em 4,7 por cento contra 5,8 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

Sobrevida global

Na primeira análise interina, morreram 80 pacientes do pertuzumabe e 89 do placebo, sem diferença significativa (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Em 6 anos, a razão de risco para morte foi de 0,85, ainda sem significância (Krawczyk e colaboradores, 2022). Na análise final prevista depois de 10 anos de seguimento, descrita na bula, morreram 8,5 por cento do braço do pertuzumabe e 10,3 por cento do braço do placebo, com razão de risco de 0,83 e intervalo de 0,69 a 1,00 (bula do Perjeta de 04/2026). Entre quem tinha linfonodo positivo, uma análise de seguimento longo citada em 2026 traz razão de risco de 0,79 para sobrevida global, com intervalo de 0,64 a 0,97 (Mattar e colaboradores, 2026). Outro texto de 2026 descreve essa melhora como significativa, mas modesta em termos absolutos (Valachis e colaboradores, 2026).

A tabela resume os números principais.

MedidaPertuzumabePlaceboFonte
Sem doença invasiva em 3 anos, todas94,1 por cento93,2 por cento(von Minckwitz e colaboradores, 2017)
Sem doença invasiva em 3 anos, linfonodo positivo92,0 por cento90,2 por cento(von Minckwitz e colaboradores, 2017)
Sem doença invasiva em 6 anos, linfonodo positivo87,9 por cento83,4 por cento(Krawczyk e colaboradores, 2022)
Número que é preciso tratar em 3 anos, linfonodo positivo56Referência(von Minckwitz e colaboradores, 2017)
Razão de risco para morte, análise final0,83 (0,69 a 1,00)Referência(bula do Perjeta de 04/2026)

Idade

Das pacientes do estudo, 768, 16,0 por cento, tinham 40 anos ou menos (Lambertini e colaboradores, 2022). O pertuzumabe melhorou a sobrevida livre de doença invasiva em 6 anos tanto nas jovens, 89 contra 87 por cento, quanto nas mais velhas, 91 contra 88 por cento (Lambertini e colaboradores, 2022). A idade jovem não mudou o resultado de forma significativa (Lambertini e colaboradores, 2022).

Dose fixa

A dose do pertuzumabe não depende do peso. Uma análise de farmacocinética do APHINITY apoia a dose fixa de 840 mg seguida de 420 mg a cada 3 semanas, como já tinha sido visto no tratamento neoadjuvante (Kirschbrown e colaboradores, 2019). O post sobre pausa diagnóstica ajuda a conferir a prescrição antes da primeira infusão.

Na vida real

Num estudo nacional da Suécia, a sobrevida de pacientes com linfonodo positivo foi menor do que a do braço de controle do APHINITY, que tinha 89,2 por cento de sobrevida em 8,4 anos (Valachis e colaboradores, 2026). Os autores sugerem que, mantida a mesma redução relativa, o benefício absoluto fora do estudo pode ser maior (Valachis e colaboradores, 2026). No Brasil, um modelo estimou que levar o T-DM1 adjuvante e o pertuzumabe a mulheres com câncer HER2 positivo de estádio II e III no sistema público reduziria de forma importante as mortes evitáveis em 8 anos (Mattar e colaboradores, 2026). Uma metanálise em rede sugeriu que somar ao trastuzumabe o lapatinibe ou o pertuzumabe é provavelmente a melhor estratégia para sobrevida (Debiasi e colaboradores, 2018).

Como usar o pertuzumabe adjuvante

Dose e infusão

A bula indica 840 mg na primeira dose, em infusão de 60 minutos, e depois 420 mg a cada 3 semanas, em infusão de 30 a 60 minutos (bula do Perjeta de 04/2026). No uso adjuvante, o pertuzumabe vai com trastuzumabe e quimioterapia por 1 ano, até 18 ciclos, começando no primeiro dia do primeiro ciclo com taxano (bula do Perjeta de 04/2026). Quem recebe antraciclina deve receber o pertuzumabe e o trastuzumabe depois de terminar a antraciclina (bula do Perjeta de 04/2026). A bula recomenda observar a paciente por 30 a 60 minutos depois de cada infusão de pertuzumabe, antes do próximo medicamento (bula do Perjeta de 04/2026).

Atraso de dose

Se o intervalo entre duas doses for menor que 6 semanas, dá-se 420 mg o quanto antes (bula do Perjeta de 04/2026). Se for de 6 semanas ou mais, repete-se a dose de ataque de 840 mg e depois volta-se a 420 mg a cada 3 semanas (bula do Perjeta de 04/2026). A única contraindicação da bula é a hipersensibilidade conhecida ao pertuzumabe ou aos componentes da fórmula (bula do Perjeta de 04/2026).

