Surviving Sepsis 2026: o que mudou desde a diretriz de 2021

Sumário
Um homem de 72 anos chega ao pronto-socorro com três dias de dor abdominal, febre e vômitos. Ele tem hipertensão, pesa 78 kg e não tem insuficiência cardíaca. A pressão é de 82/48 mmHg, a frequência cardíaca é de 124 por minuto, a frequência respiratória é de 26 por minuto e ele está confuso. Os joelhos estão manchados e o tempo de enchimento capilar passa de cinco segundos. O lactato é de 4,6 mmol/L. A tomografia mostra apendicite perfurada com coleção na pelve. A equipe pergunta o que mudou na diretriz desde a última vez que estudou o tema. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. Ele compara a diretriz internacional Surviving Sepsis Campaign de 2021 com a atualização de 2026 para adultos, ponto a ponto, sempre a partir dos textos originais. O foco é o que muda para o médico à beira do leito: triagem, tempo do antimicrobiano, fluidos, meta de pressão, vasopressores, corticoide, oxigênio e o novo escore SOFA-2. Ele não substitui o protocolo da sua instituição. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.
Principais pontos
- A diretriz de 2026 tem 129 declarações, 46 delas novas, e atualiza as recomendações de 2021.
- O antimicrobiano continua imediato, de preferência em até uma hora, no choque e na sepse provável ou definida.
- Na sepse possível sem choque, a investigação rápida pode durar até três horas antes do antimicrobiano.
- A infusão prolongada de betalactâmico passou de sugestão a recomendação forte.
- Em quem tem 65 anos ou mais, a diretriz sugere meta inicial de pressão arterial média de 60 a 65 mmHg.
- Depois dos primeiros 30 mL/kg, a estratégia liberal ou restritiva de fluidos pode ser escolhida conforme o paciente e o serviço.
Por que este é um cenário de raciocínio
Sepse é uma emergência, e a diretriz de 2026 abre a parte de ressuscitação com uma declaração de boa prática: o tratamento e a ressuscitação devem começar imediatamente (recomendações de 2026 na página da campanha). Isso não mudou. O que mudou foi o nível de detalhe. A página da campanha diz que a atualização reforça os pilares do cuidado, que são o reconhecimento precoce, o tratamento oportuno da infecção e a ressuscitação hemodinâmica, e acrescenta mais clareza e nuance para decisões reais (recomendações de 2026 na página da campanha).
O cenário é bom para treino porque o homem da cena junta várias decisões novas. Ele tem choque instável, tem mais de 65 anos e tem uma fonte que precisa de controle cirúrgico. Cada um desses pontos ganhou uma recomendação própria em 2026. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a valorizar pele manchada, confusão e enchimento capilar lento, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que cada exame precisa mudar uma decisão.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é reconhecer o choque pelo exame físico, não só pela pressão. O segundo é colher hemocultura e dar o antimicrobiano sem atraso. O terceiro é decidir o volume inicial de fluido pelo peso e pela resposta. O quarto é começar o vasopressor por veia periférica se for preciso. O quinto é escolher a meta de pressão pela idade. O sexto é chamar a cirurgia cedo para controlar a fonte.
O que não está em jogo
O texto não discute sepse em crianças, que tem diretriz própria em 2026, nem detalhes de antibióticos para cada foco. A triagem pela enfermagem foi tratada em outro texto do blog. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda no caso oposto ao da cena, quando a infecção é só uma possibilidade.
Como usar a comparação
Uma diretriz nova não torna errado tudo o que se fazia antes. Muitas recomendações foram mantidas, algumas ganharam força e poucas mudaram de direção. Saber qual é qual evita duas armadilhas: abandonar o que continua valendo e manter um hábito que a evidência nova enfraqueceu.
O que é a diretriz de 2026
A diretriz de 2026 foi publicada pela Society of Critical Care Medicine e pela European Society of Intensive Care Medicine, nas revistas Critical Care Medicine e Intensive Care Medicine (recomendações de 2026 na página da campanha). O painel teve 69 pessoas de 23 países, e 38 por cento atuam ou atuaram em países de renda baixa ou média (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz trata do adulto com sepse no hospital, no transporte antes do hospital e logo depois da alta (recomendações de 2026 na página da campanha).
