Redução de danosRaciocínio clínico

Checagem de drogas: o que a análise da amostra revela

Balança antiga de pratos dentro de uma vitrine de madeira
Sumário
  1. O que é checagem de drogas
  2. Por que o conteúdo da droga importa
  3. Quais métodos de análise existem
  4. Das fitas à espectrometria: o que cada teste encontra
  5. Como as pessoas reagem e o que as afasta
  6. O que o clínico pode levar para o consultório
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Take-home messages
  10. Referências

Um rapaz chega à tenda de redução de danos de um festival com um pó branco que comprou como MDMA. Ele aceita que a equipe raspe uma pequena quantidade para testar. Em poucos minutos, o técnico explica que o resultado sugere outra substância, de efeito mais longo. O rapaz pergunta o que deve fazer agora. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

Este texto trata da checagem de drogas, também chamada de drug checking: serviços em que a pessoa entrega uma amostra da substância que pretende usar e recebe de volta uma análise do que ela contém, com orientação. O objetivo aqui é olhar para o que os estudos mostram sobre os métodos de análise, o que as amostras revelaram e como as pessoas reagem ao resultado. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer a lógica: o rótulo que o paciente traz é uma hipótese, e a confirmação depende do teste certo, lido com seus limites.

Principais pontos

  • A checagem de drogas analisa a amostra antes do uso e devolve o resultado com orientação.
  • Os métodos vão de fitas que detectam uma só substância até espectrometria de massas em laboratório.
  • Em vários serviços, uma parte relevante das amostras continha algo diferente do esperado.
  • Resultados inesperados se associaram a intenção de reduzir a dose ou descartar a droga.
  • Medo da polícia, estigma e espera longa aparecem como barreiras importantes.
  • O serviço funciona também como porta de entrada para o cuidado.

O que é checagem de drogas

Uma revisão sistemática com 90 estudos descreveu os serviços de checagem como intervenções que analisam substâncias fornecidas pelos próprios usuários e devolvem os resultados a eles, em geral junto com aconselhamento de redução de danos (Maghsoudi e colaboradores, 2022). A maior parte dos estudos dessa revisão veio da Europa, e o domínio mais relatado foi o monitoramento do mercado de drogas (Maghsoudi e colaboradores, 2022).

Os modelos variam. A mesma revisão descreveu serviços móveis em festas e festivais, serviços fixos em locais da comunidade e a distribuição de testes para uso pela própria pessoa (Maghsoudi e colaboradores, 2022). Uma revisão realista com 133 fontes reuniu sete teorias de programa para explicar como e para quem a checagem funciona (Masterton e colaboradores, 2022). Essas teorias tratam da legislação e da atuação policial, do mercado local e do nível de dano, da integração a serviços já existentes, da participação de pessoas com experiência vivida, da acessibilidade, do processo de teste e da experiência anterior dos usuários com o serviço (Masterton e colaboradores, 2022).

A mesma revisão lembra que a checagem costuma ser associada a festas e ao uso dito recreativo, mas que serviços comunitários podem alcançar pessoas mais marginalizadas e pessoas com dependência (Masterton e colaboradores, 2022). Esse ponto muda o público que o clínico deve imaginar quando pensa no serviço: ele inclui tanto o jovem do festival quanto a pessoa que usa opioides todos os dias e vive na rua. A legislação também pesa, e a Nova Zelândia foi o primeiro país a legalizar explicitamente a checagem de drogas, segundo essa revisão (Masterton e colaboradores, 2022).

Do ponto de vista clínico, a ideia lembra a de qualquer exame: há uma pergunta, uma amostra, um método com sensibilidade e especificidade próprias e uma conversa sobre o que fazer com o resultado. O raciocínio é parecido com o de interpretar exames pela probabilidade pré-teste, porque o mesmo resultado pesa de forma diferente conforme o contexto do mercado local.

