Zuranolona na depressão pós-parto: dose e cuidados

Pés de um recém-nascido envolto em manta clara
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. Reconhecer a depressão pós-parto
  3. Como age a zuranolona
  4. Situação regulatória: FDA e EMA
  5. O que mostraram os estudos
  6. Da indicação ao acompanhamento
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Checklist final
  10. Referências

Uma mulher de 31 anos teve o primeiro filho há seis semanas, por parto vaginal, sem complicações. Desde a segunda semana dorme mal mesmo quando o bebê dorme, chora quase todos os dias, perdeu o interesse pelas coisas de que gostava e sente que não é uma boa mãe. Na consulta de puerpério, a escala de Edimburgo deu uma pontuação alta. Ela amamenta e pretende continuar. Na entrevista, a médica pergunta diretamente sobre pensamentos de morte; ela relata cansaço e desesperança, sem intenção nem plano, e conta com o companheiro e a mãe em casa. Ela nunca usou antidepressivo e voltaria a dirigir no mês seguinte. Ela pergunta se existe um tratamento que funcione rápido. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. Ele trata da zuranolona, um remédio oral de 14 dias aprovado para depressão pós-parto em adultos. O texto explica a indicação, a dose, as advertências sobre sonolência e direção, a amamentação, a contracepção, o que os estudos mostraram e onde estão os limites da evidência. Ele não substitui o protocolo da sua instituição nem a bula local, e não substitui a avaliação de risco feita por um profissional. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.

Principais pontos

  • A zuranolona (nome comercial Zurzuvae) é indicada nos Estados Unidos e na União Europeia para depressão pós-parto em adultos.
  • A dose americana é de 50 mg por via oral uma vez ao dia, à noite, com alimento que contenha gordura, por 14 dias.
  • A bula traz advertência em tarja preta: a pessoa não deve dirigir até pelo menos 12 horas depois de cada dose, durante todo o tratamento.
  • Nos estudos, a melhora da escala de Hamilton no dia 15 foi cerca de 4 pontos maior que com placebo.
  • Sonolência, tontura, diarreia, cansaço e infecção urinária foram os efeitos mais comuns.
  • As datas regulatórias deste texto foram conferidas na FDA e na EMA em 24 de outubro de 2026.

Por que este é um cenário de raciocínio

A depressão no período perinatal é comum. Uma metanálise lembra que estudos em países de alta renda estimam prevalência de 11 por cento na gestação e de 13 por cento no pós-parto (Smythe e colaboradores, 2022). Uma revisão sobre risco e acesso ao tratamento estima que quase 1 em cada 7 mulheres tem sintomas compatíveis com depressão maior nesse período (Gopalan e colaboradores, 2022). A mesma revisão cita dados de comitês de revisão de mortalidade materna dos Estados Unidos segundo os quais 68 por cento das mortes relacionadas à gestação seriam evitáveis, e a maioria delas está ligada a condições de saúde mental (Gopalan e colaboradores, 2022). Outra revisão lembra que o suicídio, que pode resultar de psicose ou de depressão não tratada, é uma causa comum de morte materna no mundo (Lim, 2021).

O cenário é bom para treino porque junta várias decisões: confirmar o diagnóstico, avaliar o risco, escolher entre psicoterapia, antidepressivo e um remédio novo, e planejar a vida prática da mãe durante o tratamento. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a organizar a entrevista, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que cada opção troca um risco por outro.

O que a cena ensina

A cena treina seis hábitos. O primeiro é usar uma escala validada sem deixar que ela substitua a entrevista. O segundo é perguntar diretamente sobre pensamentos de morte e registrar a resposta. O terceiro é investigar outras causas, como doença da tireoide e anemia. O quarto é conhecer a dose, as interações e os ajustes da zuranolona. O quinto é planejar sonolência, direção, amamentação e contracepção. O sexto é combinar a reavaliação depois dos 14 dias.

O que não está em jogo

O texto não discute psicose pós-parto, transtorno bipolar, depressão na gestação nem tratamento de adolescentes. Também não compara preços nem acesso. A psicose pós-parto e qualquer sinal de risco imediato pedem avaliação urgente num serviço de saúde, e não um tratamento ambulatorial de 14 dias. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a decidir quando a pista muda o rumo.

Reconhecer a depressão pós-parto

A triagem

Uma revisão lembra que o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido, o NICE, e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, o ACOG, recomendam rastrear depressão e ansiedade pelo menos uma vez no período perinatal com um instrumento padronizado e validado (Lim, 2021). Uma triagem positiva deve levar a encaminhamento para avaliação em saúde mental (Lim, 2021). A escala de Edimburgo foi criada em 1987 para ajudar profissionais da atenção primária a detectar depressão pós-parto e é muito usada na gestação e no puerpério (Oliveira e colaboradores, 2022). Um estudo brasileiro cita autores que sugerem ponto de corte de 11 a 12, com sensibilidade de 72 por cento e especificidade de 88 por cento, e usou pontuação de 12 ou mais como indicativa de depressão (Oliveira e colaboradores, 2022).

