Vacinas na gestação: coqueluche, influenza e covid

Sumário
- Por que vacinar a gestante protege o bebê
- Coqueluche: a vacina em cada gestação
- A janela de aplicação da vacina contra coqueluche
- Influenza: proteção para a mãe e para o lactente
- Covid: o que os estudos mostram
- Segurança na gestação
- Na prática: o que aplicar e quando
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Referências
Os primeiros meses de vida são o período de maior risco para coqueluche, influenza e covid grave, e é justamente quando o bebê ainda não pode ser vacinado ou não completou o esquema. A estratégia que cobre esse intervalo é vacinar a gestante: os anticorpos produzidos pela mãe atravessam a placenta e protegem o recém-nascido nas primeiras semanas (Havers, 2020).
Três vacinas fazem esse trabalho de rotina: a dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto, chamada Tdap nos Estados Unidos), a vacina inativada de influenza e a vacina de covid. Cada uma tem uma janela própria e um corpo de evidência diferente. A vacina contra o vírus sincicial respiratório na gestante tem lógica parecida e está tratada em outro texto, sobre a gestante e o bebê.
Este texto percorre o que os estudos mostram sobre proteção do lactente, momento de aplicação e segurança.
Principais pontos
- A dTpa é recomendada em cada gestação, entre 27 e 36 semanas, de preferência no início da janela (Havers, 2020).
- Vacinar antes de 31 semanas deu os maiores níveis de anticorpo no cordão de bebês a termo (Gomme, 2022).
- A vacina de influenza pode ser dada em qualquer trimestre (Grohskopf, 2024), e o efeito no lactente não variou com a idade gestacional em ensaio no Nepal (Katz, 2018).
- A vacina de covid na gestação se associou a menos internações de lactentes por covid (Halasa, 2022).
- Grandes coortes acharam riscos semelhantes de parto prematuro e de outros desfechos entre vacinadas e não vacinadas (Fell, 2022; Greenberg, 2023).
Sumário
- Por que vacinar a gestante protege o bebê
- Coqueluche: a vacina em cada gestação
- A janela de aplicação da vacina contra coqueluche
- Influenza: proteção para a mãe e para o lactente
- Covid: o que os estudos mostram
- Segurança na gestação
- Na prática: o que aplicar e quando
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
Por que vacinar a gestante protege o bebê
O recém-nascido chega ao mundo com um sistema imune pouco experiente e responde mal às vacinas nas primeiras semanas. Durante a gestação, porém, ele recebe da mãe anticorpos da classe IgG, transportados ativamente pela placenta. Essa imunidade passiva é temporária, mas cobre exatamente os meses em que o bebê é mais vulnerável.
A lógica da vacinação materna é aumentar a quantidade desses anticorpos no fim da gestação. Uma vacina aplicada na mãe eleva os títulos maternos, e parte deles chega ao feto. A transferência pela placenta começa no segundo trimestre e se intensifica no terceiro (Katz, 2018). Por isso o momento da aplicação importa: a mãe precisa de algumas semanas para produzir anticorpos, e o feto precisa de tempo para recebê-los.
Quem se beneficia
O benefício é duplo. A gestante também fica protegida, o que pesa sobretudo na influenza e na covid, em que a gravidez aumenta o risco de doença grave. Nos Estados Unidos, as gestantes responderam por 24 a 34 de cada 100 internações por influenza entre mulheres de 15 a 44 anos em cada temporada de 2010 a 2018 (Lindley, 2019). Na covid, gestantes e puérperas infectadas tiveram mais chance de internação em UTI e de ventilação invasiva do que mulheres não grávidas da mesma idade (Allotey, 2020).

Coqueluche: a vacina em cada gestação
A coqueluche mata sobretudo lactentes jovens. Nos Estados Unidos, entre 2010 e 2017, foram 3.928 internações por coqueluche em bebês com menos de 2 meses, de 262 a 743 por ano (Lindley, 2019). No Brasil, entre 2010 e 2015, a incidência em menores de 1 ano foi de 175,20 por 100 mil, e 405 das 415 mortes por coqueluche ocorreram nessa faixa (De Barros, 2020).
