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Medicina do Esporte

Exercício na artrose de joelho e quadril

Aparelho histórico de exercício terapêutico de Zander para o quadril, com assento de veludo, polias e motor
Sumário
  1. Por que a artrose importa
  2. O que é artrose e onde o exercício entra
  3. O que mostram as revisões no joelho
  4. O que mostram as revisões no quadril
  5. Exercício, analgésicos e cirurgia
  6. Peso, carga e o ensaio IDEA
  7. Como prescrever na prática
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Take-home messages
  11. Referências

Um homem de 63 anos chega à consulta com dor no joelho direito há dois anos. A dor piora ao subir ladeiras e melhora com repouso. Ele traz uma radiografia que mostra redução do espaço articular e pergunta se já está na hora de operar. Toma anti-inflamatório quase todo dia e parou de caminhar porque tem medo de "gastar" o joelho.

Essa cena resume os três equívocos mais comuns na artrose: tratar a imagem em vez do paciente, apoiar o cuidado em comprimidos e enxergar o movimento como inimigo da articulação. As diretrizes dizem o contrário. A diretriz do American College of Rheumatology recomenda fortemente o exercício para todas as pessoas com artrose de joelho e quadril (Kolasinski, 2020).

Este texto resume o que as revisões e os ensaios mostram, compara o exercício com analgésicos e cirurgia e propõe um roteiro prático para prescrever.

Principais pontos

  • O exercício reduziu a dor da artrose de joelho em 12 pontos numa escala de 0 a 100, logo após o tratamento, numa revisão Cochrane de 54 estudos (Fransen, 2015).
  • Na artrose de quadril, o exercício reduziu a dor em 8 pontos na mesma escala, com número necessário para tratar de 6 (Fransen, 2014).
  • Numa metanálise em rede de 152 ensaios, o exercício aliviou a dor tanto quanto anti-inflamatórios orais e paracetamol (Weng, 2023).
  • A artroscopia para joelho degenerativo trouxe ganho de 2,4 mm numa escala de 100 mm, que desapareceu entre um e dois anos (Thorlund, 2015).
  • O efeito do exercício atinge o pico perto de 2 meses e se dilui depois de 9 meses se a prática não continua (Goh, 2019).
  • Perda de peso somada ao exercício reduziu mais a dor do que exercício isolado em adultos com sobrepeso (Messier, 2013).

Sumário

Por que a artrose importa

A artrose é a forma mais comum de artrite em adultos e uma das grandes causas de dor crônica e perda de mobilidade. O estudo Global Burden of Disease estimou 595 milhões de pessoas com artrose no mundo em 2020 (GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators, 2023).

Um problema que cresce

A projeção do mesmo grupo prevê 642 milhões de pessoas com artrose de joelho em 2050 (GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators, 2023). Para o quadril, a projeção é de 62,6 milhões de pessoas no mesmo ano (GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators, 2023).

O envelhecimento da população explica parte desse crescimento. O excesso de peso explica outra parte: o índice de massa corporal alto respondeu por cerca de um quinto da carga de artrose na análise do Global Burden of Disease (GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators, 2023).

Por que o exercício é central

A artrose atinge a articulação inteira: cartilagem, osso, sinóvia, ligamentos e músculos. A dor leva à inatividade, a inatividade enfraquece o quadríceps e os músculos do quadril, e a fraqueza aumenta a dor ao carregar peso. O exercício interrompe esse ciclo.

Por isso a diretriz do ACR coloca exercício, perda de peso quando indicada, autocuidado e educação no centro do tratamento (Kolasinski, 2020). Fármacos, infiltrações e cirurgia entram como complemento ou para quem não responde.

O que é artrose e onde o exercício entra

O diagnóstico de artrose de joelho ou quadril é clínico na maioria dos adultos de meia-idade ou mais velhos com dor mecânica e rigidez matinal curta. A radiografia ajuda pouco a decidir o tratamento inicial, porque a intensidade da dor e o grau radiográfico muitas vezes não andam juntos.

