Exercício no câncer: da fadiga à sobrevida

Sumário
- Por que o exercício entrou na oncologia
- O que a diretriz internacional recomenda
- Fadiga: o efeito mais sólido
- Durante o tratamento: o exemplo do câncer de mama
- Sobrevida: o que os estudos observacionais mostram
- Câncer de cólon: mecanismos e o que ainda falta
- Como orientar na prática
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Referências
Um homem de sessenta e poucos anos termina a quimioterapia adjuvante para um câncer de cólon. Ele pergunta ao oncologista se pode voltar a caminhar e se o esforço não vai atrapalhar a recuperação. A resposta que ouve é vaga: "faça o que conseguir". Três meses depois, ele passa a maior parte do dia sentado, com uma fadiga que não melhora.
A cena é comum, e a resposta vaga também. Uma análise com mais de nove mil sobreviventes de câncer encontrou que só entre 30 e 47 de cada 100 cumpriam as recomendações de atividade física (Schmitz, 2019). Vários estudos apontam a falta de recomendação da equipe de oncologia como um dos motivos (Schmitz, 2019).
Este texto mostra o que o exercício muda na fadiga, na qualidade de vida e na sobrevida, quanto prescrever segundo a diretriz internacional e como transformar a orientação em encaminhamento.
Principais pontos
- A diretriz internacional de 2019 concluiu que o exercício é em geral seguro durante e após o tratamento do câncer e que todo sobrevivente deve evitar a inatividade (Campbell, 2019).
- Há evidência forte de benefício do exercício sobre ansiedade, sintomas depressivos, fadiga, qualidade de vida e função física (Campbell, 2019).
- Numa metanálise de 113 estudos, o exercício reduziu a fadiga do câncer mais do que os medicamentos disponíveis (Mustian, 2017).
- Em estudos observacionais, mais atividade física após o diagnóstico esteve associada a menor mortalidade nos cânceres de mama e colorretal, com razões de risco entre 0,58 e 0,63 (Friedenreich, 2020).
- Nos ensaios em câncer de mama, ainda não foi possível tirar conclusões sobre recorrência ou mortalidade (Lahart, 2018).
- A proposta prática é simples: avaliar, aconselhar e encaminhar (Schmitz, 2019).
Sumário
- Por que o exercício entrou na oncologia
- O que a diretriz internacional recomenda
- Fadiga: o efeito mais sólido
- Durante o tratamento: o exemplo do câncer de mama
- Sobrevida: o que os estudos observacionais mostram
- Câncer de cólon: mecanismos e o que ainda falta
- Como orientar na prática
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
Por que o exercício entrou na oncologia
Por muito tempo, a orientação a quem tinha câncer era repousar. A mudança começou quando os ensaios mostraram que o exercício era seguro e melhorava a capacidade física. A mesa-redonda do American College of Sports Medicine de 2010 já havia concluído que sobreviventes de câncer podiam treinar com segurança o suficiente para melhorar a aptidão física, a qualidade de vida e a fadiga (Campbell, 2019).
O ponto de partida é conhecido. Sobreviventes de câncer costumam ter perda de função física e de qualidade de vida e enfrentam risco maior de recorrência e de mortalidade geral do que pessoas sem câncer (Campbell, 2019). O exercício atua justamente sobre a capacidade física, que o tratamento costuma reduzir.
Na década seguinte a 2010, acumulou-se evidência de que a atividade física se relaciona com mais tipos de câncer do que se pensava e de que o comportamento sedentário também pode ter papel (Patel, 2019).
Em 2019, um grupo internacional revisou a evidência acumulada desde então. A conclusão de que exercício e testes de esforço são em geral seguros foi mantida, assim como a recomendação de que todo sobrevivente evite a inatividade (Campbell, 2019). A novidade foi transformar a evidência em prescrições específicas para cada desfecho com evidência forte (Campbell, 2019).
A pergunta mudou de "pode?" para "quanto, de que tipo e para quê?". Isso vale tanto durante o tratamento quanto depois dele, e a resposta depende do desfecho que se quer melhorar.
Há também o lado da prevenção, que é outro assunto. Uma revisão para o comitê das diretrizes americanas de atividade física encontrou evidência forte de associação entre mais atividade física e menor risco de câncer de bexiga, mama, cólon, endométrio, adenocarcinoma de esôfago, rim e estômago (McTiernan, 2019). Este texto trata de quem já tem ou teve câncer.
