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Medicina do EsporteCardiologia

Morte súbita no esporte: causas, incidência e prevenção

Modelo anatômico de coração visto de frente, com os ventrículos e as artérias coronárias em destaque
Sumário
  1. O que se chama de morte súbita no esporte
  2. Quanto ela é frequente: os números e por que variam
  3. As causas mudam com a idade
  4. O atleta acima dos 35 anos e o corredor de rua
  5. Sinais de alerta, rastreio e os seus limites
  6. A cadeia de sobrevivência no local do evento
  7. Depois do evento: investigar e cuidar da família
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Take-home messages
  11. Referências

Um jogador de futebol de 17 anos cai no gramado no meio de um treino, sem choque com ninguém. O treinador acha que ele desmaiou de calor e o vira de lado. O jovem faz alguns movimentos que parecem uma convulsão e respira de modo irregular. Os minutos que se seguem decidem se ele vai sobreviver, e a resposta depende menos do hospital que do que acontece ali, na beira do campo.

A morte súbita é a principal causa de morte de atletas durante o exercício (Asif, 2017). Ela é rara, e por isso pega todos de surpresa: o treinador, os colegas, a família e o médico que só ouve a história depois. Ao mesmo tempo, boa parte desses eventos acontece diante de testemunhas, em locais onde a resposta pode ser treinada com antecedência.

Este texto mostra o que causa a parada cardíaca no esporte em cada faixa etária, por que os números de incidência variam tanto e como a cadeia de sobrevivência no local muda o desfecho.

Principais pontos

  • As estimativas de incidência em atletas jovens vão de 1 em quase um milhão a 1 em 3.000 atleta-ano, e a diferença vem sobretudo do método de cada estudo (Asif, 2017).
  • Em atletas jovens predominam as miocardiopatias, as anomalias das artérias coronárias e a morte com autópsia normal (Peterson, 2021).
  • Em corredores de maratona e meia maratona, a doença arterial coronariana passou a ser a causa mais frequente entre os casos com causa definida (Kim, 2025).
  • Homens têm risco várias vezes maior que mulheres em todas as idades (Pelliccia, 2020).
  • O tempo até o choque é o principal determinante da sobrevida, que cai a cada minuto de atraso (Rothmier, 2009).
  • Um plano de ação de emergência ensaiado, com desfibrilador acessível, faz parte da prevenção tanto quanto o rastreio (Baggish, 2025).

Sumário

O que se chama de morte súbita no esporte

Os estudos falam em parada cardíaca súbita e em morte súbita cardíaca. A parada é o colapso inesperado por causa cardíaca em que se faz reanimação ou desfibrilação, qualquer que seja o desfecho; a morte é o subgrupo em que a reanimação falha (Pelliccia, 2020). Contar só as mortes esconde os sobreviventes, que hoje são uma parte grande dos casos.

Essa diferença importa porque o desfecho depende muito da resposta. Num registro americano de quatro anos, quase metade dos 331 eventos confirmados de parada em atletas jovens terminou com sobrevivência (Peterson, 2021). Se o estudo considera só as mortes, uma doença que costuma ser reanimada com sucesso parece mais rara do que é.

O evento também pode ocorrer fora do esforço. Num registro de miocardiopatias em atletas jovens, os autores separaram os eventos durante o exercício dos que ocorreram em repouso, no sono ou até uma hora depois do esforço (Petek, 2026). A doença de base está presente o tempo todo; o exercício intenso funciona como gatilho, e por isso a morte súbita é descrita como resultado de doenças cardíacas intrínsecas disparadas pelas demandas fisiológicas do esforço vigoroso (Asif, 2017).

Colapso no esporte tem diferencial

Atletas caem por muitos motivos: exaustão, calor, hipoglicemia, hiponatremia, trauma e desmaio vasovagal depois da chegada. A queda súbita sem trauma, com o atleta irresponsivo, é parada cardíaca até prova em contrário, e o atendimento começa por essa hipótese (Rothmier, 2009). Os outros diagnósticos são considerados depois que o ritmo foi checado pelo desfibrilador.

