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Risco de suicídio: o que a avaliação clínica capta

Porta fechada de madeira escura de um consultório de hospital, com maçaneta metálica, entre paredes brancas com faixa marrom
Sumário
  1. Por que o risco é tão difícil de prever
  2. O que a classificação em alto e baixo risco entrega
  3. O que as escalas mostram na prática
  4. Fatores de risco: o que descrevem e o que não decidem
  5. O que a conversa capta que a escala não capta
  6. Montando o raciocínio passo a passo
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Take-home messages
  10. Referências

Uma mulher de 34 anos chega ao pronto-socorro depois de tomar uma quantidade de comprimidos maior que a prescrita. Está clinicamente estável. O plantonista aplica uma escala de risco, soma os pontos e chega a "baixo risco". Na conversa, porém, ela conta que perdeu o emprego, que mora sozinha e que esta foi a segunda vez em um ano.

A avaliação do risco de suicídio é uma das tarefas mais difíceis da clínica. O médico precisa decidir, em pouco tempo, quem precisa de mais cuidado. A tentação é transformar essa decisão em um número, com uma escala ou uma classificação em alto e baixo risco.

Este texto discute o que a avaliação clínica e as escalas realmente captam, por que a previsão individual falha e o que a evidência sugere colocar no lugar: uma avaliação centrada nas necessidades da pessoa. É um texto sobre raciocínio clínico e não substitui protocolos locais nem a avaliação especializada.

Principais pontos

  • A classificação em alto e baixo risco separa grupos, mas prevê mal o que acontece com cada pessoa.
  • Escalas muito sensíveis erram por excesso, e escalas pouco sensíveis deixam passar a maioria dos que voltam.
  • A autolesão é um dos fatores de risco mais fortes, e o primeiro ano depois do episódio é o período mais crítico.
  • Fatores de risco descrevem populações, não decidem o destino de um paciente.
  • A avaliação deve servir para entender necessidades e planejar o cuidado, não só para classificar.

Por que o risco é tão difícil de prever

O suicídio é um desfecho grave e, ao mesmo tempo, relativamente raro em cada grupo de pacientes. Essa combinação cria um problema estatístico conhecido: mesmo um fator de risco forte tem baixo valor preditivo quando a taxa básica do desfecho é baixa.

O tamanho do risco depois da autolesão

Uma revisão sistemática reuniu 177 artigos sobre o que acontece depois de um episódio de autolesão (Carroll e colaboradores, 2014). O suicídio ocorreu em 1,6 a cada 100 pessoas em 12 meses e em 3,9 a cada 100 em 5 anos. A repetição não fatal chegou a 16,3 a cada 100 no primeiro ano.

Os números mostram duas coisas ao mesmo tempo. O risco é muito maior que o da população geral, e por isso a autolesão merece atenção. Mas a grande maioria das pessoas que passam por um episódio não morre por suicídio nos anos seguintes (Carroll e colaboradores, 2014), o que torna a previsão individual muito difícil.

Voltar ao serviço é comum

O pensamento suicida, mesmo sem autolesão, também traz risco. Um registro da Irlanda do Norte acompanhou 14.695 atendimentos hospitalares por ideação suicida (Griffin e colaboradores, 2020). Em 5 anos, a incidência acumulada de novo atendimento foi de 40,5 a cada 100, com risco de autolesão posterior de 18,3 a cada 100. Cada novo atendimento é uma chance de rever o cuidado.

Raro no indivíduo, frequente no serviço

Existe um paradoxo que confunde muitos estudantes. Para cada paciente, o suicídio é um evento improvável no curto prazo. Para o serviço que atende muitas pessoas em crise, porém, ele não é raro: ao longo do tempo, alguns desses pacientes vão morrer, e a equipe vai lembrar de cada um deles.

Esse contraste explica por que a pressão por prever é tão grande e por que a previsão falha. A pergunta "este paciente vai se matar?" quase sempre terá a resposta estatística "provavelmente não", e mesmo assim o cuidado precisa ser oferecido. A pergunta mais útil passa a ser outra: o que esta pessoa precisa agora, e o que pode ser feito para reduzir o risco dela, seja ele qual for?

O que a classificação em alto e baixo risco entrega

A pergunta central é simples: separar pacientes em alto e baixo risco ajuda a decidir? Uma metanálise tentou responder com dados de 53 amostras em 37 estudos (Large e colaboradores, 2016).

