Suzetrigina na dor aguda: analgésico não opioide e dose

Sumário
Uma mulher de 45 anos vai fazer uma cirurgia de joanete, a bunionectomia, no pé direito. Há seis anos ela teve transtorno por uso de opioides depois de um tratamento longo para dor nas costas, e está em remissão, em acompanhamento com buprenorfina. Ela tem medo da dor depois da cirurgia e mais medo ainda de voltar a usar opioides. Também usa um anticoncepcional oral e toma suco de toranja no café da manhã. Ela pergunta se existe um remédio forte para a dor que não seja opioide. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. Ele trata da suzetrigina, um bloqueador seletivo do canal de sódio NaV1.8, aprovado nos Estados Unidos para dor aguda moderada a intensa em adultos. O texto explica a indicação, a dose, as interações, o efeito sobre anticoncepcionais, o que os estudos mostraram e onde estão os limites da evidência. Ele não substitui o protocolo de analgesia da sua instituição nem a bula local. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.
Principais pontos
- A suzetrigina (nome comercial Journavx) é indicada nos Estados Unidos para dor aguda moderada a intensa em adultos e não foi estudada por mais de 14 dias.
- A dose é 100 mg em jejum, seguida de 50 mg a cada 12 horas, começando 12 horas depois da primeira dose.
- É contraindicada com inibidores fortes do CYP3A; inibidores moderados e insuficiência hepática moderada pedem um esquema reduzido, e alimentos com toranja devem ser evitados.
- Pode reduzir o efeito de anticoncepcionais com progestógenos que não sejam levonorgestrel ou noretisterona; nesse caso, a bula pede método adicional não hormonal até 28 dias depois de parar.
- Nos estudos de fase 3, foi superior ao placebo após abdominoplastia e bunionectomia, mas não superou a hidrocodona com paracetamol em nenhum dos dois.
- As datas regulatórias deste texto foram conferidas na FDA e na EMA em 24 de outubro de 2026.
Por que este é um cenário de raciocínio
A dor depois da cirurgia é esperada, e tratá-la bem é parte do cuidado. Para quem já teve transtorno por uso de opioides, cada prescrição de opioide carrega um risco extra de recaída. Um analgésico de outra classe, que age nos nervos periféricos e não no cérebro, parece a resposta ideal. Mas a resposta real é mais complexa: o remédio novo tem um efeito médio modesto, interações importantes e pouca experiência fora dos estudos.
O cenário é bom para treino porque obriga a pesar benefício, risco e contexto. É preciso conhecer a cirurgia e a dor esperada, a história de uso de opioides, a buprenorfina, o fígado e os rins, os remédios em uso, o anticoncepcional e até o café da manhã. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a organizar essa coleta, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que escolher um analgésico é uma decisão com troca de riscos.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é planejar a analgesia antes da cirurgia, junto com a equipe. O segundo é não suspender a buprenorfina por conta própria. O terceiro é saber o lugar da suzetrigina dentro da analgesia multimodal. O quarto é revisar as interações pelo CYP3A, inclusive com alimentos. O quinto é lembrar do anticoncepcional. O sexto é combinar o que fazer se a dor não melhorar.
O que não está em jogo
O texto não discute dor crônica, dor neuropática nem uso da suzetrigina por mais de duas semanas, que estão fora da indicação americana. Também não compara preços. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a explicar à paciente o que ainda não se sabe sobre um remédio recente.
A dor aguda e o problema dos opioides
A diretriz do CDC de 2022 sobre prescrição de opioides define dor aguda como a que dura menos de um mês, em geral causada por lesão, trauma ou procedimentos como cirurgia (Dowell e colaboradores, 2022). A primeira recomendação da diretriz diz que terapias não opioides são pelo menos tão eficazes quanto os opioides para muitos tipos comuns de dor aguda (Dowell e colaboradores, 2022). A diretriz também lembra que a dor aguda não resolvida pode evoluir para dor crônica (Dowell e colaboradores, 2022).
Por que um analgésico novo chamou atenção
Uma revisão sobre a suzetrigina descreve o contexto da crise de opioides nos Estados Unidos e chama o remédio de primeiro analgésico não opioide aprovado em mais de duas décadas (Pham e colaboradores, 2025). Uma revisão sobre o uso em emergência lembra que os serviços de emergência americanos recebem mais de 140 milhões de visitas por ano, e que a dor é uma das queixas mais comuns (Bradshaw e colaboradores, 2026). O interesse é grande, mas o entusiasmo precisa ser medido pelos números dos estudos.
