Imunoterapia no pulmão: antes, depois ou nos dois tempos

Peça cirúrgica de lobo pulmonar arroxeado sobre a bancada, com o hilo exposto e uma tesoura cortando a linha de grampos do brônquio
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. Três estratégias e o que cada uma promete
  3. CheckMate 816: tratar antes da cirurgia
  4. AEGEAN: tratar antes e depois
  5. IMpower010: tratar depois da cirurgia
  6. Biomarcadores que mudam a escolha
  7. Riscos da imunoterapia antes da cirurgia
  8. Como escolher na prática
  9. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  10. Perguntas frequentes
  11. Checklist final
  12. Referências

Um engenheiro de 63 anos, ex-fumante, chega à consulta com uma tomografia que mostra uma massa de 5 centímetros no lobo superior direito. A PET-CT aponta captação num linfonodo mediastinal do mesmo lado, e a punção guiada por ultrassom endobrônquico confirma carcinoma escamoso com doença N2. Não há metástases a distância. O cirurgião acha que a ressecção é possível. O oncologista lembra que hoje existem três caminhos com imunoterapia: tratar antes da cirurgia, tratar depois ou tratar nos dois momentos. O paciente quer saber qual é o melhor, e se pode simplesmente operar logo. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. A pergunta vem da lista do Dr. Alexei para a série de oncologia: como escolher entre estratégia neoadjuvante, adjuvante ou perioperatória no câncer de pulmão ressecável? Os estudos de referência são o CheckMate 816, com nivolumabe antes da cirurgia, o AEGEAN, com durvalumabe antes e depois, e o IMpower010, com atezolizumabe depois da cirurgia e da quimioterapia. O texto não substitui a diretriz do seu país nem o protocolo do seu serviço. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: escolher a ordem certa das condutas é parte do raciocínio, não um detalhe.

Principais pontos

  • No câncer de pulmão de não pequenas células ressecável, a imunoterapia pode entrar antes da cirurgia, depois dela ou nos dois tempos.
  • O CheckMate 816 mostrou que três ciclos de nivolumabe com quimioterapia antes da cirurgia aumentam a resposta patológica completa e a sobrevida livre de eventos.
  • O AEGEAN somou durvalumabe antes e depois da cirurgia e também melhorou a sobrevida livre de eventos e a resposta patológica.
  • O IMpower010 mostrou benefício do atezolizumabe adjuvante depois da quimioterapia, sobretudo com PD-L1 positivo.
  • Antes de qualquer escolha, EGFR, ALK e PD-L1 precisam estar disponíveis, porque mudam a estratégia.
  • A decisão precisa ser tomada pela equipe antes da cirurgia, porque o caminho neoadjuvante deixa de existir depois que o tumor sai.

Por que este é um cenário de raciocínio

Durante muito tempo, o paciente com câncer de pulmão ressecável seguia uma sequência fixa. Operava primeiro e, conforme o laudo, recebia quimioterapia depois. A quimioterapia antes da cirurgia existia, mas o ganho era parecido com o da quimioterapia depois, e muitos serviços preferiam operar logo. A chegada dos inibidores de checkpoint imunológico mudou essa conversa, porque a ordem dos tratamentos passou a fazer diferença no resultado.

Hoje, o mesmo paciente pode ser candidato a três caminhos com evidência de fase III. Isso cria um problema de raciocínio que não existia antes. A escolha precisa ser feita no momento do diagnóstico, por uma equipe que inclua cirurgia, oncologia clínica, radiologia, patologia e pneumologia. Se o paciente for operado direto, a opção neoadjuvante desaparece. Se receber tratamento antes, precisa chegar à cirurgia em boas condições.

O raciocínio aqui tem três camadas. A primeira é saber o que cada estudo testou e em que população. A segunda é reconhecer os biomarcadores que excluem a imunoterapia ou favorecem outra estratégia. A terceira é ponderar riscos práticos, como a toxicidade antes da cirurgia e a chance de o paciente não chegar a ela. O post sobre a equipe multidisciplinar no câncer de pulmão mostra por que essa decisão não pode ser de uma especialidade só.