Imagem não define o tratamento

Pedir ressonância de rotina para dor no joelho do adulto mais velho costuma revelar achados que existem também em quem não tem dor, como lesões degenerativas do menisco. O achado vira rótulo, e o rótulo puxa procedimentos. É o mesmo mecanismo descrito no texto sobre os motores do sobrediagnóstico, e lembra o raciocínio sobre o que é um achado casual na imagem.

Bolsa de água quente em capa de tricô azul com tranças, apoiada sobre uma almofada
Medidas simples de conforto, como uma bolsa de água quente, podem acompanhar o programa, mas o centro do tratamento da artrose continua sendo o exercício. Crédito: Kara Babcock, CC BY 2.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O que a diretriz recomenda com força

A diretriz do ACR de 2019 recomenda fortemente exercício, perda de peso em quem tem sobrepeso ou obesidade e tai chi para artrose de joelho e quadril (Kolasinski, 2020). O exercício pode incluir caminhada, fortalecimento, treino neuromuscular e exercício na água, sem hierarquia entre eles (Kolasinski, 2020).

O que a diretriz desaconselha com força

A mesma diretriz recomenda fortemente contra glucosamina, condroitina, bisfosfonatos, hidroxicloroquina e metotrexato na artrose de joelho e quadril (Kolasinski, 2020). A estimulação elétrica transcutânea também recebeu recomendação forte contra (Kolasinski, 2020). Essa lista ajuda a conversar com o paciente que já gasta com suplementos sem benefício.

O que mostram as revisões no joelho

A revisão Cochrane de Fransen e colaboradores reuniu 54 estudos de exercício em terra para artrose de joelho (Fransen, 2015). É a síntese mais citada sobre o tema e a base de muitas diretrizes.

Dor, função e qualidade de vida

Em 44 ensaios com 3.537 participantes, o exercício reduziu a dor com diferença média padronizada de 0,49 logo após o tratamento (Fransen, 2015). Isso equivale a uma redução de 12 pontos numa escala de 0 a 100, partindo de 44 pontos no grupo controle (Fransen, 2015).

A função física melhorou o equivalente a 10 pontos na mesma escala, com evidência de qualidade moderada (Fransen, 2015). A qualidade de vida melhorou 4 pontos, com evidência de alta qualidade (Fransen, 2015).

O efeito se mantém por alguns meses

Doze estudos com 1.468 participantes mediram a dor de dois a seis meses após o fim do programa supervisionado (Fransen, 2015). A redução persistiu, equivalente a 6 pontos na escala de 0 a 100 (Fransen, 2015).

Os autores descrevem o efeito como moderado logo após o tratamento e pequeno depois, mas comparável às estimativas para anti-inflamatórios não esteroides (Fransen, 2015).

Segurança

Oito estudos relataram eventos adversos, todos ligados a aumento de dor no joelho ou na coluna lombar atribuído ao exercício (Fransen, 2015). Nenhum estudo relatou evento adverso grave (Fransen, 2015).

A taxa de abandono foi parecida entre exercício e controle, com razão de chances de 0,93 (Fransen, 2015). Esse dado desmonta a ideia de que o paciente com artrose não tolera exercício.

Qual modalidade escolher

Uma metanálise em rede de 2025 reuniu 217 ensaios com 15.684 participantes com artrose de joelho (Yan, 2025). O exercício aeróbico teve o maior efeito sobre a dor em curto prazo, com diferença média padronizada de 1,10 em relação ao controle (Yan, 2025).

Fortalecimento e exercício misto melhoraram a função em 12 semanas, com diferenças médias padronizadas de 0,86 e 1,07 (Yan, 2025). Exercícios de mente e corpo, como tai chi e ioga, melhoraram a função em curto prazo (Yan, 2025).

A mensagem prática é simples: várias modalidades funcionam, e a melhor é a que o paciente faz com regularidade. A própria diretriz do ACR evita fixar uma hierarquia entre elas (Kolasinski, 2020).

O que mostram as revisões no quadril

A evidência no quadril é menor, mas aponta para o mesmo lado. A revisão Cochrane de exercício na artrose de quadril incluiu 10 ensaios randomizados (Fransen, 2014).

