Fezolinetanto nos fogachos sem hormônio: fígado e seleção

Leque antigo aberto sobre fundo escuro
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. Como surgem os fogachos
  3. Como age o fezolinetanto
  4. Situação regulatória: FDA e EMA
  5. O que mostraram os estudos
  6. Da seleção ao acompanhamento
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Checklist final
  10. Referências

Uma mulher de 53 anos procura a atenção primária por fogachos intensos. Ela teve câncer de mama com receptor hormonal positivo há quatro anos, foi operada, fez radioterapia e usa anastrozol desde então. Ela conta cerca de dez fogachos moderados ou intensos por dia, com suor noturno que a acorda três vezes por noite. Já tentou medidas de comportamento, como roupas leves e ambiente fresco, sem melhora suficiente. A oncologista contraindicou terapia hormonal. Ela não bebe álcool, não tem doença do fígado conhecida e usa só anastrozol e um suplemento de cálcio. A última creatinina foi normal. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. Ele trata do fezolinetanto, um antagonista do receptor de neurocinina 3 aprovado para sintomas vasomotores moderados a intensos da menopausa, sem hormônio. O texto explica como surgem os fogachos, o que os estudos mostraram, por que a bula americana traz advertência em tarja preta sobre o fígado, quais são as contraindicações, como fica a mulher com câncer de mama e onde entra o elinzanetanto. Ele não substitui o protocolo da sua instituição nem a bula local. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.

Principais pontos

  • O fezolinetanto (nome comercial Veozah nos Estados Unidos e Veoza na União Europeia) bloqueia o receptor de neurocinina 3 no centro de controle da temperatura.
  • A dose é de 45 mg por via oral uma vez ao dia, com ou sem alimento.
  • A bula americana traz advertência em tarja preta sobre lesão do fígado e pede exames antes e durante os primeiros nove meses.
  • Cirrose, doença renal grave e uso de inibidores do CYP1A2 são contraindicações.
  • Os estudos principais excluíram mulheres com câncer prévio, por isso a evidência na mulher da cena é indireta.
  • As datas regulatórias deste texto foram conferidas na FDA e na EMA em 24 de outubro de 2026.

Por que este é um cenário de raciocínio

Os sintomas vasomotores são a queixa mais típica da menopausa. Uma revisão lembra que até 80 por cento das mulheres na perimenopausa do estudo SWAN relataram fogachos nas duas semanas anteriores à entrevista anual, e que muitas mulheres passam até 40 por cento da vida na pós-menopausa (DePree, 2023). Um guia prático lembra que a terapia hormonal da menopausa pode ter riscos como câncer de mama com a combinação de estrogênio e progestagênio, hiperplasia e câncer do endométrio, tromboembolismo venoso e doença da vesícula (Khan e colaboradores, 2023). Uma revisão sobre fogachos em pessoas com câncer lembra que a terapia hormonal é o tratamento de referência, mas costuma ser contraindicada nos cânceres sensíveis a hormônio (Zhu e colaboradores, 2025).

O cenário é bom para treino porque a terapia mais eficaz está fora de questão e cada alternativa tem uma armadilha. Paroxetina interfere com o tamoxifeno, gabapentina dá sono, oxibutinina tem efeitos anticolinérgicos e o fezolinetanto exige vigilância do fígado. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a medir a frequência e o impacto dos fogachos, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que cada exame pedido precisa mudar uma decisão.

O que a cena ensina

A cena treina seis hábitos. O primeiro é quantificar os fogachos e seu impacto no sono. O segundo é confirmar por que a terapia hormonal não serve. O terceiro é revisar todos os medicamentos em busca de interações. O quarto é pedir exames do fígado e da função renal antes de começar. O quinto é combinar o calendário de exames. O sexto é conversar com a oncologia sobre o que a evidência mostra e o que não mostra.

O que não está em jogo

O texto não discute o tratamento do câncer de mama, a escolha da terapia endócrina adjuvante nem a síndrome geniturinária da menopausa. Também não compara preços nem acesso. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a explicar à paciente o que significa usar um remédio em uma população que não entrou nos estudos.