Por que o conteúdo da droga importa

O mercado de drogas ilícitas muda rápido. O ano de 2021 foi o de mais mortes por overdose nos Estados Unidos e no Canadá, num cenário em que o fentanil passou a dominar os mercados locais (Ondocsin e colaboradores, 2023). Profissionais entrevistados em um estudo com 11 pessoas descreveram o mercado como um "alvo em movimento", em que novas substâncias aparecem e se misturam às conhecidas (Ondocsin e colaboradores, 2023).

O fentanil é o exemplo mais estudado. Em Insite, a sala de consumo supervisionado de Vancouver, foram feitas 1411 checagens, e 1121 delas deram positivo para fentanil, o equivalente a 79,8 a cada 100 (Karamouzian e colaboradores, 2018). Em uma análise por espectrometria de massas em Toronto, com 2263 amostras, a xilazina apareceu em 46 delas, o que correspondeu a 7,2 a cada 100 amostras que tinham fentanil como único opioide (Bowles e colaboradores, 2021).

A presença de adulterantes tem consequência direta no atendimento. A xilazina é um sedativo de uso veterinário, e a naloxona atua sobre opioides, sem reverter os efeitos dela (Bowles e colaboradores, 2021). Em um piloto com espectrometria de massas, o etizolam, um benzodiazepínico, apareceu em 10 amostras, e nenhum cliente esperava encontrá-lo; os autores lembram que a naloxona pode não reverter totalmente uma intoxicação desse tipo (Borden e colaboradores, 2022).

Para quem atende uma intoxicação, essa informação muda o diferencial. O paciente que relata ter usado heroína pode ter recebido uma mistura com sedativos que respondem de forma parcial à naloxona. Saber o que circula no mercado local ajuda a interpretar sinais, sintomas e história com menos suposições.

Placa de Petri de vidro com pedaços brancos de um sal químico
Placa de Petri com um sal branco em pedaços. A olho nu, pós e cristais diferentes podem parecer iguais, e só a análise mostra o que a amostra contém. Crédito: Roi.Frvr, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Quais métodos de análise existem

Uma revisão de métodos para análise no local apontou a espectroscopia de infravermelho portátil, a espectroscopia Raman e a espectrometria de mobilidade iônica como as opções mais promissoras para serviços de campo, e a espectrometria de massas como o padrão de referência forense (Harper e colaboradores, 2017). Cada técnica responde a uma pergunta diferente, e a escolha depende do que o serviço quer saber.

As principais famílias de método aparecem nos estudos assim:

A espectroscopia de infravermelho vem se tornando um dos métodos instrumentais mais usados na checagem, pela facilidade de operação, pela rapidez e pelo pouco preparo que a amostra exige (Gozdzialski e colaboradores, 2023). Outro ponto a favor do infravermelho é que a análise preserva a amostra e entrega o resultado em minutos (Grace Rose e colaboradores, 2023). Já a espectrometria de mobilidade iônica separa e identifica íons pela velocidade com que atravessam um gás, e a espectroscopia Raman se baseia no espalhamento da luz depois que ela interage com a amostra (Harper e colaboradores, 2017). Para técnicas de identificação como essas, o resultado depende de um banco de moléculas conhecidas para comparar o espectro, e montar esse banco exige um químico treinado (Harper e colaboradores, 2017).

A combinação de instrumentos aparece com frequência. Um estudo sobre fitas e outros métodos concluiu que abordagens com vários instrumentos podem ser necessárias para cobrir o que uma técnica isolada deixa passar (Gozdzialski e colaboradores, 2023).

A tabela resume as diferenças descritas nos estudos lidos.

