Cetamina recreativa: cistite, uropatia e dor abdominal

Sumário
- Quem usa cetamina e quanto usa
- A cistite da cetamina
- Quando o dano sobe para ureteres e rins
- Dor abdominal: K-cramps e vias biliares
- O que ajuda: parar, tratar a bexiga, operar
- Estudos em resumo
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Milestone inventory
- Referências
Num atendimento fictício, uma mulher de 24 anos procura a unidade de saúde pela quarta vez em seis meses. Ela urina a cada meia hora, acorda várias vezes à noite e sente dor no pé da barriga quando a bexiga enche. As culturas de urina vieram negativas, e os antibióticos não mudaram nada. Só na quarta consulta alguém pergunta, sem julgamento, o que ela usa nos fins de semana. A resposta é cetamina, cheirada, quase todos os dias há três anos.
A cena junta o que as séries clínicas descrevem há mais de uma década: o uso repetido de cetamina pode lesar a bexiga, chegar aos ureteres e aos rins, e causar crises de dor abdominal que levam a pessoa ao pronto-socorro sem que a causa apareça nos exames. Este texto percorre o tamanho do uso, a cistite, o trato urinário alto, a dor abdominal e as vias biliares, e o que as fontes dizem sobre o tratamento. A linguagem segue o post sobre estigma e rótulos na conduta clínica: aqui se fala em pessoa que usa cetamina.
Principais pontos
- Em Taiwan, 89 de 106 pessoas que usavam cetamina tinham sintomas urinários, que começaram em média dois anos depois do início do uso, e os escores pioraram com o tempo de uso (Li et al., 2019).
- Em Hong Kong, 96 de 572 pacientes com uropatia associada à cetamina tinham hidronefrose, associada à idade, à capacidade menor da bexiga, à creatinina alta e às enzimas hepáticas alteradas (Yee et al., 2017).
- Num inquérito com 274 pessoas com transtorno por uso de cetamina autoidentificado, problemas de bexiga e as cólicas chamadas K-cramps estiveram entre os sintomas físicos mais citados, e a maioria não buscou tratamento (Harding et al., 2025).
- Numa revisão de relatos, 17 pessoas que usavam cetamina tiveram doença das vias biliares, com dor abdominal, náusea e dilatação do colédoco, e a maioria teve alta com melhora (Teymouri et al., 2024).
- Parar o uso é a base do tratamento da cistite, e os sintomas tendem a voltar quando o uso recomeça (Jhang et al., 2023).
- Quem usa cetamina e quanto usa
- A cistite da cetamina
- Quando o dano sobe para ureteres e rins
- Dor abdominal: K-cramps e vias biliares
- O que ajuda: parar, tratar a bexiga, operar
- Estudos em resumo
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Milestone inventory
Quem usa cetamina e quanto usa
A cetamina é um anestésico dissociativo de uso hospitalar há décadas. Fora do hospital, circula como pó branco cheirado ou fumado, muitas vezes ao lado de outras substâncias. O post sobre festivais e eventos de massa mostra onde parte desse uso acontece, e o de chemsex traz as perguntas que abrem a conversa na consulta.
Um retrato em escala global
O Global Drug Survey de 2018 recebeu 130.761 respostas válidas entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, a maioria da Alemanha, da Inglaterra e da Dinamarca (Barrios et al., 2025). A unidade de análise foi o respondente. Ao todo, 7.759 pessoas (5,93 por cento) relataram ter usado cetamina na vida, e 4.477 delas (57,70 por cento) no último ano (Barrios et al., 2025).
Entre quem usou no último ano, 8,55 por cento preenchiam o critério de dependência da escala usada no inquérito (Barrios et al., 2025). Os 4.477 respondentes relataram 120 eventos adversos, e a busca por atendimento de emergência foi rara em relação ao número de vezes que a droga foi usada (Barrios et al., 2025). O inquérito é online e de adesão voluntária, e quem responde não representa a população geral.
Quem já tem um problema com o uso
Um inquérito online de métodos mistos reuniu 274 pessoas que se identificavam com transtorno por uso de cetamina, do Reino Unido, dos Estados Unidos, do Canadá, de países da Europa e da Austrália (Harding et al., 2025). A unidade de análise foi o participante, e 40 por cento buscavam tratamento (Harding et al., 2025). Em média, os participantes relataram 2,0 g de cetamina por dia (Harding et al., 2025).