O erro que o cenário quer evitar

O erro mais frequente não é escolher o esquema errado. É deixar a escolha acontecer por omissão. O paciente é encaminhado direto ao cirurgião, opera em duas semanas, e só depois alguém pergunta se ele poderia ter recebido tratamento antes. Num estudo de vida real com dados de cerca de 280 clínicas nos Estados Unidos, a quimioimunoterapia neoadjuvante subiu de 8,4 para 13,8 em cada 100 pacientes operados entre 2022 e 2023, e o uso total ficou abaixo de 30 em cada 100 elegíveis Desai e colaboradores, 2025.

Três estratégias e o que cada uma promete

Cada estratégia tem uma lógica biológica e prática diferente. Entender essa lógica ajuda a explicar a escolha ao paciente e a prever problemas.

Neoadjuvante

Tratar antes da cirurgia expõe o sistema imune ao tumor inteiro, com todos os antígenos ainda presentes, o que pode gerar uma resposta mais ampla. Permite também medir a resposta na peça cirúrgica, pela resposta patológica completa ou maior. O risco é a progressão durante o tratamento ou uma toxicidade que adie ou cancele a cirurgia Ni e colaboradores, 2021.

Adjuvante

Tratar depois da cirurgia garante que o tumor seja retirado sem atraso e permite decidir com o estadiamento patológico completo. A desvantagem é que o sistema imune já não tem o tumor primário como alvo, e parte dos pacientes não chega ao tratamento por complicações pós-operatórias.

Perioperatória

Tratar antes e depois soma as duas lógicas. Os estudos perioperatórios mostraram melhora de sobrevida livre de eventos, mas ainda se discute quanto a fase adjuvante acrescenta para quem já teve resposta completa na peça Peng e colaboradores, 2023.

  • Neoadjuvante: resposta medida na peça, tratamento curto, risco de não chegar à cirurgia.
  • Adjuvante: cirurgia sem atraso, decisão com estádio patológico, risco de não iniciar depois.
  • Perioperatória: as duas fases, tratamento mais longo, mais tempo de exposição à toxicidade.
  • Em todas: biomarcadores definidos antes e equipe decidindo junto.
Cristais amarelados de cisplatina vistos de perto sobre uma superfície escura
Cristais de cisplatina, um dos compostos de platina usados nos esquemas de quimioterapia combinados com imunoterapia no câncer de pulmão ressecável. Crédito: Larry Ostby, Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

CheckMate 816: tratar antes da cirurgia

O CheckMate 816 foi um estudo de fase III aberto. Os pacientes, com estádio IB a IIIA, foram sorteados para receber nivolumabe 360 mg com quimioterapia dupla com platina, ou a quimioterapia sozinha, a cada 3 semanas por três ciclos. A cirurgia deveria ocorrer até 6 semanas depois do fim do tratamento neoadjuvante (Mitsudomi e colaboradores, 2024). O estudo incluiu 358 pacientes, cerca de 63 em cada 100 com estádio IIIA (Mayenga e colaboradores, 2024).

A resposta patológica completa, definida como ausência de células tumorais viáveis no tumor e nos linfonodos, foi de 24 em cada 100 pacientes com nivolumabe e de 2,2 em cada 100 com quimioterapia sozinha. A sobrevida livre de eventos mediana foi de 31,6 meses contra 20,8 meses, com razão de risco de 0,63 (Mayenga e colaboradores, 2024). A cirurgia foi feita em cerca de 83 em cada 100 pacientes do grupo nivolumabe e em cerca de 75 em cada 100 do grupo controle, e eventos adversos de grau 3 ou 4 foram parecidos nos dois grupos (Mayenga e colaboradores, 2024).

PD-L1 e resposta

A resposta patológica completa foi maior com PD-L1 de 1 ou mais em cada 100 células, cerca de 33 em cada 100 pacientes, mas também apareceu com PD-L1 negativo, cerca de 17 em cada 100 (Mayenga e colaboradores, 2024). Esse dado ajuda a entender por que o PD-L1 negativo não exclui a estratégia neoadjuvante, embora o ganho seja menor.

Estudos menores ajudam a enxergar o que vem depois. No NADIM, um estudo de fase II espanhol com nivolumabe e quimioterapia no estádio IIIA, a sobrevida global em 36 meses foi de cerca de 82 em cada 100 pacientes. O DNA tumoral circulante indetectável depois do tratamento neoadjuvante se associou a melhor sobrevida, com desempenho melhor do que a resposta radiológica (Provencio e colaboradores, 2022). No primeiro estudo com nivolumabe neoadjuvante isolado, 8 dos 9 pacientes com resposta patológica maior estavam vivos e sem doença em 5 anos (Rosner e colaboradores, 2023).

