Mieloma: reconhecer a doença ativa antes do dano

Radiografia do quadril e do fêmur esquerdo com osso de aspecto irregular e áreas mais escuras de lesão por mieloma
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. As pistas que chegam antes do diagnóstico
  3. Gamopatia, mieloma latente e mieloma ativo
  4. Os critérios SLiM-CRAB
  5. A imagem que define o osso
  6. O risco do mieloma latente
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Checklist final
  10. Referências

Uma costureira de 67 anos procura a unidade básica por dor lombar há 4 meses, que piora à noite e não melhora com analgésicos comuns. Ela anda cansada. O hemograma mostra hemoglobina de 10,8 g/dL, com limite inferior do laboratório em 12; a creatinina é de 1,3 mg/dL e o cálcio, de 10,2 mg/dL. A eletroforese de proteínas mostra um pico monoclonal de 2,4 g/dL, IgG kappa. A radiografia da coluna foi descrita como osteopenia com alterações degenerativas. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. O tema é reconhecer o mieloma ativo antes que ele cause dano grave, usando os critérios do grupo internacional de trabalho em mieloma, o IMWG, revistos em 2014. O foco é o diagnóstico: separar gamopatia monoclonal de significado indeterminado, mieloma latente e mieloma que precisa de tratamento. Ele não discute o tratamento nem o cuidado integrado do mieloma já diagnosticado, temas de outros textos da série. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: as pistas parecem comuns, e cada uma tem uma explicação mais frequente.

Principais pontos

  • Dor óssea persistente, anemia sem causa clara, lesão renal e cálcio alto pedem pensar em mieloma.
  • O mieloma latente tem proteína monoclonal de pelo menos 3 g/dL ou de 10 a 59 por cento de plasmócitos clonais na medula, sem evento definidor de mieloma.
  • A revisão de 2014 somou aos critérios CRAB três biomarcadores: plasmócitos de 60 por cento ou mais, razão de cadeias leves livres de 100 ou mais e mais de 1 lesão focal na ressonância.
  • A radiografia simples perde muitas lesões; tomografia de corpo inteiro de baixa dose, PET com tomografia ou ressonância são preferidas.
  • O modelo 2/20/20 estima o risco de progressão do mieloma latente em 2 anos.

Por que este é um cenário de raciocínio

A dor lombar é uma das queixas mais comuns da atenção primária, e a anemia leve na idade da costureira tem muitas causas. Uma revisão sobre o atraso no diagnóstico do mieloma lembra que a dor óssea ou lombar é muitas vezes atribuída a artrose ou osteoporose e não levada a sério, o que atrasa o diagnóstico e aumenta a morbidade e a mortalidade (Zorlu e colaboradores, 2025). O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a valorizar a dor que piora à noite e não cede.

A mesma revisão aponta que a gamopatia monoclonal afeta cerca de 3 por cento das pessoas acima de 50 anos e o mieloma latente, de 0,5 a 1 por cento, enquanto hipertensão e diabetes são muito mais comuns na mesma faixa (Zorlu e colaboradores, 2025). Por isso, os sintomas costumam ser atribuídos a doenças frequentes, e o encaminhamento ao hematologista demora (Zorlu e colaboradores, 2025). O post sobre tomada de decisão clínica ajuda a decidir quando um exame a mais vale a pena.

O que a cena ensina

A cena treina seis hábitos. O primeiro é juntar pistas comuns que, somadas, deixam de ser comuns. O segundo é conhecer os critérios de dano de órgão. O terceiro é saber que a radiografia normal não exclui lesão óssea. O quarto é conhecer os três biomarcadores da revisão de 2014. O quinto é estimar o risco do mieloma latente. O sexto é encaminhar sem atraso.

O que não está em jogo

O texto não discute esquemas de tratamento, transplante, terapia celular nem o cuidado do rim e do osso no mieloma já tratado. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda quando os exames ficam no limite dos critérios.

As pistas que chegam antes do diagnóstico

Os sinais de alerta

A revisão sobre atraso diagnóstico propõe sinais que, juntos, devem levar à investigação (Zorlu e colaboradores, 2025). Eles estão na lista abaixo.

  • Dor óssea ou lombar persistente, sobretudo sem resposta a analgésicos.
  • Anemia normocítica normocrômica com hemoglobina abaixo de 10 g/dL e sem causa clara.
  • Velocidade de hemossedimentação muito alta, acima de 60 mm/h.
  • Cálcio acima de 11 mg/dL.
  • Taxa de filtração abaixo de 60 mL/min sem outra causa, ou cansaço e perda de peso sem explicação.

