Voltar ao blog

Medicina do Esporte

Prevenção de quedas com exercício no idoso

Escada de madeira escura com corrimão de metal preso à parede
Sumário
  1. Por que as quedas importam
  2. Quem está em risco: rastrear e estratificar
  3. O que a evidência mostra sobre exercício
  4. Que tipo de exercício funciona
  5. Quem se beneficia
  6. Como prescrever na prática
  7. Além do exercício: a abordagem multifatorial
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Take-home messages
  11. Referências

Um homem de 79 anos vem à consulta para renovar receitas. Só no fim, quase de passagem, a esposa conta que ele caiu duas vezes no último ano, uma delas no banheiro, e que da segunda vez ficou no chão até ela chegar da rua. Ele minimiza: escorregou, nada quebrou. Desde então anda menos e evita sair sozinho.

A cena é comum. Quedas acontecem a cada ano em cerca de 30 de cada 100 pessoas com mais de 65 anos, e a proporção sobe com a idade (Montero-Odasso, 2022). Muitas nem chegam ao prontuário, porque o idoso acha que cair é parte de envelhecer ou tem medo de perder a autonomia se contar (Montero-Odasso, 2022).

Este texto mostra como a diretriz mundial de 2022 organiza a busca e a estratificação do risco, o que as revisões Cochrane dizem sobre exercício e quedas, quais tipos de treino funcionam e em quem a evidência é mais firme.

Principais pontos

  • A diretriz mundial recomenda perguntar sobre quedas de forma oportunista e estratificar o risco em baixo, intermediário e alto (Montero-Odasso, 2022).
  • Na revisão Cochrane de 2019, exercício reduziu a taxa de quedas em idosos que vivem na comunidade, com razão de taxas de 0,77 (Sherrington, 2019).
  • Exercícios de equilíbrio e funcionais têm a evidência mais firme, de alta certeza, com razão de taxas de 0,76 (Sherrington, 2019).
  • Programas com mais de 3 horas por semana que incluem equilíbrio foram particularmente eficazes, com razão de taxas estimada de 0,58 (Sherrington, 2020).
  • Exercício também reduziu quedas com lesão, com razão de taxas de 0,63 para todas as quedas com lesão (El-Khoury, 2013).
  • Em instituições de longa permanência e hospitais, o efeito do exercício sobre a taxa de quedas ainda é incerto (Cameron, 2018).

Sumário

Por que as quedas importam

Queda parece um evento banal, mas costuma marcar uma virada na vida do idoso. Ela traz lesões, perda de confiança, menos atividade e, muitas vezes, o começo de uma espiral de dependência.

O tamanho do problema

A diretriz mundial lembra que cerca de 30 de cada 100 pessoas com mais de 65 anos caem a cada ano (Montero-Odasso, 2022). Os autores esperam que o número de quedas e lesões aumente, porque há mais idosos e porque multimorbidade, polifarmácia e fragilidade estão mais frequentes (Montero-Odasso, 2022).

Para o clínico, isso significa que a queda é um problema de rotina. Na atenção primária, ela aparece misturada a outras queixas e precisa ser procurada ativamente.

A queda grave e o tempo no chão

Algumas quedas pesam mais. A diretriz define queda grave como aquela com lesão que exige consulta médica, que leva a pessoa a ficar no chão sem conseguir levantar por pelo menos uma hora, que motiva ida ao pronto-socorro ou que vem com perda de consciência (Montero-Odasso, 2022).

O tempo no chão importa por si. Entre os idosos que caem, cerca de 1 em cada 8 fica no chão por mais de uma hora (Montero-Odasso, 2022). Essa permanência prolongada se associa a desidratação, pneumonia e outras complicações (Montero-Odasso, 2022). Quando a queda chega à emergência, as armadilhas são outras, como a queda da própria altura com trauma de crânio.

O medo de cair

Depois de uma queda, muitos idosos passam a evitar atividades. O medo de cair é comum e se associa a consequências físicas e psicossociais sérias (Kendrick, 2014). Com menos movimento, força e equilíbrio pioram, e o risco de nova queda sobe.

Esse ciclo explica por que o exercício entra como peça central da prevenção. Ele atua sobre força, marcha e equilíbrio e, em parte, sobre a confiança (Kendrick, 2014).

