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Medicina do EsporteCardiologia

Exercício na hipertensão: aeróbico, resistido e isométrico

Esfigmomanômetro aneroide com manguito preto, pera de borracha, válvula e manômetro de ponteiro sobre fundo branco

Alexei Peter dos SantosThiago Longo MoraesRafael Guimarães MalangaAlexei Peter dos Santos, Thiago Longo Moraes e Rafael Guimarães Malanga

Publicado em Atualizado em

Sumário
  1. Por que o tipo de exercício importa na hipertensão
  2. Quanto o exercício reduz a pressão
  3. Aeróbico, resistido e isométrico: o que cada um oferece
  4. Pressão ambulatorial e efeito agudo
  5. Onde o exercício entra no tratamento
  6. Os limites da evidência
  7. Como prescrever na prática
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Take-home messages
  11. Referências

Um motorista de aplicativo de 52 anos recebeu o diagnóstico de hipertensão estágio 1 há três meses. Ele mediu a pressão em casa por uma semana, os valores confirmaram o diagnóstico, e o risco cardiovascular calculado ficou baixo. Ele quer tentar "resolver sem remédio" e pergunta o que deve fazer: caminhar, entrar na academia ou usar aquele aparelho de apertar a mão que viu num vídeo.

A pergunta parece simples, mas cada uma dessas opções tem evidência diferente. Há dezenas de ensaios clínicos sobre exercício aeróbico, um número crescente sobre treino de força e um conjunto menor, porém chamativo, sobre exercício isométrico. Os efeitos variam com o tipo de treino, com a pressão de partida e com a forma de medir.

Este texto mostra quanto cada modalidade reduz a pressão, o que as metanálises mais recentes acrescentam, onde o exercício entra ao lado do tratamento farmacológico e como transformar a recomendação em prescrição.

Principais pontos

  • Uma metanálise de 93 ensaios mostrou queda de pressão com treino aeróbico, resistido dinâmico e isométrico (Cornelissen, 2013).
  • Em hipertensos, o treino aeróbico reduziu a sistólica em 8,3 mmHg em média (Cornelissen, 2013).
  • Numa análise de 270 ensaios, o treino isométrico teve a maior queda média de sistólica, com menos estudos e intervalo de confiança mais largo (Whelton, 2025).
  • O exercício também reduz a pressão medida por MAPA em 24 horas, que prediz melhor o risco (Saco-Ledo, 2020).
  • A diretriz americana recomenda medidas não farmacológicas para todos os adultos com pressão elevada ou hipertensão, inclusive os que usam remédio (Arnett, 2019).
  • A melhor modalidade costuma ser a combinação que o paciente consegue manter.

Sumário

Por que o tipo de exercício importa na hipertensão

A hipertensão é um dos principais fatores de risco modificáveis para doença coronariana, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca (Cornelissen, 2013). O exercício aparece em todas as diretrizes como parte do tratamento, mas a recomendação costuma vir genérica, como "faça atividade física", sem dizer qual atividade, com que frequência e por quanto tempo.

Essa falta de detalhe tem consequência. Cada modalidade mobiliza o sistema cardiovascular de forma diferente, e a queda de pressão esperada muda de uma para outra (Whelton, 2025). Saber a diferença ajuda a escolher, a combinar e a explicar ao paciente o que esperar.

Três grupos de exercício aparecem nos ensaios:

  • Aeróbico: caminhada, corrida, ciclismo, natação e dança, com contrações repetidas de grandes grupos musculares (Whelton, 2025).
  • Resistido dinâmico: musculação, flexões, agachamentos, com movimento das articulações contra uma carga (Whelton, 2025).
  • Isométrico: contração mantida contra uma resistência fixa, sem mudar o comprimento do músculo, como preensão manual, agachamento na parede e prancha (Whelton, 2025).

A eles se somam o treino combinado, que junta aeróbico e força, e o treino intervalado de alta intensidade, que alterna esforços curtos e intensos com pausas.

