Saúde digital e IARaciocínio clínico

Verificadores de sintomas: o que acertam e onde erram

Parte superior de um smartphone com a tela colorida acesa, sobre uma mesa de madeira
Sumário
  1. O que é um verificador de sintomas
  2. O estudo de referência de 2015
  3. O que as revisões encontraram
  4. Pacientes de carne e osso, e não vinhetas
  5. O que pacientes fazem com a resposta
  6. Os limites dos próprios estudos
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Take-home messages
  10. Referências

Uma estudante de 22 anos acorda com dor na barriga que começou perto do umbigo e agora parece mais para a direita. Antes de decidir se vai à emergência, abre um aplicativo no celular, responde a uma série de perguntas e recebe uma lista de possíveis causas e um conselho de urgência. O aplicativo sugere procurar atendimento no mesmo dia. Ela hesita, porque a dor melhorou um pouco depois de um analgésico. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

Este texto trata dos verificadores de sintomas, ferramentas digitais que ajudam leigos a avaliar a urgência e as possíveis causas das próprias queixas. A proposta é olhar para o que os estudos mostram sobre o acerto do diagnóstico e da triagem, sobre o uso por pacientes de verdade e sobre os limites dos próprios estudos. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: as pistas chegam aos poucos, e a ordem das hipóteses muda conforme elas chegam.

Principais pontos

  • Em 2015, 23 verificadores listaram o diagnóstico certo em primeiro lugar em cerca de um terço das avaliações.
  • Cinco anos depois, a triagem média dos aplicativos não tinha melhorado e eles ficaram menos cautelosos.
  • O acerto da triagem costuma ser maior do que o acerto do diagnóstico.
  • Em 2020, os aplicativos ficaram abaixo dos leigos em pelo menos uma das duas decisões de triagem testadas.
  • Pacientes de emergência conseguiram usar um verificador e acharam a ferramenta útil.
  • Estudos com vinhetas podem superestimar o desempenho, porque os aplicativos tendem a resolver os casos mais fáceis.

O que é um verificador de sintomas

Verificadores de sintomas são ferramentas digitais que ajudam leigos a avaliar se e onde procurar atendimento, e para quais diagnósticos, a partir dos sintomas e da história que o próprio usuário informa (Schmieding e colaboradores, 2022). Muitos usam um formato de conversa, como um chatbot, e se propõem a dar diagnóstico rápido e triagem consistente (Morse e colaboradores, 2020).

Uma revisão sobre ética descreve as duas funções principais. A primeira informa as condições que poderiam explicar os sintomas. A segunda, a triagem, diz se é preciso procurar ajuda, onde, como no médico de família ou na emergência, e com que urgência, como dentro de alguns dias (Müller e colaboradores, 2022). Os mesmos autores lembram que os aplicativos de celular podem usar recursos do aparelho, como localização e câmera, e até se conectar a dispositivos vestíveis.

Por que esse tema importa para o raciocínio

O verificador faz, de forma automática, o que o clínico faz na primeira conversa: junta queixas, pergunta o que falta e propõe uma lista de hipóteses com uma decisão de urgência. Estudar onde ele erra ajuda a ver onde o próprio raciocínio pode errar. O texto sobre sinais, sintomas e história mostra como ouvir o relato sem perder o que importa.

Quem usa

Em um grande sistema de saúde dos Estados Unidos, foram feitas 26.646 avaliações com um verificador em formato de chatbot, a maior parte por mulheres, com idade média de 34,3 anos (Morse e colaboradores, 2020). Quase metade das avaliações, 12.357, aconteceu fora do horário comercial dos consultórios. Os autores concluíram que os usuários representavam bem a população atendida, embora fossem mais jovens e mais frequentemente mulheres, e que as recomendações de triagem foram comparáveis às de linhas telefônicas de triagem com enfermeiros.