Fogachos na sobrevivente de câncer de mama

Uma revisão sobre sono lembra que as terapias endócrinas mais usadas no câncer de mama reduzem a recorrência ao diminuir a ação do estrogênio, seja inibindo sua síntese, como os inibidores da aromatase, seja como moduladores do receptor, como o tamoxifeno (Van Dyk e colaboradores, 2021). A mesma revisão lembra que o distúrbio do sono pode chegar a 60 por cento das sobreviventes em terapia endócrina, contra 20 por cento na população geral (Van Dyk e colaboradores, 2021). A revisão sobre pessoas com câncer lembra que a terapia cognitivo-comportamental e a hipnose clínica têm estudos randomizados com sobreviventes de câncer de mama (Zhu e colaboradores, 2025). Uma revisão de 2025 sobre fogachos em pessoas com câncer diz que ainda não há dados sobre o efeito e a segurança do fezolinetanto em sobreviventes de câncer (Zhu e colaboradores, 2025).

Como surgem os fogachos

O centro da temperatura

Uma revisão sobre kisspeptina e neurocinina B explica que, em modelos pré-clínicos, os neurônios KNDy do núcleo arqueado, que produzem kisspeptina, neurocinina B e dinorfina, projetam-se para áreas pré-ópticas que controlam a temperatura (Koysombat e colaboradores, 2025). Uma dessas áreas é o núcleo pré-óptico mediano, que integra a informação de sensores de calor da pele e controla respostas de perda de calor, como a vasodilatação cutânea (Koysombat e colaboradores, 2025).

O papel do estrogênio

A página da EMA resume que, antes da menopausa, há um equilíbrio entre o estrogênio e a neurocinina B, que regula o centro de controle da temperatura no cérebro (EMA, página do Veoza). Com a queda do estrogênio, esse equilíbrio se perde e podem surgir os sintomas vasomotores (EMA, página do Veoza). A página do Lynkuet acrescenta que o mesmo desequilíbrio aparece durante a terapia endócrina, que bloqueia o efeito do estrogênio (EMA, página do Lynkuet). É exatamente o mecanismo da mulher da cena, que usa um inibidor da aromatase.

Medir antes de tratar

Os estudos contaram fogachos moderados a intensos por dia em diário (Johnson e colaboradores, 2023). Na prática, pedir à paciente que registre durante uma ou duas semanas o número de fogachos, a intensidade e os despertares noturnos ajuda a avaliar a resposta depois. O post sobre diagnóstico diferencial lembra que suor noturno e calor também podem vir de tireoide, infecção, medicamentos ou recorrência do câncer, e que um quadro novo ou atípico pede investigação.

Imagem de microscopia de tecido rosado e roxo com uma fileira de células na superfície e estroma denso abaixo
Epitélio da superfície do ovário e estroma em microscopia óptica. Na menopausa, a queda do estrogênio ovariano desequilibra o controle da temperatura no hipotálamo. Foto: Mikael Häggström, M.D., Wikimedia Commons, CC0.

Como age o fezolinetanto

A bula descreve o fezolinetanto como um antagonista do receptor de neurocinina 3 que bloqueia a ligação da neurocinina B ao neurônio KNDy e modula a atividade neuronal no centro de controle da temperatura (bula americana do Veozah, 12/2024). A afinidade pelo receptor de neurocinina 3 é mais de 450 vezes maior que pelos receptores de neurocinina 1 ou 2 (bula americana do Veozah, 12/2024). O tratamento não mostrou tendência clara nos hormônios sexuais medidos (bula americana do Veozah, 12/2024).

Diferença em relação ao elinzanetanto

O elinzanetanto é um antagonista dos receptores de neurocinina 1 e de neurocinina 3 (bula americana do Lynkuet, 10/2025). A EMA resume que ele impede a neurocinina B de se ligar a dois de seus alvos no cérebro (EMA, página do Lynkuet). A dose americana é de 120 mg, duas cápsulas de 60 mg, uma vez ao dia ao deitar (bula americana do Lynkuet, 10/2025). A bula do Lynkuet traz advertência sobre efeito depressor do sistema nervoso central, com sonolência, fadiga, vertigem e tontura em 11,9 por cento contra 3,5 por cento com placebo (bula americana do Lynkuet, 10/2025). Ela contraindica o uso na gestação e pede ajuste com inibidores moderados do CYP3A4 e evitar inibidores fortes (bula americana do Lynkuet, 10/2025).