Com 2 ou mais desses sinais, a revisão sugere pedir eletroforese de proteínas séricas, cadeias leves livres e imunofixação (Zorlu e colaboradores, 2025). A costureira tem dor persistente, anemia e um pico monoclonal; falta saber se há dano de órgão causado pelo clone.

Atribuir ao clone

Nem toda anemia ou lesão renal num paciente com proteína monoclonal vem do mieloma. Numa série de mieloma latente, os poucos pacientes com hemoglobina abaixo de 10 g/dL tinham outras causas, como doença renal crônica, mielodisplasia e deficiência nutricional, e os com cálcio alto tinham sarcoidose ou hiperparatireoidismo (Lakshman e colaboradores, 2018). Os critérios exigem que o dano seja atribuível à proliferação de plasmócitos clonais (Abdallah e colaboradores, 2024). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a não atribuir tudo ao achado mais chamativo.

Gamopatia, mieloma latente e mieloma ativo

Gamopatia de significado indeterminado

Quase todo mieloma surge de uma fase sem sintomas chamada gamopatia monoclonal de significado indeterminado (Zorlu e colaboradores, 2025). Numa coorte de 1384 pessoas seguidas por mediana de 34,1 anos, a progressão na gamopatia IgM foi de 2 por cento ao ano nos primeiros 10 anos e de 1 por cento ao ano depois; na gamopatia não IgM, o risco não diminuiu com o tempo de seguimento (Kyle e colaboradores, 2018). O nível inicial da proteína monoclonal e a razão de cadeias leves livres foram os fatores de risco mais importantes (Kyle e colaboradores, 2018).

O consenso do IMWG sobre gamopatia recomenda repetir a eletroforese 3 a 6 meses depois do achado, para excluir mieloma ou macroglobulinemia, porque a proteína monoclonal costuma ser encontrada por acaso (Kyle e colaboradores, 2010). Na gamopatia de baixo risco, com proteína abaixo de 15 g/L, tipo IgG e razão de cadeias leves normal, a biópsia de medula e o estudo do esqueleto não são rotina se a avaliação clínica e os exames básicos forem normais (Kyle e colaboradores, 2010).

A gamopatia também não é inofensiva para a sobrevida. Na mesma coorte, a mediana de sobrevida foi de 8,1 anos, contra 12,4 anos esperados para pessoas da mesma idade e sexo, e a maior parte das mortes veio de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e outros cânceres (Kyle e colaboradores, 2018). Isso lembra que acompanhar a gamopatia é também cuidar do restante da saúde da pessoa.

Mieloma latente

O mieloma latente é definido por proteína monoclonal sérica de 3 g/dL ou mais, proteína monoclonal urinária de 500 mg em 24 horas ou mais, ou 10 por cento ou mais de plasmócitos clonais na medula, sem os critérios SLiM-CRAB (Abdallah e colaboradores, 2024). Na Islândia, num rastreamento populacional com biópsia de medula, a prevalência foi de 0,53 por cento nas pessoas com 40 anos ou mais e de 1,59 por cento acima de 80 anos (Thorsteinsdóttir e colaboradores, 2023). O risco médio de progressão é de cerca de 10 por cento ao ano nos primeiros 5 anos (Thorsteinsdóttir e colaboradores, 2023). O modelo 2/20/20 descreve depois disso 3 por cento ao ano nos 5 anos seguintes e 1 por cento ao ano depois de 10 anos (Mateos e colaboradores, 2020). A prevalência foi maior nos homens, 0,67 por cento, que nas mulheres, 0,39 por cento (Thorsteinsdóttir e colaboradores, 2023).

Mieloma ativo

O mieloma ativo é o que tem pelo menos um evento definidor de mieloma, seja dano de órgão do tipo CRAB, seja um dos três biomarcadores da revisão de 2014 (Abdallah e colaboradores, 2024). É esse diagnóstico que indica tratamento. A pergunta central da cena é se a costureira tem gamopatia, mieloma latente ou mieloma ativo.

Os critérios SLiM-CRAB

Por que a revisão de 2014 mudou o critério

Antes de 2014, o diagnóstico de mieloma exigia dano de órgão: cálcio alto, disfunção renal, anemia ou lesões ósseas (Lakshman e colaboradores, 2018). Estudos mostraram que pacientes com plasmócitos de 60 por cento ou mais, mais de 1 lesão focal na ressonância ou razão de cadeias leves livres de 100 ou mais tinham cerca de 80 por cento de risco de progressão em 2 anos (Lakshman e colaboradores, 2018). Como boa parte da morbidade do mieloma vem do dano de órgão, a revisão de 2014 passou a classificar esses pacientes, cerca de 10 por cento dos casos de mieloma latente, como mieloma que precisa de tratamento (Lakshman e colaboradores, 2018).

