Saúde digital e IAEnfermagem e segurança do paciente

Fadiga de alertas: quando o alarme deixa de ser ouvido

Campainha de balcão cromada sobre uma superfície
Sumário
  1. O que é fadiga de alertas
  2. Alertas do prontuário: a dimensão do problema
  3. Repetição, complexidade e hábito
  4. Alarmes de monitores na UTI
  5. O que ajuda a reduzir o excesso
  6. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  7. Perguntas frequentes
  8. Take-home messages
  9. Referências

Uma enfermeira de UTI começa o plantão noturno com seis pacientes monitorizados. Na primeira hora, os monitores tocam dezenas de vezes: um eletrodo solto, um paciente que se mexeu, uma saturação que caiu e voltou sozinha. No computador, cada prescrição que ela confere abre uma janela de alerta, quase sempre sobre interações que a equipe já conhece. Perto das três da manhã, um alarme toca no leito 4 e ela termina a anotação antes de ir ver. Desta vez, o alarme era verdadeiro. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

Este texto trata da fadiga de alertas, o fenômeno em que a exposição repetida a alarmes e avisos frequentes ou sem ação necessária leva a uma resposta mais lenta ou ausente. A proposta é olhar para o que os estudos mostram sobre alertas do prontuário eletrônico e alarmes de monitores, e para o que ajuda a reduzir o excesso. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: no meio de muitas pistas, o raciocínio precisa separar o que é ruído do que muda a conduta.

Principais pontos

  • A fadiga de alertas aparece quando o excesso de avisos pouco relevantes leva a dessensibilização e resposta mais lenta.
  • Em vários serviços, a maior parte dos alertas de medicamentos foi dispensada pelos médicos.
  • Alertas repetidos para o mesmo paciente reduziram a chance de aceitação.
  • Dispensar alertas vira hábito, e muitos foram fechados em menos de três segundos.
  • Em uma unidade coronariana brasileira, tocaram em média mais de 10 alarmes por hora.
  • Reduzir repetições, ajustar limiares e priorizar alertas importantes aparecem como estratégias nos estudos.

O que é fadiga de alertas

Uma revisão de escopo com 32 publicações encontrou definições variadas, mas a maior parte descrevia a fadiga de alarmes como um fenômeno em que a exposição repetida a alarmes frequentes ou sem ação necessária leva a sobrecarga sensorial, desgaste emocional e dessensibilização gradual dos profissionais (Michels e colaboradores, 2025). O resultado é mais risco de resposta atrasada ou inadequada e de dano ao paciente.

No prontuário eletrônico, o conceito é parecido. A fadiga de alertas é um fenômeno em que avisos insignificantes ou recomendações do sistema de apoio à decisão aparecem em excesso e os profissionais começam a dispensá-los sem considerar a importância (Sutton e colaboradores, 2020). Um estudo sobre hábito acrescenta que ela resulta de uma sobrecarga de alertas que deixa o clínico dessensibilizado aos alertas seguintes (Wang e colaboradores, 2022).

Dois mecanismos

Os autores de um estudo sobre alertas de ensaios clínicos descrevem dois fatores próximos (Embi e Leonard, 2012). O primeiro é a irrelevância dos alertas e a sobrecarga cognitiva, também chamada de sobrecarga de alertas. O segundo é a queda da resposta a um tipo específico de alerta conforme o clínico é exposto a ele repetidas vezes, ficando aos poucos dessensibilizado.

Um estudo de atenção primária testou hipóteses ligadas a esses dois mecanismos: sobrecarga cognitiva pelo volume e pela complexidade do trabalho, e dessensibilização pela exposição repetida ao mesmo alerta ao longo do tempo (Ancker e colaboradores, 2017). Os resultados ajudam a separar o que pesa mais, como se verá adiante.

Por que o tema interessa ao raciocínio clínico

Alertas e alarmes são pistas. Um raciocínio bem treinado pesa cada pista pelo que ela acrescenta, e não pela forma como aparece. Quando a maior parte das pistas não muda nada, o cérebro aprende a ignorá-las, e a que importa passa junto. O texto sobre taxa básica no diagnóstico explica por que um sinal raro perde valor quando aparece no meio de muitos falsos positivos.

Há um paralelo direto com o diagnóstico. Quando um exame de rastreamento dá muitos falsos positivos, quem lê os resultados aprende a desconfiar de todos, e o verdadeiro positivo passa a ser recebido com a mesma desconfiança. Com alertas acontece algo parecido: o problema deixa de ser a máquina e passa a ser a expectativa que ela criou em quem a usa. Por isso, as soluções descritas adiante mexem tanto no sistema quanto no hábito da equipe.