A lógica é a mesma do diagnóstico diferencial em qualquer cenário: a hipótese mais perigosa e mais tratável vem primeiro. O calor é um diagnóstico real e grave, descrito no texto sobre calor extremo e insolação, mas atribuir ao calor um colapso cardíaco custa minutos que não voltam.

Quanto ela é frequente: os números e por que variam

As estimativas de incidência em atletas jovens variam de 1 em 917.000 a 1 em 3.000 atleta-ano, conforme o desenho do estudo e a população (Asif, 2017). A diretriz europeia de cardiologia do esporte descreve a mesma faixa, de quase 1 em um milhão a 1 em 5.000 atletas por ano, e atribui a diferença à metodologia inconsistente (Pelliccia, 2020).

Dois fatores explicam boa parte da variação. O numerador depende de como os casos são encontrados: busca em notícias perde eventos, e registros que cruzam várias fontes encontram mais. O denominador depende de quantos atletas se supõe que existam e de quantas horas eles treinam (Asif, 2017). Estudos com método mais rigoroso chegam a cerca de 1 em 50.000 atleta-ano em universitários e de 1 em 50.000 a 1 em 80.000 no ensino médio (Asif, 2017).

Quem tem mais risco

O risco é desigual. No registro americano, a taxa no ensino médio foi 4,6 vezes maior em homens que em mulheres, e a maior taxa anual ficou com jogadores negros de basquete da primeira divisão universitária, cerca de 1 em 2.087 atleta-ano (Peterson, 2021). A diretriz europeia descreve uma razão entre homens e mulheres de 3 a 10 para 1 nos jovens e uma diferença ainda maior em atletas recreativos mais velhos (Pelliccia, 2020).

Na Inglaterra, adolescentes jogadores de futebol acompanhados depois do rastreio tiveram incidência de 1 morte súbita cardíaca em 14.794 pessoa-ano (Malhotra, 2018). O número é bem maior que as estimativas antigas e mostra como a contagem cuidadosa muda a percepção do problema.

Essas diferenças entre grupos são o ponto de partida do raciocínio, e a probabilidade pré-teste de doença cardíaca num atleta depende de idade, sexo, modalidade e história familiar. A cor da pele aparece nas estatísticas como marcador de grupo, e os estudos ainda discutem quanto dela reflete genética, acesso a cuidado ou outros fatores.

As causas mudam com a idade

A causa mais provável de uma parada no esporte depende de quem caiu. Em jovens, predominam as doenças do músculo cardíaco, das artérias coronárias e do sistema elétrico. Depois dos 35 anos, a doença aterosclerótica das coronárias toma a frente (Pelliccia, 2020).

Faixa Causas mais citadas Fonte
Ensino fundamental Anomalias das artérias coronárias com papel maior que o esperado Peterson, 2021
Ensino médio Miocardiopatia hipertrófica, hipertrofia ventricular esquerda idiopática, anomalias coronarianas, autópsia normal Peterson, 2021
Universitários e profissionais Miocardiopatias em quase metade dos casos Peterson, 2021
Jovens em geral, séries de autópsia Coração estruturalmente normal, morte arrítmica sem causa encontrada Asif, 2017
Futebol, adultos e jovens no mundo Doença coronariana entre as causas mais frequentes; miocardite rara Ukaj, 2025
Maratona e meia maratona Doença arterial coronariana à frente da miocardiopatia hipertrófica Kim, 2025
Qualquer idade, esportes de contato Commotio cordis, por impacto no peito Salzillo, 2025

Miocardiopatias

No registro americano, a miocardiopatia hipertrófica foi a causa mais comum entre os casos com diagnóstico, seguida pela hipertrofia ventricular esquerda idiopática, cuja fronteira com o coração de atleta ainda é discutida (Peterson, 2021). Num estudo focado em miocardiopatias, elas responderam por 129 de 454 eventos com causa definida, e a maioria foi hipertrófica; a miocardiopatia arritmogênica e outras formas completaram o grupo (Petek, 2026).