Grupos diferentes, previsão fraca

O grupo classificado como de alto risco teve chance de suicídio cerca de cinco vezes maior, com razão de chances de 4,84 (Large e colaboradores, 2016). No acompanhamento, 5,5 a cada 100 pacientes de alto risco morreram por suicídio, contra 0,9 a cada 100 dos de baixo risco.

A diferença entre grupos é real, mas a previsão para cada paciente é fraca. A sensibilidade combinada foi de 56 a cada 100 e a especificidade, de 79 a cada 100 (Large e colaboradores, 2016). Uma parte grande das mortes ocorreu entre pessoas classificadas como de baixo risco, e a maioria dos classificados como alto risco não morreu por suicídio. Os autores concluíram que a classificação baseada em vários fatores de risco não é muito mais forte que a associação de cada fator isolado com o suicídio.

A intuição do clínico também tem limites

Um estudo australiano comparou a avaliação de clínicos, feita com um checklist de 18 itens, com um modelo construído a partir de dados do prontuário em 7399 pacientes (Tran e colaboradores, 2014). A área sob a curva da avaliação clínica foi de 0,58, contra 0,79 do modelo com dados do prontuário.

O dado que mais chama atenção é que 66,8 a cada 100 pacientes tinham sido atendidos no pronto-socorro no ano anterior (Tran e colaboradores, 2014). A história de contatos prévios com o serviço, muitas vezes disponível no próprio prontuário, carrega informação que a entrevista isolada não capta.

Quarto de hospital vazio, com leito de grades brancas e lençol azul, armário de madeira e pia ao fundo
Quarto de internação. A história de atendimentos anteriores, muitas vezes registrada no prontuário, carrega informação que a entrevista isolada não capta. Crédito: Ladislav Luppa, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O que as escalas mostram na prática

As escalas de risco foram criadas para padronizar a avaliação. Os estudos que testaram essas escalas em serviços de emergência mostram um padrão consistente: nenhuma delas prevê bem o que vai acontecer.

Um estudo prospectivo com várias escalas

Um estudo inglês aplicou várias escalas a 483 episódios de autolesão e acompanhou a repetição em 6 meses (Quinlivan e colaboradores, 2017). A repetição ocorreu em 30 a cada 100 episódios. A sensibilidade variou de 1 a cada 100, com a escala SAD PERSONS, a 97 a cada 100, com a escala de Manchester.

O valor preditivo positivo ficou entre 13 e 47 a cada 100. A melhor área sob a curva, de 0,74, veio da escala global do próprio clínico (Quinlivan e colaboradores, 2017). Os autores concluíram que as escalas não devem ser usadas para decidir o tratamento.

O mesmo padrão em 4000 episódios

Um estudo multicêntrico avaliou 4000 episódios de autolesão em serviços de emergência ingleses (Steeg e colaboradores, 2018). A repetição em 6 meses ocorreu em 28 a cada 100. As escalas de Manchester e ReACT tiveram sensibilidade alta, de 98 e 94 a cada 100, mas especificidade de apenas 15 e 23 a cada 100.

Já a escala SAD PERSONS identificou só 24 a 29 a cada 100 das pessoas que repetiram a autolesão (Steeg e colaboradores, 2018). Uma escala muito sensível classifica quase todos como alto risco e não ajuda a priorizar. Uma escala pouco sensível deixa passar a maior parte dos que voltam.

Estudo Desfecho O que as escalas mostraram
Quinlivan e colaboradores, 2017 Repetição em 6 meses, 483 episódios Sensibilidade de 1 a 97 a cada 100; valor preditivo positivo de 13 a 47 a cada 100
Steeg e colaboradores, 2018 Repetição em 6 meses, 4000 episódios Manchester e ReACT muito sensíveis, pouco específicas; SAD PERSONS pouco sensível
Quinlivan e colaboradores, 2016 Revisão de 8 artigos Sensibilidade de 6 a 97 a cada 100; valor preditivo positivo de 5 a 84 a cada 100
Harris e colaboradores, 2019 Adolescentes, 11 estudos Sensibilidade de 27 a 95,8 a cada 100

Fonte da tabela: Quinlivan e colaboradores, 2017; Steeg e colaboradores, 2018; Quinlivan e colaboradores, 2016; Harris e colaboradores, 2019.