No mesmo serviço, o conselho de triagem tomava a forma de uma entre oito sugestões possíveis, agrupadas em níveis de urgência baixa, média e alta (Morse e colaboradores, 2020). Os autores lembram que se espera desses aplicativos uma redução de visitas desnecessárias a consultórios e emergências, e citam um estudo anterior em que fazer uma avaliação na internet reduziu a urgência do atendimento que os pacientes pretendiam procurar (Morse e colaboradores, 2020). Eles também apontam que ainda se sabe pouco sobre as recomendações somadas de um verificador usado por uma população grande.

O horário de uso chama atenção. Quando quase metade das avaliações acontece fora do horário dos consultórios (Morse e colaboradores, 2020), o aplicativo ocupa justamente o espaço em que o paciente teria menos com quem conversar. É nesse momento que um conselho de urgência errado, para mais ou para menos, pesa mais.

Sensor de oxímetro de pulso em forma de pinça, para o lóbulo da orelha, sobre fundo azul
Sensor de oxímetro de pulso para o lóbulo da orelha. O verificador de sintomas trabalha só com o que a pessoa relata, sem medidas como a saturação de oxigênio. Crédito: Stefan Bellini, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O estudo de referência de 2015

O trabalho que virou referência testou 23 verificadores com 45 vinhetas clínicas, digitadas no aplicativo como se fossem pacientes (Semigran e colaboradores, 2015). O diagnóstico correto apareceu em primeiro lugar em 34 a cada 100 avaliações e entre as 20 primeiras sugestões em 58 a cada 100 (Semigran e colaboradores, 2015).

A triagem foi adequada em 80 a cada 100 vinhetas de emergência, em 55 a cada 100 vinhetas sem urgência e em 33 a cada 100 vinhetas de autocuidado (Semigran e colaboradores, 2015). O desempenho de triagem variou de 33 a 78 a cada 100 entre os aplicativos (Semigran e colaboradores, 2015), e os autores concluíram que havia deficiências tanto na triagem quanto no diagnóstico. Os aplicativos tendiam a mandar procurar atendimento mesmo quando o autocuidado bastava, e a média esconde a direção do erro. O texto sobre inteligência artificial no raciocínio clínico discute o mesmo cuidado com ferramentas mais recentes.

Cinco anos depois

Uma equipe repetiu o estudo em 2020, com 22 verificadores e as mesmas 45 vinhetas, e comparou os resultados com dados públicos sobre a triagem feita por leigos sem ajuda (Schmieding e colaboradores, 2022). Os aplicativos de 2020 estavam menos avessos ao risco do que os de 2015 e deixaram passar mais de 40 a cada 100 emergências. Poucos superaram os leigos na decisão sobre precisar de emergência ou na decisão sobre bastar o autocuidado, e nenhum superou os leigos nas duas.

Os autores concluíram que a triagem média dos verificadores não melhorou em cinco anos e piorou em dois usos: o conselho sobre quando a emergência é necessária e sobre quando nenhum atendimento é necessário no momento (Schmieding e colaboradores, 2022). O texto sobre triagem em desastre mostra como regras simples tentam equilibrar excesso e falta de urgência em outro contexto.

O que as revisões encontraram

Uma revisão sistemática reuniu 29 publicações sobre verificadores e serviços digitais de triagem (Chambers e colaboradores, 2019). A evidência sobre segurança do paciente era fraca, e o acerto diagnóstico era em geral baixo. A triagem feita por algoritmo foi mais avessa ao risco do que a feita por profissionais de saúde. Os autores também encontraram muito pouca evidência sobre se os pacientes seguiam os conselhos recebidos. Esse último ponto é central: um conselho correto só protege o paciente se for seguido, e um conselho errado só causa dano se for seguido. Medir o acerto sem medir o que o usuário faz depois deixa metade da pergunta sem resposta.

Uma revisão mais recente encontrou acerto do diagnóstico principal entre 19 e 37,9 a cada 100 avaliações e acerto da triagem entre 48,8 e 90,1 a cada 100 (Wallace e colaboradores, 2022). A triagem costumava acertar mais do que o diagnóstico. Os resultados variaram mesmo quando os dados digitados eram os mesmos, o que mostra que a forma de usar a ferramenta também pesa.