Os sintomas físicos mais citados foram problemas de bexiga (60 por cento), problemas no nariz (60 por cento) e K-cramps (56 por cento) (Harding et al., 2025). Diante desses sintomas, 56 por cento não procuraram tratamento (Harding et al., 2025). Fissura (71 por cento), humor baixo (62 por cento) e ansiedade (59 por cento) apareceram como sintomas de abstinência (Harding et al., 2025).

Taipei: um programa obrigatório
Em Taipei, 1.614 pessoas encaminhadas pela justiça a um programa obrigatório por porte ou uso de cetamina responderam a um questionário; 83,8 por cento eram homens (Chen et al., 2014). A unidade de análise foi a pessoa. Sintomas urinários foram relatados por 51,6 por cento e queixas cognitivas por 76 por cento, e 72,4 por cento fumavam tabaco ao mesmo tempo (Chen et al., 2014).
As mulheres tiveram mais chance de relatar sintomas urinários graves do que os homens, com razão de chances ajustada de 2,719 (IC 95 por cento de 1,501 a 4,928) (Chen et al., 2014). Para os sintomas leves, a comparação entre os sexos foi inconclusiva, com razão de chances de 0,915 (IC 95 por cento de 0,656 a 1,276) (Chen et al., 2014). Menos de 10 por cento dos participantes disseram querer ser encaminhados para tratamento (Chen et al., 2014).
A cistite da cetamina
O quadro clássico é o de uma bexiga irritada que vai encolhendo: urgência, frequência, noctúria, dor ao encher, às vezes sangue na urina. A revisão de Jhang descreve a cistite ulcerativa ligada à cetamina e aos seus metabólitos, que pode evoluir para fibrose da bexiga (Jhang et al., 2023).
O tempo de uso pesa
Em Taiwan, 106 pessoas (95 homens e 11 mulheres) atendidas em dois centros privados de reabilitação responderam a questionários de sintomas; a unidade de análise foi a pessoa (Li et al., 2019). O tempo médio de uso foi de 75,45 meses, e 89 pessoas (84 por cento) desenvolveram sintomas urinários depois de 24,67 meses de uso em média (Li et al., 2019).
Os escores de bexiga hiperativa, de sintomas prostáticos e de cistite intersticial subiram junto com o tempo de uso (Li et al., 2019). Quem cheirava a cetamina teve sintomas mais graves do que quem fumava, embora o grupo que cheirava também usasse havia mais tempo, o que dificulta separar os dois efeitos (Li et al., 2019).
Como hipótese nossa, sem estudo nas fontes lidas que separe os dois fatores, a via nasal e o tempo de uso podem somar efeitos sobre a bexiga; o desenho transversal de Li não permite dizer qual pesa mais.
Homens abordados na rua
Outro estudo de Taiwan reuniu 1.056 homens: 993 abordados na rua pela polícia e 63 atendidos em hospital (Yang et al., 2018). A unidade de análise foi a pessoa. Os fatores de risco para sintomas urinários significativos foram idade de 30 anos ou mais, uso por 24 meses ou mais e uso de outras drogas ilícitas (Yang et al., 2018).
A disfunção erétil apareceu em 30,8 por cento dos homens (Yang et al., 2018). No subgrupo da rua, a abstinência de três meses ou mais se associou a menos disfunção erétil (Yang et al., 2018). A amostra de rua pesa muito no total e foi recrutada por uma via que pode afastar quem tem sintomas mais leves ou mais graves.
Quando há infecção de verdade
Os sintomas imitam os de uma infecção urinária, e o post sobre infecção urinária complicada ajuda a lembrar quando a cultura muda a conduta. Em Fujian, na China, três instituições acompanharam 81 pessoas com sintomas urinários ligados à cetamina; a unidade de análise foi a pessoa (Liu et al., 2019).
A infecção foi confirmada em 8 pessoas (9,88 por cento) e considerada suspeita em 16 (19,75 por cento) (Liu et al., 2019). Ter culturas de urina repetidas com frequência e um escore alto de sintomas de esvaziamento se associaram à infecção (Liu et al., 2019). Os autores apontam a amostra pequena como limite (Liu et al., 2019).