Interações

O fezolinetanto é substrato do CYP1A2, e a bula contraindica o uso com inibidores fracos, moderados ou fortes dessa enzima (bula americana do Veozah, 12/2024). Por isso, revisar a lista de remédios é parte da prescrição. Para a mulher da cena, o anastrozol não está nessa lista, mas uma futura receita de fluvoxamina ou ciprofloxacino, por exemplo, mudaria a conduta. Vale conferir cada novo remédio na bula ou com a farmácia.

Situação regulatória: FDA e EMA

FDA

Segundo o Drugs@FDA, o Veozah, NDA 216578, foi aprovado nos Estados Unidos em 12 de maio de 2023 como nova entidade molecular, com revisão prioritária (Drugs@FDA, NDA 216578). Os suplementos 3, de 31 de agosto de 2024, e 4, de 16 de dezembro de 2024, mudaram a rotulagem (Drugs@FDA, NDA 216578). A bula consultada é a revisão de 12/2024, que traz a advertência em tarja preta sobre o fígado (bula americana do Veozah, 12/2024).

O Lynkuet, NDA 219469, foi aprovado nos Estados Unidos em 24 de outubro de 2025, também como nova entidade molecular (Drugs@FDA, NDA 219469). A indicação americana é o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos da menopausa (bula americana do Lynkuet, 10/2025).

EMA

Na União Europeia, o Veoza recebeu parecer favorável em 12 de outubro de 2023 e autorização em 7 de dezembro de 2023 (EMA, página do Veoza). A indicação é o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos da menopausa, e o medicamento está sob monitorização adicional (EMA, página do Veoza). A página foi atualizada em 21 de agosto de 2026 (EMA, página do Veoza).

O Lynkuet recebeu parecer favorável em 18 de setembro de 2025 e autorização em 17 de novembro de 2025 (EMA, página do Lynkuet). Na União Europeia, a página da EMA descreve o uso para sintomas vasomotores da menopausa ou causados por terapia endócrina adjuvante para câncer de mama (EMA, página do Lynkuet). A página foi atualizada em 11 de setembro de 2026 (EMA, página do Lynkuet). Essa diferença entre as agências pesa na conversa com a mulher da cena.

A tabela resume as datas.

MedicamentoAgênciaEventoDataFonte
VeozahFDAAprovação inicial, NDA 21657812/05/2023(Drugs@FDA, NDA 216578)
VeozahFDAÚltima mudança de rotulagem, suplemento 416/12/2024(Drugs@FDA, NDA 216578)
VeozaEMAAutorização na União Europeia07/12/2023(EMA, página do Veoza)
LynkuetFDAAprovação inicial, NDA 21946924/10/2025(Drugs@FDA, NDA 219469)
LynkuetEMAAutorização na União Europeia17/11/2025(EMA, página do Lynkuet)

O que mostraram os estudos

SKYLIGHT 1 e 2

Os estudos 1 e 2 da bula, SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2, incluíram 1022 mulheres com pelo menos sete fogachos moderados a intensos por dia, com 12 semanas de comparação com placebo e depois 40 semanas de extensão (bula americana do Veozah, 12/2024). A idade média foi de 54 anos (bula americana do Veozah, 12/2024). No estudo 1, a frequência diária caiu 6,4 com fezolinetanto e 3,9 com placebo na semana 12, diferença de 2,6 fogachos por dia (bula americana do Veozah, 12/2024). No estudo 2, caiu 7,5 contra 5,0, diferença de 2,5 (bula americana do Veozah, 12/2024). A frequência de partida era de 10 a 12 fogachos por dia (bula americana do Veozah, 12/2024).

Os critérios do SKYLIGHT 2 excluíam história atual ou prévia de tumor maligno, exceto carcinoma basocelular, e uso de inibidores fortes ou moderados do CYP1A2 (Johnson e colaboradores, 2023). A mulher da cena, portanto, não entraria nesse estudo.

SKYLIGHT 4

O SKYLIGHT 4 foi planejado para dar 52 semanas de dados de segurança controlados com placebo, com foco no endométrio (Neal-Perry e colaboradores, 2023). Na bula, hiperplasia ou carcinoma do endométrio ocorreram em 2 de 350 mulheres com fezolinetanto, ou 0,6 por cento, e em nenhuma de 186 com placebo (bula americana do Veozah, 12/2024). Os efeitos mais comuns foram dor abdominal, diarreia, insônia, dor nas costas, fogacho e aumento das transaminases (bula americana do Veozah, 12/2024).