O coração

Na análise principal, eventos cardíacos graves ocorreram em 0,7 por cento do braço do pertuzumabe e em 0,3 por cento do braço do placebo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Na análise cardíaca com mediana de 74 meses, a soma dos dois anticorpos não aumentou o risco de evento cardíaco em comparação com o placebo (de Azambuja e colaboradores, 2023). Além da antraciclina, idade de 65 anos ou mais, índice de massa corporal de 25 ou mais e fração de ejeção inicial de 55 a menos de 60 por cento foram fatores de risco (de Azambuja e colaboradores, 2023). A bula informa insuficiência cardíaca sintomática em 0,6 por cento das tratadas com pertuzumabe adjuvante, e 86 por cento desses eventos foram em quem recebeu antraciclina (bula do Perjeta de 04/2026). O aviso em destaque da bula fala em disfunção do ventrículo esquerdo e dano ao feto (bula do Perjeta de 04/2026).

Diarreia e outros efeitos

A diarreia de grau 3 ou mais foi a maior diferença entre os braços, 9,8 por cento contra 3,7 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Depois do fim da quimioterapia, com os anticorpos sozinhos, a diarreia de grau 3 ou mais caiu para 0,5 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Somando todos os graus, a diarreia foi de 71,2 por cento contra 45,2 por cento, e o rash foi de 25,8 por cento contra 20,3 por cento (von Minckwitz e colaboradores, 2017). O 1 ano completo foi cumprido por 84,5 por cento do braço do pertuzumabe (von Minckwitz e colaboradores, 2017). Uma revisão lembra que a diarreia, o coração e o custo entram na conta (Bulbul e colaboradores, 2018).

A vigilância pode seguir os pontos abaixo.

  • Fração de ejeção antes de começar e a cada 3 meses durante o tratamento.
  • Atenção maior com antraciclina, idade de 65 anos ou mais, sobrepeso e fração de ejeção inicial limítrofe.
  • Orientação sobre diarreia, hidratação e quando procurar o serviço.
  • Observação de 30 a 60 minutos depois de cada infusão de pertuzumabe.
  • Contracepção eficaz durante o tratamento, por causa do risco para o feto.

O post sobre deterioração clínica na enfermaria ajuda a reconhecer a piora de uma paciente desidratada pela diarreia.

Aparelho de mamografia laranja e branco numa sala de exame com um relógio na parede
Aparelho de mamografia. Depois do tratamento adjuvante, o seguimento inclui mamografia periódica, e o pertuzumabe só reduz o risco de recidiva, sem eliminar essa vigilância. Foto: Bill Branson, Wikimedia Commons, domínio público.

Pertuzumabe ou T-DM1?

Quando o tratamento começa antes da cirurgia, a escolha depois da operação depende da resposta. Quem tem resposta patológica completa completa 1 ano de pertuzumabe com trastuzumabe, como prevê a bula (bula do Perjeta de 04/2026). Quem tem doença invasiva residual entra no cenário do T-DM1, discutido no texto sobre T-DM1 na doença residual. Uma revisão de 2019 resume o lugar do pertuzumabe nos diferentes cenários (Ishii e colaboradores, 2019).

Situação regulatória: FDA e EMA

FDA

O Perjeta tem a BLA 125409 na FDA, com aprovação original em 08/06/2012 (Drugs@FDA, BLA 125409). O suplemento S-118, que acrescentou o uso adjuvante em câncer de mama HER2 positivo inicial com alto risco de recidiva, foi aprovado em 20/12/2017 (Drugs@FDA, BLA 125409) (carta de aprovação da FDA de 20/12/2017). O suplemento S-141, aprovado em 23/04/2026, acrescentou à bula os dados adicionais de sobrevida global do APHINITY (carta de aprovação da FDA de 23/04/2026). A bula atual foi revisada em 04/2026 (bula do Perjeta de 04/2026).

EMA

Na EMA, o Perjeta tem autorização de comercialização desde 04/03/2013 (página do Perjeta na EMA). A extensão para o uso adjuvante foi avaliada no procedimento II/0034, com parecer do comitê de medicamentos de uso humano em 26/04/2018 (relatório de avaliação da EMA, 2018). Nesse procedimento, a indicação foi restringida a pacientes com alto risco de recidiva, definidas como linfonodo positivo ou receptor hormonal negativo (relatório de avaliação da EMA, 2018). Na consulta de 24/10/2026, o resumo de detalhes do produto na página da EMA lista as indicações metastática e neoadjuvante, então vale conferir o texto atual do resumo das características do medicamento antes de citar a indicação adjuvante europeia (página do Perjeta na EMA).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. O pertuzumabe adjuvante é um bom exercício porque a mesma decisão muda conforme o número de linfonodos. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.

Três exercícios com casos

Mude os linfonodos. Diga o que muda se todos os linfonodos da enfermeira fossem negativos e o receptor hormonal fosse positivo.

Mude o coração. Diga o que você faria se a fração de ejeção caísse de 58 para 46 por cento no meio do tratamento.