Método O que informa Vantagens Limitações
Fita de fentanil Presença ou ausência de fentanil acima de um limite (Gozdzialski e colaboradores, 2023) Simples, rápida e fácil de distribuir (Krieger e colaboradores, 2018) Falsos positivos com algumas substâncias (Lockwood e colaboradores, 2021) e linha fraca perto do limite (Gozdzialski e colaboradores, 2023)
Infravermelho portátil Perfil dos principais componentes (Harper e colaboradores, 2017) Portátil e adequado ao local de atendimento (Grace Rose e colaboradores, 2023) Limite de detecção mais alto (Grace Rose e colaboradores, 2023)
Raman e mobilidade iônica Identificação no local (Harper e colaboradores, 2017) Citados entre os melhores métodos de campo (Harper e colaboradores, 2017) Dependem de um banco de espectros de referência (Harper e colaboradores, 2017)
Espectrometria de massas Composição detalhada, inclusive adulterantes (Borden e colaboradores, 2022) Padrão de referência e quantificação (Harper e colaboradores, 2017) Exige especialista, espaço e tempo (Grace Rose e colaboradores, 2023)

Das fitas à espectrometria: o que cada teste encontra

As fitas de teste de fentanil são o método mais simples e o mais distribuído. O resultado é binário, e o limite de detecção ficou em torno de 0,150 micrograma por mililitro em uma avaliação (Gozdzialski e colaboradores, 2023). Perto desse limite, a linha de resultado pode aparecer fraca, o que dificulta a leitura (Gozdzialski e colaboradores, 2023).

Os falsos positivos também existem. Um estudo de laboratório encontrou resultados falsamente positivos com metanfetamina, MDMA e difenidramina em concentrações de 1 miligrama por mililitro ou mais (Lockwood e colaboradores, 2021). Isso importa porque a pessoa pode descartar uma droga sem fentanil ou, ao contrário, passar a desconfiar do teste.

As fitas usadas para fentanil e para benzodiazepínicos foram desenhadas originalmente para amostras de urina (Gozdzialski e colaboradores, 2023). No caso das fitas de benzodiazepínicos, o etizolam reage mal ao teste, e o resultado pode ser um falso negativo (Gozdzialski e colaboradores, 2023). Esse detalhe ganha peso quando se lembra que o etizolam foi justamente um dos adulterantes inesperados no piloto com espectrometria (Borden e colaboradores, 2022).

Como qualquer exame qualitativo, a fita diz se a substância passou de um limite, e deixa em aberto quanto dela existe na amostra. Esse ponto conversa com o tema do sobrediagnóstico: um teste muito sensível, aplicado sem contexto, pode gerar decisões que a pessoa não precisava tomar.

A leitura da fita também pede atenção. No estudo com adultos jovens de Rhode Island, o material entregue aos participantes explicava que uma linha vermelha indica teste positivo e duas linhas indicam teste negativo, com o aviso de manter cautela mesmo assim (Goldman e colaboradores, 2019). A lógica é contraintuitiva para quem está acostumado a outros testes rápidos, e um erro de leitura inverte o sentido do resultado. As fitas também detectam apenas o fentanil e alguns análogos, sem produzir resultado quantitativo (Grace Rose e colaboradores, 2023).

Na prática dos serviços, as fitas foram aceitas por quem as usou. Em um estudo com 93 participantes, 37 a cada 100 já tinham tido uma overdose, e 86 deles, ou 92 a cada 100, disseram querer saber se a droga tinha fentanil (Krieger e colaboradores, 2018). Depois do treino, todos se sentiram confiantes para usar a fita, e a maioria preferiu testar a droga a testar a urina (Krieger e colaboradores, 2018).

Almofariz de porcelana branca, pequeno, sobre fundo claro
Almofariz de porcelana. Em várias técnicas, a amostra precisa ser triturada ou dissolvida antes da leitura, e uma pequena quantidade da droga é consumida no teste. Crédito: Autor desconhecido, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Métodos de laboratório mostram uma imagem mais completa do mercado. Em um piloto de dois dias com espectrometria de massas por paper spray, 113 amostras foram analisadas, e 88 delas continham a substância esperada, o que dá 78 a cada 100 (Borden e colaboradores, 2022). O fentanil apareceu em 50 amostras, 44 a cada 100, e o 4-ANPP, um precursor da síntese, esteve presente em 74 a cada 100 das amostras com fentanil (Borden e colaboradores, 2022).