O que era a diretriz de 2021
A diretriz de 2021 tinha a mesma estrutura de recomendações fortes, recomendações fracas e declarações de boa prática (Evans e colaboradores, 2021). Uma revisão sobre o que ela trouxe de novo destacou o fim do qSOFA como ferramenta única de triagem, o uso do tempo de enchimento capilar como adjuvante na ressuscitação e um novo bloco de recomendações sobre a alta (Prescott e Ostermann, 2023). A mesma revisão lembra que vários pontos ficaram sem recomendação em 2021, como a estratégia de fluidos depois da fase inicial (Prescott e Ostermann, 2023). Parte dessas lacunas foi preenchida em 2026 (recomendações de 2026 na página da campanha).
SOFA-2
Em paralelo, o escore SOFA foi revisto. Um artigo de 2023 lembrava que o SOFA original foi criado em 1996 e que partes dele já não refletiam a prática atual (Moreno e colaboradores, 2023). O SOFA-2 mantém a escala de 0 a 4 por órgão e atualiza os domínios respiratório, cardiovascular e renal, com inclusão da terapia renal substitutiva ou da elegibilidade para ela quando não está disponível (Lobo e colaboradores, 2025). No cérebro, passa a contar o tratamento do delirium como sinal de disfunção (Lobo e colaboradores, 2025). Um estudo com 74615 adultos com suspeita de infecção mostrou concordância entre os dois escores em 89,62 por cento dos pacientes, e os autores sugerem usar os dois em transição até que novos critérios de sepse sejam validados (Zhu e colaboradores, 2026). Outro estudo, em sepse ligada à pneumonia, achou desempenho prognóstico do SOFA-2 comparável ao do escore antigo (Wei e colaboradores, 2026).
A tabela resume o que mudou entre as duas diretrizes nos pontos principais.
| Tema | Diretriz de 2021 | Diretriz de 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| Triagem | Contra o qSOFA como ferramenta única, em comparação com SIRS, NEWS ou MEWS | NEWS, NEWS2, MEWS ou SIRS em vez do qSOFA como ferramenta única | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Antimicrobiano na sepse possível sem choque | Investigação rápida e antimicrobiano em até três horas se a suspeita persistir | Mantido, com esquema que separa sepse possível, provável e definida | (Evans e colaboradores, 2021) (esquema de tempo do antimicrobiano de 2026) |
| Antimicrobiano antes do hospital | Sem recomendação específica | Sugere dar na ambulância no choque séptico quando a avaliação no hospital levaria mais de 60 minutos | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Betalactâmico | Sugere infusão prolongada | Recomenda infusão prolongada, recomendação forte | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Albumina | Sugere albumina em quem recebeu grandes volumes de cristaloide | Sugere cristaloide sozinho em vez de cristaloide com albumina suplementar | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Fluido depois de 30 mL/kg | Evidência insuficiente para liberal contra restritiva | Sugere liberal ou restritiva conforme o paciente e o serviço | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Meta de pressão | Pressão arterial média inicial de 65 mmHg | Mantida, e 60 a 65 mmHg em quem tem 65 anos ou mais | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Corticoide | Sugere corticoide venoso com necessidade contínua de vasopressor | Sugere corticoide venoso no choque séptico, com certeza baixa | (Evans e colaboradores, 2021) (recomendações de 2026 na página da campanha) |
Reconhecer e tratar a infecção
Triagem
Em 2021, a diretriz recomendava não usar o qSOFA, em comparação com SIRS, NEWS ou MEWS, como ferramenta única de triagem, com recomendação forte e evidência de qualidade moderada (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, a direção é a mesma, escrita de forma positiva: usar NEWS, NEWS2, MEWS ou SIRS em vez do qSOFA (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz acrescenta que sepse é um diagnóstico clínico e não deve ser confirmada nem descartada por um único biomarcador ou exame (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela também sugere protocolos de código sepse ou reunião rápida à beira do leito depois de uma triagem positiva (recomendações de 2026 na página da campanha). Uma metanálise de 22 estudos com 19580 pacientes associou sistemas de alerta de sepse no pronto-socorro a menor risco de morte, com risco relativo de 0,81 (Kim e colaboradores, 2024).