O que a diretriz internacional recomenda
A diretriz de 2019 classificou os desfechos pela força da evidência (Campbell, 2019). Para ansiedade, sintomas depressivos, fadiga, qualidade de vida relacionada à saúde e função física, a evidência foi considerada forte, e o grupo propôs uma prescrição com frequência, intensidade, tempo e tipo de exercício (Campbell, 2019).
Para a fadiga, a recomendação é treino aeróbico de intensidade moderada três vezes por semana, por pelo menos 12 semanas (Campbell, 2019). Para ansiedade e sintomas depressivos, o mesmo treino aeróbico por 12 semanas ou treino combinado aeróbico e de força duas vezes por semana por 6 a 12 semanas (Campbell, 2019).
Para a qualidade de vida, o treino combinado aeróbico e de força de intensidade moderada, duas a três vezes por semana, por pelo menos 12 semanas, trouxe melhora durante e após o tratamento (Campbell, 2019). O treino de força também foi considerado seguro em mulheres com linfedema ou risco de linfedema após câncer de mama (Schmitz, 2019).

A diretriz também deixou claro o que ainda não se sabe. Para a fadiga, ir além de 150 minutos semanais de exercício aeróbico não pareceu trazer a maior redução, e a relação entre quantidade e efeito segue incerta (Campbell, 2019). Os estudos também raramente selecionaram as pessoas com os piores valores iniciais, o que limita a aplicação a quem mais precisa (Campbell, 2019).
| Desfecho | Prescrição sugerida | Fonte |
|---|---|---|
| Fadiga | Aeróbico moderado três vezes por semana, por pelo menos 12 semanas (Campbell, 2019) | Diretriz internacional (Campbell, 2019) |
| Ansiedade | Aeróbico moderado três vezes por semana por 12 semanas, ou combinado duas vezes por semana por 6 a 12 semanas (Campbell, 2019) | Diretriz internacional (Campbell, 2019) |
| Sintomas depressivos | Aeróbico moderado três vezes por semana por pelo menos 12 semanas, ou combinado duas vezes por semana por 6 a 12 semanas (Campbell, 2019) | Diretriz internacional (Campbell, 2019) |
| Qualidade de vida | Combinado aeróbico e força, duas a três vezes por semana, por pelo menos 12 semanas (Campbell, 2019) | Diretriz internacional (Campbell, 2019) |
| Linfedema após câncer de mama | Treino de força considerado seguro (Schmitz, 2019) | Revisão sobre encaminhamento (Schmitz, 2019) |
Fadiga: o efeito mais sólido
A fadiga é o sintoma mais frequente e um dos mais incapacitantes do câncer e do seu tratamento. Ela não melhora com repouso, e o repouso prolongado tende a piorar o descondicionamento que a alimenta.
A revisão Cochrane de Cramp reuniu 56 estudos com 4068 participantes, a maioria com câncer de mama (Cramp, 2012). Ao fim da intervenção, o exercício reduziu a fadiga em relação ao controle, com diferença média padronizada de 0,27 (Cramp, 2012). Os autores concluíram que o exercício aeróbico pode ser considerado benéfico para a fadiga durante e após o tratamento, especialmente em tumores sólidos (Cramp, 2012).
A metanálise principal da revisão combinou 38 comparações, com 1461 participantes no grupo de exercício e 1187 no grupo controle (Cramp, 2012). Os estudos incluíram pessoas em tratamento ativo, em seguimento de longo prazo e em cuidados paliativos (Cramp, 2012). Ficaram de fora os estudos em que os participantes só recebiam conselho sobre os benefícios do exercício, sem programa definido (Cramp, 2012).
A metanálise de Mustian comparou as quatro abordagens mais recomendadas para a fadiga em 113 estudos com 11 525 participantes (Mustian, 2017). O exercício teve o maior efeito, com tamanho de efeito ponderado de 0,30 (Mustian, 2017). As intervenções psicológicas tiveram efeito de 0,27, e a combinação de exercício com intervenção psicológica, de 0,26 (Mustian, 2017). Os medicamentos tiveram efeito de 0,09, sem melhora significativa (Mustian, 2017).