Quem está em risco: rastrear e estratificar

A diretriz mundial de 2022 propõe um caminho simples. Todo idoso recebe orientação sobre prevenção de quedas e atividade física, e quem tem risco maior recebe avaliação e intervenção mais intensas (Montero-Odasso, 2022).

A busca oportunista

O ponto de partida é uma pergunta: "Você caiu nos últimos 12 meses?" (Montero-Odasso, 2022). Ela é muito específica para prever novas quedas, mas tem sensibilidade baixa e deixa passar muitos casos (Montero-Odasso, 2022).

Para melhorar a sensibilidade, a diretriz cita as três perguntas-chave: se a pessoa caiu no último ano, se se sente instável ao ficar em pé ou andar e se tem medo de cair (Montero-Odasso, 2022). Uma resposta positiva leva à avaliação objetiva de marcha e equilíbrio (Montero-Odasso, 2022).

A forma de perguntar faz diferença. Muitos idosos só contam a queda quando sentem espaço na consulta, o que reforça o valor de abrir espaço para as ideias, preocupações e expectativas do paciente.

Medir a marcha

A diretriz recomenda a velocidade de marcha como teste principal, com ponto de corte abaixo de 0,8 m/s, em recomendação forte (Montero-Odasso, 2022). O Timed Up and Go (TUG) aparece como alternativa, com ponto de corte acima de 15 segundos, mas com evidência menos consistente para estratificar o risco (Montero-Odasso, 2022).

Essa cautela com o TUG vem de dados. Numa metanálise em idosos da comunidade, o TUG com corte de 13,5 segundos teve especificidade combinada de 0,74 e sensibilidade de apenas 0,31 (Barry, 2014). Os autores concluíram que o teste serve mais para confirmar risco do que para descartá-lo (Barry, 2014).

Baixo, intermediário e alto risco

Com a história e a avaliação da marcha, o idoso entra numa de três categorias (Montero-Odasso, 2022):

Categoria Quem entra O que oferecer
Baixo risco Ausência de quedas, ou uma queda leve sem alteração de marcha ou equilíbrio (Montero-Odasso, 2022) Educação sobre quedas e exercício para saúde geral, com reavaliação anual (Montero-Odasso, 2022)
Risco intermediário Uma queda leve com alteração de marcha ou equilíbrio (Montero-Odasso, 2022) Exercício dirigido de força e equilíbrio, ou encaminhamento ao fisioterapeuta (Montero-Odasso, 2022)
Alto risco Queda com lesão, duas ou mais quedas em 12 meses, fragilidade, uma hora ou mais no chão ou suspeita de perda transitória de consciência (Montero-Odasso, 2022) Avaliação multifatorial com intervenções individualizadas (Montero-Odasso, 2022)

O homem do caso tem duas quedas no ano e uma longa permanência no chão. Pela diretriz, ele está no grupo de alto risco (Montero-Odasso, 2022).

Quando a queda pode ser síncope

A suspeita de queda por síncope muda o rumo da investigação. A diretriz pede avaliação e manejo específicos de síncope nesse cenário (Montero-Odasso, 2022). O raciocínio começa por confirmar a síncope e procurar a causa, antes de atribuir tudo ao equilíbrio.

Instituições e hospitais

Em casas de repouso e hospitais, a diretriz considera todos os idosos como de alto risco (Montero-Odasso, 2022). Nesses locais, recomenda avaliação ampla padronizada seguida de intervenções em vários domínios (Montero-Odasso, 2022).

O que a evidência mostra sobre exercício

A base mais sólida vem da revisão Cochrane de 2019 sobre exercício em idosos que vivem na comunidade. Ela incluiu 108 ensaios randomizados, com 23.407 participantes de 25 países (Sherrington, 2019).

Menos quedas e menos pessoas caindo

Comparado ao controle, o exercício reduziu a taxa de quedas, com razão de taxas de 0,77 (Sherrington, 2019). Também reduziu o número de pessoas que caem uma ou mais vezes, com risco relativo de 0,85 (Sherrington, 2019).

A revisão encomendada para as diretrizes de atividade física da Organização Mundial da Saúde atualizou essa análise. Com 116 estudos e 25.160 participantes, o efeito sobre a taxa de quedas se manteve, com razão de taxas de 0,77 e evidência de alta certeza (Sherrington, 2020).