Hemocultura e lactato
A diretriz de 2026 recomenda colher hemoculturas o quanto antes e, de preferência, antes do antimicrobiano (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela sugere medir o lactato em adultos com sepse possível, provável ou definida (recomendações de 2026 na página da campanha). No homem da cena, as duas coisas acontecem em paralelo com o acesso venoso, sem atrasar o tratamento.
Tempo do antimicrobiano
Em 2021, a diretriz recomendava antimicrobiano imediato, de preferência em até uma hora, no choque possível ou na sepse de alta probabilidade (Evans e colaboradores, 2021). Na sepse possível sem choque, sugeria investigação rápida e antimicrobiano em até três horas se a suspeita persistisse (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, o esquema ficou mais claro. No choque séptico possível, provável ou definido, a recomendação é antimicrobiano imediato, de preferência em até uma hora (recomendações de 2026 na página da campanha). Na sepse provável ou definida sem choque, também em até uma hora (recomendações de 2026 na página da campanha). Na sepse possível sem choque, a sugestão é um período curto de investigação rápida e antimicrobiano em até três horas se a suspeita continuar (recomendações de 2026 na página da campanha). Com baixa probabilidade de infecção e sem choque, a sugestão é adiar o antimicrobiano e vigiar de perto (recomendações de 2026 na página da campanha).
O esquema de 2026 define sepse provável como alta suspeita, em que sepse é o diagnóstico mais provável, e sepse possível como suspeita moderada, em que outro diagnóstico também é provável (esquema de tempo do antimicrobiano de 2026). A avaliação rápida inclui história, exame, testes para causas infecciosas e não infecciosas e tratamento imediato de condições que imitam sepse (esquema de tempo do antimicrobiano de 2026). O homem da cena está em choque, então não há espaço para esperar: o antimicrobiano vem na primeira hora.
Controle da fonte e escolha do antimicrobiano
A diretriz de 2026 sugere controle precoce da fonte, de preferência em até seis horas do diagnóstico, quando há um foco que precisa ser drenado ou retirado (recomendações de 2026 na página da campanha). Sem fatores de risco para anaeróbios, ela sugere esquema sem cobertura anaeróbia; com foco abdominal, ginecológico profundo, infecção necrosante de partes moles, cabeça e pescoço ou abscesso no sistema nervoso central, sugere incluir cobertura (recomendações de 2026 na página da campanha). No homem da cena, a apendicite perfurada com coleção pede cobertura anaeróbia e drenagem ou cirurgia no mesmo dia. A diretriz sugere não usar procalcitonina para decidir se começa o antimicrobiano, mas sugere usá-la com a avaliação clínica para decidir quando parar, se a duração ideal não estiver clara (recomendações de 2026 na página da campanha).
Infusão prolongada e desescalonamento
Em 2021, a infusão prolongada de betalactâmico para manutenção, depois de uma dose inicial, era sugestão fraca com evidência moderada (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, virou recomendação forte (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz também recomenda desescalonar quando há diagnóstico microbiológico com perfil de sensibilidade, sugere desescalonar mesmo com culturas negativas e sugere cursos mais curtos quando a fonte foi bem controlada (recomendações de 2026 na página da campanha). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda na boa prática de reavaliar e parar o antimicrobiano quando outra causa aparece (recomendações de 2026 na página da campanha).

Situação regulatória: FDA e EMA
Este texto trata de uma diretriz clínica, e não de um medicamento novo. Por isso, a verificação de aprovação na FDA e na EMA não se aplica ao tema central. Os medicamentos citados, como noradrenalina, vasopressina, adrenalina, hidrocortisona e betalactâmicos, são de uso antigo, e este texto não discute nenhum medicamento recém-aprovado. A única menção a uma situação regulatória é o XueBiJing, que a diretriz sugere não usar fora das jurisdições onde ele tem aprovação (recomendações de 2026 na página da campanha). A terlipressina, a vitamina C venosa, as imunoglobulinas e a hemoperfusão com polimixina B aparecem com sugestão contra o uso (recomendações de 2026 na página da campanha).