Quando o dano sobe para ureteres e rins
A bexiga não é o fim da história. A revisão de Jhang descreve que, com o uso continuado, podem surgir hidronefrose, estenose de ureter, refluxo vesicoureteral e insuficiência renal (Jhang et al., 2023). O post sobre a KDIGO 2026 na lesão renal aguda traz a leitura da creatinina que entra nessa conta.
Hong Kong: quem tem hidronefrose
No Prince of Wales Hospital, em Hong Kong, 572 pacientes com uropatia associada à cetamina foram atendidos entre dezembro de 2011 e outubro de 2015; a unidade de análise foi o paciente (Yee et al., 2017). Na primeira consulta, 207 (36,2 por cento) já tinham parado o uso, e 96 tinham hidronefrose (Yee et al., 2017).
Na análise multivariada, cada ano de idade se associou a mais chance de hidronefrose, com razão de chances ajustada de 1,090 (IC 95 por cento de 1,020 a 1,166) (Yee et al., 2017). A capacidade funcional maior da bexiga se associou a menos chance, com razão de chances de 0,997 por mililitro (IC 95 por cento de 0,995 a 0,999) (Yee et al., 2017).
Creatinina acima de 100 micromol por litro teve razão de chances de 3,107 (IC 95 por cento de 1,238 a 7,794), e enzimas hepáticas alteradas, de 1,967 (IC 95 por cento de 1,213 a 3,187) (Yee et al., 2017). Todos esses intervalos excluem o valor nulo. O estudo é de um único centro. Como hipótese nossa, que o estudo não testa, a associação com as enzimas hepáticas pode indicar que o dano urinário e o biliar andam juntos.

Cheshire e Merseyside: o que o serviço encontra
No noroeste da Inglaterra, uma revisão retrospectiva reuniu 65 pacientes atendidos nos hospitais de Whiston e de St Helens entre fevereiro e agosto de 2024, ao lado de um inquérito com 107 profissionais da atenção primária e da secundária (Shkoukani et al., 2025). As unidades de análise foram o paciente e o profissional. A mediana de idade dos pacientes foi de 22 anos, 39 eram homens e 26 mulheres, e a via nasal apareceu em 60 deles (92,3 por cento) (Shkoukani et al., 2025).
Os exames de imagem mostraram hidronefrose bilateral em 9 pacientes (13,8 por cento), espessamento da parede da bexiga em 17 (26,2 por cento) e capacidade reduzida em 12 (18,5 por cento) (Shkoukani et al., 2025). Foram feitas biópsias da bexiga em 31 pacientes (47,7 por cento), todas com inflamação crônica, e a cistoscopia flexível não foi tolerada por 12 (Shkoukani et al., 2025).
Dor abdominal foi relatada por 20 pacientes (30,7 por cento), e 30 (46,2 por cento) usavam ou tinham usado outras substâncias (Shkoukani et al., 2025). A falta às consultas chegou a 41,5 por cento, e parte dos profissionais respondeu que a polícia deveria participar do manejo (Shkoukani et al., 2025).
Como hipótese nossa, que o estudo não testa, a falta às consultas e a ideia de envolver a polícia podem estar ligadas: quem espera julgamento tende a não voltar.
O que a tomografia mostra
Um relato de 2026 descreve uma mulher de 28 anos com dor no flanco e incontinência urinária antiga, que só depois do exame contou cinco anos de uso de cetamina (Yapa e Khan, 2026). A unidade é o paciente único. A tomografia sem contraste mostrou bexiga pequena com parede espessa, espessamento dos ureteres e dilatação do trato urinário alto (Yapa e Khan, 2026).
Os autores lembram que esses achados podem aparecer em outras doenças e que a história de uso muitas vezes falta no pedido do exame (Yapa e Khan, 2026). A pergunta sobre o uso, feita por quem pede e por quem lê a imagem, encurta o caminho.
Dor abdominal: K-cramps e vias biliares
A dor abdominal da pessoa que usa cetamina tem pelo menos duas origens descritas nas fontes lidas: as crises de cólica que os próprios usuários chamam de K-cramps e a doença das vias biliares. As duas podem levar a idas repetidas ao pronto-socorro, como acontece na hiperêmese da cannabis.