A doença voltou a crescer. Em 2024, o Brasil registrou 7.438 notificações, 34,4 vezes o número de 2023, com 30 mortes e internações que passaram de 236 para 739 (Sansone, 2025). O contexto lembra outra doença prevenível que reapareceu quando a cobertura caiu, a difteria.
A recomendação
O comitê americano recomenda uma aplicação de Tdap em cada gestação, independentemente de vacinação anterior, entre 27 e 36 semanas, de preferência no início desse período, embora a vacina possa ser dada em qualquer momento da gestação. Se a gestante precisar de profilaxia de tétano por ferimento, a escolha é a Tdap (Havers, 2020). A repetição em cada gestação tem razão biológica: os anticorpos contra coqueluche caem rápido depois do primeiro ano.
O Brasil incluiu a dTpa para gestantes no calendário nacional em 2014 (De Barros, 2020). A forma como cada país adapta a mesma evidência está em por que a mesma evidência gera esquemas diferentes.
O que mostram os estudos de efetividade
Uma meta-análise de ensaios randomizados de vacinas maternas encontrou dados de eficácia clínica para influenza, mas nenhum para a vacina de coqueluche (de Bruin, 2023). A prova de proteção vem de estudos observacionais em programas nacionais.
Na Comunidade Valenciana, um estudo caso-controle comparou 22 lactentes com coqueluche confirmada, todos com menos de 3 meses, a 66 controles. A efetividade ajustada da vacinação materna foi de 90,9 de cada 100, com intervalo de confiança de 56,6 a 98,1. O aleitamento materno foi a única outra variável que ficou no modelo final, também com efeito protetor (Bellido-Blasco, 2017).
Na Austrália, uma coorte de 279.418 pares mãe-bebê ligou registros de vacinação e de notificação. A vacina foi aplicada em 51,7 de cada 100 gestações, quase sempre entre 28 e 31 semanas. A efetividade foi de 70,4 de cada 100 em bebês com menos de 2 meses e caiu para 43,3 aos 7 a 8 meses, sem significância depois dos 8 meses (Regan, 2023). A proteção é maior quando o bebê mais precisa dela e some quando o esquema infantil já está em curso.

A dúvida da atenuação
Anticorpos maternos podem reduzir a resposta do bebê às vacinas do esquema infantil, fenômeno chamado de atenuação ou blunting. Na coorte australiana, a efetividade da terceira aplicação infantil foi menor nos filhos de mães vacinadas, 76,5 contra 92,9 de cada 100, mas isso não se traduziu em mais coqueluche (Regan, 2023).
Uma meta-análise de quatro estudos, com até 6 anos de seguimento, estimou risco relativo de 0,71 para coqueluche depois do esquema infantil em filhos de mães vacinadas, com intervalo largo, de 0,38 a 1,32. O modelo matemático dos autores sugere que uma redução modesta pode ficar escondida por uma década, mas que a vacinação materna continua vantajosa para proteger o recém-nascido (Briga, 2024). A leitura correta é de incerteza a acompanhar, e não de motivo para suspender a estratégia.
A janela de aplicação da vacina contra coqueluche
A janela de 27 a 36 semanas nasceu de um compromisso: aplicar tarde o bastante para que os anticorpos estejam altos no parto, e cedo o bastante para que haja tempo de transferência. Uma análise de quatro estudos em vários países, com 698 pares mãe-bebê vacinados entre 19,6 e 37,1 semanas, modelou o efeito do momento sobre os anticorpos no sangue do cordão (Gomme, 2022).
Os bebês a termo tiveram, em média, os maiores níveis quando a mãe foi vacinada antes de 31 semanas. Considerando também os partos prematuros, foi preciso um intervalo de pelo menos 7,5 semanas entre a vacina e o parto para alcançar os níveis mais altos. Vacinar mais cedo do que esses limites deu níveis igualmente altos (Gomme, 2022).
O prematuro
O recado para o pré-natal é claro. Aplicar no início da janela protege também o bebê que nasce antes do tempo, que é justamente o de maior risco. Deixar para as últimas semanas pode significar um parto antes de a transferência se completar, e isso combina com a recomendação americana de preferir o começo do período (Havers, 2020).