Os critérios

A tabela resume os eventos definidores de mieloma, com os limites descritos nas publicações abertas que aplicam os critérios (Abdallah e colaboradores, 2024).

CritérioLimiteFonte
S, plasmócitos clonais na medula60 por cento ou mais(Abdallah e colaboradores, 2024)
Li, cadeias leves livresRazão entre a envolvida e a não envolvida de 100 ou mais, com cadeia envolvida acima de 100 mg/L(Abdallah e colaboradores, 2024)
M, ressonânciaMais de 1 lesão focal no osso ou na medula, maior que 5 mm(Abdallah e colaboradores, 2024)
C, cálcioCálcio sérico acima de 11 mg/dL(Abdallah e colaboradores, 2024)
R, rimCreatinina sérica acima de 2 mg/dL(Abdallah e colaboradores, 2024)
A, anemiaHemoglobina abaixo de 10 g/dL ou mais de 2 g/dL abaixo do limite inferior normal(Abdallah e colaboradores, 2024)
B, osso1 ou mais lesões osteolíticas de 5 mm ou mais na radiografia, ressonância, tomografia ou PET com tomografia(Abdallah e colaboradores, 2024)

Aplicando a tabela, a costureira ainda não preenche C, R nem A: o cálcio é de 10,2 mg/dL, a creatinina de 1,3 mg/dL e a hemoglobina está 1,2 g/dL abaixo do limite inferior. Faltam a medula, as cadeias leves livres e uma imagem adequada do esqueleto. O post sobre pausa diagnóstica ajuda a não fechar o caso como gamopatia só porque os exames básicos estão no limite.

Traçados de eletroforese de proteínas séricas comparando padrões, entre eles um pico estreito na região gama da gamopatia monoclonal
Padrões de eletroforese de proteínas séricas. O pico estreito na região gama indica proteína monoclonal, o primeiro passo para separar gamopatia, mieloma latente e mieloma ativo. Foto: cecco, Wikimedia Commons, domínio público.

A imagem que define o osso

A radiografia não basta

As lesões osteolíticas são uma marca do mieloma e aparecem em até 80 por cento dos pacientes no diagnóstico, sobretudo na coluna e nos ossos longos proximais (Rasch e colaboradores, 2020). Pela revisão de 2014, 1 ou mais lesões líticas de 5 mm ou mais na tomografia, na tomografia de baixa dose ou na PET com tomografia preenchem o critério ósseo, mesmo que não apareçam na radiografia (Rasch e colaboradores, 2020). A captação focal na PET sozinha não basta; é preciso ver destruição óssea na parte de tomografia (Rasch e colaboradores, 2020).

Uma revisão sobre tomografia de corpo inteiro de baixa dose lembra que a radiografia do esqueleto tem acurácia baixa, com 30 a 70 por cento de falsos negativos, e só deve ser usada se for a única opção (Pierro e colaboradores, 2021). A radiografia da costureira, descrita como osteopenia, não exclui lesão lítica.

A revisão sobre tomografia de baixa dose também aponta seus limites: o exame usa radiação, embora os protocolos de baixa dose a reduzam bastante, e não é tão eficiente para detectar a infiltração precoce da medula antes da destruição óssea franca, sobretudo na coluna e na pelve (Pierro e colaboradores, 2021). Por isso, a ressonância é sugerida quando a tomografia mostra lesões suspeitas que não preenchem os requisitos (Pierro e colaboradores, 2021). Na PET com tomografia, vários estudos relataram sensibilidade e especificidade de 80 a 100 por cento para lesões ósseas (Zamagni e Talarico, 2025).

A ressonância

Na ressonância, a lesão focal é uma área circunscrita de 5 mm ou mais, com sinal típico nas sequências, fora dos locais comuns de alteração degenerativa (Wennmann e colaboradores, 2020). Mais de 1 lesão focal é um evento definidor de mieloma (Zamagni e Talarico, 2025). Num estudo de mieloma latente, o protocolo de ressonância e a área do corpo examinada influenciaram a detecção das lesões focais e, com isso, o estadiamento (Wennmann e colaboradores, 2020). O post sobre raciocínio clínico interprofissional lembra que a conversa com a radiologia muda o diagnóstico.

O desfecho da cena

Na cena, a tomografia de corpo inteiro de baixa dose mostra uma lesão lítica de 8 mm no corpo de uma vértebra lombar. A biópsia de medula mostra 25 por cento de plasmócitos clonais. Com a lesão óssea, a costureira tem mieloma ativo pelo critério B, mesmo sem cálcio alto, sem lesão renal pelo critério e sem anemia pelo critério. Sem a imagem adequada, ela teria sido classificada como mieloma latente.