Quanto o exercício reduz a pressão

A metanálise de referência

A metanálise de Cornelissen e Smart reuniu 93 ensaios com 5223 participantes adultos (Cornelissen, 2013). A sistólica caiu 3,5 mmHg com treino aeróbico, 1,8 mmHg com resistido dinâmico e 10,9 mmHg com isométrico, sem queda significativa com treino combinado (Cornelissen, 2013).

O efeito do treino aeróbico dependeu da pressão de partida. Em grupos de hipertensos, a queda foi de 8,3 mmHg na sistólica e 5,2 mmHg na diastólica, bem maior que nos grupos com pressão normal (Cornelissen, 2013). Esse padrão se repete em quase todas as análises: quem tem a pressão mais alta ganha mais.

A análise mais ampla

Uma metanálise em rede de 270 ensaios, com 15.827 participantes, ampliou essa comparação (Whelton, 2025). Nas comparações diretas, as quedas de sistólica e diastólica foram de 4,49 e 2,53 mmHg com aeróbico, 4,55 e 3,04 mmHg com resistido dinâmico, 6,04 e 2,54 mmHg com treino combinado, 4,08 e 2,50 mmHg com intervalado e 8,24 e 4,00 mmHg com isométrico (Whelton, 2025).

O volume de evidência é desigual. Havia 182 ensaios de aeróbico e apenas 24 de isométrico, o que deixou o intervalo de confiança do isométrico bem mais largo (Whelton, 2025). Dentro do aeróbico, a caminhada reduziu a sistólica em 2,85 mmHg, e o ciclismo e a corrida, em cerca de 6,9 mmHg (Whelton, 2025).

Uma análise recente com resultado diferente

Uma metanálise em rede publicada em 2026, com 105 ensaios em adultos com pressão elevada ou hipertensão, chegou a outra ordem (Xin, 2026). O treino combinado reduziu a sistólica em 12,05 mmHg e o intervalado em 10,97 mmHg, enquanto aeróbico, isométrico e força isolados tiveram efeitos menores (Xin, 2026).

A mesma análise encontrou uma relação em U entre volume de exercício e queda de pressão, com maior benefício perto de 830 MET-minutos por semana (Xin, 2026). A conclusão dos autores é que todas as modalidades reduzem a pressão de forma significativa (Xin, 2026).

A divergência entre as análises sobre qual modalidade lidera é, em si, uma informação útil. Ela mostra que as diferenças entre modalidades são menores e mais incertas que a diferença entre fazer e não fazer exercício.

Aeróbico, resistido e isométrico: o que cada um oferece

A tabela resume os principais dados de cada modalidade.

Modalidade Exemplo Queda média de sistólica nos ensaios Força da evidência
Aeróbico Caminhada rápida, ciclismo, corrida 4,49 mmHg na análise de 270 ensaios (Whelton, 2025) Maior número de ensaios
Resistido dinâmico Musculação, flexões, agachamentos 4,55 mmHg na mesma análise (Whelton, 2025) Moderada
Combinado Aeróbico e força na mesma semana 6,04 mmHg na mesma análise (Whelton, 2025) Moderada
Intervalado Tiros curtos com pausas 4,08 mmHg na mesma análise (Whelton, 2025) Moderada
Isométrico Preensão manual, agachamento na parede 8,24 mmHg na mesma análise (Whelton, 2025) Poucos ensaios, intervalo largo

Aeróbico

O treino aeróbico é a base da recomendação, por ter o maior número de ensaios e por trazer benefícios que vão além da pressão. Ele foi a única modalidade com redução significativa da pressão ambulatorial numa metanálise de hipertensos (Saco-Ledo, 2020). A intensidade parece pesar: ciclismo e corrida tiveram efeito maior que caminhada (Whelton, 2025).

Resistido dinâmico

O treino de força reduziu a pressão em 14 estudos com 253 hipertensos (Correia, 2023). O efeito foi mais forte com carga moderada a vigorosa, acima de 60 por 100 de uma repetição máxima, pelo menos duas vezes por semana e por no mínimo 8 semanas (Correia, 2023).

O treino de força tem uma vantagem prática. Ele preserva massa muscular e funcionalidade, o que pesa muito em pessoas mais velhas, e pode ser combinado ao aeróbico na mesma semana.