Vale lembrar também que a fadiga se instala aos poucos. A decisão de ignorar alarmes raramente aparece no primeiro dia de trabalho. A resposta vai ficando mais lenta conforme cada aviso irrelevante ensina que o próximo provavelmente também será irrelevante, e é essa aprendizagem silenciosa que os estudos abaixo tentam medir.

Alertas do prontuário: a dimensão do problema

Os números sobre dispensa de alertas se repetem em países e serviços diferentes. Em uma emergência acadêmica da Coreia do Sul, 611 médicos atenderam 101.186 visitas, e quase dois terços dos 102.887 alertas de medicamentos foram dispensados (Yoo e colaboradores, 2020). Os autores identificaram 21 fatores de risco significativos para a dispensa e lembram que esse comportamento é considerado o principal fator que impede o sistema de prevenir eventos adversos.

Em um hospital norte-americano, os alertas de alergia a opioides, os mais disparados do sistema de prescrição, foram dispensados em proporção crescente até chegar a 89,7 a cada 100 alertas em 2013 (Topaz e colaboradores, 2015). A taxa foi alta até para reações graves, mediadas pelo sistema imune ou com risco de vida. Alertas com correspondência exata entre alergia e medicamento foram dispensados com menos frequência do que os de correspondência apenas por grupo.

Por que os médicos dispensam

Um estudo reuniu os motivos de dispensa de alertas de interação medicamentosa em 10 locais dos Estados Unidos, com prontuários diferentes (Wright e colaboradores, 2019). Os pesquisadores encontraram 177 motivos distintos, e o número de motivos oferecidos em cada local variou de 3 a 100. Muitos locais ofereciam motivos que nem se aplicavam a interações. Três categorias responderam por 78 a cada 100 dispensas: vai monitorar ou tomar precauções, sem importância clínica, e benefício maior que o risco (Wright e colaboradores, 2019).

No estudo dos opioides, cerca de um terço dos motivos apontava alertas irrelevantes (Topaz e colaboradores, 2015). Os autores defendem interfaces menos interruptivas e alertas mais precisos para reduzir a fadiga. Uma revisão sobre apoio à decisão vai na mesma linha e lembra que médicos com mais conhecimento de experiência tendem a usar menos o sistema e a dispensar mais os seus alertas (Sutton e colaboradores, 2020). A mesma revisão cita estudos em que até 95 a cada 100 alertas eram sem consequência, com médicos que muitas vezes discordavam deles ou desconfiavam deles (Sutton e colaboradores, 2020).

Luz de chamada de enfermagem acesa sobre a porta de um quarto de hospital
Luz de chamada acima da porta de um quarto. Cada sinal compete pela atenção da equipe com dezenas de outros ao longo do plantão. Crédito: Mik81, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Quando a dispensa causa dano

A dispensa não é inofensiva. Um estudo citado na pesquisa sobre hábito estimou que, só nos Estados Unidos, cerca de 57,6 milhões de alertas de eventos adversos a medicamentos foram dispensados em 2014, dos quais cerca de 5,5 milhões de forma inadequada, com cerca de 196.600 eventos adversos resultantes (Wang e colaboradores, 2022). O alerta que importa costuma estar no meio de muitos que não importam.

A revisão sobre apoio à decisão lembra também que erros com interações medicamentosas são comuns e evitáveis, e que até 65 a cada 100 pacientes internados ficam expostos a uma ou mais combinações potencialmente nocivas (Sutton e colaboradores, 2020). O problema, portanto, é separar o sinal do ruído, e não desligar o sinal.

Repetição, complexidade e hábito

O estudo de atenção primária encontrou que, em média, um quarto dos alertas de medicamentos e um terço dos lembretes clínicos que um médico recebia eram repetições para o mesmo paciente no mesmo ano (Ancker e colaboradores, 2017). A aceitação dos alertas se associou à complexidade do trabalho e às repetições, mas não ao volume de trabalho.

A chance de aceitar um lembrete caiu 30 a cada 100 para cada lembrete adicional por consulta e 10 a cada 100 para cada aumento de cinco pontos na proporção de lembretes repetidos (Ancker e colaboradores, 2017). Os autores concluíram que os médicos ficavam menos propensos a aceitar alertas conforme recebiam mais, sobretudo repetidos, e que reduzir as repetições para o mesmo paciente é um alvo promissor.