Foto em preto e branco de uma médica preparando uma punção de medula óssea na região posterior do quadril de uma paciente deitada de lado, acompanhada por outra mulher
Punção de medula óssea. A porcentagem de plasmócitos clonais na medula separa gamopatia, mieloma latente e um dos critérios de mieloma ativo. Foto: Bill Branson, National Cancer Institute, Wikimedia Commons, domínio público.

O risco do mieloma latente

O modelo 2/20/20

Para o mieloma latente sem evento definidor, o modelo do IMWG usa três fatores: proteína monoclonal acima de 2 g/dL, plasmócitos na medula acima de 20 por cento e razão de cadeias leves livres acima de 20 (Mateos e colaboradores, 2020). Em 1363 pacientes com os três dados, o risco de progressão em 2 anos foi de 6 por cento sem nenhum fator, 18 por cento com 1 fator e 44 por cento com 2 ou 3 fatores (Mateos e colaboradores, 2020). Os limites vieram de uma série da Mayo Clinic que buscou os melhores pontos de corte depois da revisão de 2014 (Lakshman e colaboradores, 2018).

Na série da Mayo Clinic, a progressão foi de 18 por cento no primeiro ano, cerca de 10 por cento ao ano nos 3 anos seguintes e menor depois disso (Lakshman e colaboradores, 2018). Num estudo de 406 pacientes com mieloma latente, 72 por cento dos que foram apenas observados progrediram durante o estudo, e cerca de metade dos que progrediram teve dano de órgão clinicamente relevante (Abdallah e colaboradores, 2024). As lesões ósseas foram o evento definidor mais comum, em mais de um terço (Abdallah e colaboradores, 2024).

No mesmo estudo, entre os pacientes que receberam tratamento precoce, 11 por cento progrediram para mieloma, contra 72 por cento dos que foram apenas observados (Abdallah e colaboradores, 2024). Os autores ressaltam que, apesar de dados de estudos clínicos sugerindo benefício da intervenção precoce, a maioria dos pacientes com mieloma latente foi observada na prática (Abdallah e colaboradores, 2024). Esse estudo é retrospectivo e não compara grupos randomizados, por isso não define sozinho quem deve ser tratado cedo. Ele mostra, porém, que observar sem um plano claro deixa muitos pacientes chegarem ao dano de órgão.

Para a costureira, a questão já não é essa, porque a lesão lítica define mieloma ativo. Mas o mesmo raciocínio vale para a próxima paciente com pico monoclonal e exames no limite: classificar com cuidado, estimar o risco e combinar o seguimento.

Seguir de perto

O mesmo estudo mostrou intervalos de seguimento muito variáveis na prática, de 1 a 18 meses, com mediana de 3 meses (Abdallah e colaboradores, 2024). Os autores recomendam decisão compartilhada sobre observar ou tratar cedo o mieloma latente de alto risco e acompanhamento que detecte a progressão antes do dano (Abdallah e colaboradores, 2024). O post sobre deterioração clínica na enfermaria lembra que acompanhar a tendência permite agir antes da crise.

A investigação de uma pessoa com suspeita de mieloma começa por eletroforese de proteínas séricas, imunofixação e cadeias leves livres, com hemograma, cálcio, creatinina e proteína na urina. Depois vem a imagem do esqueleto, com tomografia de baixa dose, PET com tomografia ou ressonância, e o encaminhamento ao hematologista para biópsia de medula. Com tudo isso, a pessoa é classificada como gamopatia, mieloma latente ou mieloma ativo pelos critérios.

A imagem também muda o risco

Uma revisão sobre imagem funcional cita um estudo em que o risco de progressão do mieloma latente em 2 anos foi de 87 por cento com lesões osteolíticas na PET com tomografia, de 61 por cento com captação anormal sem alteração da estrutura óssea e de 30 por cento com PET negativa (Zamagni e Talarico, 2025). Esse dado mostra que a imagem não serve só para preencher o critério B, mas também para entender o risco de quem ainda não o preenche.

A citogenética também entra na conversa sobre risco. Na coorte do modelo 2/20/20, entre os pacientes com esse dado, as alterações mais frequentes foram trissomias e deleção do cromossomo 13, e a translocação t(4;14) apareceu em 10,2 por cento (Mateos e colaboradores, 2020). O modelo do IMWG usa essas alterações para separar mais um grupo de risco (Abdallah e colaboradores, 2024).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. O mieloma é um bom exercício porque as pistas iniciais parecem comuns e o diagnóstico depende de juntar exames de áreas diferentes. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.