Comparação com médicos de família

Um estudo com 200 vinhetas de atenção primária comparou oito aplicativos com sete médicos de família (Gilbert e colaboradores, 2020). A cobertura, isto é, a capacidade de dar alguma resposta para a vinheta, variou de 99,0 a cada 100 vinhetas na Ada a 51,5 no Babylon (Gilbert e colaboradores, 2020). Entre as três primeiras sugestões, os médicos acertaram em média 82,1 a cada 100 vinhetas, a Ada 70,5 e o Your.MD 23,5 (Gilbert e colaboradores, 2020). No conselho de urgência seguro, os médicos chegaram em média a 97,0 a cada 100 (Gilbert e colaboradores, 2020).

Esse estudo tem uma limitação importante: a maior parte dos autores trabalhava na Ada Health, empresa de um dos aplicativos avaliados (Gilbert e colaboradores, 2020). O dado não invalida o resultado, mas pede leitura atenta. Em qualquer comparação entre produtos, vale perguntar quem fez o estudo.

Estudo Desenho Achado principal Fonte
Referência de 2015 23 aplicativos, 45 vinhetas Diagnóstico certo em primeiro lugar em 34 a cada 100 Semigran e colaboradores, 2015
Repetição em 2020 22 aplicativos, mesmas vinhetas Mais de 40 a cada 100 emergências perdidas Schmieding e colaboradores, 2022
Atenção primária 8 aplicativos e 7 médicos, 200 vinhetas Médicos acertaram mais entre as três primeiras sugestões Gilbert e colaboradores, 2020
Emergência 40 pacientes atendidos, com a Ada Sensibilidade próxima à de médicos que viram os mesmos dados Fraser e colaboradores, 2022
Reumatologia 600 pacientes em ensaio randomizado Acerto moderado para doença reumática inflamatória Knitza e colaboradores, 2024
Atenção primária e emergência Protótipo em 581 pacientes Mais acerto na triagem do que os próprios pacientes Chan e colaboradores, 2021

Pacientes de carne e osso, e não vinhetas

A maior parte dos estudos usa pacientes simulados, e há pouca evidência sobre segurança e acerto quando o verificador é usado por pacientes de verdade (Chan e colaboradores, 2021). Por isso, os estudos com pacientes de verdade são os mais informativos para quem quer saber o que acontece fora do laboratório.

Na emergência

Em uma emergência dos Estados Unidos, 40 dos 50 pacientes convidados completaram a avaliação com a Ada e uma pesquisa de usabilidade (Fraser e colaboradores, 2022). Três médicos de emergência independentes viram os mesmos sintomas digitados pelos pacientes e fizeram seus próprios diagnósticos. A sensibilidade da Ada para pelo menos um dos diagnósticos finais, considerando suas cinco primeiras sugestões, foi de 70 a cada 100, perto da média de 68,9 dos médicos considerando suas três primeiras (Fraser e colaboradores, 2022).

Algumas avaliações tinham dados faltando ou ficaram sem diagnóstico claro na emergência, e por isso 30 das 40 entraram na análise do diagnóstico e 37 na análise da triagem (Fraser e colaboradores, 2022). Os médicos independentes também seguiram uma ordem fixa: primeiro olharam só os sintomas digitados, depois os sinais vitais e então refizeram suas três hipóteses principais. Entre eles, a primeira hipótese coincidiu com o diagnóstico final em 14 de 30 avaliações analisadas, em média (Fraser e colaboradores, 2022).

Os autores trataram o resultado como evidência preliminar de que um verificador pode ter usabilidade e acerto aceitáveis para pacientes com condições urgentes variadas (Fraser e colaboradores, 2022). A amostra pequena pede cautela, e o desenho mostra um ponto útil para o raciocínio: mesmo médicos experientes, vendo só o que o paciente digitou, acertaram a primeira hipótese em menos da metade das vezes. A história escrita pelo paciente é uma pista valiosa, mas incompleta.