O recado clínico é direto. Antes de procurar um remédio para a fadiga do câncer, vale prescrever exercício e considerar apoio psicológico (Mustian, 2017). Ao mesmo tempo, fadiga intensa pede investigação de causas tratáveis, como anemia, hipotireoidismo, distúrbios hidroeletrolíticos e efeitos de medicamentos. O texto sobre fadiga com abiraterona mostra como esse raciocínio se aplica a um caso concreto.
Ansiedade e humor
Ansiedade e sintomas depressivos também estão entre os desfechos com evidência forte (Campbell, 2019). Isso não substitui a avaliação de saúde mental, especialmente quando os sintomas são intensos ou há risco. O texto sobre ansiedade no paciente com câncer ajuda a separar a ansiedade esperada do transtorno e das causas orgânicas.
Durante o tratamento: o exemplo do câncer de mama
O câncer de mama concentra a maior parte dos ensaios, o que permite olhar com mais detalhe o que acontece durante o tratamento. A revisão Cochrane de Furmaniak incluiu 32 estudos com 2626 mulheres em quimioterapia ou radioterapia adjuvante (Furmaniak, 2016).
O exercício durante o tratamento provavelmente melhora a aptidão física, com diferença média padronizada de 0,42, e reduz levemente a fadiga, com diferença de 0,28 (Furmaniak, 2016). O efeito na qualidade de vida geral foi pequeno ou ausente, e nos sintomas depressivos houve pouca ou nenhuma diferença (Furmaniak, 2016).
Houve também um sinal de melhora na função cognitiva (Furmaniak, 2016). Para quem convive com a queixa de memória e concentração durante a quimioterapia, é mais um motivo para manter a pessoa ativa, sem prometer um efeito que os estudos ainda não confirmaram com segurança.
Depois do tratamento, a revisão Cochrane de Lahart reuniu 63 ensaios com 5761 mulheres (Lahart, 2018). A aptidão cardiorrespiratória melhorou, com diferença média padronizada de 0,44 e evidência de qualidade moderada (Lahart, 2018). Os autores, porém, afirmaram que não foi possível concluir nada sobre mortalidade por câncer de mama, mortalidade geral ou recorrência (Lahart, 2018).
Esse contraste é importante. Os ensaios em mama mostram ganhos em aptidão física e sintomas, mas não foram desenhados nem tiveram tamanho para responder se o exercício muda a sobrevida (Lahart, 2018). Para a reabilitação do ombro e do linfedema, o texto sobre quem decide a sequência do tratamento no câncer de mama traz o contexto da equipe.
Antes da cirurgia
O exercício também entra antes do tratamento. A pré-habilitação busca chegar à cirurgia com melhor condição física e nutricional. O texto sobre pré-habilitação no câncer gástrico mostra como as semanas antes da operação podem ser usadas.
Sobrevida: o que os estudos observacionais mostram
A pergunta que mais interessa ao paciente é se o exercício ajuda a viver mais. Até aqui, a maior parte da resposta vem de estudos observacionais.
A metanálise de Friedenreich reuniu 136 estudos (Friedenreich, 2020). Para todos os cânceres juntos, a atividade física mais alta antes do diagnóstico esteve associada a menor mortalidade por câncer, com razão de risco de 0,82, e a atividade após o diagnóstico, com razão de risco de 0,63 (Friedenreich, 2020). Nos cânceres de mama e colorretal, a atividade após o diagnóstico teve associação mais forte, com razões de risco entre 0,58 e 0,63 (Friedenreich, 2020).
No câncer de mama, a relação foi gradual, com reduções acentuadas do risco até 10 a 15 equivalentes metabólicos por hora por semana (Friedenreich, 2020). Essa faixa corresponde, de forma aproximada, a algumas horas de caminhada por semana.
A revisão de McTiernan para o comitê americano chegou a conclusão semelhante, com associações moderadas ou limitadas entre mais atividade e menor mortalidade em câncer de mama, colorretal e próstata (McTiernan, 2019). O relatório do ACSM sobre atividade física e câncer considerou provável que a atividade antes e depois do diagnóstico seja relevante para a sobrevida em câncer de mama e de cólon (Patel, 2019).