Três exercícios com casos

Mude a imagem. Diga como você classificaria a costureira se a tomografia não mostrasse lesão e a ressonância mostrasse 1 lesão focal de 7 mm.

Mude as cadeias leves. Diga o que muda se a razão de cadeias leves livres fosse de 140, com cadeia envolvida de 180 mg/L.

Mude a creatinina. Diga o que você investigaria se a creatinina fosse de 2,6 mg/dL num paciente diabético.

O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a anamnese que leva a pensar em mieloma.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.

Perguntas frequentes

Todo pico monoclonal é mieloma?

Não. A maioria é gamopatia de significado indeterminado, com risco baixo de progressão (Kyle e colaboradores, 2018).

O que é o SLiM-CRAB?

São os eventos definidores de mieloma: três biomarcadores e os quatro tipos de dano de órgão (Abdallah e colaboradores, 2024).

Radiografia normal exclui lesão óssea?

Não. A radiografia tem muitos falsos negativos; tomografia de baixa dose, PET com tomografia ou ressonância são preferidas (Pierro e colaboradores, 2021).

O mieloma latente precisa de tratamento?

Ele não preenche os critérios de mieloma ativo. O risco é estimado pelo modelo 2/20/20, e a decisão sobre tratar cedo é compartilhada (Mateos e colaboradores, 2020) (Abdallah e colaboradores, 2024).

Mieloma tem cura?

A revisão sobre doença óssea descreve o mieloma como incurável (Rasch e colaboradores, 2020). O objetivo do diagnóstico precoce é evitar o dano de órgão.

Checklist final

  • Valorizei dor óssea persistente com anemia.
  • Pedi eletroforese, imunofixação e cadeias leves livres.
  • Conferi cálcio, creatinina e hemoglobina pelos limites dos critérios.
  • Verifiquei se o dano é atribuível ao clone.
  • Pedi imagem adequada do esqueleto.
  • Encaminhei para biópsia de medula.
  • Classifiquei como gamopatia, latente ou ativo.
  • Estimei o risco pelo modelo 2/20/20 no mieloma latente.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Abdallah NH, Lakshman A, Kumar SK, et al. Mode of progression in smoldering multiple myeloma: a study of 406 patients. Blood Cancer J. 2024. PMID 38228628.
  2. Kyle RA, Durie BG, Rajkumar SV, et al. Monoclonal gammopathy of undetermined significance (MGUS) and smoldering (asymptomatic) multiple myeloma: IMWG consensus perspectives risk factors for progression and guidelines for monitoring and management. Leukemia. 2010. PMID 20410922.
  3. Kyle RA, Larson DR, Therneau TM, et al. Long-Term Follow-up of Monoclonal Gammopathy of Undetermined Significance. N Engl J Med. 2018. PMID 29342381.
  4. Lakshman A, Rajkumar SV, Buadi FK, et al. Risk stratification of smoldering multiple myeloma incorporating revised IMWG diagnostic criteria. Blood Cancer J. 2018. PMID 29895887.
  5. Mateos MV, Kumar S, Dimopoulos MA, et al. International Myeloma Working Group risk stratification model for smoldering multiple myeloma (SMM). Blood Cancer J. 2020. PMID 33067414.
  6. Pierro A, Posa A, Astore C, et al. Whole-Body Low-Dose Multidetector-Row CT in Multiple Myeloma: Guidance in Performing, Observing, and Interpreting the Imaging Findings. Life (Basel). 2021. PMID 34947851.
  7. Rasch S, Lund T, Asmussen JT, et al. Multiple Myeloma Associated Bone Disease. Cancers (Basel). 2020. PMID 32751464.
  8. Thorsteinsdóttir S, Gíslason GK, Aspelund T, et al. Prevalence of smoldering multiple myeloma based on nationwide screening. Nat Med. 2023. PMID 36747117.
  9. Wennmann M, Hielscher T, Kintzelé L, et al. Spatial Distribution of Focal Lesions in Whole-Body MRI and Influence of MRI Protocol on Staging in Patients with Smoldering Multiple Myeloma According to the New SLiM-CRAB-Criteria. Cancers (Basel). 2020. PMID 32906608.
  10. Zamagni E, Talarico M. Fifteen years of use of functional imaging in multiple myeloma: where we started and where we are going. Blood Adv. 2025. PMID 40875592.
  11. Zorlu T, Kayer MA, Okumus N, et al. Challenges, Difficulties, and Delayed Diagnosis of Multiple Myeloma. Diagnostics (Basel). 2025. PMID 40647707.

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