Um relato de K-cramps
Nos Estados Unidos, um homem de 31 anos com três anos de uso inalado, intramuscular e intravenoso de cetamina procurou o pronto-socorro duas vezes em uma semana com dor nas costas, dor abdominal e outros sintomas (Avra et al., 2024). A unidade é o paciente único. A investigação no hospital não encontrou causa, e ele recebeu alta com orientação de seguimento (Avra et al., 2024).
Foi o próprio paciente quem ligou a dor à cetamina, depois de ler relatos num fórum online (Avra et al., 2024). Quando parou o uso, a dor melhorou em 24 horas, e ele mesmo procurou tratamento para a dependência (Avra et al., 2024). Os autores pedem que a cetamina entre no diagnóstico diferencial da dor abdominal em quem usa a droga (Avra et al., 2024).
A doença das vias biliares
Uma revisão sistemática de relatos reuniu 11 estudos com 17 pacientes, publicados no Reino Unido, na China, em Hong Kong e nos Estados Unidos; a unidade de análise foi o paciente (Teymouri et al., 2024). A idade média foi de 25,88 anos, e 64,7 por cento eram homens (Teymouri et al., 2024).
Os sintomas mais comuns foram dor abdominal, náusea e vômitos, e a dilatação do colédoco foi um achado frequente (Teymouri et al., 2024). Nove pacientes fizeram colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, e a maioria dos pacientes teve alta com melhora dos sintomas e das provas hepáticas (Teymouri et al., 2024). Relatos publicados tendem a ser os de evolução marcante, e a frequência real da doença biliar fica desconhecida.

O sinal também aparece no uso médico
A FDA revisou notificações de eventos adversos e a literatura sobre o uso médico repetido ou contínuo de cetamina, excluindo o uso fora do contexto médico (Cotter et al., 2021). A unidade foi o relato: 14 relatos únicos, com 21 eventos hepatobiliares, quase sempre em dor regional complexa ou dor crônica (Cotter et al., 2021).
Nos relatos com data, a maioria dos eventos surgiu em até quatro dias, e as enzimas hepáticas estavam elevadas em todos (Cotter et al., 2021). No mesmo período, a venda de frascos de cetamina nos Estados Unidos subiu de 1,2 milhão em 2013 para 2,1 milhões em 2017 (Cotter et al., 2021). Notificações espontâneas mostram um sinal, sem dar a frequência do evento.
O que ajuda: parar, tratar a bexiga, operar
Parar o uso vem primeiro
A revisão de Jhang coloca a interrupção da cetamina como base do tratamento dos sintomas urinários, e descreve que eles costumam voltar quando o uso recomeça (Jhang et al., 2023). Em Hong Kong, mais de um terço dos pacientes já tinha parado antes da primeira consulta (Yee et al., 2017), o que mostra que parar é possível e que a consulta pode chegar depois da decisão.
O tratamento da dependência entra nessa conta. No inquérito de Harding, 71 por cento relataram fissura como sintoma de abstinência (Harding et al., 2025). A lógica do post sobre redução de danos vale aqui: cada redução no uso conta, e a conversa continua mesmo quando a pessoa não para de uma vez.
Tratar a bexiga
Em Taiwan, a hidrodistensão, a instilação de ácido hialurônico, a injeção de toxina botulínica na bexiga e a oxigenoterapia hiperbárica tiveram efeito melhor do que o tratamento oral, segundo o relato das próprias pessoas (Li et al., 2019). A comparação é observacional e depende da lembrança dos participantes.
A revisão de Jhang descreve benefício de curto prazo com o ácido hialurônico e efeito mais duradouro com a toxina botulínica combinada ao ácido hialurônico (Jhang et al., 2023). Na cistite grave, a mesma revisão diz que só a ampliação vesical com segmento de intestino alivia a dor e recupera a função (Jhang et al., 2023).
Quando a cirurgia entra
Uma revisão narrativa de 23 artigos reuniu 875 pacientes com uropatia, dos quais 193 (22 por cento) fizeram cirurgia reconstrutiva; a unidade foi o paciente (Vizgan et al., 2023). A ampliação vesical foi a cirurgia mais comum, e a diferença no tempo de uso entre quem precisou de cirurgia e quem não precisou foi de cerca de um ano (Vizgan et al., 2023). Os dados de tempo de uso existiam só para uma parte dos pacientes.