Quando a janela passou
Se a gestante chega tarde ao pré-natal, a vacina ainda deve ser aplicada, porque pode ser dada em qualquer momento da gestação (Havers, 2020). Na coorte australiana, os bebês foram considerados protegidos quando a vacina materna ocorreu pelo menos 14 dias antes do parto (Regan, 2023). Uma aplicação tardia protege menos o bebê, mas ainda protege a mãe, que deixa de ser fonte de transmissão.
Influenza: proteção para a mãe e para o lactente
A vacina inativada de influenza é recomendada para gestantes em qualquer trimestre, antes e durante a temporada. A vacina atenuada, de vírus vivo, fica fora da gestação, mas pode ser usada no puerpério (Grohskopf, 2024).
Os ensaios randomizados
No Mali, um ensaio randomizou 4.193 gestantes com 28 semanas ou mais para vacina de influenza ou vacina meningocócica como controle. Até os 6 meses, a eficácia contra influenza confirmada no lactente foi de 33,1 de cada 100 na análise por intenção de tratar e de 37,3 por protocolo. Nos primeiros 4 meses, chegou a 67,9 de cada 100, e caiu depois, à medida que os anticorpos diminuíram. O ensaio também observou que a vacina deixou inalterada a frequência de baixo peso ao nascer (Tapia, 2016).
Somando os ensaios de influenza materna, uma meta-análise estimou risco relativo de 0,66 para influenza confirmada em laboratório no lactente, com dois ensaios e 5.883 bebês (de Bruin, 2023). Para influenza diagnosticada só pela clínica, o risco relativo ficou em 0,99, o que lembra que o desfecho escolhido muda a leitura do efeito.
O momento da aplicação
No Nepal, um ensaio com 3.693 gestantes estratificou a randomização por idade gestacional, de 17 a 25 ou de 26 a 34 semanas. Os títulos no cordão tenderam a ser maiores com a vacinação mais tardia, sem significância, e a eficácia não variou conforme o momento (Katz, 2018). Isso facilita a vida de programas em que a gestante chega tarde ao pré-natal.
O que define a hora, na influenza, é a temporada. O comitê americano admite aplicar no início da oferta, nos meses que antecedem a circulação, para quem estará no terceiro trimestre, porque isso pode proteger o bebê nos primeiros meses de vida (Grohskopf, 2024). No primeiro e no segundo trimestre, a aplicação muito antecipada é evitada para reduzir a perda de proteção ao longo da temporada.
Covid: o que os estudos mostram
A gravidez aumenta o risco de covid grave. Em uma revisão sistemática viva, gestantes e puérperas com covid tiveram 2,61 vezes mais chance de internação em UTI e 2,41 vezes mais chance de ventilação invasiva do que mulheres não grávidas em idade reprodutiva. Idade materna maior, obesidade, comorbidades prévias, diabetes gestacional e pré-eclâmpsia se associaram a complicações graves (Allotey, 2020).
Proteção do lactente
Um estudo caso-controle com desenho teste negativo, em 30 hospitais americanos, comparou 537 lactentes internados por covid com 512 bebês internados por outras causas. A efetividade de duas aplicações de vacina de mRNA na gestação contra internação do bebê foi de 52 de cada 100 no geral, 80 no período da variante delta e 38 no da ômicron. Foi de 69 quando a vacina ocorreu depois de 20 semanas e de 38 nas primeiras 20 semanas. Os dois bebês que morreram tinham mães que não foram vacinadas na gestação (Halasa, 2022).
Com a ômicron predominante, entre 2022 e 2023, a efetividade de pelo menos uma aplicação na gestação contra internação do lactente foi de 35 de cada 100 abaixo de 6 meses e de 54 abaixo de 3 meses (Simeone, 2023). O efeito é menor do que contra a delta e se concentra nos primeiros meses, o mesmo padrão de queda visto na coqueluche e na influenza.
Como ler esses números
Estudos de teste negativo comparam bebês com o mesmo tipo de internação, o que reduz alguns vieses, mas dependem de quem procura o hospital e de quem é testado. A efetividade também depende da variante, do tempo desde a vacina e da imunidade prévia da população. Para entender por que o mesmo efeito relativo produz benefícios absolutos diferentes conforme o risco de base, vale revisar o conceito de taxa básica.