Os benefícios apareceram na maior parte dos subgrupos analisados, incluindo sexo, índice de massa corporal, estado menopausal e subtipos de câncer colorretal (Friedenreich, 2020). A atividade após o diagnóstico esteve associada a menor mortalidade geral em vários tipos de tumor, entre eles mama, colorretal, próstata, pulmão, rim, estômago e cânceres hematológicos (Friedenreich, 2020).
A revisão de McTiernan resumiu 45 relatórios com centenas de estudos epidemiológicos e vários milhões de participantes (McTiernan, 2019). Ainda assim, os próprios autores pedem mais pesquisa sobre a sobrevida em cânceres menos estudados (McTiernan, 2019).
Os limites desses dados
Estudos observacionais têm uma fraqueza conhecida: quem se exercita mais pode ter doença menos grave, menos comorbidades e mais recursos. Parte da associação pode refletir isso, mesmo com ajustes estatísticos. Além disso, a doença avançada reduz a atividade, o que pode inverter a direção da relação.
Por isso, a prova definitiva depende de ensaios randomizados com desfecho de sobrevida. Esses ensaios são raros, longos e difíceis de fazer, e os resultados de um tipo de câncer não podem ser transferidos automaticamente para outro.
Câncer de cólon: mecanismos e o que ainda falta
O câncer de cólon é o cenário em que a hipótese de que o exercício muda a recorrência foi mais estudada. O relatório do ACSM descreve vários mecanismos biologicamente plausíveis pelos quais a atividade física pode influenciar o câncer (Patel, 2019). O mesmo relatório aponta que reduzir o tempo sentado pode diminuir o risco de câncer de endométrio, cólon e pulmão (Patel, 2019).
Um dos mecanismos estudados é a gordura visceral. Ela está associada a maior risco de recorrência em sobreviventes de câncer de cólon (Brown, 2017). Num ensaio com 39 sobreviventes de câncer de cólon em estágio I a III, os participantes foram sorteados para controle, 150 minutos semanais de exercício aeróbico ou 300 minutos semanais, por seis meses (Brown, 2017).
O exercício reduziu a gordura visceral de forma proporcional à quantidade praticada (Brown, 2017). Cada 60 minutos semanais a mais de exercício previu redução de 2,7 centímetros quadrados de gordura visceral (Brown, 2017). É um desfecho intermediário, e não prova que a recorrência cai, mas ajuda a entender um possível caminho.

Outros mecanismos possíveis
O relatório do ACSM descreve outros caminhos além da gordura visceral, como mudanças em hormônios sexuais e em marcadores de inflamação (Patel, 2019). Num dos exemplos citados, a maior perda de peso induzida por exercício em mulheres na pós-menopausa trouxe maior redução de estradiol e de proteína C reativa (Patel, 2019). Essas mudanças poderiam reduzir o risco de câncer de mama e de endométrio, mas continuam sendo desfechos intermediários (Patel, 2019).
O cuidado ao generalizar
Os dados de cólon e de mama são os mais robustos, mas os tumores diferem em biologia, tratamento e prognóstico. Um resultado favorável num tipo de câncer não autoriza dizer que o exercício reduz a recorrência em todos. Na conversa com o paciente, vale separar o que é benefício demonstrado, como menos fadiga e mais aptidão física, do que é associação ainda em estudo.
Como orientar na prática
A revisão de Schmitz propõe um caminho simples para a equipe de oncologia: avaliar, aconselhar e encaminhar (Schmitz, 2019). O encaminhamento pode ser para exercício em casa ou na comunidade, ou para avaliação e reabilitação ambulatorial quando há limitações (Schmitz, 2019).
Avaliar
Avaliar significa perguntar quanto a pessoa se movimenta e identificar o que muda a segurança do exercício: anemia importante, neuropatia periférica, metástase óssea, linfedema, cardiotoxicidade e cirurgia recente. A diretriz internacional traz considerações de segurança específicas para sobreviventes de câncer (Campbell, 2019).
Aconselhar
Aconselhar é dizer com clareza que o exercício é parte do tratamento. Em vários estudos, mais de 80 de cada 100 pacientes disseram querer receber orientação de atividade física da equipe de oncologia (Schmitz, 2019). Ouvir primeiro o que a pessoa teme e espera faz diferença, como mostra o texto sobre a agenda do paciente. Para quem está ambivalente, a entrevista motivacional oferece um caminho.