A entrevista

A escala aponta, mas não diagnostica. A entrevista confirma o tempo dos sintomas, a intensidade, o impacto no cuidado com o bebê e na vida diária, a história de depressão ou de episódios de euforia e o uso de substâncias. A revisão sobre risco e acesso lembra que o trauma deve ser considerado um fator de risco importante para depressão perinatal e defende rastreamento universal de trauma (Gopalan e colaboradores, 2022). Ela também cita um estudo de 138 países que encontrou idade materna mais jovem, primeira gestação e gêmeos como fatores de risco para sintomas depressivos no pós-parto (Gopalan e colaboradores, 2022).

Avaliar o risco

Perguntar diretamente sobre pensamentos de morte é parte da avaliação. Se houver intenção, plano, sintomas psicóticos ou incapacidade de cuidar de si ou do bebê, a conduta muda para avaliação urgente num serviço de saúde, com a família informada. Na cena, a mulher relata desesperança, sem intenção nem plano, e tem apoio em casa. Mesmo assim, a bula americana pede que os pacientes e as famílias sejam orientados a comunicar imediatamente o surgimento de pensamentos suicidas ou a piora da depressão (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Barreiras ao tratamento

Uma revisão sobre depressão perinatal lista barreiras ligadas à paciente, aos profissionais e aos sistemas: estigma, fatores culturais, medo de efeitos adversos dos antidepressivos, acesso limitado à saúde mental, pouca formação dos profissionais da área perinatal e pouca coordenação entre equipes (Dagher e colaboradores, 2021). A mesma revisão cita pesquisas que associam a licença remunerada depois do parto a melhor saúde mental perinatal (Dagher e colaboradores, 2021). Na cena, o tratamento precisa caber numa rotina com um bebê de seis semanas.

A amamentação

Uma metanálise encontrou associação entre depressão pós-parto e menor autoeficácia na amamentação (Ahmadinezhad e colaboradores, 2024). Os autores lembram que aumentar a autoeficácia na amamentação pode melhorar a satisfação da mãe, a comunicação entre mãe e bebê e a saúde da criança (Ahmadinezhad e colaboradores, 2024). Por isso, a vontade de continuar amamentando entra na escolha do tratamento.

Imagem de microscopia óptica de uma estrutura arredondada rosa e roxa com núcleos escuros na borda e hemácias vermelhas no interior
Vilosidade coriônica de placenta a termo em microscopia óptica. A depressão pós-parto surge depois do parto, um período de grandes mudanças hormonais. Foto: Mikael Häggström, Wikimedia Commons, CC0.

Como age a zuranolona

A EMA resume que a zuranolona aumenta a atividade do neurotransmissor GABA, que participa da regulação do humor (EMA, página do Zurzuvae). O artigo do estudo ROBIN lembra que os níveis do neuroesteroide alopregnanolona mudam muito no período perinatal e que essas mudanças podem afetar a sinalização do GABA e o surgimento da depressão pós-parto (Deligiannidis e colaboradores, 2021).

Um parente da brexanolona

Um estudo pré-clínico lembra que a brexanolona é uma formulação intravenosa da alopregnanolona que mostrou eficácia na depressão pós-parto (Althaus e colaboradores, 2020). Os autores explicam que análogos sintéticos dessa classe foram desenvolvidos para manter a ação sobre o receptor GABA A e melhorar a absorção oral (Althaus e colaboradores, 2020). A zuranolona é um desses moduladores alostéricos positivos, com biodisponibilidade oral de 62 por cento em camundongos (Althaus e colaboradores, 2020).

Receptores sinápticos e extrassinápticos

O mesmo estudo explica que os receptores GABA A com a subunidade gama predominam nas sinapses, enquanto os que têm a subunidade delta ficam sobretudo fora delas (Althaus e colaboradores, 2020). A zuranolona age nos dois tipos (Althaus e colaboradores, 2020). Essa ação ampla ajuda a entender por que a sonolência e a tontura aparecem nos estudos.

O que isso muda na prática

Os antidepressivos usados há décadas levam semanas para agir e são tomados por meses. A zuranolona é tomada por 14 dias. A bula americana diz que ela pode ser usada sozinha ou junto com um antidepressivo oral, e que a segurança e a eficácia além de 14 dias não foram estabelecidas (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Isso não elimina a necessidade de seguimento: a depressão pode voltar, e o plano depois do dia 14 precisa estar combinado antes do dia 1.