A espectrometria também quantifica. Usuários entrevistados em um estudo preferiram resultados quantitativos, que informam quanto de cada substância existe na amostra (Grace Rose e colaboradores, 2023). O mesmo estudo descreveu as barreiras do método: tempo de espera e a destruição de parte da amostra no teste (Grace Rose e colaboradores, 2023).

O monitoramento contínuo permite ver tendências. Em Toronto, a análise por cromatografia gasosa e espectrometria de massas de alta resolução identificou a chegada da xilazina ao mercado local de opioides (Bowles e colaboradores, 2021). Esse tipo de dado ajuda serviços de saúde a avisar a comunidade e a ajustar protocolos de atendimento.

Como as pessoas reagem e o que as afasta

A pergunta central é se o resultado muda o que a pessoa faz. Na revisão com 90 estudos, os serviços influenciaram as intenções de uso, sobretudo quando o resultado era inesperado (Maghsoudi e colaboradores, 2022).

A procura, por outro lado, ainda era pequena em relação ao movimento do serviço: em Insite, a checagem foi feita em cerca de 1 a cada 100 visitas no período estudado (Karamouzian e colaboradores, 2018). Isso sugere que oferecer o teste é diferente de vê-lo incorporado à rotina de quem usa.

Em Insite, entre as pessoas com teste positivo antes do uso, 36,3 a cada 100 planejavam reduzir a dose e 11,4 a cada 100 planejavam descartar a droga (Karamouzian e colaboradores, 2018). Um resultado positivo antes do uso se associou a mais chance de reduzir a dose, com razão de chances de 9,36, sem associação com o descarte (Karamouzian e colaboradores, 2018).

Em adultos jovens de Rhode Island, 93 participantes receberam fitas, 81 voltaram para a segunda entrevista e 62 tinham usado pelo menos uma fita (Goldman e colaboradores, 2019). As mudanças relatadas incluíram descartar a droga, usar acompanhado e manter a naloxona por perto, e alguns participantes passaram fitas a amigos (Goldman e colaboradores, 2019).

Na segunda fase desse estudo, os participantes foram treinados para testar a amostra ou o resíduo da droga antes do consumo, em vez da urina depois do uso (Goldman e colaboradores, 2019). Para o serviço de saúde, essa mudança importa, porque o teste antes do uso é o que permite decidir sobre a dose.

Em um festival australiano, 642 pessoas responderam a um questionário, e 73,4 a cada 100 relataram uso de drogas (Day e colaboradores, 2018). Entre os participantes, 54,4 a cada 100 disseram ser muito provável e 32,7 a cada 100 disseram ser um tanto provável usar um serviço de checagem (Day e colaboradores, 2018). Eles evitariam drogas que contivessem metanfetamina (65,1 a cada 100), cetamina (57,5 a cada 100) ou PMA (58,4 a cada 100), segundo o mesmo estudo (Day e colaboradores, 2018).

Esses dados lembram a conversa clínica sobre tomada de decisão: o exame tem valor quando o resultado pode mudar a conduta, e a conduta depende da pessoa entender o que o resultado significa.

Seis tubos de ensaio de vidro em um suporte branco, dois deles com tampa roxa e amostra escura
Tubos de ensaio em um suporte. Duas amostras de aparência parecida podem ter composições muito diferentes, e o resultado da análise é o que orienta a decisão. Crédito: Abdsomod, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Entrevistas com 27 pessoas apontaram a criminalização, o estigma e o trauma como as principais barreiras, e mostraram que confidencialidade e anonimato são essenciais (Wallace e colaboradores, 2020). Profissionais também descreveram a confiança e o medo da polícia como pontos decisivos para a adesão (Ondocsin e colaboradores, 2023). Para esses profissionais, a relação de confiança entre cliente e equipe, mais do que a integração formal com outros serviços, foi o principal caminho para levar a pessoa a tratamento e a outros cuidados (Ondocsin e colaboradores, 2023). Os autores de um estudo sobre instrumentos resumem a questão de outro jeito: os benefícios de usar o serviço precisam superar os riscos de procurá-lo (Gozdzialski e colaboradores, 2023).