A paciente em recuperação
Uma revisão narrativa sobre buprenorfina no período perioperatório resume duas conclusões principais de um consenso: a buprenorfina não deve ser suspensa de rotina no perioperatório, para reduzir o risco de recaída, e pode ser iniciada em pessoas com transtorno não tratado e dor aguda (Kohan e colaboradores, 2025). A mesma revisão diz que a analgesia multimodal e as técnicas de anestesia regional ou local são essenciais (Kohan e colaboradores, 2025). Para a paciente da cena, a suzetrigina pode ser uma peça a mais desse plano, e não um substituto para ele.
Aplicando à paciente
A bunionectomia é um modelo clássico de dor aguda moderada a intensa nos estudos de analgésicos. A paciente tem um motivo forte para evitar opioides, e a buprenorfina deve continuar. O plano pode combinar bloqueio regional, paracetamol, anti-inflamatório quando permitido, gelo e pé apoiado no alto, com a suzetrigina como opção oral não opioide. O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra como anestesia, cirurgia, farmácia e enfermagem montam esse plano juntas.
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Como age a suzetrigina
A bula americana descreve a suzetrigina como um bloqueador seletivo do canal de sódio dependente de voltagem NaV1.8, em comparação com os outros canais conhecidos, do NaV1.1 ao NaV1.9 (bula americana do Journavx, 1/2026). O NaV1.8 está nos neurônios sensitivos periféricos, inclusive nos do gânglio da raiz dorsal, onde ajuda a transmitir os sinais de dor (bula americana do Journavx, 1/2026). Ao bloquear esse canal, o remédio reduz a chegada do sinal à medula e ao cérebro (bula americana do Journavx, 1/2026).
O metabólito ativo
O principal metabólito ativo, chamado M6-SUZ, é cerca de 3,7 vezes menos potente que a suzetrigina sobre o NaV1.8 (bula americana do Journavx, 1/2026). Os dois são metabolizados pelo CYP3A, e é isso que explica a lista de interações (bula americana do Journavx, 1/2026).
Sem efeito central
Um estudo de farmacologia descreve a suzetrigina como um inibidor potente e muito seletivo do NaV1.8 (Osteen e colaboradores, 2025). Os autores relatam ausência de efeitos adversos sobre o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular e o comportamento, e nenhuma evidência de potencial de dependência nos estudos feitos (Osteen e colaboradores, 2025). A bula americana não mostra efeito clinicamente significativo sobre o intervalo QTc com o dobro da exposição da dose máxima (bula americana do Journavx, 1/2026). Uma revisão de farmacologia clínica resume esses dados e a translação do mecanismo para a clínica (Rajasingham e Qi, 2025).
O que ainda não se sabe
Revisões apontam que o mecanismo pode ter papel também na dor neuropática, mas isso ainda é hipótese de pesquisa (Mach e colaboradores, 2025). Outra revisão lembra que a falta de dados de segurança de longo prazo limita o uso a cursos de até 14 dias e cita preocupação com o custo (Jones e colaboradores, 2025). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a lembrar que uma dor que não melhora pode ter outra causa, como infecção ou trombose.
Situação regulatória: FDA e EMA
Estados Unidos. A FDA aprovou o Journavx em 30 de janeiro de 2025, pela NDA 219209, como nova entidade molecular, com revisão prioritária (Drugs@FDA, NDA 219209). O suplemento mais recente listado no Drugs@FDA é de 23 de janeiro de 2026, uma mudança de texto da bula e do folheto do paciente (Drugs@FDA, NDA 219209). A bula consultada foi revisada em janeiro de 2026 (bula americana do Journavx, 1/2026). A indicação é o tratamento da dor aguda moderada a intensa em adultos (bula americana do Journavx, 1/2026).
União Europeia. Em 24 de outubro de 2026, não localizamos página de medicamento autorizado para a suzetrigina no site da EMA. Por isso, este texto não descreve situação regulatória europeia.
Outros países. Este texto não descreve o registro em outros países. A disponibilidade depende da agência local.
O que mostraram os estudos
Dois estudos de fase 3, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo e por hidrocodona com paracetamol, sustentaram a aprovação (Bertoch e colaboradores, 2025). O desfecho principal foi a soma ponderada pelo tempo da diferença de intensidade de dor de 0 a 48 horas, chamada SPID48, comparada com placebo (Bertoch e colaboradores, 2025). Quanto maior o valor, maior a redução da dor (Bertoch e colaboradores, 2025). Nos dois estudos, ibuprofeno de resgate era permitido (Bertoch e colaboradores, 2025).