AEGEAN: tratar antes e depois

O AEGEAN testou durvalumabe 1500 mg ou placebo com quimioterapia a cada 3 semanas por quatro ciclos antes da cirurgia. Depois dela, os pacientes continuaram com durvalumabe ou placebo a cada 4 semanas por até 12 ciclos (Mitsudomi e colaboradores, 2026). A análise principal excluiu pacientes com alterações documentadas de EGFR ou ALK, que haviam entrado antes de uma emenda ao protocolo (Mitsudomi e colaboradores, 2026).

O durvalumabe perioperatório melhorou a sobrevida livre de eventos, com razão de risco de 0,68, e a resposta patológica completa. Na análise final da população global, a resposta patológica completa foi de 17,2 em cada 100 com durvalumabe contra 4,3 em cada 100 com placebo (Mitsudomi e colaboradores, 2026). Pneumonite imunomediada de qualquer grau foi relatada em cerca de 5 em cada 100 pacientes no período adjuvante do subgrupo japonês (Mitsudomi e colaboradores, 2026).

O que a fase adjuvante acrescenta

O desenho perioperatório não separa o efeito de cada fase. O paciente que recebeu durvalumabe antes também o recebeu depois. Por isso, a pergunta sobre quem de fato precisa da fase adjuvante continua aberta, e revisões sobre o tema apontam essa dúvida como uma das principais da área (Peng e colaboradores, 2023). O post sobre o pembrolizumabe perioperatório no KEYNOTE-671 discute a mesma questão em outro estudo.

EstudoEstratégia e doseResposta patológica completaDesfecho principal
CheckMate 816Nivolumabe 360 mg com quimioterapia, 3 ciclos antes24 contra 2,2 em cada 100Sobrevida livre de eventos, razão de risco 0,63
AEGEANDurvalumabe 1500 mg com quimioterapia, 4 ciclos antes e até 12 depois17,2 contra 4,3 em cada 100Sobrevida livre de eventos, razão de risco 0,68
IMpower010Atezolizumabe 1200 mg a cada 3 semanas, até 16 ciclos depois da quimioterapianão se aplicaSobrevida livre de doença, razão de risco 0,66 no estádio II a IIIA com PD-L1 positivo

IMpower010: tratar depois da cirurgia

O IMpower010 incluiu pacientes operados com estádio IB a IIIA que receberam de um a quatro ciclos de quimioterapia adjuvante. Depois disso, foram sorteados para atezolizumabe 1200 mg a cada 3 semanas por até 16 ciclos, ou cuidado de suporte (Okada e colaboradores, 2026).

O atezolizumabe melhorou a sobrevida livre de doença no estádio II a IIIA com PD-L1 de 1 ou mais em cada 100 células tumorais, com razão de risco de 0,66. O benefício foi maior com PD-L1 de 50 ou mais, com razão de risco de 0,43. Na população com intenção de tratar, que incluía o estádio IB, o resultado não atingiu significância (Okada e colaboradores, 2026). Esses dados levaram à aprovação do atezolizumabe adjuvante para estádio II a IIIA com PD-L1 positivo, com exclusão de EGFR e ALK na União Europeia (Okada e colaboradores, 2026).

O teste de PD-L1 importa

Diferentes testes de PD-L1 podem gerar dúvida. No IMpower010, os testes SP263 e 22C3 concordaram em 83 em cada 100 amostras no limiar de 1 e em 92 em cada 100 no limiar de 50, com benefício parecido do atezolizumabe pelos dois métodos (Zhou e colaboradores, 2023). Na prática, o mais importante é que o resultado exista antes da decisão.

Uma limitação da estratégia adjuvante é que ela depende de o paciente se recuperar bem da cirurgia, completar a quimioterapia e só então iniciar a imunoterapia. Cada etapa é uma chance de perder o paciente, assunto tratado no post sobre barreiras ao tratamento curativo.

Biomarcadores que mudam a escolha

Antes de falar em imunoterapia, a equipe precisa saber se o tumor tem uma alteração dirigível. Um consenso de especialistas recomenda sequenciamento de nova geração antes do tratamento e cautela com imunoterapia neoadjuvante quando houver mutação sensível de EGFR ou fusão de ALK. O mesmo texto lembra que, na Ásia, 40 a 50 em cada 100 adenocarcinomas de pulmão têm mutação ativadora de EGFR (Qiu e colaboradores, 2021).