Quedas com lesão e fraturas

Reduzir quedas é bom, mas o que mais importa é reduzir as quedas que machucam. A metanálise de El-Khoury reuniu ensaios com dados sobre quedas com lesão em idosos da comunidade (El-Khoury, 2013).

O exercício reduziu todas as categorias avaliadas. A razão de taxas foi 0,63 para todas as quedas com lesão, 0,70 para quedas que exigiram atendimento médico, 0,57 para quedas com lesão grave e 0,39 para quedas com fratura (El-Khoury, 2013).

Na revisão Cochrane, o exercício pode reduzir fraturas relacionadas a quedas, com risco relativo de 0,73, mas a certeza foi baixa (Sherrington, 2019). As quedas que exigem atenção médica também caíram, com risco relativo de 0,61 (Sherrington, 2019).

O medo de cair

A revisão Cochrane sobre medo de cair incluiu 30 estudos e 2.878 participantes (Kendrick, 2014). Logo após a intervenção, o exercício trouxe redução pequena a moderada do medo, com diferença padronizada de médias de 0,37 (Kendrick, 2014).

A certeza foi baixa, e o efeito em seguimentos mais longos ficou incerto, com evidência de muito baixa qualidade (Kendrick, 2014). Mesmo assim, o achado ajuda na conversa com o paciente que deixou de sair de casa.

Segurança

O exercício para prevenir quedas é seguro para a maioria dos idosos. Na revisão Cochrane, 27 ensaios relataram eventos adversos, e apenas 2 foram graves: uma fratura de estresse da pelve e uma cirurgia de hérnia (Sherrington, 2019). Os demais foram, em geral, queixas musculoesqueléticas leves (Sherrington, 2019).

Prancha de equilíbrio preta com base arredondada inclinada sobre uma mesa de madeira
Pranchas instáveis são uma das formas de desafiar o equilíbrio de forma progressiva, sempre com apoio por perto no início. Crédito: DavidMaisel, CC BY-SA 3.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Que tipo de exercício funciona

Exercício é uma palavra ampla. As revisões mostram que o tipo de treino muda bastante o resultado.

Equilíbrio e exercícios funcionais

Exercícios de equilíbrio e funcionais formam o grupo com evidência mais firme. Eles reduziram a taxa de quedas com razão de taxas de 0,76 e o número de pessoas que caem com risco relativo de 0,87, ambos com alta certeza (Sherrington, 2019).

Na prática, são atividades que desafiam o controle do corpo em pé: transferir o peso, reduzir a base de apoio, dar passos em várias direções, levantar e sentar (Montero-Odasso, 2022). O objetivo é treinar exatamente as situações em que a queda acontece.

Programas com vários componentes

Programas que combinam tipos de exercício, em geral equilíbrio e funcionais com resistido, também reduziram quedas (Sherrington, 2019). Na revisão Cochrane, a razão de taxas foi 0,66 (Sherrington, 2019). Na atualização para a Organização Mundial da Saúde, foi 0,72, com certeza moderada (Sherrington, 2020).

Tai chi

O tai chi reduziu a taxa de quedas na revisão Cochrane, com razão de taxas de 0,81 (Sherrington, 2019). Na atualização para a Organização Mundial da Saúde, o valor foi 0,77, com certeza moderada (Sherrington, 2020).

Um ensaio randomizado com 670 idosos de alto risco testou uma versão terapêutica de tai ji quan, com duas aulas de 60 minutos por semana durante 24 semanas (Li, 2018). Comparado com alongamento, a razão de incidência de quedas foi 0,42 (Li, 2018). Comparado com um programa multimodal convencional, as quedas foram menores no grupo de tai ji quan, com razão de 0,69 (Li, 2018). Nenhum evento adverso grave foi relacionado à intervenção (Li, 2018).

Força isolada, caminhada e dança

Para treino resistido isolado, dança e caminhada, o efeito sobre quedas ficou incerto na revisão Cochrane (Sherrington, 2019). O consenso internacional de exercício em idosos acrescenta que programas baseados só em caminhada são inferiores aos que combinam força e equilíbrio (Izquierdo, 2021).