Abdominoplastia
No estudo após abdominoplastia, com 1118 participantes, 447 receberam suzetrigina (bula americana do Journavx, 1/2026). A média de SPID48 foi 118,4 com suzetrigina, 70,1 com placebo e 111,8 com hidrocodona e paracetamol (bula americana do Journavx, 1/2026). A diferença em relação ao placebo foi de 48,4 pontos, e a diferença em relação à hidrocodona com paracetamol foi de 6,6 pontos, com intervalo de confiança que inclui o zero (bula americana do Journavx, 1/2026).
Bunionectomia
No estudo após bunionectomia, com 1073 participantes e média de idade de 48 anos, 426 receberam suzetrigina (bula americana do Journavx, 1/2026). A média de SPID48 foi 99,9 com suzetrigina, 70,6 com placebo e 120,1 com hidrocodona e paracetamol (bula americana do Journavx, 1/2026). A diferença em relação ao placebo foi de 29,3 pontos; em relação à hidrocodona com paracetamol, foi de menos 20,2 pontos, ou seja, o opioide aliviou mais a dor neste estudo (bula americana do Journavx, 1/2026).
A tabela resume os dois estudos, segundo a bula americana.
| Estudo | SPID48 com suzetrigina | SPID48 com placebo | SPID48 com hidrocodona e paracetamol | Diferença contra placebo | Fonte |
|---|---|---|---|---|---|
| Abdominoplastia | 118,4 | 70,1 | 111,8 | 48,4 | (bula americana do Journavx, 1/2026) |
| Bunionectomia | 99,9 | 70,6 | 120,1 | 29,3 | (bula americana do Journavx, 1/2026) |
Tempo até o alívio
O tempo mediano até uma queda de pelo menos 2 pontos na escala de dor foi de 119 minutos com suzetrigina e 480 minutos com placebo após abdominoplastia, e de 240 contra 480 minutos após bunionectomia (Bertoch e colaboradores, 2025). Para a paciente da cena, isso significa que o alívio pode demorar algumas horas, e o plano precisa cobrir esse intervalo.
Fora dos dois estudos principais
Num estudo de fase 3 de braço único, com 256 participantes com dor aguda cirúrgica ou não cirúrgica, 83,2 por cento avaliaram o efeito como bom, muito bom ou excelente ao final do tratamento (McCoun e colaboradores, 2025). Nesse estudo, paracetamol e ibuprofeno de resgate eram permitidos (McCoun e colaboradores, 2025). Uma metanálise de estudos randomizados contra placebo encontrou redução média da dor de 0,66 ponto em 24 e 48 horas, com heterogeneidade alta (Alvarez-Aguilar e Picado-Loaiza, 2026). A mesma metanálise mostrou menor risco de náusea e de tontura com suzetrigina do que com placebo (Alvarez-Aguilar e Picado-Loaiza, 2026).
Eventos adversos
Na bula americana, as reações adversas mais relatadas que o placebo foram coceira, em 2,1 contra 1,6 por cento, espasmos musculares, em 1,3 contra 0,5 por cento, aumento de creatinofosfoquinase, em 1,1 contra 0,5 por cento, e manchas na pele, em 1,1 contra 0,5 por cento (bula americana do Journavx, 1/2026). No estudo de abdominoplastia, náusea ou vômito ocorreram em 20 por cento com suzetrigina, 33 por cento com hidrocodona e paracetamol e 25 por cento com placebo (bula americana do Journavx, 1/2026). Só 6,3 por cento dos pacientes dos estudos de fase 3 tinham 65 anos ou mais (bula americana do Journavx, 1/2026).
Como ler esses números
O SPID48 soma, ao longo de 48 horas, quanto a dor caiu em relação ao início, dando peso ao tempo. Ele é útil para comparar grupos, mas não diz quanto uma pessoa vai sentir de alívio. Uma diferença de 29 pontos em 48 horas, como na bunionectomia, equivale a uma melhora média pequena a cada momento, e a metanálise encontrou diferença menor que um ponto na escala de dor de 0 a 10 (Alvarez-Aguilar e Picado-Loaiza, 2026). Em outras palavras, o remédio funciona melhor que o placebo, mas o efeito médio é modesto, e muitos pacientes dos estudos usaram ibuprofeno de resgate (Bertoch e colaboradores, 2025).