As revisões chegam à mesma conclusão

Uma revisão sistemática de escalas para avaliar risco depois de autolesão incluiu 8 artigos e encontrou sensibilidade entre 6 e 97 a cada 100 e valor preditivo positivo entre 5 e 84 a cada 100 (Quinlivan e colaboradores, 2016). Os autores concluíram que é difícil ter certeza de qual escala, se alguma, é a mais útil, e que elas não devem ser usadas isoladamente para decidir a conduta.

Em adolescentes, uma revisão de 11 estudos com 10 instrumentos encontrou sensibilidade entre 27 e 95,8 a cada 100 (Harris e colaboradores, 2019). A variação é grande demais para que um único escore sustente uma decisão, um problema típico de incerteza diagnóstica.

Por que sensibilidade alta não resolve o problema

Uma escala pode ser ajustada para pegar quase todos os pacientes que vão repetir a autolesão. O preço é classificar como alto risco também a maioria dos que não vão repetir. No serviço de emergência, isso significa que a categoria "alto risco" deixa de separar pacientes e passa a descrever quase todos.

O movimento contrário também tem custo. Se a escala for ajustada para ser mais específica, ela passa a deixar de fora muitos dos que voltam, como aconteceu com a SAD PERSONS (Steeg e colaboradores, 2018). Não existe ponto de corte que escape desse dilema quando o desfecho é raro e os fatores de risco são comuns. Por isso as revisões recomendam que nenhuma escala decida sozinha a alta, a internação ou o encaminhamento (Quinlivan e colaboradores, 2016).

Fatores de risco: o que descrevem e o que não decidem

Os fatores de risco continuam importantes. O erro está em usá-los como se somados produzissem uma previsão individual.

Os fatores mais fortes

Uma metanálise de estudos de autópsia psicológica reuniu 37 estudos de 23 países, com 5633 mortes por suicídio e 7101 controles (Favril e colaboradores, 2022). Os fatores com efeito mais forte foram a presença de transtorno mental, com razão de chances de 13,1, e a história de autolesão, com 10,1. Fatores familiares, de eventos de vida e sociais tiveram efeitos mais modestos.

Em grupos específicos, o risco também é alto. Uma revisão sobre esquizofrenia estimou o risco de suicídio ao longo da vida em cerca de 5 a cada 100 (Hor e Taylor, 2010). Para a repetição da autolesão, uma revisão de 129 estudos com 329.001 participantes encontrou associação consistente com autolesão prévia, transtorno de personalidade, desesperança, tratamento psiquiátrico anterior, esquizofrenia, abuso de álcool e de drogas e morar sozinho (Larkin e colaboradores, 2014). As escalas compostas tenderam a ter sensibilidade alta e especificidade baixa.

Por que somar fatores não basta

A presença de um fator de risco aumenta a probabilidade em grupos, mas cada paciente tem uma combinação única de fatores, contexto e recursos. O raciocínio de probabilidade pré-teste ajuda a entender o problema: um fator presente em muitas pessoas que nunca vão tentar suicídio tem pouco poder para separar quem vai e quem não vai.

Os fatores de risco são mais úteis para orientar a conversa e o plano de cuidado do que para gerar um escore. Eles apontam o que precisa ser perguntado e o que pode ser modificado.

Fatores fixos e fatores modificáveis

Uma forma prática de organizar os fatores de risco é separar o que não muda do que pode mudar. A história de autolesão, o diagnóstico de esquizofrenia ou um transtorno de personalidade são fatos da história do paciente. Desesperança, uso de álcool e de drogas, falta de tratamento e isolamento social podem ser abordados no plano de cuidado (Larkin e colaboradores, 2014).

Essa separação muda o foco da avaliação. Em vez de somar pontos para chegar a uma categoria, o clínico identifica o que está ao alcance da equipe, da pessoa e da rede de apoio. Um paciente que mora sozinho e perdeu o emprego, por exemplo, pode se beneficiar de um retorno próximo, do contato com um familiar ou do encaminhamento para apoio social.

Prancheta em branco sobre uma mesa
Prancheta em branco. Os fatores de risco orientam o que perguntar e o que registrar, mas não preenchem sozinhos o plano de cuidado. Crédito: Design by Matt, CC0 1.0 (licença), via StockSnap (página do arquivo).

O que a conversa capta que a escala não capta

Se a previsão individual falha, o que sobra para o clínico? A resposta das revisões é uma avaliação voltada para as necessidades da pessoa, e não para a classificação.