E a cetamina usada como remédio?
A cetamina e a escetamina ganharam espaço no tratamento da depressão. Uma revisão sistemática de 27 estudos sobre o uso terapêutico em transtornos psiquiátricos encontrou sintomas urinários em 0 a 24,5 por cento dos pacientes, em geral leves ou moderados (Kerr-Gaffney et al., 2025). A unidade de análise foi o estudo.
Só 15 por cento dos estudos tiveram baixo risco de viés, e a maioria não acompanhou o uso por longo prazo (Kerr-Gaffney et al., 2025). As taxas baixas relatadas no uso terapêutico são, portanto, uma resposta incompleta, e o seguimento de longo prazo segue em aberto.
Um roteiro para a consulta
Como síntese nossa, a partir das fontes lidas, cinco perguntas ajudam diante de sintomas urinários sem infecção confirmada ou de dor abdominal repetida sem causa:
- Usa cetamina, por qual via e há quanto tempo, perguntado sem julgamento.
- Os sintomas pioram com o uso e melhoram quando a pessoa para.
- Há dor no flanco, creatinina alta ou imagem com bexiga pequena e parede espessa.
- Há dor abdominal com náusea, vômitos ou provas hepáticas alteradas.
- O que a pessoa quer agora: parar, diminuir ou tratar primeiro o sintoma.
O post sobre checagem de drogas lembra que o pó vendido como cetamina pode conter outras substâncias, e o de uso de substâncias no USMLE mostra como o tema aparece nas provas.
Estudos em resumo
| Estudo | Desenho, amostra e unidade | Achado principal |
|---|---|---|
| Li 2019 | Transversal, Taiwan, 106 pessoas; unidade pessoa | Sintomas urinários em 84 por cento (Li et al., 2019) |
| Yang 2018 | Transversal, Taiwan, 1.056 homens; unidade pessoa | Disfunção erétil em 30,8 por cento (Yang et al., 2018) |
| Chen 2014 | Transversal, Taipei, 1.614 pessoas; unidade pessoa | Sintoma urinário leve por sexo: inconclusivo (Chen et al., 2014) |
| Liu 2019 | Transversal, Fujian, 81 pessoas; unidade pessoa | Infecção confirmada em 9,88 por cento (Liu et al., 2019) |
| Yee 2017 | Coorte de centro único, Hong Kong, 572 pacientes; unidade paciente | Creatinina alta: OR 3,107 (Yee et al., 2017) |
| Shkoukani 2025 | Revisão de prontuários, 65 pacientes, e inquérito, 107 profissionais | Falta às consultas em 41,5 por cento (Shkoukani et al., 2025) |
| Yapa 2026 | Relato de tomografia; unidade paciente | Bexiga pequena de parede espessa (Yapa e Khan, 2026) |
| Barrios 2025 | Inquérito online, 130.761 respostas; unidade respondente | Dependência em 8,55 por cento de quem usou no ano (Barrios et al., 2025) |
| Harding 2025 | Inquérito de métodos mistos, 274 pessoas; unidade participante | Bexiga em 60 por cento, K-cramps em 56 por cento (Harding et al., 2025) |
| Avra 2024 | Relato de K-cramps; unidade paciente | Melhora em 24 horas depois de parar (Avra et al., 2024) |
| Teymouri 2024 | Revisão de relatos, 11 estudos, 17 pacientes; unidade paciente | Dilatação do colédoco frequente (Teymouri et al., 2024) |
| Cotter 2021 | Notificações e literatura, uso médico; unidade relato | 21 eventos hepatobiliares em 14 relatos (Cotter et al., 2021) |
| Kerr-Gaffney 2025 | Revisão sistemática, 27 estudos; unidade estudo | Sintomas urinários em 0 a 24,5 por cento (Kerr-Gaffney et al., 2025) |
| Vizgan 2023 | Revisão narrativa, 23 artigos, 875 pacientes; unidade paciente | Cirurgia em 22 por cento (Vizgan et al., 2023) |
| Jhang 2023 | Revisão de fisiopatologia e manejo | Parar o uso é a base do tratamento (Jhang et al., 2023) |
Fontes: Li et al., 2019; Yang et al., 2018; Chen et al., 2014; Liu et al., 2019; Yee et al., 2017; Shkoukani et al., 2025; Yapa e Khan, 2026; Barrios et al., 2025; Harding et al., 2025; Avra et al., 2024; Teymouri et al., 2024; Cotter et al., 2021; Kerr-Gaffney et al., 2025; Vizgan et al., 2023; Jhang et al., 2023.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. Uma pista pode trazer "mulher jovem com urgência urinária e culturas negativas"; outra, "cheira um pó branco quase todos os dias há três anos". O retorno de proximidade em cinco níveis ajuda a separar cistite da cetamina, infecção urinária, cistite intersticial e causas obstrutivas, sem transformar o treino em protocolo. O exercício útil é perguntar, a cada pista, o que a história de uso acrescenta ao quadro.