Os eventos por miocardiopatia aconteceram numa faixa ampla de idades e em vários cenários esportivos, e cerca de 35 de cada 100 atletas sobreviveram (Petek, 2026). Esse dado sustenta a ideia de que a resposta no local vale para todas as causas, inclusive as estruturais.

Modelo anatômico de coração em corte mostrando as paredes dos ventrículos e as valvas
A espessura da parede do ventrículo esquerdo é o ponto central da distinção entre coração de atleta e miocardiopatia hipertrófica. Crédito: Dguendel, CC BY 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Anomalias coronarianas e autópsia normal

As anomalias de origem das artérias coronárias tiveram papel maior que o esperado entre os atletas mais novos (Peterson, 2021). Elas costumam passar pelo ECG de repouso sem alteração, o que limita o rastreio baseado só no traçado; o consenso da FIFA admite o ecocardiograma como complemento quando há qualidade de imagem e experiência para ver a origem das coronárias (Baggish, 2025).

Em séries mais completas de atletas, não atletas e militares jovens, o achado de autópsia mais comum foi um coração estruturalmente normal (Asif, 2017). Nesses casos, a suspeita recai sobre doenças elétricas hereditárias, e a avaliação da família ganha importância.

Miocardite e doença coronariana

A miocardite aparece nas séries como causa possível, e a pandemia levantou a dúvida sobre aumento de casos. No registro mundial da FIFA, o número de paradas em jogadores de futebol foi semelhante entre o período da pandemia e um período equivalente anterior, 380 e 454 eventos, e a miocardite foi rara nos dois (Ukaj, 2025). A doença coronariana, por outro lado, respondeu por uma parte grande dos diagnósticos no mesmo registro (Ukaj, 2025).

O atleta acima dos 35 anos e o corredor de rua

Os grandes eventos de corrida juntam milhões de amadores, muitos acima dos 35 anos. Nos Estados Unidos, entre 2010 e 2023, mais de 29 milhões de pessoas concluíram maratonas e meias maratonas, e houve 176 paradas cardíacas durante as provas (Kim, 2025). A incidência ficou em 0,54 por 100.000 participantes, semelhante à do período de 2000 a 2009 (Kim, 2025).

O que mudou foi o desfecho. A letalidade caiu de 71 para 34 de cada 100 paradas, e a mortalidade por parada caiu à metade (Kim, 2025). Os autores atribuem a melhora ao planejamento de emergência nas provas, com acesso imediato à desfibrilação. A causa também mudou: entre os casos com causa definida, a doença arterial coronariana superou a miocardiopatia hipertrófica (Kim, 2025).

Em Paris, um registro de dez anos com 1,2 milhão de participantes encontrou 17 paradas, quase todas em homens, com sobrevida de 88 de cada 100 graças a equipes médicas posicionadas ao longo do percurso (Chocron, 2026). As paradas se concentraram no último quilômetro das provas mais curtas, quando os homens aceleravam com mais frequência que as mulheres (Chocron, 2026). Para quem organiza a prova, isso indica onde posicionar desfibriladores e equipes.

Avaliação antes do esforço intenso

Para pessoas acima de 35 anos, a diretriz europeia propõe estimar o risco cardiovascular antes de iniciar exercício de alta intensidade. Quem tem risco baixo a moderado pode praticar esportes recreativos sem avaliação adicional; sedentários e pessoas de risco alto que planejam treino intenso devem ser avaliados antes (Pelliccia, 2020). A abordagem para doença coronariana estabelecida é individual e considera isquemia, função ventricular e arritmias.

A pergunta é parecida com a que a medicina aeronáutica faz sobre pilotos: qual o risco de um evento súbito num momento crítico, como na regra de um em cem por ano. Também lá a placa pequena pode romper durante o esforço, e o teste de esforço sozinho tem limites.

Sinais de alerta, rastreio e os seus limites

O rastreio começa pela conversa: sintomas e história familiar orientam quem precisa de mais exames.

Sinais de alerta antes do evento

Parte dos atletas tem sintomas antes da parada. O consenso da FIFA lista, na história pessoal, colapso súbito sem explicação, convulsão ou desmaio fora do padrão vasovagal e do colapso logo depois do esforço, além de palpitações de início súbito (Baggish, 2025). Na história familiar, conta a morte súbita sem explicação ou a parada cardíaca em parentes de primeiro grau antes dos 50 anos (Baggish, 2025).