A queda ao longo do tempo

Um ensaio randomizado acompanhou alertas de recrutamento para ensaios clínicos no prontuário (Embi e Leonard, 2012). As taxas de resposta mostraram tendência de queda significativa ao longo do tempo, diminuindo a cada período, com p < 0,0001 (Embi e Leonard, 2012). Os autores trataram o achado como uma forma de fadiga de alertas e defenderam ajustar a frequência e o formato desses avisos (Embi e Leonard, 2012). O exemplo é útil porque o alerta de recrutamento quase nunca é urgente para o paciente que está na frente do médico. Mesmo assim, ele disputa a mesma atenção dos alertas de segurança, e a queda de resposta a um tipo de aviso pode se espalhar para os outros.

O hábito de fechar a janela

Um estudo de coorte com 1152 médicos expostos a um alerta específico no prontuário mediu a força do hábito de dispensar (Wang e colaboradores, 2022). Dispensar alertas aumentava a força desse hábito, e a força do hábito se associava a mais dispensas depois da primeira. Cerca de 72,5 a cada 100 alertas foram dispensados menos de 3 segundos depois de aparecer, e 13,2 a cada 100 em menos de 1 segundo (Wang e colaboradores, 2022).

Em menos de 1 segundo, é difícil ler o alerta. Os autores citam observações de campo e entrevistas em que médicos desenvolveram o hábito de dispensar alertas, com muitos fechados sem consideração cognitiva relevante (Wang e colaboradores, 2022). O texto sobre incerteza diagnóstica discute o valor de parar alguns segundos antes de decidir.

Alarmes de monitores na UTI

Um estudo observacional brasileiro acompanhou uma unidade coronariana de um hospital de cardiologia com 170 leitos (Bridi e colaboradores, 2014). Em 40 horas de observação, foram registrados 426 alarmes: 227 vieram de monitores multiparamétricos e 199 de outros equipamentos, como bombas de infusão, bombas de diálise, ventiladores mecânicos e balões intra-aórticos. A média foi de 10,6 alarmes por hora (Bridi e colaboradores, 2014).

As autoras descrevem o mecanismo em termos claros. Quando muitos alarmes mascaram os clinicamente importantes, alguns acabam desativados, silenciados ou ignorados pela equipe, e a segurança de pacientes graves fica comprometida (Bridi e colaboradores, 2014). Desativar alarmes, deixar de programá-los ou de configurá-los conforme o quadro do paciente e ajustar o volume muito baixo aparecem como objetos de pesquisa no mesmo trabalho.

O estudo também lembra um paradoxo. Os alarmes de equipamentos feitos para proteger o paciente aumentaram o barulho na unidade, as distrações e as interrupções do trabalho, e criaram uma falsa sensação de segurança (Bridi e colaboradores, 2014). A conclusão reforça a importância de configurar bem as variáveis fisiológicas, o volume e os parâmetros dos alarmes dos monitores na rotina da UTI.

Seringa vazia com êmbolo, em ilustração simples sobre fundo claro
Seringa. Bombas de infusão estão entre os equipamentos que somam alarmes aos dos monitores na unidade coronariana. Crédito: NIAID, Ryan Kissinger, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Monitores personalizados

Para reduzir alarmes sem ação necessária, as configurações podem precisar ser ajustadas para cada paciente, mas os enfermeiros muitas vezes deixam de fazer isso por demandas concorrentes e pela própria fadiga de alarmes (Ruppel e colaboradores, 2018). Uma UTI clínica testou um software de personalização de alarmes e comparou dois meses antes e dois meses depois da implantação.

Os alarmes de prioridade média de frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial caíram de forma significativa, e a duração deles também diminuiu (Ruppel e colaboradores, 2018). Os alarmes de saturação de oxigênio ficaram iguais. Depois da intervenção, os enfermeiros relataram gastar menos tempo com alarmes sem ação necessária, e caiu a proporção dos que diziam que os alarmes atrapalhavam o trabalho e dos que tinham presenciado um alarme importante ser ignorado (Ruppel e colaboradores, 2018).

Conjunto de infusão com cânula fina, adesivo transparente e tubo plástico
Conjunto de infusão. Na unidade coronariana estudada, os alarmes vinham de monitores e de vários outros equipamentos, entre eles as bombas de infusão. Crédito: David-i98, Domínio público (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O que a enfermagem relata

Uma revisão sistemática sobre fadiga de alarmes em UTI reuniu estudos com 389 enfermeiros (Lewandowska e colaboradores, 2020). Os profissionais consideravam os alarmes incômodos e frequentes demais, atrapalhando o cuidado e reduzindo a confiança no sistema. A revisão cita trabalhos em que alarmes falsos ou sem importância clínica chegavam a 85 a 99 a cada 100 alarmes.