Isso tem implicação direta. Recomendar "caminhe mais" a um idoso com alteração de equilíbrio pode ser insuficiente, e o treino de força sozinho, embora útil para a sarcopenia, precisa vir junto com o desafio de equilíbrio quando o alvo é queda (Izquierdo, 2021).

Quanto exercício

A quantidade parece importar. Programas com mais horas semanais tiveram redução maior de quedas, embora a tendência não tenha alcançado significância estatística (Sherrington, 2020). Programas com mais de 3 horas por semana que incluíam equilíbrio e funcionais foram particularmente eficazes, com razão de taxas estimada de 0,58 (Sherrington, 2020).

Quem se beneficia

A pergunta prática é se todo idoso deve fazer exercício para prevenir quedas ou só quem já caiu. A evidência dá respostas diferentes conforme o lugar onde a pessoa vive.

Idosos que vivem em casa

Na comunidade, o benefício apareceu tanto em quem foi selecionado por risco aumentado quanto em quem não foi (Sherrington, 2019). A análise de subgrupos da revisão Cochrane não mostrou diferença de efeito entre os dois grupos (Sherrington, 2019).

Por isso, a diretriz mundial recomenda exercício de equilíbrio e funcional para todos os idosos da comunidade com risco, e orientação de atividade física para todos (Montero-Odasso, 2022). O idoso de baixo risco também ganha, porque risco baixo é diferente de risco nenhum (Montero-Odasso, 2022).

Instituições de longa permanência

Nas instituições, o quadro muda. A revisão Cochrane sobre instituições e hospitais concluiu que o efeito do exercício sobre a taxa de quedas é incerto e que ele pode fazer pouca ou nenhuma diferença no risco de cair (Cameron, 2018).

A diretriz mundial, mesmo assim, recomenda exercício supervisionado em instituições, de forma condicional (Montero-Odasso, 2022). A fragilidade elevada e as condições cognitivas dessa população ajudam a explicar a evidência mais fraca.

Hospitais

No hospital, três ensaios testaram fisioterapia adicional em enfermarias de reabilitação (Cameron, 2018). A evidência foi de qualidade muito baixa, e o efeito sobre a taxa de quedas ficou incerto (Cameron, 2018).

Durante a internação, outras medidas costumam pesar mais, como prevenir e reconhecer o delirium. O texto sobre o que fazer à beira do leito no delirium detalha esse cuidado.

Fragilidade e alto risco

O idoso frágil ou com múltiplas quedas precisa de mais do que uma prescrição de exercício. A diretriz pede, para ele, a avaliação multifatorial (Montero-Odasso, 2022). O exercício continua presente, mas dentro de um conjunto maior de intervenções (Montero-Odasso, 2022).

Como prescrever na prática

A diretriz mundial traduz a evidência em recomendações concretas para idosos da comunidade (Montero-Odasso, 2022).

Conteúdo do treino

O núcleo é o exercício de equilíbrio desafiador e funcional, como sentar e levantar e treino de passos (Montero-Odasso, 2022). Sempre que possível, acrescenta-se tai chi ou treino resistido progressivo (Montero-Odasso, 2022).

Frequência e duração

A recomendação é de três ou mais sessões por semana, individualizadas e progressivas, por pelo menos 12 semanas, e continuadas depois disso para manter o benefício (Montero-Odasso, 2022). Recomendação forte, com evidência de alta qualidade (Montero-Odasso, 2022).

O consenso internacional de exercício em idosos acrescenta o treino de força pelo menos 2 dias por semana em programas multicomponentes (Izquierdo, 2021). Ele lembra que a combinação de equilíbrio e força é a intervenção mais eficaz para reduzir quedas (Izquierdo, 2021).

Progressão e supervisão

O equilíbrio só melhora quando é desafiado. Isso exige progressão gradual, com tarefas cada vez mais difíceis, sempre com segurança. Em quem já caiu ou tem marcha muito instável, a supervisão de um fisioterapeuta no início é prudente.

Adesão

O maior obstáculo é manter o exercício por meses. O benefício depende de continuidade, e por isso a diretriz recomenda manter o programa além das primeiras 12 semanas (Montero-Odasso, 2022). Técnicas de conversa que exploram a motivação do próprio paciente têm evidência própria e podem ajudar.