Dor e função

Em nove ensaios com 549 participantes, o exercício reduziu a dor com diferença média padronizada de 0,38 (Fransen, 2014). A redução equivale a 8 pontos numa escala de 0 a 100, com número necessário para tratar de 6 (Fransen, 2014).

A função física melhorou 7 pontos na mesma escala, também com número necessário para tratar de 6 (Fransen, 2014). A qualidade de vida, medida em apenas três estudos pequenos com 183 participantes, ficou sem benefício demonstrado (Fransen, 2014).

O efeito persiste

A redução da dor se manteve de três a seis meses após o fim do tratamento supervisionado, em cinco ensaios com 391 participantes (Fransen, 2014). Os eventos adversos relatados foram poucos e ligados a aumento de dor durante o programa (Fransen, 2014).

Joelho e quadril juntos

Uma metanálise de 77 ensaios com 6.472 participantes avaliou joelho e quadril em conjunto (Goh, 2019). O exercício reduziu a dor com tamanho de efeito de 0,56 perto de 8 semanas (Goh, 2019).

O ganho foi maior em ensaios com participantes mais jovens, com artrose de joelho e sem cirurgia de prótese marcada (Goh, 2019). Esse padrão sugere que o exercício deve começar cedo no curso da doença, e não como última tentativa antes da prótese.

Exercício, analgésicos e cirurgia

O paciente do caso usa anti-inflamatório diariamente e pensa em cirurgia. A pergunta natural é como o exercício se compara a essas opções.

Exercício contra anti-inflamatórios e paracetamol

Uma metanálise em rede de 152 ensaios com 17.431 participantes comparou exercício com anti-inflamatórios orais e paracetamol na artrose de joelho e quadril (Weng, 2023). A dor e a função foram parecidas entre exercício e fármacos em 4, 8 e 24 semanas (Weng, 2023).

Os autores lembram o perfil de segurança muito melhor do exercício, sobretudo em idosos com comorbidades e risco maior de eventos adversos dos fármacos (Weng, 2023). Num paciente com hipertensão, doença renal ou risco de sangramento digestivo, isso pesa muito.

Rever o uso contínuo de anti-inflamatório é uma oportunidade de decidir com o paciente o que parar. Na dor crônica, vale também conhecer a diferença entre dependência física, tolerância e transtorno por uso antes de escalar para opioides.

Artroscopia no joelho degenerativo

Uma metanálise de nove ensaios avaliou artroscopia com meniscectomia parcial, desbridamento ou ambos em adultos de meia-idade e idosos com joelho degenerativo (Thorlund, 2015). O benefício sobre a dor foi de 2,4 mm numa escala visual de 100 mm (Thorlund, 2015).

Esse pequeno ganho apareceu aos três e seis meses e sumiu entre um e dois anos após a cirurgia (Thorlund, 2015). A função física ficou sem benefício significativo (Thorlund, 2015).

Os danos incluíram trombose venosa profunda sintomática, com 4,13 eventos por 1.000 procedimentos, além de embolia pulmonar, infecção e morte (Thorlund, 2015). Somados, esses dados mostram uma cirurgia com pouco ganho e risco real.

Exercício contra meniscectomia

Um ensaio norueguês randomizou 140 adultos de meia-idade com lesão degenerativa do menisco medial vista na ressonância para 12 semanas de exercício supervisionado ou meniscectomia parcial artroscópica (Kise, 2016). A idade média foi de 49,5 anos (Kise, 2016).

Após dois anos, a diferença no escore KOOS4 entre os grupos foi de 0,9 ponto, sem relevância clínica (Kise, 2016). A força da coxa melhorou mais no grupo de exercício aos três meses (Kise, 2016).

Cerca de 19 de cada 100 participantes do grupo de exercício passaram para a cirurgia durante o seguimento, sem benefício adicional (Kise, 2016). Nenhum evento adverso grave ocorreu em qualquer grupo (Kise, 2016).