DAYLIGHT

O estudo DAYLIGHT incluiu 452 mulheres de 40 a 65 anos consideradas inadequadas para terapia hormonal, por contraindicação, cautela, interrupção prévia ou escolha informada (Schaudig e colaboradores, 2024). Só 11,1 por cento estavam no grupo de contraindicação (Schaudig e colaboradores, 2024). Na semana 24, o fezolinetanto reduziu a frequência de fogachos em 1,93 por dia a mais que o placebo (Schaudig e colaboradores, 2024). A redução média foi de 8,15 fogachos por dia com fezolinetanto e de 6,09 com placebo (Schaudig e colaboradores, 2024).

Comparações indiretas e elinzanetanto

Uma metanálise em rede concluiu que o efeito do fezolinetanto sobre a frequência não diferiu de nenhum esquema de terapia hormonal, e que ele reduziu mais a frequência que desvenlafaxina, paroxetina 7,5 mg e gabapentina de liberação prolongada (Morga e colaboradores, 2024). Comparações indiretas, porém, não substituem estudos diretos (Morga e colaboradores, 2024). No OASIS 3, com 628 mulheres e 52 semanas, o elinzanetanto reduziu a frequência em 5,4 fogachos por dia contra 3,5 com placebo na semana 12 (Panay e colaboradores, 2025). Os efeitos mais citados como relacionados ao tratamento foram sonolência, fadiga e dor de cabeça (Panay e colaboradores, 2025).

A tabela resume os estudos principais.

EstudoPopulaçãoParticipantesResultado principalFonte
SKYLIGHT 1, estudo 1Menopausa, sem câncer prévio174 contra 175 na análiseDiferença de 2,6 fogachos por dia na semana 12(bula americana do Veozah, 12/2024)
SKYLIGHT 2, estudo 2Menopausa, sem câncer prévio167 contra 167 na análiseDiferença de 2,5 fogachos por dia na semana 12(bula americana do Veozah, 12/2024) (Johnson e colaboradores, 2023)
SKYLIGHT 4, estudo 3Segurança em 52 semanas609 contra 610 no braço de 45 mgHiperplasia ou carcinoma do endométrio em 0,6 por cento(Neal-Perry e colaboradores, 2023) (bula americana do Veozah, 12/2024)
DAYLIGHTInadequadas para terapia hormonal226 contra 226Diferença de 1,93 fogachos por dia na semana 24(Schaudig e colaboradores, 2024)
OASIS 3, elinzanetantoMenopausa, 52 semanas313 contra 315Queda de 5,4 contra 3,5 fogachos por dia na semana 12(Panay e colaboradores, 2025)

Como ler esses números

Placebo reduz muito os fogachos, e a diferença real é de cerca de dois a três por dia. A bula considera clinicamente significativa uma redução de pelo menos dois fogachos em 24 horas (bula americana do Veozah, 12/2024). Para quem tem dez por dia e acorda três vezes por noite, isso pode valer muito, mas a expectativa precisa ser honesta.

Da seleção ao acompanhamento

Antes de começar

  • Contar fogachos por dia e despertares noturnos durante uma a duas semanas.
  • Confirmar com a oncologia por que a terapia hormonal não serve.
  • Pedir ALT, AST, fosfatase alcalina e bilirrubina total e direta.
  • Não iniciar se ALT ou AST estiverem em duas vezes o limite superior do normal ou mais, ou a bilirrubina total também.
  • Confirmar que não há cirrose nem doença renal grave.
  • Revisar todos os remédios em busca de inibidores do CYP1A2.

Dose

A dose é de 45 mg por via oral uma vez ao dia, com ou sem alimento, engolindo o comprimido inteiro (bula americana do Veozah, 12/2024). Se esquecer uma dose, a paciente deve tomá-la assim que lembrar, a menos que faltem menos de 12 horas para a próxima (bula americana do Veozah, 12/2024).