Encaminhar com clareza

Quando o caso pede fisioterapia, a carta de encaminhamento deve dizer o motivo, as quedas, o resultado dos testes de marcha e o objetivo do treino. Há um guia sobre o que a carta ao especialista precisa dizer.

Pia acessível com duas barras de apoio brancas presas à parede de um banheiro
Barras de apoio no banheiro fazem parte da adaptação do ambiente, que complementa o exercício em quem tem risco alto de cair. Crédito: Southend-on-Sea Borough Council, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Além do exercício: a abordagem multifatorial

Para o idoso de alto risco, o exercício entra num conjunto maior. A avaliação multifatorial busca as causas tratáveis de cada pessoa (Montero-Odasso, 2022).

O que dizem as revisões

Na revisão Cochrane de 2018, as intervenções multifatoriais podem reduzir a taxa de quedas, com razão de taxas de 0,77, mas com evidência de baixa qualidade (Hopewell, 2018). Para o risco de cair, houve pouca ou nenhuma diferença, com risco relativo de 0,96 (Hopewell, 2018).

As intervenções mais aplicadas após a avaliação foram exercício, adaptação do ambiente, revisão de medicamentos e intervenções psicológicas (Hopewell, 2018).

O ambiente da casa

A revisão Cochrane de 2012 sobre idosos da comunidade mostrou que avaliação e modificação da segurança da casa reduziram a taxa de quedas, com razão de taxas de 0,81 (Gillespie, 2012). Essas intervenções pareceram mais eficazes quando feitas por terapeuta ocupacional (Gillespie, 2012).

Medicamentos

A polifarmácia é um dos motores do aumento de quedas apontados pela diretriz (Montero-Odasso, 2022). A revisão de medicamentos está entre as intervenções mais aplicadas após a avaliação multifatorial (Hopewell, 2018). Em quem usa anticoagulante, a queda tem outro peso, e o texto sobre sangramento escondido no idoso anticoagulado mostra por quê.

Vitamina D

A diretriz mundial recomenda suplementar vitamina D apenas em quem tem risco de deficiência, e não como medida geral para prevenir quedas (Montero-Odasso, 2022).

Cuidado com o excesso

Mais exames e mais intervenções nem sempre trazem mais proteção. O conceito de cascatas de cuidado lembra que cada passo deve ter motivo claro.

De volta ao caso

O homem de 79 anos tem duas quedas no ano e ficou no chão por tempo prolongado, o que o coloca no grupo de alto risco (Montero-Odasso, 2022). Ele precisa de avaliação multifatorial, com atenção à causa das quedas, aos medicamentos e à casa (Montero-Odasso, 2022). O exercício de equilíbrio e funcional, três ou mais vezes por semana e progressivo, entra como parte central do cuidado (Montero-Odasso, 2022).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para os motivos de consulta mais frequentes, veja os códigos mais comuns na atenção primária.

Perguntas frequentes

Quantos idosos caem por ano?

Cerca de 30 de cada 100 pessoas com mais de 65 anos caem a cada ano, e a proporção aumenta com a idade (Montero-Odasso, 2022).

Qual a primeira pergunta para rastrear quedas?

"Você caiu nos últimos 12 meses?" (Montero-Odasso, 2022). Ela é específica, mas pouco sensível, e pode ser complementada por perguntas sobre instabilidade e medo de cair (Montero-Odasso, 2022).

O TUG basta para descartar risco de queda?

Ele confirma risco melhor do que descarta, com sensibilidade combinada de 0,31 numa metanálise (Barry, 2014). A diretriz prefere a velocidade de marcha (Montero-Odasso, 2022).

Quem é considerado de alto risco?

Quem caiu e teve lesão, caiu duas ou mais vezes em 12 meses, é frágil, ficou uma hora ou mais no chão ou teve suspeita de perda de consciência (Montero-Odasso, 2022).

Qual exercício previne quedas?

Exercícios de equilíbrio e funcionais, com evidência de alta certeza (Sherrington, 2019). Tai chi e programas que somam força e equilíbrio também funcionam (Sherrington, 2019).

Caminhar ajuda a prevenir quedas?

O efeito da caminhada isolada sobre quedas é incerto (Sherrington, 2019). Programas só de caminhada são inferiores aos que combinam força e equilíbrio (Izquierdo, 2021).