Isométrico

O isométrico é o que mais chama atenção. Numa metanálise de 12 estudos com 415 hipertensos, o treino isométrico reduziu a sistólica em 7,47 mmHg e a diastólica em 3,17 mmHg (Baffour-Awuah, 2023). Uma metanálise anterior, com 11 ensaios e 302 participantes, encontrou queda de 5,20 mmHg na sistólica (Inder, 2016).

O protocolo mais estudado é simples: apertar um aparelho de preensão com uma das mãos a 30 por 100 da contração máxima, em quatro séries de 2 minutos, com pausas, três vezes por semana (Baffour-Awuah, 2023). Programas de 8 semanas ou mais tiveram queda maior, de 7,26 mmHg na sistólica (Inder, 2016).

Aparelho de preensão manual com cabos vermelhos e mola metálica sobre mesa de madeira
O aparelho de preensão manual é o instrumento mais usado nos ensaios de treino isométrico. Crédito: Chenspec, CC BY-SA 3.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O entusiasmo merece cautela. A pressão ambulatorial de 24 horas e a diurna ficaram sem redução significativa com o isométrico, embora a noturna tenha caído (Baffour-Awuah, 2023). E o número de participantes estudados ainda é pequeno perto do aeróbico.

Pressão ambulatorial e efeito agudo

A pressão de 24 horas

A pressão medida no consultório é só um retrato. A monitorização ambulatorial de 24 horas prediz melhor eventos cardiovasculares e mortalidade (Saco-Ledo, 2020). Por isso importa saber se o exercício também reduz a pressão fora do consultório.

Uma metanálise de 15 estudos com 910 hipertensos respondeu que sim (Saco-Ledo, 2020). O exercício reduziu a pressão de 24 horas em 5,4 mmHg na sistólica e 3,0 mmHg na diastólica, e a noturna em 4,7 e 3,1 mmHg (Saco-Ledo, 2020). As intervenções duraram de 8 a 24 semanas, com 3 a 5 sessões por semana (Saco-Ledo, 2020).

Um dado chama atenção: o benefício foi significativo nos pacientes que usavam remédio, e os autores concluem que o aeróbico é um bom adjuvante ao tratamento farmacológico (Saco-Ledo, 2020). Isso reforça que exercício e remédio somam, em vez de competir.

O efeito de uma sessão

Mesmo uma única sessão reduz a pressão nas horas seguintes. Uma metanálise de 65 estudos encontrou queda média de 4,80 mmHg na sistólica e 3,19 mmHg na diastólica após o exercício (Carpio-Rivera, 2016). A queda apareceu em todos os subgrupos, e foi maior em pessoas fisicamente ativas e sem remédio anti-hipertensivo (Carpio-Rivera, 2016).

Esse efeito agudo ajuda a explicar a recomendação de exercício na maior parte dos dias da semana. Durante o esforço, a pressão sobe, sobretudo a sistólica, mas logo depois cai abaixo do valor de repouso (Whelton, 2025). Os mecanismos incluem menor atividade simpática, melhor função endotelial e queda da resistência vascular periférica (Whelton, 2025).

Para o paciente, essa informação tem valor prático. A pressão medida logo depois do treino tende a sair mais baixa, e convém orientar que as medidas domiciliares sigam o protocolo habitual, longe do exercício.

Onde o exercício entra no tratamento

A diretriz americana de prevenção recomenda medidas não farmacológicas para todos os adultos com pressão elevada ou hipertensão, inclusive para quem já usa anti-hipertensivo (Arnett, 2019). Na pressão elevada, essas medidas são o tratamento preferido; na hipertensão estágio 1 com risco cardiovascular em 10 anos abaixo de 10 por 100, são uma primeira linha adequada (Arnett, 2019).

A mesma diretriz recomenda pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa (Arnett, 2019). A diretriz da OMS acrescenta atividades de fortalecimento muscular em 2 ou mais dias por semana (Bull, 2020). Para quem não alcança essas metas, fazer menos já traz benefício (Arnett, 2019).