O barulho também pesa. A mesma revisão cita um projeto em que o nível de ruído na UTI ficou entre 47 e 77 decibéis, com alarmes falsos entre as principais fontes, e lembra que o barulho atrapalha a comunicação e aumenta o estresse da equipe (Lewandowska e colaboradores, 2020). A exposição prolongada ao ruído foi apontada como fator de esgotamento profissional entre enfermeiros de terapia intensiva.

Consequências para o paciente

A revisão de escopo associou a fadiga de alarmes a respostas atrasadas, falhas de comunicação e mais estresse e esgotamento entre os profissionais (Michels e colaboradores, 2025). Entre as consequências diretas para o paciente, os autores citam o sono prejudicado pelo excesso de alarmes. O texto sobre raciocínio clínico interprofissional mostra como a equipe pode dividir a vigilância em vez de concentrá-la em uma pessoa.

O que ajuda a reduzir o excesso

A revisão de escopo lista estratégias em quatro frentes: programas de treino, melhorias técnicas, como a personalização dos alarmes, ajustes de protocolo e intervenções na organização (Michels e colaboradores, 2025). A revisão sobre apoio à decisão propõe priorizar e selecionar os alertas realmente importantes, de maior impacto, e adaptar os alertas a especialidades e níveis de gravidade (Sutton e colaboradores, 2020).

Estratégia Exemplo estudado Achado Fonte
Reduzir repetições Atenção primária Repetições para o mesmo paciente reduziram a aceitação Ancker e colaboradores, 2017
Personalizar alarmes de monitor UTI clínica com software Menos alarmes de frequência e pressão Ruppel e colaboradores, 2018
Limiares personalizados Sinais vitais em pediatria Menos alarmes de frequência cardíaca Poole e Shah, 2018
Revisar comentários de dispensa Regras de alerta em hospital 62 regras quebradas encontradas Aaron e colaboradores, 2019
Rever motivos de dispensa 10 locais com prontuários diferentes 177 motivos distintos e muitos irrelevantes Wright e colaboradores, 2019
Priorizar e personalizar Revisão de apoio à decisão Alertas por especialidade e gravidade Sutton e colaboradores, 2020

Alertas menos interruptivos

O estudo dos opioides defende interfaces que interrompam menos e alertas mais precisos (Topaz e colaboradores, 2015). Uma metanálise de apoio à decisão classificou como interruptivo o sistema que aparece na tela e impede o usuário de continuar até que o alerta seja reconhecido (Kwan e colaboradores, 2020). A escolha entre interromper e apenas informar é uma decisão de desenho com efeito direto sobre a fadiga, e cada serviço precisa medir o que acontece depois da mudança.

Limiares sob medida

Em pediatria, os sinais vitais variam muito com a idade, e os limiares padrão de alarme são considerados inadequados, gerando mais alarmes do que o necessário (Poole e Shah, 2018). Um estudo propôs limiares personalizados a partir de percentis e estimou que eles reduziriam os alarmes de frequência cardíaca baixa e alta em até 50 e 44 a cada 100, respectivamente (Poole e Shah, 2018). Nessa estimativa, a sensibilidade ficou em 62 a cada 100 e a especificidade subiu para 49 a cada 100 (Poole e Shah, 2018). Os autores lembram que os alarmes de sinais vitais deveriam ser uma rede de segurança no cuidado, mas que o manejo deles na internação virou um problema importante de segurança do paciente (Poole e Shah, 2018).

O exemplo mostra uma ideia que vale para qualquer limiar. Um ponto de corte igual para todos ignora a probabilidade pré-teste de cada paciente, e um alarme calibrado para a média dispara demais nos extremos. Ajustar o limiar ao paciente é aplicar ao monitor o mesmo raciocínio que se aplica a um exame.

Usar os comentários de quem dispensa

Um hospital investigou se os comentários deixados pelos usuários ao dispensar alertas ajudavam a encontrar regras com defeito (Aaron e colaboradores, 2019). Das regras investigadas, 62 estavam quebradas, 13 podiam ser melhoradas e 45 funcionavam. Um exemplo: um alerta sugeria repor potássio quando o campo do exame tinha um valor não numérico, como amostra hemolisada, e os médicos comentavam que o potássio estava normal (Aaron e colaboradores, 2019). Os autores lembram que alertas inadequados em excesso fazem os profissionais perderem a confiança no sistema e começarem a ignorar os que importam.