Com que frequência treinar?

Três ou mais sessões por semana, progressivas, por pelo menos 12 semanas e mantidas depois (Montero-Odasso, 2022).

Exercício reduz fraturas?

Pode reduzir, com risco relativo de 0,73 na revisão Cochrane, mas com certeza baixa (Sherrington, 2019). Numa metanálise, quedas com fratura tiveram razão de taxas de 0,39 (El-Khoury, 2013).

Exercício funciona em casas de repouso?

O efeito é incerto nas revisões (Cameron, 2018). A diretriz ainda recomenda exercício supervisionado nesses locais, de forma condicional (Montero-Odasso, 2022).

Take-home messages

  • Quedas atingem cerca de 30 de cada 100 idosos por ano e precisam ser procuradas ativamente.
  • A diretriz mundial estratifica o risco em baixo, intermediário e alto.
  • A velocidade de marcha abaixo de 0,8 m/s é o teste preferido (Montero-Odasso, 2022); o TUG confirma melhor do que descarta (Barry, 2014).
  • Exercício de equilíbrio e funcional reduz quedas com evidência de alta certeza.
  • Tai chi e programas que somam força e equilíbrio também funcionam.
  • Caminhada ou força isoladas têm efeito incerto sobre quedas.
  • Três ou mais sessões por semana, por pelo menos 12 semanas, e mantidas.
  • Alto risco pede avaliação multifatorial, com exercício no centro.

Jogue o caso do dia no NEXO.

Referências

  1. Sherrington C, Fairhall NJ, Wallbank GK, et al. Exercise for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database Syst Rev. 2019. PMID 30703272. DOI 10.1002/14651858.CD012424.pub2.
  2. Montero-Odasso M, van der Velde N, Martin FC, et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults: a global initiative. Age Ageing. 2022. PMID 36178003. DOI 10.1093/ageing/afac205.
  3. Sherrington C, Fairhall N, Kwok W, et al. Evidence on physical activity and falls prevention for people aged 65+ years: systematic review to inform the WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Int J Behav Nutr Phys Act. 2020. PMID 33239019. DOI 10.1186/s12966-020-01041-3.
  4. El-Khoury F, Cassou B, Charles MA, Dargent-Molina P. The effect of fall prevention exercise programmes on fall induced injuries in community dwelling older adults: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2013. PMID 24169944. DOI 10.1136/bmj.f6234.
  5. Kendrick D, Kumar A, Carpenter H, et al. Exercise for reducing fear of falling in older people living in the community. Cochrane Database Syst Rev. 2014. PMID 25432016. DOI 10.1002/14651858.CD009848.pub2.
  6. Barry E, Galvin R, Keogh C, Horgan F, Fahey T. Is the Timed Up and Go test a useful predictor of risk of falls in community dwelling older adults: a systematic review and meta-analysis. BMC Geriatr. 2014. PMID 24484314. DOI 10.1186/1471-2318-14-14.
  7. Li F, Harmer P, Fitzgerald K, et al. Effectiveness of a Therapeutic Tai Ji Quan Intervention vs a Multimodal Exercise Intervention to Prevent Falls Among Older Adults at High Risk of Falling: A Randomized Clinical Trial. JAMA Intern Med. 2018. PMID 30208396. DOI 10.1001/jamainternmed.2018.3915.
  8. Cameron ID, Dyer SM, Panagoda CE, et al. Interventions for preventing falls in older people in care facilities and hospitals. Cochrane Database Syst Rev. 2018. PMID 30191554. DOI 10.1002/14651858.CD005465.pub4.
  9. Hopewell S, Adedire O, Copsey BJ, et al. Multifactorial and multiple component interventions for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database Syst Rev. 2018. PMID 30035305. DOI 10.1002/14651858.CD012221.pub2.
  10. Gillespie LD, Robertson MC, Gillespie WJ, et al. Interventions for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database Syst Rev. 2012. PMID 22972103. DOI 10.1002/14651858.CD007146.pub3.
  11. Izquierdo M, Merchant RA, Morley JE, et al. International Exercise Recommendations in Older Adults (ICFSR): Expert Consensus Guidelines. J Nutr Health Aging. 2021. PMID 34409961. DOI 10.1007/s12603-021-1665-8.

Voltar ao blog