Datas da diretriz
A versão de 2021 foi publicada na Intensive Care Medicine em 2021 (Evans e colaboradores, 2021). A versão de 2026 está na página da campanha, que traz a lista filtrável das recomendações, o guia rápido de ressuscitação e o esquema de tempo do antimicrobiano, todos consultados em 24 de outubro de 2026 (recomendações de 2026 na página da campanha) (guia rápido de ressuscitação de 2026) (esquema de tempo do antimicrobiano de 2026). O post sobre raciocínio clínico interprofissional ajuda a levar essa atualização para enfermagem, farmácia e medicina ao mesmo tempo.
Fluidos, pressão e vasopressores
Volume inicial
Em 2021, a diretriz sugeria pelo menos 30 mL/kg de cristaloide venoso nas primeiras três horas, com evidência de qualidade baixa (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, a sugestão continua, também com certeza baixa (recomendações de 2026 na página da campanha). As observações são novas: considerar as características do paciente, reavaliar com frequência para evitar falta ou excesso de fluido, e calcular pelo peso real, ou pelo peso ajustado ou ideal quando o índice de massa corporal passa de 30 kg/m² (recomendações de 2026 na página da campanha). No homem da cena, com 78 kg, isso dá cerca de 2340 mL nas primeiras três horas, com reavaliação a cada bolus.
Fluido e vasopressor juntos
A diretriz de 2026 sugere bolus de cristaloide seguido de vasopressor se a hipotensão persistir (recomendações de 2026 na página da campanha). A observação diz que, no choque instável, pode ser justificado dar vasopressor junto com o fluido, caso a caso (recomendações de 2026 na página da campanha). Os sinais de choque instável incluem pressão muito baixa, pele manchada, aspecto acinzentado, cianose ou queda da saturação, taquicardia e alteração mental (recomendações de 2026 na página da campanha). O homem da cena tem quase todos. O guia rápido traz a mesma ideia: considerar noradrenalina junto com o fluido quando há hipoperfusão com risco de vida (guia rápido de ressuscitação de 2026).
Tipo de fluido
A diretriz de 2026 recomenda cristaloides como primeira escolha e sugere cristaloides balanceados em vez de soro fisiológico a 0,9 por cento na ressuscitação inicial, agora com certeza moderada (recomendações de 2026 na página da campanha). Em 2021, a mesma sugestão tinha evidência de qualidade baixa (Evans e colaboradores, 2021). No trauma craniano, a diretriz de 2026 sugere soro fisiológico (recomendações de 2026 na página da campanha). Sobre albumina, a direção mudou: em 2021 havia sugestão de usar albumina em quem recebeu grandes volumes de cristaloide (Evans e colaboradores, 2021); em 2026, a sugestão é cristaloide sozinho, com a ressalva de que a albumina pode ser adequada depois de grandes volumes ou na cirrose (recomendações de 2026 na página da campanha). Amidos continuam proibidos com recomendação forte (recomendações de 2026 na página da campanha).
Depois dos primeiros 30 mL/kg
Em 2021, não havia evidência suficiente para escolher entre estratégia liberal e restritiva depois da ressuscitação inicial (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, a sugestão é usar qualquer uma das duas conforme o paciente e o serviço, levando em conta doenças como insuficiência cardíaca e a disponibilidade de leitos monitorados (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz sugere medidas dinâmicas, como levantar as pernas de forma passiva ou resposta do volume sistólico a um bolus, em vez de exame físico ou medidas estáticas sozinhos (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela sugere lactato seriado e tempo de enchimento capilar como apoio, e lembra que o fluido não deve continuar até o lactato normalizar (recomendações de 2026 na página da campanha). Uma revisão sobre microcirculação lembra que o enchimento capilar é simples, mas subjetivo e sensível ao ambiente (Serova e colaboradores, 2026).
Meta de pressão
Em 2021, a recomendação era pressão arterial média inicial de 65 mmHg em vez de metas maiores, recomendação forte (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, ela se mantém, com a observação de que uma faixa de cerca de 5 mmHg é razoável (recomendações de 2026 na página da campanha). A novidade é a sugestão de meta inicial de 60 a 65 mmHg em quem tem 65 anos ou mais (recomendações de 2026 na página da campanha). O homem da cena tem 72 anos, e a meta passa a ser essa faixa.