Para esses pacientes, a escolha muda. O osimertinibe adjuvante tem benefício de sobrevida em tumores com EGFR mutado, como discute o post sobre o estudo ADAURA, e o alectinibe adjuvante tem papel nos tumores ALK positivos, assunto do post sobre o estudo ALINA.

  • EGFR: se mutado, a imunoterapia perde lugar e o tratamento dirigido ganha.
  • ALK: se rearranjado, mesmo raciocínio.
  • PD-L1: orienta o tamanho do benefício e define a indicação adjuvante do atezolizumabe.
  • Histologia: escamoso ou não escamoso muda o esquema de quimioterapia.
  • Estádio clínico: define a elegibilidade para cada estudo.

PD-L1 negativo exclui a imunoterapia?

Uma metanálise de estudos neoadjuvantes, adjuvantes e perioperatórios mostrou melhora de resposta patológica e de sobrevida livre de eventos em todos os níveis de PD-L1. A razão de risco para sobrevida livre de eventos foi de 0,80 com PD-L1 abaixo de 1 e de 0,53 com PD-L1 de 1 ou mais. O benefício de sobrevida global foi significativo com PD-L1 positivo e incerto com PD-L1 negativo (Zhang e colaboradores, 2025). O PD-L1 negativo, portanto, reduz o ganho esperado, mas não elimina a discussão.

Peça de lobectomia pulmonar sobre a bancada, com a margem cirúrgica pintada de preto sendo cortada com tesoura
Amostragem da margem de uma peça de lobectomia, pintada de preto. Depois do tratamento neoadjuvante, a patologia mede quanto tumor viável restou, e esse dado orienta o prognóstico. Crédito: Mikael Häggström, CC0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Riscos da imunoterapia antes da cirurgia

A imunoterapia neoadjuvante pode causar eventos adversos imunomediados graves. Recomendações chinesas sobre o tema lembram que esses eventos podem levar a atraso ou cancelamento da cirurgia, a doença adicional e, raramente, à morte (Ni e colaboradores, 2021). Pneumonite, hepatite, colite, tireoidite e insuficiência adrenal são os eventos que mais preocupam antes de uma cirurgia torácica.

No CheckMate 816, porém, a combinação de nivolumabe e quimioterapia não foi mais tóxica do que a quimioterapia sozinha, e a proporção de pacientes operados foi até maior no grupo nivolumabe (Mayenga e colaboradores, 2024). O risco existe, mas não justifica, por si só, abandonar a estratégia neoadjuvante.

O que observar durante o tratamento

  • Função tireoidiana, glicemia, enzimas hepáticas e cortisol antes e durante os ciclos.
  • Sintomas respiratórios novos, que podem ser pneumonite e não progressão.
  • Diarreia, que pode indicar colite imunomediada.
  • Reestadiamento antes da cirurgia, para detectar progressão.
  • Comunicação com o cirurgião sobre qualquer evento que possa mudar a data.

O post sobre pausa diagnóstica ajuda a lembrar que um sintoma novo durante a imunoterapia tem mais de uma explicação possível.

Mão de profissional de saúde ajusta o equipo de soro ligado a um cateter no braço de um paciente
Infusão intravenosa. Os esquemas neoadjuvantes combinam imunoterapia e quimioterapia em ciclos de 3 semanas antes da cirurgia. Crédito: Rhoda Baer, Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Como escolher na prática

Os estudos não compararam as três estratégias entre si. Toda comparação entre neoadjuvante, adjuvante e perioperatória é indireta. Mesmo assim, alguns princípios orientam a escolha.

Para o paciente com doença volumosa ou N2, como o do quadro inicial, a estratégia neoadjuvante ou perioperatória tem apelo forte: oferece chance de redução do tumor, mede a resposta e trata a doença micrometastática cedo. Para o paciente já operado sem tratamento prévio, a estratégia adjuvante com quimioterapia seguida de atezolizumabe é o caminho disponível quando o PD-L1 é positivo e não há EGFR ou ALK. Para tumores pequenos sem linfonodos, a imunoterapia tem papel menor.