Também vale notar quem ficou fora. Os estudos principais foram feitos em adultos saudáveis o bastante para cirurgias eletivas, com poucos idosos (bula americana do Journavx, 1/2026). Uma revisão para a medicina de emergência lembra que o remédio não foi estudado em pessoas com filtração glomerular abaixo de 15 mL/min nem por mais de 14 dias (Bradshaw e colaboradores, 2026). Para a paciente da cena, a história de transtorno por uso de opioides também não era o foco desses estudos, e por isso o plano precisa de acompanhamento próximo.
Da primeira dose à alta
Antes de prescrever, três perguntas mudam a conduta: quais remédios a paciente usa, como está o fígado e qual anticoncepcional ela usa.
A dose
A bula americana pede 100 mg na primeira dose, com o estômago vazio, pelo menos 1 hora antes ou 2 horas depois de comer (bula americana do Journavx, 1/2026). Doze horas depois, começa 50 mg a cada 12 horas, que pode ser tomado com ou sem comida (bula americana do Journavx, 1/2026). O uso não foi estudado por mais de 14 dias (bula americana do Journavx, 1/2026). Se a paciente esquecer uma dose, deve tomar assim que lembrar; se esquecer duas ou mais, deve tomar 100 mg e retomar o esquema (bula americana do Journavx, 1/2026).
Interações e o suco de toranja
A suzetrigina é contraindicada com inibidores fortes do CYP3A (bula americana do Journavx, 1/2026). Com inibidores moderados, a bula pede 100 mg na primeira dose, 50 mg a cada 12 horas nas doses 2 a 4 e depois 50 mg a cada 24 horas (bula americana do Journavx, 1/2026). Indutores fortes e moderados do CYP3A devem ser evitados, porque reduzem o efeito (bula americana do Journavx, 1/2026). Alimentos e bebidas com toranja também devem ser evitados durante o uso (bula americana do Journavx, 1/2026). A paciente precisa trocar o suco do café da manhã por outro.
O anticoncepcional
Se o anticoncepcional tiver um progestógeno diferente de levonorgestrel ou noretisterona, a bula pede um método não hormonal adicional, como preservativo, ou outro anticoncepcional, durante o uso e por 28 dias depois de parar (bula americana do Journavx, 1/2026). Combinados de etinilestradiol com levonorgestrel ou noretisterona e o sistema intrauterino são alternativas citadas na bula (bula americana do Journavx, 1/2026).
Fígado e rins
Na insuficiência hepática moderada, Child-Pugh B, a bula pede o mesmo esquema reduzido usado com inibidores moderados (bula americana do Journavx, 1/2026). Na insuficiência hepática grave, Child-Pugh C, e com taxa de filtração glomerular abaixo de 15 mL/min, o uso deve ser evitado (bula americana do Journavx, 1/2026). A gravidez não tem dados em humanos, e estudos em ratos mostraram efeitos na implantação e na manutenção da gestação com doses acima da máxima humana (bula americana do Journavx, 1/2026).
- Primeira dose de 100 mg em jejum; depois 50 mg a cada 12 horas.
- Não usar com inibidores fortes do CYP3A; esquema reduzido com inibidores moderados ou Child-Pugh B.
- Evitar indutores fortes e moderados do CYP3A e alimentos com toranja.
- Método não hormonal adicional se o progestógeno não for levonorgestrel ou noretisterona, até 28 dias depois.
- Evitar em Child-Pugh C e com filtração glomerular abaixo de 15 mL/min.
- Não usar por mais de 14 dias, porque não foi estudado além disso.
Fonte da lista: (bula americana do Journavx, 1/2026).
Aplicando à paciente
A paciente mantém a buprenorfina, conforme a revisão perioperatória (Kohan e colaboradores, 2025). A equipe planeja bloqueio regional e analgesia multimodal, e considera a suzetrigina como opção oral não opioide. Antes, a farmácia confere se algum remédio em uso inibe ou induz o CYP3A e qual é o progestógeno do anticoncepcional. A paciente é orientada a evitar toranja e a avisar se a dor não melhorar, porque no estudo de bunionectomia o opioide aliviou mais a dor em média (bula americana do Journavx, 1/2026). O post sobre pausa diagnóstica lembra de rever o plano se a dor fugir do esperado.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. A dor depois da cirurgia é um bom exercício porque um anticoncepcional, um antifúngico ou um suco mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.
Três exercícios com casos
Mude os remédios. Diga o que fazer se a paciente usasse um antifúngico que inibe fortemente o CYP3A.