Segurança na gestação
A preocupação mais comum de quem hesita é o bebê. Na pesquisa americana de 2019, 15,9 de cada 100 gestantes não vacinadas contra influenza e 17,1 das não vacinadas com Tdap citaram a segurança do bebê como motivo (Lindley, 2019). Os dados de grandes coortes ajudam nessa conversa.
Coqueluche e corioamnionite
Um estudo anterior havia levantado associação entre Tdap na gestação e corioamnionite. No Vaccine Safety Datalink, uma coorte de 118.211 gestantes, 87 de cada 100 vacinadas, encontrou razão de risco ajustada de 0,96, com intervalo de 0,90 a 1,03. Também ficaram semelhantes o parto prematuro e os desfechos neonatais ligados à corioamnionite (Greenberg, 2023). A revisão de prontuários mostrou que o código diagnóstico tem valor preditivo limitado, um alerta para estudos baseados só em códigos.
Influenza em gestações seguidas
Uma coorte de 82.055 pessoas com duas gestações seguidas comparou quem foi vacinada contra influenza nas duas, 44.879, com quem não foi vacinada em nenhuma. A vacinação repetida se associou a riscos semelhantes de pré-eclâmpsia, descolamento de placenta, febre, parto prematuro, rotura prematura de membranas, corioamnionite e bebê pequeno para a idade gestacional, independentemente do intervalo entre as gestações (Getahun, 2024).
Covid e desfechos do parto
Em Ontário, entre 85.162 nascimentos, 43.099 foram de mães vacinadas contra covid na gestação. O risco de parto prematuro ficou igual, com razão de risco ajustada de 1,02; o de bebê pequeno para a idade gestacional, 0,98; e o de natimorto foi menor nas vacinadas, 0,65. Os resultados foram parecidos por trimestre, por produto e por número de aplicações (Fell, 2022). O natimorto menor pode refletir diferenças entre os grupos, e não um efeito protetor da vacina.
Separar coincidência de efeito
A gestação tem eventos frequentes por si só: aborto espontâneo no primeiro trimestre, prematuridade, pré-eclâmpsia. Qualquer vacina aplicada a muitas gestantes vai coincidir com alguns deles. O raciocínio que separa sequência temporal de causa está em por que a sequência no tempo engana, e os desenhos que comparam o observado com o esperado estão em observado versus esperado. Reações graves são raras, como mostra o texto sobre anafilaxia após vacina.
Na prática: o que aplicar e quando
A tabela resume as recomendações das fontes lidas. Calendários nacionais podem diferir em detalhes, e o pré-natal deve seguir o calendário local.
| Vacina | Momento | Repetir? | Observação | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| dTpa (Tdap) | 27 a 36 semanas, de preferência no início | Em cada gestação | Pode ser dada em qualquer momento se a janela passou | Havers, 2020 |
| Influenza inativada | Qualquer trimestre, conforme a temporada | Em cada temporada | Vacina atenuada contraindicada na gestação | Grohskopf, 2024 |
| Covid de mRNA | Na gestação; maior efeito no bebê depois de 20 semanas | Conforme o calendário vigente | Proteção do lactente maior nos 3 primeiros meses | Halasa, 2022; Simeone, 2023 |
| Profilaxia de tétano por ferimento | Quando indicada | Avaliar o histórico | Usar a Tdap na gestante | Havers, 2020 |
A recomendação do profissional
A cobertura segue baixa. Em 2022 e 2023, nos Estados Unidos, 47,2 de cada 100 mulheres receberam vacina de influenza, 55,4 receberam Tdap na gestação e 27,3 receberam o reforço bivalente de covid. Quem recebeu recomendação do profissional teve menos hesitação (Razzaghi, 2023). Em 2019, entre mulheres a quem a vacina foi oferecida ou indicada, a cobertura subiu para 65,7 de cada 100 na influenza e 70,5 na Tdap; e 37,9 das não vacinadas com Tdap disseram que não sabiam da necessidade em cada gestação (Lindley, 2019).
No Brasil, a cobertura da dTpa em gestantes foi de 9,2 de cada 100 em 2014, 40,4 em 2015 e 33,8 em 2016 (De Barros, 2020). A forma de fazer a recomendação pesa: o texto sobre recomendação presuntiva ou participativa mostra como começar a conversa.