As fitas entregues para uso em casa reduzem o contato com instituições, o que pode aliviar a desconfiança em relação às autoridades, segundo os profissionais entrevistados (Ondocsin e colaboradores, 2023). Em contrapartida, a pessoa perde a conversa com a equipe, que é justamente o momento em que surgem orientação, naloxona e encaminhamento.

Há ainda uma preocupação levantada pelos próprios usuários. No festival australiano, 68,6 a cada 100 participantes temiam que vendedores usassem o serviço como controle de qualidade (Day e colaboradores, 2018). Em outro estudo com 27 entrevistas, o controle de qualidade do mercado apareceu como uma das necessidades compartilhadas por pessoas que usam drogas, ao lado de saúde, ambientes mais saudáveis e políticas públicas (Wallace e colaboradores, 2021). Na leitura dos autores, a checagem atende a uma necessidade compartilhada pela comunidade de pessoas que usam drogas, e o serviço deixa de ser visto só como um teste individual (Wallace e colaboradores, 2021). Para o desenho do serviço, isso significa ouvir quem usa antes de decidir onde instalar o ponto, que horários oferecer e como devolver o resultado.

O que o clínico pode levar para o consultório

A checagem de drogas acontece, em geral, fora do hospital. Mesmo assim, os dados que ela produz e a lógica que ela usa têm valor para quem atende.

Alguns pontos práticos aparecem nos estudos:

Essa postura se encaixa no que discutimos em redução de danos e raciocínio clínico além do tudo ou nada. Também ajuda a pensar a incerteza diagnóstica, porque a história de uso raramente descreve com precisão o que o paciente realmente recebeu.

Para quem atende em equipe, a checagem mostra o valor do trabalho entre áreas: técnicos de laboratório, trabalhadores de redução de danos e clínicos dividem a interpretação do mesmo resultado, como acontece no raciocínio clínico interprofissional. Revisar casos de intoxicação em sessões de morbimortalidade com os dados do mercado local também pode mostrar padrões que passariam despercebidos.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar com diagnóstico diferencial e pistas e saber encontrar o código certo na CID-10 completam esse treino.

Perguntas frequentes

O que é checagem de drogas?

É um serviço que analisa amostras de substâncias trazidas pelos próprios usuários e devolve o resultado com orientação de redução de danos (Maghsoudi e colaboradores, 2022).

Fitas de fentanil são confiáveis?

Elas detectam o fentanil acima de um limite de cerca de 0,150 micrograma por mililitro, com leitura mais difícil perto desse valor (Gozdzialski e colaboradores, 2023), e podem dar falso positivo com metanfetamina, MDMA e difenidramina em concentrações altas (Lockwood e colaboradores, 2021).

O resultado muda o comportamento das pessoas?

Os serviços influenciaram as intenções de uso, sobretudo diante de resultados inesperados (Maghsoudi e colaboradores, 2022), e em Insite um resultado positivo antes do uso se associou a mais chance de reduzir a dose (Karamouzian e colaboradores, 2018).

Qual é o método mais preciso?

A espectrometria de massas é o padrão de referência forense (Harper e colaboradores, 2017), e ela exige especialista, espaço e mais tempo de espera (Grace Rose e colaboradores, 2023).

A naloxona resolve qualquer overdose por drogas adulteradas?

A naloxona reverte o efeito dos opioides, e adulterantes como a xilazina ficam fora do alcance dela (Bowles e colaboradores, 2021), assim como intoxicações com etizolam podem responder só em parte (Borden e colaboradores, 2022), e por isso, a checagem ajuda a antecipar esse risco.

O que afasta as pessoas do serviço?