O desmaio no esforço é o sinal mais importante. Ele se distingue do desmaio logo depois da chegada, mais comum e geralmente benigno, e o raciocínio é o mesmo descrito no texto sobre sinais que apontam para causa cardíaca na síncope. Um atleta que desmaia correndo precisa de avaliação cardiológica completa, mesmo jovem e bem treinado.

O que o rastreio encontra e o que deixa passar

O rastreio pré-participação busca encontrar a doença antes do evento. O consenso da FIFA para jogadores jovens recomenda história pessoal, história familiar, exame físico e ECG de 12 derivações, começando aos 12 anos e repetido a cada 2 a 4 anos até os 18 (Baggish, 2025). O mesmo documento exige que todo programa tenha estrutura para investigar e interpretar os achados alterados.

O rastreio encontra doença, mas tem limites claros. Na coorte inglesa de 11.168 adolescentes jogadores de futebol rastreados com questionário, exame, ECG e ecocardiograma, houve 8 mortes súbitas cardíacas no acompanhamento, e 6 desses atletas tinham rastreio normal (Malhotra, 2018). Quase todas as mortes foram por miocardiopatia, e o tempo médio entre o rastreio e a morte foi de quase sete anos (Malhotra, 2018).

Esses dados explicam por que as miocardiopatias podem surgir depois de um exame normal na adolescência e por que o rastreio repetido é proposto. Eles também mostram que o rastreio, sozinho, deixa casos de fora, e que a resposta ao colapso precisa estar pronta mesmo no time em que todos foram examinados. A estratégia de avaliação e a leitura do ECG são tema de outros textos desta série.

O excesso também tem custo. Achados limítrofes podem gerar cascatas de exames e afastamento indevido, e a prevenção quaternária lembra que cada exame a mais pede uma pergunta clara.

A cadeia de sobrevivência no local do evento

O principal determinante da sobrevida na parada é o tempo entre o colapso e a desfibrilação, e a sobrevida cai de 7 a 10 de cada 100 a cada minuto de atraso (Rothmier, 2009). Em locais com desfibrilação de acesso público, a sobrevida chega a 41 a 74 de cada 100 quando há reanimação por quem presenciou e choque em 3 a 5 minutos (Rothmier, 2009).

A sequência é simples de descrever e difícil de executar sob estresse. Reconhecer a parada, chamar ajuda, começar compressões torácicas e aplicar o desfibrilador o mais cedo possível (Rothmier, 2009). Uma coalizão americana propõe três metas para o esporte escolar: desfibrilador a até 1 a 3 minutos de todos os locais de prática, plano de emergência ensaiado e atualizado todo ano, e treinamento de técnicos em reanimação e uso do desfibrilador (Petek, 2026).

Gabinete redondo de desfibrilador externo automático numa parede externa cinza
O desfibrilador precisa estar perto do campo, visível e com acesso livre durante treinos e jogos. Crédito: APneunzehn74, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O plano de ação de emergência

O consenso da FIFA recomenda que todo time, clube e organização com jogadores jovens tenha e pratique um plano de ação de emergência, com treinamento para reconhecer a parada, reanimação precoce e acesso a desfibrilador, e, idealmente, suporte avançado e cuidado depois da parada (Baggish, 2025). O plano define quem chama a ambulância, quem busca o aparelho, por onde a equipe entra e onde o desfibrilador fica.

Ensaiar o plano revela problemas que o papel esconde: o aparelho trancado numa sala, a bateria vencida, o portão fechado. A experiência das maratonas mostra o efeito de um plano bem montado, com letalidade comparável à de locais com desfibrilador de acesso público (Kim, 2025).

Por que o colapso é confundido com convulsão

Logo depois da parada, o atleta pode ter movimentos que parecem convulsão e respiração agônica, irregular e ofegante. Esses sinais levam leigos e profissionais a acreditar que a pessoa respira e tem pulso, e atrasam a reanimação (Rothmier, 2009). O treinamento precisa ensinar que um atleta caído, irresponsivo e com respiração anormal está em parada.