Organizar o pré-natal
Uma forma simples é amarrar as vacinas a consultas fixas: a de influenza na primeira consulta da temporada, a dTpa por volta de 27 a 28 semanas e a de covid conforme o calendário em vigor. Explicar que a vacina protege a mãe e, através dela, o bebê dá sentido à repetição em cada gestação. Na decisão compartilhada, ajuda apresentar benefício e risco na mesma escala, como em benefícios e danos.
O registro também conta. Anotar a data e a idade gestacional de cada vacina na caderneta da gestante permite conferir, no parto, se a dTpa foi aplicada a tempo, e orienta a equipe da maternidade e o pediatra na primeira consulta do bebê. Quando a gestante deixou passar a vacina de influenza, o puerpério é outra oportunidade, já que a vacina inativada pode ser dada depois do parto (Grohskopf, 2024). A mesma visita serve para lembrar que o esquema do bebê começa nos primeiros meses e que a proteção recebida da mãe é temporária.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. Reconhecer um lactente com tosse paroxística e apneia, ou uma gestante com quadro respiratório grave, exercita a mesma leitura de risco que orienta a vacinação no pré-natal.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para treinar a busca do código, veja como o código da CID-10 é montado.
Perguntas frequentes
Por que a dTpa precisa ser repetida em cada gestação?
Porque os anticorpos contra coqueluche caem rápido depois do primeiro ano, e o objetivo é ter títulos altos no fim de cada gestação para transferir ao bebê (Havers, 2020).
Qual o melhor momento para a dTpa?
O início da janela de 27 a 36 semanas. Vacinar antes de 31 semanas deu os maiores níveis no cordão de bebês a termo, e um intervalo de pelo menos 7,5 semanas até o parto cobre também os prematuros (Gomme, 2022).
A vacina de influenza pode ser dada no primeiro trimestre?
Pode. A vacina inativada é recomendada em qualquer trimestre (Grohskopf, 2024), e uma coorte com duas gestações seguidas achou riscos semelhantes de desfechos adversos entre vacinadas e não vacinadas (Getahun, 2024).
Por quanto tempo o bebê fica protegido?
Alguns meses. Na coqueluche, a efetividade caiu de 70,4 de cada 100 antes dos 2 meses para 43,3 aos 7 a 8 meses (Regan, 2023); na influenza, foi maior nos 4 primeiros meses (Tapia, 2016). O esquema infantil precisa ser seguido no prazo.
A vacina da mãe atrapalha as vacinas do bebê?
Pode reduzir um pouco a resposta a algumas aplicações infantis, mas os estudos disponíveis mostraram que isso não aumentou a coqueluche nos bebês (Regan, 2023; Briga, 2024).
A vacina de covid na gestação causa parto prematuro?
Em Ontário, o risco de parto prematuro foi igual entre vacinadas e não vacinadas, e os resultados foram parecidos em todos os trimestres (Fell, 2022).
E se a gestante chegou tarde ao pré-natal?
Vacinar mesmo assim. A dTpa pode ser aplicada em qualquer momento da gestação (Havers, 2020), e a eficácia da vacina de influenza no lactente foi semelhante com aplicação no segundo ou no terceiro trimestre (Katz, 2018).
Take-home messages
- Vacinar a gestante protege o bebê nos meses em que ele ainda é vulnerável, pela passagem de anticorpos IgG na placenta.
- A dTpa vai em cada gestação, no início da janela de 27 a 36 semanas, para cobrir também o prematuro.
- A efetividade contra coqueluche no lactente foi de 70 a 90 de cada 100 nos primeiros meses em estudos de programas nacionais.
- A vacina inativada de influenza pode ser dada em qualquer trimestre; a hora é ditada pela temporada.
- A vacina de covid na gestação reduziu internações de lactentes, com efeito maior quando aplicada depois de 20 semanas.
- Grandes coortes acharam riscos semelhantes de desfechos adversos na gestação entre vacinadas e não vacinadas.
- A recomendação clara do profissional se associa a mais cobertura e a menos hesitação.
Jogue o caso do dia no NEXO.
Referências
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