Perguntas frequentes
Quanto tempo de uso leva até os sintomas urinários?
Em Taiwan, os sintomas urinários começaram em média depois de 24,67 meses de uso de cetamina (Li et al., 2019). Em outro estudo do mesmo país, uso por 24 meses ou mais foi fator de risco para sintomas urinários significativos (Yang et al., 2018).
Cheirar é pior do que fumar?
Em Taiwan, quem cheirava a cetamina teve escores de sintomas urinários mais graves do que quem fumava (Li et al., 2019). O mesmo estudo mostra que o grupo que cheirava usava havia mais tempo, de 91,85 contra 56,03 meses (Li et al., 2019).
A cetamina pode afetar os rins?
Em Hong Kong, 96 de 572 pacientes com uropatia associada à cetamina tinham hidronefrose (Yee et al., 2017). A revisão de Jhang descreve que o uso continuado pode levar a hidronefrose e insuficiência renal (Jhang et al., 2023).
O que são as K-cramps?
São crises de dor abdominal descritas por pessoas que usam cetamina; no inquérito de Harding, 56 por cento dos participantes relataram K-cramps (Harding et al., 2025). No relato de Avra, a dor melhorou em 24 horas depois que o paciente parou o uso (Avra et al., 2024).
Os sintomas melhoram quando a pessoa para?
A revisão de Jhang coloca a interrupção do uso como base do tratamento e descreve que os sintomas urinários costumam voltar quando o uso recomeça (Jhang et al., 2023). Na cistite grave, a mesma revisão diz que só a ampliação vesical alivia a dor (Jhang et al., 2023).
Take-home messages
- Em Taiwan, 84 por cento das pessoas que usavam cetamina, atendidas em centros de reabilitação, tinham sintomas urinários, que pioraram com o tempo de uso (Li et al., 2019).
- Em Hong Kong, a hidronefrose se associou à idade, à bexiga menor, à creatinina alta e às enzimas hepáticas alteradas (Yee et al., 2017).
- A dor abdominal pode vir das K-cramps ou das vias biliares, e a pergunta sobre o uso entra no diagnóstico diferencial (Avra et al., 2024; Teymouri et al., 2024).
- Parar o uso é a base do tratamento, e a cirurgia reconstrutiva fica para a doença grave (Jhang et al., 2023; Vizgan et al., 2023).
- Em Cheshire e Merseyside, a falta às consultas foi alta, e parte dos profissionais via a polícia como parte do manejo (Shkoukani et al., 2025).
Milestone inventory
- 2014: em Taipei, 1.614 pessoas encaminhadas a um programa obrigatório relatam sintomas urinários e queixas cognitivas frequentes (Chen et al., 2014).
- 2017: a coorte de Hong Kong, com 572 pacientes atendidos de 2011 a 2015, descreve quem tem hidronefrose (Yee et al., 2017).
- 2021: a FDA descreve eventos hepatobiliares no uso médico repetido ou contínuo da cetamina (Cotter et al., 2021).
- 2024: a revisão de relatos reúne 17 pacientes com doença das vias biliares, e um relato de caso de K-cramps é publicado (Teymouri et al., 2024; Avra et al., 2024).
- 2025: o inquérito com 274 pessoas com transtorno por uso de cetamina e a revisão do uso terapêutico ampliam o retrato do dano (Harding et al., 2025; Kerr-Gaffney et al., 2025).
Referências
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