A avaliação como encontro

Um estudo qualitativo inglês reuniu 28 médicos de família em grupos focais sobre a avaliação do risco de suicídio em jovens (Michail e colaboradores, 2016). Os autores encontraram grande variação na forma como os médicos entendiam e operacionalizavam o risco, e defenderam uma avaliação ampla, que considere as influências individuais, sociais e de contexto.

A revisão sobre escalas vai na mesma direção: cita a recomendação de fazer avaliações clínicas completas da situação e das necessidades de cada paciente, em vez de classificar em alto e baixo risco, e lembra que o foco na classificação pode prejudicar a relação terapêutica (Quinlivan e colaboradores, 2016).

A conversa permite perceber elementos que nenhuma escala lista: o que mudou na vida da pessoa, o que ela pensa sobre o futuro, quem está por perto. A empatia no raciocínio clínico e a medicina narrativa não são enfeites, são ferramentas para colher essa informação.

Perguntar de forma direta e respeitosa

Muitos estudantes evitam perguntar sobre pensamentos suicidas por receio de ofender ou de não saber o que fazer com a resposta. A pergunta direta, feita com calma e sem julgamento, costuma ser recebida como sinal de interesse. Rodeios e eufemismos, ao contrário, podem passar a impressão de que o assunto não pode ser falado.

Uma sequência útil começa pelo geral e avança para o específico. Primeiro, como a pessoa está se sentindo e como vê o futuro. Depois, se já pensou que não valeria a pena viver, se pensou em se machucar e se fez algum plano. Também vale perguntar o que a fez desistir em outros momentos, porque as razões para continuar vivendo fazem parte do plano tanto quanto os fatores de risco.

A resposta não deve ser registrada como um "sim" ou "não" isolado. O que importa é o contexto: o que mudou, o que a pessoa espera da ajuda e quem pode estar junto nos próximos dias.

O cuidado com o próprio julgamento

Diante de um paciente que chega repetidas vezes, o clínico pode ser levado pelo cansaço ou pela irritação. O viés afetivo e os rótulos discutidos em estigma e linguagem podem fazer com que a repetição seja lida como "chamar atenção", quando os dados mostram que a repetição é justamente um marcador de risco (Carroll e colaboradores, 2014).

Da classificação ao plano de cuidado

A metanálise concluiu que ainda não existe um método estatisticamente forte e confiável para distinguir os pacientes de alto risco (Large e colaboradores, 2016). O estudo prospectivo inglês chegou à mesma conclusão para as escalas (Quinlivan e colaboradores, 2017). O que a avaliação pode oferecer é uma compreensão das necessidades da pessoa, que orienta o cuidado oferecido a todos, e não só aos classificados como alto risco.

Montando o raciocínio passo a passo

A avaliação de risco de suicídio pode ser organizada em uma sequência que não depende de um escore.

  1. Tratar primeiro a urgência clínica e garantir a segurança imediata.
  2. Ouvir a história do episódio: o que aconteceu, o que a pessoa esperava e como se sente agora.
  3. Perguntar sobre episódios anteriores e contatos prévios com o serviço.
  4. Explorar transtornos mentais, uso de substâncias, perdas recentes e rede de apoio.
  5. Identificar o que pode ser modificado e o que a pessoa quer ou aceita como ajuda.
  6. Usar escalas, se usadas, como apoio à conversa, nunca como decisão isolada.
  7. Registrar a avaliação e o plano, com acompanhamento combinado, já que o primeiro ano concentra o risco.

O que registrar no prontuário

O registro da avaliação de risco é parte do cuidado, e não só uma proteção para a equipe. Um bom registro descreve a história do episódio, os fatores identificados, o que a pessoa disse sobre o futuro e o plano combinado. Uma linha com a categoria de risco, sem contexto, diz pouco para o próximo profissional que atender a mesma pessoa.

Como muitos pacientes voltam ao serviço (Griffin e colaboradores, 2020), o prontuário é também a memória da equipe. Quem atende o próximo episódio precisa saber o que foi tentado, o que funcionou e o que a pessoa aceitou da última vez. Esse histórico é exatamente o tipo de informação que, no estudo australiano, carregava mais poder de previsão que a avaliação isolada do clínico (Tran e colaboradores, 2014).

Voltando à paciente do caso

A paciente de 34 anos foi classificada como "baixo risco" pela escala. Mas ela tem um episódio repetido em um ano, uma perda recente e isolamento social. A repetição no primeiro ano é comum depois de um episódio (Carroll e colaboradores, 2014), morar sozinho e autolesão prévia aparecem entre os fatores ligados à repetição (Larkin e colaboradores, 2014), e pela revisão de autópsias psicológicas a autolesão é um dos fatores mais fortes (Favril e colaboradores, 2022).