Na reumatologia

As doenças reumáticas inflamatórias costumam ter diagnóstico atrasado por sintomas pouco específicos e pela falta de reumatologistas (Knitza e colaboradores, 2024). Um ensaio randomizado em três centros incluiu 600 pacientes novos, dos quais 214 receberam diagnóstico de doença reumática inflamatória. A primeira sugestão da Ada acertou a presença ou ausência dessa doença em 63 a cada 100 pacientes, e a lista das cinco primeiras em 58 a cada 100 (Knitza e colaboradores, 2024).

Um estudo anterior com 33 médicos e 132 vinhetas encontrou um cenário diferente (Gräf e colaboradores, 2022). A Ada identificou doença reumática inflamatória com mais frequência do que os médicos, 70 contra 54 a cada 100, e acertou o diagnóstico principal em 54 contra 32 a cada 100. A experiência profissional não se associou ao acerto. Os próprios autores lembram que os médicos tinham apenas a história básica, sem exame físico nem exames complementares.

Um protótipo canadense

Um protótipo de verificador foi testado em 281 pacientes de emergência e 300 de clínicas de família no Canadá (Chan e colaboradores, 2021). A sensibilidade para emergências foi de 10 em 10 atendimentos. Para urgências, foi de 73 em 81 entre pacientes do hospital e de 34 em 35 entre pacientes das clínicas. O protótipo acertou mais a triagem do que os próprios pacientes, 73 contra 58 a cada 100 (Chan e colaboradores, 2021).

Tesoura de curativo de aço inoxidável sobre uma compressa de gaze e campo azul
Tesoura de curativo sobre gaze. Os médicos comparados ao aplicativo em reumatologia tinham apenas a história básica, sem exame físico. Crédito: Saltanat ebli, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O que pacientes fazem com a resposta

Uma pesquisa com 329 usuários do verificador Isabel mostrou os motivos mais comuns de uso (Meyer e colaboradores, 2020). O principal foi entender melhor a causa dos sintomas, citado por 232 de 304 respondentes, seguido de decidir se deveriam procurar atendimento e onde. A maior parte relatou ter recebido informação útil, e metade relatou efeitos positivos sobre a saúde.

Entre os respondentes, 103 de 213 discutiram o resultado com o médico, e nesse grupo foi mais comum sentir interesse do profissional pelo que o aplicativo mostrou do que desinteresse (Meyer e colaboradores, 2020). Pacientes que já tinham sofrido erro diagnóstico usaram mais o verificador para decidir onde procurar atendimento. Os autores concluíram que, apesar das dúvidas sobre o acerto, muitos usuários consideraram a ferramenta útil para o diagnóstico.

O paciente que chega com a lista pronta

Esse dado tem consequência prática. O paciente que chega com uma lista de hipóteses do aplicativo traz informação sobre o que o preocupa, e essa preocupação pode orientar a conversa. O texto sobre incerteza diagnóstica mostra como acolher a dúvida do paciente sem abandonar o próprio raciocínio, e o texto sobre sobrediagnóstico lembra o risco de investigar demais.

Questões éticas

Uma revisão sobre os desafios éticos e sociais desses aplicativos encontrou debates controversos na literatura e falta de perspectiva jurídica específica e de dados empíricos (Müller e colaboradores, 2022). Os autores lembram que o celular fica sempre perto, sempre ligado, permite uso instantâneo e costuma guardar muitos dados pessoais, inclusive de saúde. Essas características aumentam o alcance da ferramenta e também o cuidado necessário com privacidade.

A mesma revisão destaca que os aplicativos prometem melhorias em vários níveis: o usuário recebe informação sobre sintomas e orientação para circular no sistema de saúde (Müller e colaboradores, 2022). Os autores defendem pesquisa empírica com as pessoas afetadas, como usuários, médicos de família e especialistas do sistema de saúde, para entender como a ferramenta muda a relação entre paciente e serviço.