A diretriz também lembra de reavaliar adesão e efeito das medidas não farmacológicas em 3 a 6 meses (Arnett, 2019). Esse prazo dá estrutura à decisão: o paciente tenta, mede, e a conduta é revista com dados. A lógica é a mesma de usar o tempo como teste, com prazo e critério definidos.

Para o motorista da cena, com estágio 1 e risco baixo, começar pelo exercício e pelas demais medidas de estilo de vida é coerente com a diretriz. Se a pressão seguir acima da meta na reavaliação, o remédio entra, e o exercício continua.

A conversa também vale no caminho inverso. Em quem já usa vários anti-hipertensivos e melhorou muito com exercício e perda de peso, rever o esquema pode ser apropriado, com o mesmo cuidado de decidir junto o que retirar.

O exercício não age sozinho. Combinar o exercício com as demais medidas não farmacológicas, como redução de sódio, padrão alimentar e moderação do álcool, aumenta a queda de pressão (Arnett, 2019). Em quem tem obesidade, a monitorização da perda de peso também entra na conta da pressão.

Os limites da evidência

Os números das metanálises são médias de ensaios com populações, protocolos e durações muito diferentes. Alguns problemas se repetem:

  • Poucos ensaios de isométrico. A maior queda média veio da modalidade com menos estudos e intervalo de confiança mais largo (Whelton, 2025).
  • Rankings que mudam. Uma análise colocou o isométrico no topo, e outra, o treino combinado e o intervalado (Xin, 2026).
  • Pressão de consultório. A maioria dos ensaios mede a pressão no consultório, e o efeito do isométrico na pressão de 24 horas ainda é incerto (Baffour-Awuah, 2023).
  • Desfechos substitutos. Os ensaios medem pressão, e a redução de eventos cardiovasculares é inferida a partir dela.
  • Implementação. Como manter as pessoas exercitando a longo prazo segue como grande área de incerteza (Whelton, 2025).

Interpretar uma queda média exige o mesmo cuidado de ajustar a estimativa ao paciente. A queda esperada é maior em quem parte de pressão mais alta e menor em quem já está perto da meta (Cornelissen, 2013).

A questão do desfecho substituto é a mesma discutida em outros temas de prevenção, como na relação entre exposição e risco no tabagismo. A pressão é um bom marcador, mas a decisão clínica olha para o risco global.

Como prescrever na prática

Antes de prescrever

A avaliação começa por confirmar o diagnóstico com medidas fora do consultório e estimar o risco cardiovascular global. Em quem tem sintomas aos esforços, doença cardiovascular conhecida ou pressão muito alta, a avaliação clínica vem antes de começar exercício vigoroso.

Vale também perguntar o que o paciente já faz, o que gosta e o que cabe na rotina. Uma prescrição que ignora a vida real tende a ser abandonada, e ouvir a agenda do paciente ajuda a combinar metas que ele consegue cumprir.

A prescrição

Uma prescrição coerente com as diretrizes e os ensaios pode ter três blocos:

  1. Aeróbico na maior parte dos dias, somando pelo menos 150 minutos por semana em intensidade moderada (Arnett, 2019).
  2. Força em 2 ou mais dias por semana, envolvendo os grandes grupos musculares (Bull, 2020), com carga moderada a vigorosa conforme a tolerância (Correia, 2023).
  3. Isométrico como complemento opcional, no protocolo de preensão manual estudado nos ensaios, três vezes por semana (Baffour-Awuah, 2023).
Equipamentos de exercício doméstico: halteres, prancha de flexão, corda e extensor elástico sobre tapete cinza
Halteres, elásticos e corda permitem combinar aeróbico e força em casa. Crédito: Herusutimbul, CC BY-SA 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O isométrico tem uma vantagem prática clara: leva poucos minutos e cabe em qualquer lugar. Para alguém com pouco tempo, pode ser uma porta de entrada, mas convém que ele complemente, e não substitua, o aeróbico e a força, que têm benefícios cardiovasculares e funcionais mais amplos.

Progressão e segurança

Começar com volume baixo e aumentar aos poucos reduz desconforto e abandono. Na musculação, orientar a respirar durante o esforço, sem prender o ar, evita picos desnecessários de pressão.