Vasopressores
A noradrenalina continua como primeira escolha, com recomendação forte contra dopamina, adrenalina ou selepressina como primeira linha (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz de 2026 sugere começar o vasopressor por veia periférica em vez de esperar o acesso central, como já sugeria a de 2021 (recomendações de 2026 na página da campanha) (Evans e colaboradores, 2021). Na análise do estudo CLOVERS, 490 de 582 pacientes começaram o vasopressor por veia periférica, e houve complicação periférica em 3 deles, 0,6 por cento, todas por extravasamento leve (Munroe e colaboradores, 2025). Uma metanálise de 11 estudos com adultos estimou eventos adversos em 1,8 por cento das infusões periféricas, na maioria leves (Owen e colaboradores, 2021).
Com doses crescentes de noradrenalina, a diretriz de 2026 sugere acrescentar vasopressina, com certeza moderada (recomendações de 2026 na página da campanha). Em 2021, a sugestão era acrescentar vasopressina em vez de aumentar a noradrenalina, e o painel costumava começar com noradrenalina entre 0,25 e 0,5 μg/kg/min (Evans e colaboradores, 2021). Se a pressão continuar baixa com noradrenalina e vasopressina, a sugestão é acrescentar adrenalina (recomendações de 2026 na página da campanha). Na disfunção cardíaca com hipoperfusão persistente, a diretriz sugere dobutamina com noradrenalina ou adrenalina sozinha, e sugere não usar levosimendana nem betabloqueador de curta ação (recomendações de 2026 na página da campanha). Uma revisão sobre o manejo hemodinâmico lembra que a eficácia dos vasopressores depende de um manejo adequado de fluidos (Kotani e colaboradores, 2025).
A tabela resume a sequência de 2026 para o homem da cena.
| Momento | Conduta de 2026 | Força | Fonte |
|---|---|---|---|
| Primeira hora | Hemocultura, lactato, antimicrobiano e início do cristaloide balanceado | Forte para hemocultura e antimicrobiano | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Choque instável | Considerar noradrenalina junto com o fluido, por veia periférica se preciso | Condicional | (recomendações de 2026 na página da campanha) (guia rápido de ressuscitação de 2026) |
| Até três horas | Pelo menos 30 mL/kg de cristaloide, com reavaliação | Condicional | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Meta | Pressão arterial média de 60 a 65 mmHg, por ter 65 anos ou mais | Condicional | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Noradrenalina subindo | Acrescentar vasopressina e depois adrenalina | Condicional | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
| Até seis horas | Controle da fonte e internação na terapia intensiva | Condicional | (recomendações de 2026 na página da campanha) |
Corticoide, pulmão e cuidados depois da fase aguda
Antes de considerar o corticoide
- Confirmar que o choque persiste apesar de fluido adequado.
- Conferir a dose de noradrenalina e se ela está subindo.
- Rever se a fonte foi controlada.
- Pensar em outras causas de choque.
- Considerar linha arterial se a dose de vasopressor for média a alta ou crescente.
- Combinar o controle da glicemia, porque o corticoide pode aumentá-la.
Corticoide
Em 2021, a sugestão era corticoide venoso em quem tinha necessidade contínua de vasopressor, com evidência moderada (Evans e colaboradores, 2021). A observação citava hidrocortisona de 200 mg por dia, em 50 mg a cada seis horas ou infusão contínua, começando com noradrenalina ou adrenalina de 0,25 μg/kg/min ou mais por pelo menos quatro horas (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, a sugestão é corticoide venoso no choque séptico, agora com certeza baixa (recomendações de 2026 na página da campanha). O guia rápido de 2026 fala em hidrocortisona, com ou sem fludrocortisona, se a necessidade de noradrenalina persistir (guia rápido de ressuscitação de 2026).