Radiografia de frente do joelho com redução do espaço articular, indicada por uma seta
A radiografia mostra o estreitamento do espaço articular, mas o grau da imagem prevê mal a dor e a resposta ao exercício. Crédito: James Heilman, MD, CC BY-SA 3.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

A evidência lado a lado

Estudo Desenho e população Principal resultado
Fransen, 2015 Revisão Cochrane de 54 estudos na artrose de joelho (Fransen, 2015) Dor 12 pontos menor numa escala de 0 a 100 (Fransen, 2015)
Fransen, 2014 Revisão Cochrane de 10 ensaios na artrose de quadril (Fransen, 2014) Dor 8 pontos menor, número necessário para tratar de 6 (Fransen, 2014)
Goh, 2019 Metanálise de 77 ensaios, 6.472 participantes (Goh, 2019) Pico de efeito perto de 2 meses, perda depois de 9 meses (Goh, 2019)
Weng, 2023 Metanálise em rede de 152 ensaios, 17.431 participantes (Weng, 2023) Dor e função iguais às de anti-inflamatórios e paracetamol (Weng, 2023)
Yan, 2025 Metanálise em rede de 217 ensaios, 15.684 participantes (Yan, 2025) Aeróbico com maior efeito na dor em curto prazo (Yan, 2025)
Thorlund, 2015 Metanálise de 9 ensaios de artroscopia (Thorlund, 2015) Ganho de 2,4 mm na dor, ausente em um a dois anos (Thorlund, 2015)
Kise, 2016 Ensaio com 140 adultos com lesão degenerativa do menisco (Kise, 2016) Diferença de 0,9 ponto no KOOS4 em dois anos (Kise, 2016)
Messier, 2013 Ensaio IDEA com 454 adultos com sobrepeso (Messier, 2013) Dieta mais exercício reduziu mais a dor que exercício isolado (Messier, 2013)

E a prótese?

A artroplastia total continua sendo uma boa opção para artrose avançada com dor e limitação que persistem após tratamento conservador bem feito. O exercício estruturado prepara o paciente para a cirurgia e, em muitos casos, adia a indicação. A decisão é compartilhada e depende do quanto a dor limita a vida da pessoa, e não do aspecto da radiografia.

Peso, carga e o ensaio IDEA

O excesso de peso aumenta a carga sobre o joelho a cada passo e alimenta a inflamação de baixo grau. Por isso a diretriz recomenda fortemente perda de peso para quem tem artrose de joelho ou quadril e sobrepeso (Kolasinski, 2020).

O desenho do estudo

O ensaio IDEA randomizou 454 adultos com 55 anos ou mais, índice de massa corporal entre 27 e 41 e artrose de joelho com dor (Messier, 2013). Os grupos receberam dieta intensiva, dieta com exercício ou exercício isolado por 18 meses (Messier, 2013).

Ao fim do estudo, 399 participantes completaram o seguimento (Messier, 2013). A perda de peso média foi de 10,6 kg no grupo de dieta com exercício e de 1,8 kg no grupo de exercício (Messier, 2013).

Os resultados

A dor, numa escala de 0 a 20, ficou em 3,6 no grupo de dieta com exercício e em 4,7 no grupo de exercício isolado (Messier, 2013). A função também foi melhor no grupo combinado (Messier, 2013).

A força de compressão no joelho caiu mais no grupo de dieta do que no grupo de exercício (Messier, 2013). A interleucina 6, um marcador inflamatório, ficou mais baixa nos grupos com dieta (Messier, 2013).

O que isso muda na consulta

Para o paciente com sobrepeso, a mensagem é combinar movimento e perda de peso, e não escolher um dos dois. Quando a perda de peso é difícil, fármacos para obesidade podem entrar na conversa, como discutido no texto sobre o que os estudos de tirzepatida mostraram.

Como prescrever na prática

Saber que o exercício funciona é a parte fácil. O difícil é fazer o paciente começar e manter.

O modelo dinamarquês GLA:D

O programa dinamarquês GLA:D combina três sessões de educação em duas semanas com 12 sessões de exercício neuromuscular supervisionado, duas vezes por semana, durante seis semanas (Skou, 2017). Fisioterapeutas treinados conduzem as sessões (Skou, 2017).