A intensidade pode subir com o tempo. O efeito do aeróbico foi maior com ciclismo e corrida que com caminhada (Whelton, 2025), e o intervalado teve bom desempenho numa análise recente (Xin, 2026). Para quem tolera, intensificar parte das sessões é uma opção.

Tontura ao parar o exercício pede atenção, sobretudo em quem usa vários anti-hipertensivos. Na maioria das vezes reflete a queda de pressão pós-esforço, mas sintomas como síncope ou dor torácica exigem avaliação, com o mesmo raciocínio de separar a síncope de causa cardíaca.

O acompanhamento

A reavaliação em 3 a 6 meses deve olhar para duas coisas: se o paciente está fazendo o combinado e se a pressão caiu (Arnett, 2019). Medidas domiciliares registradas ajudam a ver a tendência e a evitar decisões baseadas numa única medida de consultório.

Quando a adesão falha, o foco é entender a barreira. Técnicas como a entrevista motivacional ajudam a reconhecer a ambivalência e a fala de mudança, em vez de repetir a mesma recomendação.

Também cabe evitar o excesso no outro sentido. Exames e encaminhamentos de rotina antes de exercício moderado, em quem não tem sintomas nem doença conhecida, raramente mudam a conduta e podem gerar cascatas de cuidado.

Um roteiro para o motorista da cena

Para o motorista de 52 anos, a conversa pode seguir uma ordem simples. Primeiro, explicar que o exercício reduz a pressão de forma consistente, em média alguns milímetros de mercúrio, e mais em quem parte de valores mais altos (Cornelissen, 2013).

Segundo, combinar caminhada rápida na maior parte dos dias, aproveitando intervalos entre corridas, e duas sessões semanais de força com o peso do corpo ou halteres. Terceiro, se ele quiser, acrescentar o aparelho de preensão em três dias por semana, no protocolo dos ensaios (Baffour-Awuah, 2023).

Quarto, pedir medidas domiciliares em dias fixos e marcar retorno dentro do prazo da diretriz (Arnett, 2019). Quinto, deixar claro que, se a pressão seguir alta, o remédio entra, e isso não significa que o exercício falhou.

Erros comuns

O primeiro erro é prescrever de forma vaga. "Faça exercício" raramente muda comportamento; tipo, dias, duração e intensidade definidos com o paciente têm mais chance de funcionar, e as diretrizes dão parâmetros concretos para isso (Arnett, 2019).

O segundo erro é tratar o isométrico como atalho que dispensa o resto. Ele tem bons resultados em poucos ensaios, mas o aeróbico e a força têm evidência mais ampla e benefícios que vão além da pressão (Whelton, 2025).

O terceiro erro é adiar o remédio indefinidamente. Quando a pressão segue acima da meta depois do prazo combinado, manter só o exercício expõe o paciente a risco evitável, e a reavaliação existe justamente para essa decisão (Arnett, 2019).

O quarto erro é julgar o efeito por uma medida isolada. A pressão varia ao longo do dia e cai nas horas depois do treino (Carpio-Rivera, 2016), por isso a tendência das medidas domiciliares vale mais que um número solto no consultório.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para os motivos de consulta mais frequentes, veja os códigos mais comuns na atenção primária.

Perguntas frequentes

Exercício pode substituir o remédio para pressão?

Em pressão elevada e em hipertensão estágio 1 com risco baixo, medidas de estilo de vida podem ser a primeira linha (Arnett, 2019). Nos demais casos, o exercício soma ao remédio, e os benefícios na pressão ambulatorial apareceram justamente em pacientes medicados (Saco-Ledo, 2020).

Qual exercício reduz mais a pressão?

As análises discordam sobre a ordem. Uma colocou o isométrico no topo (Whelton, 2025), e outra, o treino combinado e o intervalado (Xin, 2026). Todas as modalidades reduzem a pressão, e a melhor costuma ser a que o paciente mantém.

O aparelho de apertar a mão funciona mesmo?

Funciona nos ensaios: o treino isométrico reduziu a sistólica em 7,47 mmHg em hipertensos (Baffour-Awuah, 2023). Ainda assim, os estudos são poucos e pequenos, e o efeito na pressão de 24 horas é incerto.