Esse viés, de enquadrar o quadro na hipótese mais familiar, aparece em outras emergências. No afogamento e nas lesões por raio, a reanimação também segue regras próprias que contrariam a intuição.

Commotio cordis: o impacto que para o coração

A commotio cordis é a parada causada por um impacto não penetrante no peito, sem doença cardíaca prévia. O golpe, se cai na fase ascendente da onda T, dispara fibrilação ventricular (Salzillo, 2025). Ela é mais comum em adolescentes do sexo masculino e em esportes com bola dura ou contato, como beisebol, hóquei no gelo, lacrosse e, cada vez mais, futebol e rúgbi (Salzillo, 2025).

A resposta é a mesma de qualquer parada. Desfibrilação em até três minutos depois do impacto pode levar a sobrevida a mais de 70 de cada 100, segundo a revisão (Salzillo, 2025). Os protetores de peito são obrigatórios em algumas posições de risco, mas a eficácia deles ainda é discutida (Salzillo, 2025).

O erro mais comum é tratar o atleta como vítima de trauma torácico simples. Um jogador que cai logo depois de levar uma bolada no peito e fica irresponsivo precisa de desfibrilador, e não de gelo.

Depois do evento: investigar e cuidar da família

Quem sobrevive precisa de investigação completa da causa, e quem morre precisa de autópsia feita por patologista com experiência em coração. Os parentes de primeiro grau de jovens que morreram subitamente têm risco aumentado de miocardiopatia e de arritmias ventriculares, e a avaliação deles faz parte do cuidado (Asif, 2017). A autópsia molecular, citada entre os avanços recentes dos registros, ajuda a esclarecer casos com coração normal (Kim, 2025). A família é uma população de risco a partir desse momento.

O retorno ao esporte de quem sobreviveu é decidido caso a caso, com o atleta, depois de esclarecida a causa e o tratamento. A diretriz europeia apoia a decisão compartilhada, com informação detalhada sobre os riscos (Pelliccia, 2020). Em cenários extremos, como o da parada cardíaca em microgravidade, a busca pelas causas reversíveis segue a mesma lógica.

Um roteiro para o caso da cena

Voltando ao jogador de 17 anos, o roteiro tem passos claros. Primeiro, reconhecer a parada: colapso sem trauma, irresponsivo, respiração anormal. Segundo, chamar o serviço de emergência e pedir o desfibrilador. Terceiro, iniciar compressões torácicas sem esperar. Quarto, aplicar o desfibrilador assim que chegar e seguir as instruções do aparelho (Rothmier, 2009).

Depois da reanimação, o raciocínio volta às causas da idade: miocardiopatia, anomalia coronariana, canalopatia, miocardite. A investigação, a conversa com a família e a decisão sobre o retorno ao esporte vêm com o tempo, mas a sobrevivência foi decidida nos primeiros minutos.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. O formato ajuda a praticar a ordem das hipóteses, começando pela mais grave.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para treinar a busca do código, veja como o código da CID-10 é montado.

Perguntas frequentes

A morte súbita no esporte é comum?

É rara, com estimativas entre 1 em quase um milhão e 1 em 3.000 atleta-ano conforme o método e a população (Asif, 2017). Alguns grupos, como homens e jogadores de basquete, têm risco maior (Peterson, 2021).

Qual a causa mais comum em atletas jovens?

Nos registros americanos, a miocardiopatia hipertrófica foi a mais citada, seguida de hipertrofia ventricular idiopática, anomalias coronarianas e morte com autópsia normal (Peterson, 2021).

E em corredores amadores mais velhos?

Em maratonas e meias maratonas, a doença arterial coronariana foi a causa mais frequente entre os casos com causa definida (Kim, 2025).

Um exame de rastreio normal garante segurança?

Garante pouco. Na coorte inglesa, 6 dos 8 jogadores que morreram tinham rastreio normal (Malhotra, 2018), e por isso o plano de emergência faz parte da prevenção.

Quanto tempo há para usar o desfibrilador?