Nos dados de 9.825 participantes do registro nacional, a dor caiu 12,4 pontos numa escala de 0 a 100 aos três meses e 13,7 pontos aos 12 meses (Skou, 2017). Menos pacientes usavam analgésicos e menos estavam afastados do trabalho após um ano (Skou, 2017).

Apesar do bom resultado, só cerca de 20 de cada 100 municípios dinamarqueses ofereciam o programa na época do relatório (Skou, 2017). Mesmo onde o tratamento existe, chegar ao paciente é um desafio.

Educação que muda a crença

Muitos pacientes acham que a dor ao se mexer significa dano à articulação. Explique que algum desconforto durante e logo após o exercício é esperado e não indica piora estrutural. Uma regra útil é aceitar dor leve que volta ao nível habitual em até um dia.

A revisão Cochrane mostrou abandono parecido entre exercício e controle, o que ajuda a tranquilizar quem teme não aguentar (Fransen, 2015). Técnicas de entrevista motivacional como as habilidades OARS ajudam a transformar a recomendação em decisão do próprio paciente.

Como montar o programa

Comece por fortalecimento de quadríceps, glúteos e abdutores do quadril, somado a atividade aeróbica de baixo impacto, como caminhada, e a treino de equilíbrio. A diretriz do ACR aceita caminhada, fortalecimento, treino neuromuscular e exercício aquático (Kolasinski, 2020).

Progrida a carga aos poucos e ajuste a intensidade pela dor. Programas supervisionados no início tendem a dar resultados melhores; a revisão Cochrane notou mais efeito com programas individuais do que com aulas em grupo ou exercício em casa (Fransen, 2015).

Manter é o desafio

O efeito do exercício chega ao máximo perto de 2 meses e cai até ficar igual ao cuidado habitual entre 9 e 18 meses (Goh, 2019). Esse padrão reflete a interrupção da prática, e não uma falha do exercício.

A conclusão é que o programa precisa virar hábito. Atividades de que a pessoa gosta, grupos e retornos periódicos ajudam a manter. O mesmo raciocínio aparece no texto sobre como prescrever exercício na depressão.

Quando procurar outra causa

Dor em repouso intensa, dor noturna, febre, perda de peso, derrame articular volumoso ou bloqueio verdadeiro pedem avaliação antes de atribuir tudo à artrose. Dor no joelho com exame normal do joelho pode vir do quadril.

Evitar cascatas

Tratar o paciente de forma conservadora, com método e acompanhamento, protege contra exames e procedimentos que pouco acrescentam. A ideia é a mesma descrita no texto sobre as cascatas de cuidado.

De volta ao caso

Para o homem de 63 anos, o roteiro é explicar que a radiografia confirma a artrose, mas não indica cirurgia por si. Proponha um programa supervisionado de fortalecimento e caminhada por algumas semanas, reveja o uso diário de anti-inflamatório e discuta perda de peso se houver sobrepeso. Marque retorno para ajustar o programa e reforçar a adesão.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Para os motivos de consulta mais frequentes, veja os códigos mais comuns na atenção primária.

Perguntas frequentes

Exercício piora a artrose?

As revisões Cochrane mostram redução da dor e melhora da função, sem eventos adversos graves relatados nos estudos de joelho (Fransen, 2015). O desconforto leve durante o programa é esperado e passa.

Quanto o exercício reduz a dor no joelho?

Cerca de 12 pontos numa escala de 0 a 100 logo após o tratamento, segundo a revisão Cochrane (Fransen, 2015). O efeito diminui para cerca de 6 pontos de dois a seis meses depois (Fransen, 2015).

O exercício funciona no quadril?

Funciona, com redução de 8 pontos na dor e número necessário para tratar de 6 na revisão Cochrane (Fransen, 2014). A evidência é menor do que no joelho.

Exercício é tão bom quanto anti-inflamatório?

Numa metanálise em rede de 152 ensaios, dor e função foram parecidas entre exercício e anti-inflamatórios orais ou paracetamol (Weng, 2023). O exercício tem perfil de segurança melhor (Weng, 2023).

Vale operar o menisco degenerativo?