O escore baixo não deveria encerrar a avaliação. A conversa sobre o que mudou, o que ela espera e quem pode ajudá-la vale mais que a soma de pontos. O plano de cuidado deve partir das necessidades dela, e não da categoria de risco (Quinlivan e colaboradores, 2016). Esse tipo de caso, revisado em equipe, também é material valioso para sessões de morbimortalidade.

Tubos de ensaio com líquidos azul, amarelo e transparente em um suporte de madeira
Tubos de ensaio. Os exames cuidam do risco clínico imediato de uma autointoxicação, mas não medem o risco de repetição, que depende da avaliação clínica. Crédito: haltopub, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar a tomada de decisão clínica e buscar o código certo na CID-10 completam esse treino.

Perguntas frequentes

As escalas de risco de suicídio funcionam?

Para prever o que vai acontecer com cada pessoa, não funcionam bem. Os estudos mostram escalas muito sensíveis e pouco específicas ou o contrário (Steeg e colaboradores, 2018), e uma revisão concluiu que elas não devem ser usadas isoladamente para decidir a conduta (Quinlivan e colaboradores, 2016).

Classificar o paciente como baixo risco é seguro?

Não deve ser usado como garantia. Na metanálise, a sensibilidade da classificação de alto risco foi de 56 a cada 100, ou seja, uma parte grande das mortes ocorreu em pessoas classificadas como de baixo risco (Large e colaboradores, 2016).

A autolesão prévia importa tanto assim?

Sim. Ela está entre os fatores com efeito mais forte nas autópsias psicológicas (Favril e colaboradores, 2022), e o risco de suicídio depois de um episódio é bem maior que o da população geral (Carroll e colaboradores, 2014).

O clínico avalia melhor que a escala?

Os dois têm limites. A avaliação do clínico com checklist teve desempenho modesto (Tran e colaboradores, 2014), mas a escala global do clínico teve a melhor área sob a curva entre os instrumentos testados no estudo prospectivo inglês (Quinlivan e colaboradores, 2017).

Então para que serve a avaliação?

Para entender as necessidades da pessoa e planejar o cuidado. A revisão sobre escalas cita a recomendação de avaliar a situação e as necessidades de cada paciente em vez de classificá-lo (Quinlivan e colaboradores, 2016).

Take-home messages

  • Separar pacientes em alto e baixo risco distingue grupos, mas prevê mal o destino de cada pessoa.
  • Nenhuma escala de risco de suicídio tem desempenho suficiente para decidir o tratamento sozinha.
  • Autolesão prévia e transtorno mental estão entre os fatores mais fortes.
  • O primeiro ano depois de um episódio de autolesão concentra o risco.
  • A conversa capta contexto, perdas e rede de apoio que nenhum escore lista.
  • O plano de cuidado deve existir para todos, não só para os classificados como alto risco.

Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, não espere a crise passar sozinho: busque a ajuda necessária nos serviços de saúde e de emergência da sua região. Conversar com alguém de confiança e procurar atendimento é um passo de cuidado, não de fraqueza.

Referências

  1. Carroll R, Metcalfe C, Gunnell D. Hospital presenting self-harm and risk of fatal and non-fatal repetition: systematic review and meta-analysis. PLoS One. 2014. PMID 24587141.
  2. Favril L, Yu R, Uyar A, et al. Risk factors for suicide in adults: systematic review and meta-analysis of psychological autopsy studies. Evid Based Ment Health. 2022. PMID 36162975.
  3. Griffin E, Kavalidou K, Bonner B, et al. Risk of repetition and subsequent self-harm following presentation to hospital with suicidal ideation: A longitudinal registry study. EClinicalMedicine. 2020. PMID 32529177.
  4. Harris IM, Beese S, Moore D. Predicting future self-harm or suicide in adolescents: a systematic review of risk assessment scales/tools. BMJ Open. 2019. PMID 31494608.
  5. Hor K, Taylor M. Suicide and schizophrenia: a systematic review of rates and risk factors. J Psychopharmacol. 2010. PMID 20923923.
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  9. Quinlivan L, Cooper J, Davies L, et al. Which are the most useful scales for predicting repeat self-harm? A systematic review evaluating risk scales using measures of diagnostic accuracy. BMJ Open. 2016. PMID 26873046.
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