Voltando ao engenheiro do quadro inicial

O paciente tem carcinoma escamoso, tumor de 5 centímetros e doença N2 confirmada por punção. Ele se encaixa nos critérios de elegibilidade do CheckMate 816 e do AEGEAN. Antes de escolher, a equipe confere se há EGFR ou ALK, o que é raro no escamoso, mas não impossível, e pede o PD-L1. Com esses resultados, a conversa com ele pode ser honesta: tratar antes da cirurgia aumenta muito a chance de não sobrar tumor viável na peça e reduz o risco de recidiva, ao custo de adiar a operação por cerca de dois a três meses e de expor o paciente a efeitos imunomediados.

A pergunta dele, se pode simplesmente operar logo, também merece resposta clara. Pode, e a cirurgia continuará sendo o centro do tratamento. Mas operar primeiro fecha a porta da estratégia neoadjuvante, e a imunoterapia adjuvante dependerá do PD-L1 e da recuperação depois da cirurgia. Explicar essa troca, sem pressão, é parte do cuidado.

Perguntas para a reunião de equipe

  • O estadiamento mediastinal foi confirmado por tecido?
  • EGFR, ALK e PD-L1 estão disponíveis?
  • O tumor é ressecável agora, e continuará sendo se houver atraso?
  • O paciente tem doença autoimune ativa ou outra contraindicação à imunoterapia?
  • Qual é a capacidade de seguimento do serviço durante os ciclos?
  • O paciente entende as opções e os riscos de cada uma?

No estudo de vida real, a sobrevida livre de metástase a distância em 18 meses foi parecida entre os grupos neoadjuvante e adjuvante, cerca de 80 e 83 em cada 100, e o teste de PD-L1 foi feito com menos frequência no grupo neoadjuvante (Desai e colaboradores, 2025). Esse dado não define qual estratégia é melhor, mas mostra que o teste de biomarcadores ainda falha justamente onde deveria vir primeiro. O post sobre tomada de decisão clínica trata desse tipo de escolha com informação incompleta.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. A escolha entre neoadjuvante, adjuvante e perioperatória é um bom exercício porque depende de pistas que aparecem em momentos diferentes: o estádio clínico, os biomarcadores, o desejo do paciente e o laudo da peça. O post sobre diagnóstico diferencial mostra como treinar com pistas progressivas.

Três exercícios com casos

Mude o biomarcador. Diga o que muda se o painel mostrar deleção do éxon 19 de EGFR.

Mude o momento. Diga o que você faria se o paciente já tivesse sido operado sem tratamento prévio e o laudo mostrasse N2.

Mude a evolução. Diga como agir se o paciente desenvolver pneumonite de grau 2 depois do segundo ciclo neoadjuvante.

O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a conversar sobre opções sem comparação direta. Os limites de uso do jogo estão na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato.

Perguntas frequentes

Qual é a dose de nivolumabe no CheckMate 816?

Nivolumabe 360 mg com quimioterapia dupla com platina a cada 3 semanas, por três ciclos antes da cirurgia (Mitsudomi e colaboradores, 2024). Confira a bula do seu país antes de prescrever.

A estratégia perioperatória é melhor do que a neoadjuvante?

Não há comparação direta. Os estudos perioperatórios não separam o efeito da fase adjuvante, e essa dúvida segue aberta (Peng e colaboradores, 2023).

Quem tem EGFR mutado deve receber imunoterapia antes da cirurgia?

Em geral, não. Consensos recomendam cautela, e o AEGEAN excluiu esses pacientes da análise principal (Qiu e colaboradores, 2021) (Mitsudomi e colaboradores, 2026).

Quando usar o atezolizumabe adjuvante?

Depois da cirurgia e da quimioterapia adjuvante, no estádio II a IIIA com PD-L1 positivo, por até 16 ciclos (Okada e colaboradores, 2026).

A resposta patológica completa garante a cura?

Não garante, mas se associa a melhor prognóstico. Estudos menores mostram que resposta maior e DNA tumoral indetectável depois do tratamento indicam evolução melhor (Rosner e colaboradores, 2023) (Provencio e colaboradores, 2022).

Checklist final

  • Confirmei o estádio, incluindo o mediastino, com tecido quando necessário.
  • Pedi EGFR, ALK e PD-L1 antes da decisão.
  • Levei o caso à reunião antes de marcar a cirurgia.
  • Discuti as três estratégias com o paciente.
  • Revisei contraindicações à imunoterapia.
  • Planejei exames de controle de toxicidade durante os ciclos.
  • Combinei com o cirurgião o prazo depois do último ciclo.
  • Defini quem decide sobre a fase adjuvante depois do laudo da peça.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

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