Musculação é perigosa para quem tem hipertensão?

O treino de força reduziu a pressão em hipertensos nos ensaios (Correia, 2023). O cuidado é progredir aos poucos e respirar durante o esforço, e a pressão muito alta ou sintomas pedem avaliação antes.

Quanto tempo leva para a pressão cair?

Uma sessão já reduz a pressão nas horas seguintes (Carpio-Rivera, 2016). O efeito de treino aparece em semanas, e os ensaios de pressão ambulatorial duraram de 8 a 24 semanas (Saco-Ledo, 2020).

Quanto exercício é preciso por semana?

A recomendação é de pelo menos 150 minutos de atividade moderada ou 75 de vigorosa (Arnett, 2019), com força em 2 ou mais dias (Bull, 2020). Fazer menos que isso já traz algum benefício.

Take-home messages

  • O exercício reduz a pressão arterial com aeróbico, força, treino combinado, intervalado e isométrico.
  • A queda é maior em quem parte de pressão mais alta.
  • O aeróbico tem a evidência mais ampla e reduz também a pressão de 24 horas.
  • O isométrico teve quedas grandes em poucos ensaios, e convém usá-lo como complemento.
  • Medidas não farmacológicas valem para todos os hipertensos, com ou sem remédio.
  • A reavaliação em 3 a 6 meses dá estrutura à decisão sobre iniciar ou ajustar o remédio.
  • A melhor prescrição é a que o paciente consegue manter.

Jogue o caso do dia no NEXO.

Referências

  1. Cornelissen VA, Smart NA. Exercise training for blood pressure: a systematic review and meta-analysis. J Am Heart Assoc. 2013. PMID 23525435. DOI 10.1161/JAHA.112.004473.
  2. Whelton PK, Vinceti M, Filippini T. Dietary and Physical Activity Approaches to the Management of High Blood Pressure. Curr Atheroscler Rep. 2025. PMID 41137949. DOI 10.1007/s11883-025-01351-6.
  3. Xin X, Guo Y, Wang M, et al. Optimal Exercise Modalities and Dosages for Blood Pressure Reduction in Adults With Prehypertension and Established Hypertension: A Network Meta-Analysis and Dose-Response Relationship Study. J Am Heart Assoc. 2026. PMID 42132182. DOI 10.1161/JAHA.125.044003.
  4. Saco-Ledo G, Valenzuela PL, Ruiz-Hurtado G, et al. Exercise Reduces Ambulatory Blood Pressure in Patients With Hypertension: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Am Heart Assoc. 2020. PMID 33280503. DOI 10.1161/JAHA.120.018487.
  5. Baffour-Awuah B, Pearson MJ, Dieberg G, et al. Isometric Resistance Training to Manage Hypertension: Systematic Review and Meta-analysis. Curr Hypertens Rep. 2023. PMID 36853479. DOI 10.1007/s11906-023-01232-w.
  6. Inder JD, Carlson DJ, Dieberg G, et al. Isometric exercise training for blood pressure management: a systematic review and meta-analysis to optimize benefit. Hypertens Res. 2016. PMID 26467494. DOI 10.1038/hr.2015.111.
  7. Correia RR, Veras ASC, Tebar WR, et al. Strength training for arterial hypertension treatment: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Sci Rep. 2023. PMID 36604479. DOI 10.1038/s41598-022-26583-3.
  8. Carpio-Rivera E, Moncada-Jiménez J, Salazar-Rojas W, et al. Acute Effects of Exercise on Blood Pressure: A Meta-Analytic Investigation. Arq Bras Cardiol. 2016. PMID 27168471. DOI 10.5935/abc.20160064.
  9. Arnett DK, Blumenthal RS, Albert MA, et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2019. PMID 30879355. DOI 10.1161/CIR.0000000000000678.
  10. Bull FC, Al-Ansari SS, Biddle S, et al. World Health Organization 2020 guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Br J Sports Med. 2020. PMID 33239350. DOI 10.1136/bjsports-2020-102955.

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