A advertência sobre o fígado

A tarja preta descreve lesão do fígado grave observada depois da comercialização (bula americana do Veozah, 12/2024). Nesses relatos, a lesão surgiu nos primeiros 40 dias de uso, com cansaço, náusea, coceira, icterícia, fezes claras e urina escura, e os exames melhoraram aos poucos depois da suspensão (bula americana do Veozah, 12/2024). A bula manda repetir os exames do fígado todo mês nos três primeiros meses e depois aos seis e nove meses (bula americana do Veozah, 12/2024). Ela manda parar na hora se surgirem sintomas como cansaço novo, perda de apetite, náusea, vômitos, coceira, pele ou olhos amarelos, fezes claras, urina escura ou dor abdominal (bula americana do Veozah, 12/2024). Também manda parar se as transaminases passarem de cinco vezes o limite superior do normal, ou de três vezes com bilirrubina acima de duas vezes (bula americana do Veozah, 12/2024). Acima de três vezes, os exames devem ser repetidos com mais frequência até a resolução (bula americana do Veozah, 12/2024).

Nos estudos, transaminases acima de três vezes o limite superior do normal ocorreram em 2,3 por cento com fezolinetanto e em 0,9 por cento com placebo, sem aumento da bilirrubina acima de duas vezes, em geral sem sintomas e com retorno ao basal (bula americana do Veozah, 12/2024). Na prática, isso significa exames no início e nos meses 1, 2, 3, 6 e 9 (bula americana do Veozah, 12/2024).

Rins e fígado

O fezolinetanto é contraindicado na doença renal grave, com filtração glomerular de 15 a menos de 30, e na doença renal terminal (bula americana do Veozah, 12/2024). Não é preciso ajuste na doença renal leve ou moderada (bula americana do Veozah, 12/2024). A cirrose também é contraindicação, e a disfunção hepática Child-Pugh A ou B aumenta a exposição (bula americana do Veozah, 12/2024).

Imagem de microscopia de tecido rosado com um aglomerado central de pequenos canais cercado por estroma fibroso
Rete ovarii no hilo do ovário em microscopia óptica. Depois da menopausa, o ovário deixa de produzir estrogênio de forma cíclica. Foto: Mikael Häggström, M.D., Wikimedia Commons, CC0.

Alternativas sem hormônio

Uma revisão sobre fogachos em pessoas com câncer lembra que inibidores seletivos da recaptação de serotonina, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, gabapentina e fezolinetanto são as opções preferidas pela sociedade norte-americana de menopausa, com nível I de evidência, e a oxibutinina com nível I a II (Zhu e colaboradores, 2025). A mesma revisão recomenda evitar a paroxetina em quem usa tamoxifeno (Zhu e colaboradores, 2025). Outra revisão explica que a paroxetina inibe o CYP2D6, enzima que converte o tamoxifeno em endoxifeno, seu metabólito mais ativo (Young Moss e colaboradores, 2025). Para a mulher da cena, que usa anastrozol, essa interação não se aplica, mas a escolha continua dependendo de sono, humor, pressão e preferências.

Acompanhamento

O seguimento inclui o calendário de exames do fígado, o diário de fogachos depois de quatro a doze semanas e a revisão de efeitos como insônia e diarreia (bula americana do Veozah, 12/2024). O post sobre pausa diagnóstica ajuda a reavaliar antes de concluir que o remédio falhou. O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra como atenção primária, oncologia, ginecologia e farmácia podem dividir esse plano.

Gestação

A bula informa que não há dados de uso na gestação (bula americana do Veozah, 12/2024). Na perimenopausa, uma gestação ainda é possível e precisa ser lembrada. A bula do elinzanetanto é mais restrita e contraindica o uso na gestação (bula americana do Lynkuet, 10/2025).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. Fogachos depois de câncer de mama são um bom exercício porque um exame do fígado, um novo remédio ou a terapia endócrina mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.

Três exercícios com casos

Mude o laboratório. Diga o que fazer se a ALT do segundo mês viesse em quatro vezes o limite superior do normal, sem sintomas.

Mude os remédios. Diga o que muda se ela precisasse de ciprofloxacino para uma infecção urinária.

Mude a terapia endócrina. Diga o que muda se ela usasse tamoxifeno em vez de anastrozol.

O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a conversa sobre expectativas, exames e sinais de alerta.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.

Perguntas frequentes

O fezolinetanto é um hormônio?

Não. Ele bloqueia o receptor de neurocinina 3 e não mostrou tendência clara nos hormônios sexuais (bula americana do Veozah, 12/2024).

Qual é a dose?

45 mg por via oral uma vez ao dia (bula americana do Veozah, 12/2024).