Mude o fígado. Diga como ajustar a dose se ela tivesse cirrose Child-Pugh B.
Mude a evolução. Diga o que investigar se a dor piorasse no terceiro dia, com o pé quente e inchado.
O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a conversa sobre expectativas de dor.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
A suzetrigina é um opioide?
Não. Ela bloqueia o canal de sódio NaV1.8 nos nervos sensitivos periféricos (bula americana do Journavx, 1/2026).
Ela alivia tanto quanto um opioide?
Nos estudos de fase 3, não superou a hidrocodona com paracetamol, e no estudo de bunionectomia o opioide foi melhor em média (bula americana do Journavx, 1/2026).
Qual é a dose?
100 mg em jejum na primeira dose e depois 50 mg a cada 12 horas, por até 14 dias (bula americana do Journavx, 1/2026).
Posso tomar com suco de toranja?
Não. A bula pede evitar alimentos e bebidas com toranja (bula americana do Journavx, 1/2026).
Ela interfere no anticoncepcional?
Pode interferir nos que têm progestógenos diferentes de levonorgestrel ou noretisterona; nesse caso, use método adicional até 28 dias depois (bula americana do Journavx, 1/2026).
Checklist final
- Planejei a analgesia antes da cirurgia, com a equipe.
- Mantive a buprenorfina e combinei o plano com quem a prescreve.
- Revisei os remédios em uso em busca de inibidores e indutores do CYP3A.
- Perguntei pelo anticoncepcional e pelo progestógeno.
- Orientei evitar toranja.
- Conferi fígado e rins.
- Expliquei a dose de início em jejum e o limite de 14 dias.
- Combinei o que fazer se a dor não melhorar.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- Alvarez-Aguilar P, Picado-Loaiza S. Suzetrigine (a NaV1.8 inhibitor) versus placebo for acute postoperative pain: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Medicine (Baltimore). 2026. PMID 41790692.
- Bertoch T, D'Aunno D, McCoun J, et al. Suzetrigine, a Nonopioid Na V 1.8 Inhibitor for Treatment of Moderate-to-severe Acute Pain: Two Phase 3 Randomized Clinical Trials. Anesthesiology. 2025. PMID 40117446.
- Bradshaw JC, Lester L, Leon DA. Suzetrigine for Acute Pain in the Emergency Department: A First-in-Class NaV1.8 Blocker. J Am Coll Emerg Physicians Open. 2026. PMID 41767204.
- Dowell D, Ragan KR, Jones CM, et al. CDC Clinical Practice Guideline for Prescribing Opioids for Pain - United States, 2022. MMWR Recomm Rep. 2022. PMID 36327391.
- Jones M, Demery A, Al-Horani RA. Suzetrigine: A Novel Non-Opioid Analgesic for Acute Pain Management-A Review. Drugs Drug Candidates. 2025. PMID 40799996.
- Kohan L, Barreveld A, Potru S, et al. Narrative review: Managing buprenorphine and opioid use disorder in the perioperative setting. Pain Pract. 2025. PMID 39450825.
- Mach M, Giba A, Miedziaszczyk M, et al. Suzetrigine as a Novel Non-opioid Analgesic Drug in Pain Management: A Review of Clinical Evidence and Therapeutic Perspectives. Cureus. 2025. PMID 40862032.
- McCoun J, Winkle P, Solanki D, et al. Suzetrigine, a Non-Opioid Na(V)1.8 Inhibitor With Broad Applicability for Moderate-to-Severe Acute Pain: A Phase 3 Single-Arm Study for Surgical or Non-Surgical Acute Pain. J Pain Res. 2025. PMID 40165940.
- Osteen JD, Immani S, Tapley TL, et al. Pharmacology and Mechanism of Action of Suzetrigine, a Potent and Selective Na(V)1.8 Pain Signal Inhibitor for the Treatment of Moderate to Severe Pain. Pain Ther. 2025. PMID 39775738.
- Pham A, Yep H, Wozniak S, et al. Beyond Opioids: A Review of Suzetrigine for Acute Pain Management. Int J Mol Sci. 2025. PMID 41155158.
- Rajasingham R, Qi Y. Suzetrigine, a Non-Opioid Small-Molecule Analgesic: Mechanism of Action, Clinical, and Translational Science. Clin Transl Sci. 2025. PMID 41251403.
- U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 219209, Journavx. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Vertex Pharmaceuticals. JOURNAVX (suzetrigine) tablets, for oral use. Prescribing Information. Revisada em 1/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.