Oxigênio e ventilação
Em 2021, não havia evidência suficiente para recomendar metas conservadoras de oxigênio (Evans e colaboradores, 2021). Em 2026, a sugestão é ajustar a fração de oxigênio para metas mais liberais ou mais conservadoras conforme o paciente e os recursos, e o painel relata alvo de saturação entre 90 e 96 por cento na prática (recomendações de 2026 na página da campanha). A diretriz sugere cânula nasal de alto fluxo em vez de oxigênio convencional quando a relação entre pressão arterial de oxigênio e fração inspirada está abaixo de 200, e como terapia inicial em vez de ventilação não invasiva (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela sugere prona acordado nos pacientes não intubados (recomendações de 2026 na página da campanha). Na síndrome do desconforto respiratório agudo, a recomendação continua de volume corrente de 6 mL/kg e pressão de platô de até 30 cmH2O (recomendações de 2026 na página da campanha).
Outros pontos que mudaram ou ficaram
A insulina continua a começar com glicemia de 180 mg/dL ou mais, como em 2021 (recomendações de 2026 na página da campanha) (Evans e colaboradores, 2021). A diretriz de 2026 sugere não usar antitérmico para melhorar desfechos, sugere remoção ativa de fluido depois da fase aguda, recomenda estratégia restritiva de transfusão e sugere nutrição enteral nas primeiras 72 horas (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela sugere conversar sobre objetivos de cuidado nas primeiras 72 horas (recomendações de 2026 na página da campanha). Sobre azul de metileno no choque refratário, não há evidência suficiente para recomendar (recomendações de 2026 na página da campanha).

Depois da terapia intensiva
A diretriz de 2026 sugere um programa de transição na saída da terapia intensiva, passagem de plantão estruturada e reconciliação de medicamentos com farmacêutico (recomendações de 2026 na página da campanha). Ela sugere oferecer serviços de seguimento depois da doença crítica, reabilitação física para quem ficou mais de 48 horas em ventilação mecânica e apoio à saúde mental (recomendações de 2026 na página da campanha). O post sobre pausa diagnóstica ajuda a parar antes da alta e rever o que ainda falta.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. Sepse é um bom exercício porque um lactato, uma pressão ou uma tomografia mudam a conduta, e o tempo conta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.
Três exercícios com casos
Mude o choque. Diga o que muda se a pressão fosse de 112/70 mmHg, sem pele manchada, com suspeita moderada de infecção urinária.
Mude a idade. Diga qual seria a meta de pressão se ele tivesse 52 anos.
Mude o órgão. Diga o que muda no fluido se ele tivesse cirrose e já tivesse recebido grandes volumes.
O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a primeira hora em equipe.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
A regra de 30 mL/kg acabou?
Não. A diretriz de 2026 continua sugerindo pelo menos 30 mL/kg nas primeiras três horas, com reavaliação frequente (recomendações de 2026 na página da campanha).
O antimicrobiano ainda é na primeira hora?
Sim no choque e na sepse provável ou definida. Na sepse possível sem choque, até três horas (esquema de tempo do antimicrobiano de 2026).
Qual é a meta de pressão para idosos?
A sugestão é de 60 a 65 mmHg para quem tem 65 anos ou mais (recomendações de 2026 na página da campanha).
Ainda se usa albumina?
A sugestão é cristaloide sozinho, com albumina possível depois de grandes volumes ou na cirrose (recomendações de 2026 na página da campanha).
O SOFA-2 substitui o SOFA?
Ele atualiza o escore, e um estudo grande sugere usar os dois em transição (Zhu e colaboradores, 2026).
Checklist final
- Reconheci o choque pelo exame físico.
- Colhi hemocultura e medi o lactato.
- Dei o antimicrobiano na primeira hora.
- Calculei o fluido pelo peso.
- Comecei a noradrenalina sem esperar o acesso central.
- Ajustei a meta de pressão à idade.
- Chamei a cirurgia para controlar a fonte.
- Planejei desescalonar e o seguimento depois da alta.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- Evans L, Rhodes A, Alhazzani W, et al. Surviving sepsis campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2021. Intensive Care Med. 2021. PMID 34599691.
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- Kotani Y, Ryan N, Udy AA, et al. Haemodynamic management of septic shock. Burns Trauma. 2025. PMID 39816212.
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