Comprimido branco redondo sobre uma superfície clara
Comprimido. Na cena, a dor melhorou depois de um analgésico, e a melhora não muda o conselho de urgência. Crédito: freestocks.org, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Os limites dos próprios estudos

Uma reanálise dos dados públicos de dois estudos com vinhetas aplicou métricas da teoria dos testes (Kopka e colaboradores, 2023). Quando a triagem foi ajustada pela dificuldade de cada vinheta, a maior parte dos aplicativos mudou de posição no ranking. Os acertos publicados costumavam superestimar a capacidade dos verificadores, porque eles tendem a avaliar seletivamente os casos mais fáceis.

Os autores também encontraram muitas vinhetas com correlação muito baixa ou até negativa com o conjunto, o que sugere itens de baixa qualidade (Kopka e colaboradores, 2023). A proposta é controlar a dificuldade das vinhetas que cada aplicativo conseguiu ou deixou de avaliar. Para quem lê esses estudos, a lição é perguntar quais casos entraram na conta.

As perguntas abaixo resumem o que os estudos citados neste texto ensinam sobre a leitura dessas comparações:

Cada pergunta corresponde a um viés que pode inflar ou reduzir o desempenho. Um aplicativo que deixa metade das vinhetas sem resposta pode parecer muito preciso nas que respondeu. Um médico sem exame físico fica em desvantagem artificial. E uma triagem que manda todo mundo para a emergência acerta todas as emergências, mas falha com quem só precisava de repouso.

E os chatbots de IA generativa

Um estudo com 30 vinhetas criadas por clínicos gerais testou o ChatGPT-3 em queixas comuns (Hirosawa e colaboradores, 2023). O diagnóstico correto apareceu na lista de dez hipóteses do chatbot em 28 das 30 vinhetas. Os médicos ainda acertaram mais na lista de cinco hipóteses, 98,3 contra 83,3 a cada 100, e no diagnóstico principal, 93,3 contra 53,3 a cada 100 (Hirosawa e colaboradores, 2023). O texto sobre tomada de decisão clínica ajuda a pesar uma lista assim pelo que ela muda na conduta, e não pelo tamanho ou pela boa redação.

De volta à estudante

A estudante da cena recebeu um conselho de procurar atendimento no mesmo dia. Pelos estudos acima, a triagem dos aplicativos costuma acertar mais do que o diagnóstico (Wallace e colaboradores, 2022), mas a versão de 2020 deixou passar muitas emergências (Schmieding e colaboradores, 2022). A melhora com o analgésico é uma pista que o aplicativo pode não pesar. Uma probabilidade pré-teste bem pensada, com dor que migrou para a direita em uma pessoa jovem, aponta para a decisão de ir. O texto sobre telemedicina e raciocínio sem exame presencial discute limites parecidos quando falta o exame físico.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar com diagnóstico diferencial e pistas e saber encontrar o código certo na CID-10 completam esse treino.

Perguntas frequentes

Os verificadores de sintomas acertam o diagnóstico?

Em 2015, o diagnóstico correto apareceu em primeiro lugar em 34 a cada 100 avaliações e entre os 20 primeiros em 58 a cada 100 (Semigran e colaboradores, 2015).

A triagem dos aplicativos é melhor que o diagnóstico?

O acerto da triagem costuma ser maior do que o acerto do diagnóstico principal (Wallace e colaboradores, 2022).

Os aplicativos melhoraram com o tempo?

Uma repetição em 2020 encontrou triagem média igual à de 2015 e pior em dois usos (Schmieding e colaboradores, 2022).

Pacientes atendidos na emergência conseguem usar essas ferramentas?

Em uma emergência, 40 de 50 pacientes convidados completaram a avaliação e a pesquisa de usabilidade (Fraser e colaboradores, 2022).

Como ler um estudo que compara aplicativos?

Vale conferir quem fez o estudo e se o resultado foi ajustado pela dificuldade das vinhetas (Kopka e colaboradores, 2023).