Quais exames pedir?

Exames do fígado antes de começar, todo mês nos três primeiros meses e aos seis e nove meses (bula americana do Veozah, 12/2024).

Pode ser usado depois de câncer de mama?

A bula americana não trata desse grupo, e os estudos principais excluíram câncer prévio (Johnson e colaboradores, 2023). Uma revisão de 2025 diz que ainda não há dados nessa população (Zhu e colaboradores, 2025). A decisão deve ser compartilhada com a oncologia.

E o elinzanetanto?

Na União Europeia, a EMA descreve o uso também para fogachos da terapia endócrina adjuvante do câncer de mama (EMA, página do Lynkuet). Nos Estados Unidos, a indicação é para fogachos da menopausa (bula americana do Lynkuet, 10/2025).

Checklist final

  • Contei fogachos e despertares antes de tratar.
  • Confirmei a contraindicação à terapia hormonal.
  • Pedi exames do fígado antes de começar.
  • Descartei cirrose e doença renal grave.
  • Revisei inibidores do CYP1A2.
  • Combinei exames nos meses 1, 2, 3, 6 e 9.
  • Orientei sobre sintomas de lesão do fígado.
  • Discuti com a oncologia os limites da evidência.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Astellas Pharma US. VEOZAH® (fezolinetant) tablets, for oral use. Prescribing Information. Revisada em 12/2024. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  2. Bayer HealthCare Pharmaceuticals. LYNKUET® (elinzanetant) capsules, for oral use. Prescribing Information. Revisada em 10/2025. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  3. European Medicines Agency. Lynkuet | European Medicines Agency (EMA). Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  4. European Medicines Agency. Veoza | European Medicines Agency (EMA). Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  5. DePree B. Fezolinetant: A Potential Treatment for Moderate to Severe Vasomotor Symptoms of Menopause. touchREV Endocrinol. 2023. PMID 38187079.
  6. Johnson KA, Martin N, Nappi RE, et al. Efficacy and Safety of Fezolinetant in Moderate to Severe Vasomotor Symptoms Associated With Menopause: A Phase 3 RCT. J Clin Endocrinol Metab. 2023. PMID 36734148.
  7. Khan SJ, Kapoor E, Faubion SS, et al. Vasomotor Symptoms During Menopause: A Practical Guide on Current Treatments and Future Perspectives. Int J Womens Health. 2023. PMID 36820056.
  8. Koysombat K, Tsoutsouki J, Patel AH, et al. Kisspeptin and neurokinin B: roles in reproductive health. Physiol Rev. 2025. PMID 39813600.
  9. Morga A, Ajmera M, Gao E, et al. Systematic review and network meta-analysis comparing the efficacy of fezolinetant with hormone and nonhormone therapies for treatment of vasomotor symptoms due to menopause. Menopause. 2024. PMID 38016166.
  10. Neal-Perry G, Cano A, Lederman S, et al. Safety of Fezolinetant for Vasomotor Symptoms Associated With Menopause: A Randomized Controlled Trial. Obstet Gynecol. 2023. PMID 36897180.
  11. Panay N, Joffe H, Maki PM, et al. Elinzanetant for the Treatment of Vasomotor Symptoms Associated With Menopause: A Phase 3 Randomized Clinical Trial. JAMA Intern Med. 2025. PMID 40920404.
  12. Schaudig K, Wang X, Bouchard C, et al. Efficacy and safety of fezolinetant for moderate-severe vasomotor symptoms associated with menopause in individuals unsuitable for hormone therapy: phase 3b randomised controlled trial. BMJ. 2024. PMID 39557487.
  13. U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 216578, Veozah. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  14. U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 219469, Lynkuet. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  15. Van Dyk K, Joffe H, Carroll JE. Sleep and endocrine therapy in breast cancer. Curr Opin Endocr Metab Res. 2021. PMID 34095605.
  16. Young Moss S, Lee A, Simon JA. Advances in Pharmacotherapy for Menopausal Vasomotor Symptoms. Drugs. 2025. PMID 41028653.
  17. Zhu L, Hshieh TT, Iyer TK, et al. Management of vasomotor symptoms in cancer patients. Oncologist. 2025. PMID 40037618.

Voltar ao blog

Fezolinetanto nos fogachos sem hormônio: fígado e seleção