Criminalização, estigma e trauma foram as principais barreiras relatadas, e confidencialidade e anonimato aparecem como essenciais (Wallace e colaboradores, 2020).

Take-home messages

  • A checagem de drogas analisa a amostra antes do uso e devolve o resultado com orientação.
  • Fitas são simples e aceitas, com limite de detecção e falsos positivos conhecidos.
  • A espectrometria de massas mostra adulterantes inesperados, como xilazina e etizolam.
  • Resultados inesperados se associam a intenção de reduzir a dose ou descartar a droga.
  • Medo da polícia, estigma e espera são barreiras centrais.
  • Para o clínico, a história de uso é uma hipótese, e o mercado local muda o diferencial.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Borden SA, Saatchi A, Vandergrift GW, et al. A new quantitative drug checking technology for harm reduction: Pilot study in Vancouver, Canada using paper spray mass spectrometry. Drug Alcohol Rev. 2022. PMID 34347332.
  2. Bowles JM, McDonald K, Maghsoudi N, et al. Xylazine detected in unregulated opioids and drug administration equipment in Toronto, Canada: clinical and social implications. Harm Reduct J. 2021. PMID 34645480.
  3. Day N, Criss J, Griffiths B, et al. Music festival attendees' illicit drug use, knowledge and practices regarding drug content and purity: a cross-sectional survey. Harm Reduct J. 2018. PMID 29304871.
  4. Goldman JE, Waye KM, Periera KA, et al. Perspectives on rapid fentanyl test strips as a harm reduction practice among young adults who use drugs: a qualitative study. Harm Reduct J. 2019. PMID 30621699.
  5. Gozdzialski L, Wallace B, Hore D. Point-of-care community drug checking technologies: an insider look at the scientific principles and practical considerations. Harm Reduct J. 2023. PMID 36966319.
  6. Grace Rose C, Kulbokas V, Carkovic E, et al. Contextual factors affecting the implementation of drug checking for harm reduction: a scoping literature review from a North American perspective. Harm Reduct J. 2023. PMID 37667312.
  7. Harper L, Powell J, Pijl EM. An overview of forensic drug testing methods and their suitability for harm reduction point-of-care services. Harm Reduct J. 2017. PMID 28760153.
  8. Karamouzian M, Dohoo C, Forsting S, et al. Evaluation of a fentanyl drug checking service for clients of a supervised injection facility, Vancouver, Canada. Harm Reduct J. 2018. PMID 30200991.
  9. Krieger MS, Yedinak JL, Buxton JA, et al. High willingness to use rapid fentanyl test strips among young adults who use drugs. Harm Reduct J. 2018. PMID 29422052.
  10. Lockwood TE, Vervoordt A, Lieberman M. High concentrations of illicit stimulants and cutting agents cause false positives on fentanyl test strips. Harm Reduct J. 2021. PMID 33750405.
  11. Maghsoudi N, Tanguay J, Scarfone K, et al. Drug checking services for people who use drugs: a systematic review. Addiction. 2022. PMID 34729849.
  12. Masterton W, Falzon D, Burton G, et al. A Realist Review of How Community-Based Drug Checking Services Could Be Designed and Implemented to Promote Engagement of People Who Use Drugs. Int J Environ Res Public Health. 2022. PMID 36231262.
  13. Ondocsin J, Ciccarone D, Moran L, et al. Insights from Drug Checking Programs: Practicing Bootstrap Public Health Whilst Tailoring to Local Drug User Needs. Int J Environ Res Public Health. 2023. PMID 37297603.
  14. Wallace B, van Roode T, Pagan F, et al. The potential impacts of community drug checking within the overdose crisis: qualitative study exploring the perspective of prospective service users. BMC Public Health. 2021. PMID 34134698.
  15. Wallace B, van Roode T, Pagan F, et al. What is needed for implementing drug checking services in the context of the overdose crisis? A qualitative study to explore perspectives of potential service users. Harm Reduct J. 2020. PMID 32398090.

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