Take-home messages

  • Verificadores de sintomas sugerem causas e um nível de urgência a partir do que o usuário digita.
  • O diagnóstico certo em primeiro lugar apareceu em cerca de um terço das avaliações em 2015.
  • A triagem costuma acertar mais do que o diagnóstico, mas os aplicativos de 2020 perderam muitas emergências.
  • Médicos de família acertaram mais do que os aplicativos entre as três primeiras hipóteses.
  • Com pacientes atendidos de verdade, alguns aplicativos tiveram desempenho próximo ao de médicos com os mesmos dados.
  • Estudos com vinhetas podem superestimar o acerto quando os aplicativos resolvem só os casos fáceis.
  • O paciente que chega com a lista do aplicativo traz uma preocupação que vale ouvir.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Chambers D, Cantrell AJ, Johnson M, et al. Digital and online symptom checkers and health assessment/triage services for urgent health problems: systematic review. BMJ Open. 2019. PMID 31375610.
  2. Chan F, Lai S, Pieterman M, et al. Performance of a new symptom checker in patient triage: Canadian cohort study. PLoS One. 2021. PMID 34852016.
  3. Fraser HSF, Cohan G, Koehler C, et al. Evaluation of Diagnostic and Triage Accuracy and Usability of a Symptom Checker in an Emergency Department: Observational Study. JMIR Mhealth Uhealth. 2022. PMID 36121688.
  4. Gilbert S, Mehl A, et al. How accurate are digital symptom assessment apps for suggesting conditions and urgency advice? A clinical vignettes comparison to GPs. BMJ Open. 2020. PMID 33328258.
  5. Gräf M, Knitza J, Leipe J, et al. Comparison of physician and artificial intelligence-based symptom checker diagnostic accuracy. Rheumatol Int. 2022. PMID 36087130.
  6. Hirosawa T, Harada Y, Yokose M, et al. Diagnostic Accuracy of Differential-Diagnosis Lists Generated by Generative Pretrained Transformer 3 Chatbot for Clinical Vignettes with Common Chief Complaints: A Pilot Study. Int J Environ Res Public Health. 2023. PMID 36834073.
  7. Knitza J, Tascilar K, Fuchs F, et al. Diagnostic Accuracy of a Mobile AI-Based Symptom Checker and a Web-Based Self-Referral Tool in Rheumatology: Multicenter Randomized Controlled Trial. J Med Internet Res. 2024. PMID 39042425.
  8. Kopka M, Feufel MA, Berner ES, et al. How suitable are clinical vignettes for the evaluation of symptom checker apps? A test theoretical perspective. Digit Health. 2023. PMID 37614591.
  9. Meyer AND, Giardina TD, Spitzmueller C, et al. Patient Perspectives on the Usefulness of an Artificial Intelligence-Assisted Symptom Checker: Cross-Sectional Survey Study. J Med Internet Res. 2020. PMID 32012052.
  10. Morse KE, Ostberg NP, Jones VG, et al. Use Characteristics and Triage Acuity of a Digital Symptom Checker in a Large Integrated Health System: Population-Based Descriptive Study. J Med Internet Res. 2020. PMID 33170799.
  11. Müller R, Klemmt M, Ehni HJ, et al. Ethical, legal, and social aspects of symptom checker applications: a scoping review. Med Health Care Philos. 2022. PMID 36181620.
  12. Schmieding ML, Kopka M, Schmidt K, et al. Triage Accuracy of Symptom Checker Apps: 5-Year Follow-up Evaluation. J Med Internet Res. 2022. PMID 35536633.
  13. Semigran HL, Linder JA, Gidengil C, et al. Evaluation of symptom checkers for self diagnosis and triage: audit study. BMJ. 2015. PMID 26157077.
  14. Wallace W, Chan C, Chidambaram S, et al. The diagnostic and triage accuracy of digital and online symptom checker tools: a systematic review. NPJ Digit Med. 2022. PMID 35977992.

Voltar ao blog

Verificadores de sintomas: o que acertam e onde erram