Em adultos de meia-idade, 12 semanas de exercício tiveram resultado igual à meniscectomia parcial após dois anos (Kise, 2016). A artroscopia no joelho degenerativo traz ganho pequeno e passageiro, com riscos (Thorlund, 2015).

Qual tipo de exercício escolher?

Caminhada, fortalecimento, treino neuromuscular, exercício na água e tai chi são opções aceitas pela diretriz do ACR (Kolasinski, 2020). A melhor modalidade é a que o paciente mantém.

Perder peso ajuda?

Sim. No ensaio IDEA, dieta com exercício reduziu mais a dor do que exercício isolado em adultos com sobrepeso e artrose de joelho (Messier, 2013).

Take-home messages

  • O exercício é tratamento de primeira linha na artrose de joelho e quadril, com recomendação forte do ACR.
  • No joelho, o exercício reduz a dor e melhora a função, com efeito comparável ao de anti-inflamatórios.
  • No quadril, a evidência é menor, mas aponta benefício na dor e na função.
  • A imagem confirma a artrose, mas não define o tratamento inicial.
  • Artroscopia no joelho degenerativo traz ganho pequeno e passageiro, com riscos.
  • Perda de peso somada ao exercício funciona melhor em quem tem sobrepeso.
  • O efeito do exercício se perde quando a prática para; o programa precisa virar hábito.
  • Glucosamina, condroitina e estimulação elétrica transcutânea não têm lugar no tratamento.

Jogue o caso do dia no NEXO.

Referências

  1. Fransen M, McConnell S, Harmer AR, et al. Exercise for osteoarthritis of the knee. Cochrane Database Syst Rev. 2015. PMID 25569281. DOI 10.1002/14651858.CD004376.pub3.
  2. Fransen M, McConnell S, Hernandez-Molina G, et al. Exercise for osteoarthritis of the hip. Cochrane Database Syst Rev. 2014. PMID 24756895. DOI 10.1002/14651858.CD007912.pub2.
  3. Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Rheumatol. 2020. PMID 31908163. DOI 10.1002/art.41142.
  4. GBD 2021 Osteoarthritis Collaborators. Global, regional, and national burden of osteoarthritis, 1990-2020 and projections to 2050: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2021. Lancet Rheumatol. 2023. PMID 37675071. DOI 10.1016/S2665-9913(23)00163-7.
  5. Yan L, Li D, Xing D, et al. Comparative efficacy and safety of exercise modalities in knee osteoarthritis: systematic review and network meta-analysis. BMJ. 2025. PMID 41093618. DOI 10.1136/bmj-2025-085242.
  6. Goh SL, Persson MSM, Stocks J, et al. Efficacy and potential determinants of exercise therapy in knee and hip osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis. Ann Phys Rehabil Med. 2019. PMID 31121333. DOI 10.1016/j.rehab.2019.04.006.
  7. Weng Q, Goh SL, Wu J, et al. Comparative efficacy of exercise therapy and oral non-steroidal anti-inflammatory drugs and paracetamol for knee or hip osteoarthritis: a network meta-analysis of randomised controlled trials. Br J Sports Med. 2023. PMID 36593092. DOI 10.1136/bjsports-2022-105898.
  8. Thorlund JB, Juhl CB, Roos EM, et al. Arthroscopic surgery for degenerative knee: systematic review and meta-analysis of benefits and harms. BMJ. 2015. PMID 26080045. DOI 10.1136/bmj.h2747.
  9. Kise NJ, Risberg MA, Stensrud S, et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. BMJ. 2016. PMID 27440192. DOI 10.1136/bmj.i3740.
  10. Messier SP, Mihalko SL, Legault C, et al. Effects of intensive diet and exercise on knee joint loads, inflammation, and clinical outcomes among overweight and obese adults with knee osteoarthritis: the IDEA randomized clinical trial. JAMA. 2013. PMID 24065013. DOI 10.1001/jama.2013.277669.
  11. Skou ST, Roos EM. Good Life with osteoArthritis in Denmark (GLA:D): evidence-based education and supervised neuromuscular exercise delivered by certified physiotherapists nationwide. BMC Musculoskelet Disord. 2017. PMID 28173795. DOI 10.1186/s12891-017-1439-y.

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