Encaminhar
Encaminhar é escolher o destino conforme a complexidade. Uma parte dos pacientes consegue seguir a orientação por conta própria, e outra precisa de reabilitação supervisionada (Schmitz, 2019). Esperar a estrutura ideal para começar a encaminhar desperdiça a chance de tornar mais pacientes ativos com a estrutura que já existe (Schmitz, 2019).
O que atrapalha a implementação
A revisão de Schmitz lista os obstáculos do lado do sistema: capacidade de triagem e encaminhamento, falta de um cadastro de programas, remuneração e formação de profissionais (Schmitz, 2019). Para superá-los, é preciso coordenar o cuidado com os profissionais certos e mudar comportamentos de clínicos, pacientes e de quem oferece os programas (Schmitz, 2019).
Na consulta, algumas medidas simples ajudam: registrar o nível de atividade como se registra um sinal vital, entregar por escrito a orientação combinada e retomar o assunto no retorno. A mensagem mínima, para quem ainda não consegue seguir uma prescrição completa, é evitar a inatividade (Campbell, 2019).
Excesso de cautela e de exames
O risco oposto também existe: pedir testes e liberações em excesso antes de permitir uma caminhada. Para a maioria das pessoas, caminhar e reduzir o tempo sentado não exige avaliação especial. O conceito de prevenção quaternária ajuda a pesar o que cada exame acrescenta.
De volta ao caso
No homem da abertura, a conversa poderia começar pela fadiga e pelo que ele quer voltar a fazer. A meta inicial seria reduzir o tempo sentado e caminhar em intensidade moderada, progredindo até a prescrição para fadiga, de três sessões semanais por pelo menos 12 semanas (Campbell, 2019). O treino de força entraria em seguida, e a neuropatia da quimioterapia, se presente, orientaria a escolha dos exercícios.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para os motivos de consulta mais frequentes, veja os códigos mais comuns na atenção primária.
Perguntas frequentes
É seguro fazer exercício durante a quimioterapia?
Em geral, sim. A diretriz internacional concluiu que exercício e testes de esforço são em geral seguros durante e após o tratamento, com considerações específicas para cada situação (Campbell, 2019).
Quanto exercício é recomendado para a fadiga?
Treino aeróbico de intensidade moderada três vezes por semana, por pelo menos 12 semanas (Campbell, 2019).
O exercício funciona melhor que remédio para a fadiga?
Na metanálise de 113 estudos, o exercício teve efeito de 0,30 e os medicamentos de 0,09, sem melhora significativa (Mustian, 2017).
O exercício aumenta a sobrevida?
Em estudos observacionais, mais atividade após o diagnóstico esteve associada a menor mortalidade nos cânceres de mama e colorretal (Friedenreich, 2020). Nos ensaios em câncer de mama, ainda não foi possível concluir sobre mortalidade ou recorrência (Lahart, 2018).
Quem tem linfedema pode fazer musculação?
O treino de força foi considerado seguro em mulheres com linfedema ou risco de linfedema após câncer de mama (Schmitz, 2019).
Ficar sentado faz diferença?
O relatório do ACSM aponta que reduzir o tempo sentado pode diminuir o risco de alguns cânceres, como endométrio, cólon e pulmão (Patel, 2019).
Quem deve encaminhar o paciente?
A equipe de oncologia, avaliando, aconselhando e encaminhando para exercício em casa, na comunidade ou em reabilitação (Schmitz, 2019).
O resultado vale para todos os tipos de câncer?
A maior parte dos ensaios é de câncer de mama, e as associações com sobrevida são mais fortes em mama e colorretal (Friedenreich, 2020). Generalizar exige cautela.
Take-home messages
- Exercício é parte do tratamento do câncer, durante e depois dele.
- A evidência é forte para fadiga, ansiedade, sintomas depressivos, qualidade de vida e função física.
- Para a fadiga, o exercício supera os medicamentos disponíveis.
- A prescrição básica é aeróbico moderado três vezes por semana, com treino de força.
- Os dados de sobrevida vêm sobretudo de estudos observacionais em mama e colorretal.
- Resultados de um tipo de câncer não se transferem automaticamente para outros.
- Avaliar, aconselhar e encaminhar é o caminho prático para a equipe.
- Evitar a inatividade é a recomendação mínima para todos.
Jogue o caso do dia no NEXO.
Referências
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