Mude a ordem. Diga o que muda se ela tivesse feito o tratamento antes da cirurgia e a peça mostrasse doença residual.

O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a conversa com a paciente sobre benefício absoluto e efeitos adversos.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.

Perguntas frequentes

O pertuzumabe adjuvante cura o câncer de mama?

Ele reduz o risco de recidiva, sobretudo com linfonodo positivo, mas não garante cura (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

Qual é a dose?

840 mg na primeira dose e depois 420 mg a cada 3 semanas, por 1 ano, até 18 ciclos (bula do Perjeta de 04/2026).

Vale a pena sem linfonodo positivo?

No estudo, nenhum efeito foi detectado nesse grupo (von Minckwitz e colaboradores, 2017). A decisão precisa pesar o risco de cada paciente.

O pertuzumabe aumenta o risco do coração?

Os eventos graves foram raros, e a análise de longo prazo não mostrou aumento claro em comparação com o placebo (de Azambuja e colaboradores, 2023).

Qual é o efeito adverso mais comum?

A diarreia, sobretudo durante a quimioterapia (von Minckwitz e colaboradores, 2017).

Checklist final

  • Contei os linfonodos positivos no laudo.
  • Conferi o receptor hormonal.
  • Traduzi a razão de risco em benefício absoluto.
  • Pedi fração de ejeção antes de começar.
  • Planejei os anticorpos depois da antraciclina, com o taxano.
  • Orientei sobre diarreia e hidratação.
  • Orientei sobre contracepção.
  • Expliquei que o objetivo é reduzir o risco de recidiva.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Bulbul A, Araujo-Mino E, Dayao ZR. The Conundrum of Adjuvant HER2 Treatment Options. Front Oncol. 2018. PMID 29900124.
  2. Copeland AC, Anders CK. Dual HER2-Targeting in the Adjuvant Setting: Where We Have Been and Where We Are Going. Oncology (Williston Park). 2018. PMID 30334236.
  3. Debiasi M, Polanczyk CA, Ziegelmann P, et al. Efficacy of Anti-HER2 Agents in Combination With Adjuvant or Neoadjuvant Chemotherapy for Early and Locally Advanced HER2-Positive Breast Cancer Patients: A Network Meta-Analysis. Front Oncol. 2018. PMID 29872641.
  4. European Medicines Agency. CHMP extension of indication variation assessment report. Perjeta. Procedure No. EMEA/H/C/002547/II/0034. 26/04/2018. Fonte oficial.
  5. European Medicines Agency. Perjeta | European Medicines Agency (EMA). Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  6. Food and Drug Administration. BLA 125409/S-113 BLA 125409/S-118 SUPPLEMENT APPROVAL. Carta de aprovação de 20/12/2017. Fonte oficial.
  7. Food and Drug Administration. BLA 125409/S-141. SUPPLEMENT APPROVAL. Carta de aprovação de 23/04/2026. Fonte oficial.
  8. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. BLA 125409, Perjeta. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  9. Genentech. PERJETA® (pertuzumab) injection, for intravenous use. Bula revisada em 04/2026. Fonte oficial.
  10. Ishii K, Morii N, Yamashiro H. Pertuzumab in the treatment of HER2-positive breast cancer: an evidence-based review of its safety, efficacy, and place in therapy. Core Evid. 2019. PMID 31802990.
  11. Kirschbrown WP, Kågedal M, Wang B, et al. Pharmacokinetic and exploratory exposure-response analysis of pertuzumab in patients with operable HER2-positive early breast cancer in the APHINITY study. Cancer Chemother Pharmacol. 2019. PMID 30976844.
  12. Krawczyk N, Fehm T, Ruckhaeberle E, et al. Post-Neoadjuvant Treatment in HER2-Positive Breast Cancer: Escalation and De-Escalation Strategies. Cancers (Basel). 2022. PMID 35740667.
  13. Lambertini M, Fielding S, Loibl S, et al. Impact of Age on Clinical Outcomes and Efficacy of Adjuvant Dual Anti-HER2 Targeted Therapy. J Natl Cancer Inst. 2022. PMID 35512402.
  14. Mattar A, Cavalcante FP, Correa-Netto NF, et al. Impact of anti-HER2 therapies on potentially avoidable deaths from stage II and III HER2-positive breast cancer in the Brazilian public healthcare system. Breast. 2026. PMID 42826678.
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  16. Stucci LS, Pisino M, D'Addario C, et al. Management of HER2-Positive Early Breast Cancer in Italy: A Maze Presenting Opportunities and Challenges. Front Oncol. 2022. PMID 35664788.
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  19. von Minckwitz G, Procter M, de Azambuja E, et al. Adjuvant Pertuzumab and Trastuzumab in Early HER2-Positive Breast Cancer. N Engl J Med. 2017. PMID 28581356.

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Pertuzumabe adjuvante no câncer de mama HER2: APHINITY