Uma rotina possível para a equipe

A lista abaixo é didática e foi montada a partir das estratégias citadas acima. Ela não substitui protocolos locais.

  1. Medir antes de mudar. Conte quantos alertas e alarmes cada profissional recebe e quantos são dispensados (Yoo e colaboradores, 2020).
  2. Cortar repetições. Repetições para o mesmo paciente são um alvo promissor (Ancker e colaboradores, 2017).
  3. Ouvir os motivos. Comentários de dispensa revelam regras quebradas (Aaron e colaboradores, 2019).
  4. Ajustar limiares. Configurar bem variáveis, volume e parâmetros dos monitores é parte da rotina (Bridi e colaboradores, 2014).
  5. Priorizar por gravidade. Alertas por especialidade e gravidade reduzem o ruído (Sutton e colaboradores, 2020).
  6. Treinar a equipe. Programas de treino aparecem entre as estratégias de redução (Michels e colaboradores, 2025).

O que dizer do apoio à decisão em geral

Uma metanálise com 122 ensaios encontrou que os sistemas de apoio à decisão aumentaram em 5,8 pontos a proporção de pacientes que recebiam o cuidado desejado (Kwan e colaboradores, 2020). Apenas 17 dos 122 ensaios consideraram a fadiga de alertas no desenho ou na aplicação do sistema, e o ganho associado a esse cuidado foi pequeno e sem significância estatística (Kwan e colaboradores, 2020). O dado mostra o quanto o tema ainda é pouco estudado nos próprios ensaios.

De volta à cena, a enfermeira do leito 4 não ignorou o alarme por descuido. Ela respondeu como o ambiente a treinou a responder. O texto sobre sessões de morbimortalidade mostra como discutir eventos assim olhando para o sistema, e o texto sobre como organizar o raciocínio no prontuário ajuda a registrar o que foi visto e quando. Para quem decide exames e condutas, o texto sobre tomada de decisão clínica lembra que toda pista deve ser pesada pelo que muda depois.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar com diagnóstico diferencial e pistas e saber encontrar o código certo na CID-10 completam esse treino.

Perguntas frequentes

A fadiga de alertas atinge só médicos?

Ela atinge enfermeiros com força, e na UTI os profissionais descrevem os alarmes como incômodos e frequentes demais (Lewandowska e colaboradores, 2020).

Uma UTI tem muitos alarmes por hora?

Em uma unidade coronariana brasileira, foram 426 alarmes em 40 horas de observação, em média 10,6 por hora (Bridi e colaboradores, 2014).

Alertas repetidos pioram a resposta?

A chance de aceitar um lembrete caiu conforme aumentava a proporção de lembretes repetidos para o mesmo paciente (Ancker e colaboradores, 2017).

Dispensar alertas pode virar hábito?

Dispensas anteriores aumentaram a força do hábito de dispensar e se associaram a mais dispensas depois (Wang e colaboradores, 2022).

Dá para reduzir o número de alarmes com segurança?

Limiares personalizados em pediatria reduziriam os alarmes de frequência cardíaca mantendo a sensibilidade estimada (Poole e Shah, 2018).

Take-home messages

  • A fadiga de alertas é a dessensibilização causada por avisos frequentes e pouco relevantes.
  • A maior parte dos alertas de medicamentos foi dispensada em vários serviços estudados.
  • Repetições para o mesmo paciente reduzem a aceitação mais do que o volume de trabalho.
  • Dispensar vira hábito, e muitos alertas são fechados em menos de três segundos.
  • Na UTI, monitores e outros equipamentos somam alarmes em ritmo de vários por hora.
  • Cortar repetições, ajustar limiares, priorizar por gravidade e ouvir os motivos de dispensa aparecem como caminhos.
  • O alarme ignorado costuma ser um problema do sistema, e não só de quem estava de plantão.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Aaron S, McEvoy DS, Ray S, et al. Cranky comments: detecting clinical decision support malfunctions through free-text override reasons. J Am Med Inform Assoc. 2019. PMID 30590557.
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  4. Embi PJ, Leonard AC. Evaluating alert fatigue over time to EHR-based clinical trial alerts: findings from a randomized controlled study. J Am Med Inform Assoc. 2012. PMID 22534081.
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