Cada minuto conta, e a sobrevida cai de 7 a 10 de cada 100 a cada minuto de atraso (Rothmier, 2009). A meta proposta é ter o aparelho a até 1 a 3 minutos do local (Petek, 2026).

Movimentos de convulsão afastam a parada cardíaca?

Afastam muito pouco. Movimentos breves e respiração agônica são frequentes logo depois da parada e atrasam a reanimação quando confundidos com convulsão (Rothmier, 2009).

Uma bolada no peito pode parar o coração?

Pode, na commotio cordis, quando o impacto coincide com uma fase vulnerável do ciclo cardíaco; a desfibrilação rápida é o tratamento (Salzillo, 2025).

Take-home messages

  • A morte súbita é a principal causa de morte de atletas durante o exercício, apesar de rara.
  • Os números de incidência variam muito porque os estudos contam casos e atletas de modos diferentes.
  • Em jovens, predominam miocardiopatias, anomalias coronarianas e morte com autópsia normal; acima dos 35 anos, a doença coronariana.
  • Homens, jogadores de basquete e alguns grupos de atletas têm risco maior.
  • Desmaio no esforço e história familiar de morte súbita pedem avaliação antes do retorno.
  • O rastreio encontra doença, mas deixa casos de fora; o plano de emergência é parte da prevenção.
  • Atleta caído, irresponsivo e com respiração anormal está em parada até prova em contrário: compressões e desfibrilador sem demora.

Jogue o caso do dia no NEXO.

Referências

  1. Peterson DF, Kucera K, Thomas LC, et al. Aetiology and incidence of sudden cardiac arrest and death in young competitive athletes in the USA: a 4-year prospective study. Br J Sports Med. 2021. PMID 33184114. DOI 10.1136/bjsports-2020-102666.
  2. Asif IM, Harmon KG. Incidence and Etiology of Sudden Cardiac Death: New Updates for Athletic Departments. Sports Health. 2017. PMID 28452637. DOI 10.1177/1941738117694153.
  3. Kim JH, Rim AJ, Miller JT, et al. Cardiac Arrest During Long-Distance Running Races. JAMA. 2025. PMID 40159341. DOI 10.1001/jama.2025.3026.
  4. Chocron R, Laurenceau T, Cezard P, et al. Characteristics of sudden cardiac arrest during endurance racing: a decade of the Paris registry. Europace. 2026. PMID 41662626. DOI 10.1093/europace/euaf313.
  5. Pelliccia A, Sharma S, Gati S, et al. 2020 ESC Guidelines on sports cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease. Eur Heart J. 2021. PMID 32860412. DOI 10.1093/eurheartj/ehaa605.
  6. Baggish AL, Borjesson M, Pieles GE, et al. Recommendations for cardiac screening and emergency action planning in youth football: a FIFA consensus statement. Br J Sports Med. 2025. PMID 40180446. DOI 10.1136/bjsports-2025-109751.
  7. Rothmier JD, Drezner JA. The role of automated external defibrillators in athletics. Sports Health. 2009. PMID 23015850. DOI 10.1177/1941738108326979.
  8. Salzillo C, Marzullo A. Commotio Cordis in Sudden Cardiac Death in the Young: A State-of-the-Art Review. Rev Cardiovasc Med. 2025. PMID 41089808. DOI 10.31083/RCM43357.
  9. Petek BJ, Weller SL, Churchill TW, et al. Clinical Characteristics and Emergency Response to Sudden Cardiac Arrest/Death Secondary to Cardiomyopathies in Young Athletes. JACC Adv. 2026. PMID 42593395. DOI 10.1016/j.jacadv.2026.103093.
  10. Ukaj A, Meyer T, Egger F. Has COVID-19 led to more sudden cardiac deaths in football? Clin Res Cardiol. 2025. PMID 39585373. DOI 10.1007/s00392-024-02569-1.
  11. Malhotra A, Dhutia H, Finocchiaro G, et al. Outcomes of Cardiac Screening in Adolescent Soccer Players. N Engl J Med. 2018. PMID 30089062. DOI 10.1056/NEJMoa1714719.

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