Situação regulatória: FDA e EMA

Estados Unidos. A FDA aprovou o Zurzuvae em 4 de agosto de 2023, pela NDA 217369 (Drugs@FDA, NDA 217369). O Drugs@FDA lista mudanças de bula em 31 de julho de 2024 e em 20 de abril de 2026 (Drugs@FDA, NDA 217369). A bula consultada foi revisada em abril de 2026 (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A indicação é o tratamento da depressão pós-parto em adultos (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A zuranolona é substância controlada da lista IV nos Estados Unidos (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

União Europeia. O comitê de medicamentos humanos da EMA deu parecer favorável em 24 de julho de 2025, e o Zurzuvae recebeu autorização de comercialização válida em toda a União Europeia em 17 de setembro de 2025 (EMA, página do Zurzuvae). A página foi consultada em 24 de outubro de 2026 e tinha última atualização em 31 de outubro de 2025 (EMA, página do Zurzuvae). A EMA descreve uso em cápsulas, uma vez ao dia à noite, por 14 dias, sozinho ou junto de outro antidepressivo (EMA, página do Zurzuvae). A EMA também diz que o Zurzuvae não deve ser usado na gestação (EMA, página do Zurzuvae).

Outros países. Este texto não descreve o registro em outros países. A disponibilidade depende da agência local.

O que mostraram os estudos

O estudo ROBIN

O estudo ROBIN, de fase 3, randomizou 153 mulheres ambulatoriais com depressão pós-parto para zuranolona 30 mg ou placebo por 2 semanas (Deligiannidis e colaboradores, 2021). A diferença na escala de Hamilton favoreceu a zuranolona em todos os pontos medidos, do dia 3 ao dia 45, quatro semanas depois do fim do tratamento (Deligiannidis e colaboradores, 2021). No dia 3, a diferença foi de 2,7 pontos, e no dia 45, de 4,1 pontos (Deligiannidis e colaboradores, 2021). Também no dia 3, a remissão ocorreu em 19 por cento com zuranolona e em 5 por cento com placebo (Deligiannidis e colaboradores, 2021). A bula americana descreve esse estudo como o estudo 2, feito com outra formulação, equivalente a cerca de 40 mg do produto atual: a queda no dia 15 foi de 17,8 pontos com o remédio e de 13,6 com placebo, uma diferença de 4,2 (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

O estudo SKYLARK

A bula americana descreve como estudo 1 o ensaio com a dose de 50 mg, com 98 pacientes no remédio e 97 no placebo (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A queda na escala de Hamilton no dia 15 foi de 15,6 pontos com o remédio e de 11,6 com placebo, uma diferença de 4,0 pontos (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A EMA resume o mesmo estudo principal, com 200 mulheres com depressão pós-parto grave, e descreve uma queda de cerca de 10 pontos no dia 3 com o remédio, contra cerca de 6 com placebo (EMA, página do Zurzuvae). No estudo 1, a idade média foi de 30 anos, e 15 por cento usavam antidepressivo oral estável no início (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

A metanálise

Uma revisão sistemática com metanálise dos dois estudos randomizados encontrou maior taxa de resposta na escala de impressão clínica global com zuranolona, com razão de chances de 2,31 (Oliveira e colaboradores, 2024). A remissão foi mais frequente com o remédio nos dias 3, 15 e 45, com razões de chances de 2,59, 2,23 e 2,20 (Oliveira e colaboradores, 2024). Por reunir só dois estudos, a metanálise não muda o tamanho da evidência, mas mostra que os resultados foram parecidos.

A tabela resume os dois estudos.

EstudoDoseParticipantesQueda no dia 15 com o remédioQueda no dia 15 com placeboDiferençaFonte
Estudo 1 (SKYLARK)50 mg98 contra 9715,611,64,0(bula americana do Zurzuvae, 4/2026)
Estudo 2 (ROBIN)30 mg de outra formulação, cerca de 40 mg do produto atual153 randomizadas17,813,64,2(Deligiannidis e colaboradores, 2021) (bula americana do Zurzuvae, 4/2026)

Efeitos adversos

A bula lista como reações adversas mais comuns sonolência, tontura, diarreia, cansaço, resfriado e infecção urinária (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). No estudo 1, a sonolência ocorreu em 36 por cento com 50 mg e em 6 por cento com placebo (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). No estudo 2, ocorreu em 19 por cento com o remédio e em 11 por cento com placebo (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Em cada estudo, algumas pacientes tiveram estado confusional; um deles foi grave e veio junto com sonolência, tontura e alteração da marcha (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). No ROBIN, uma paciente teve confusão com sedação no dia 3, resolvida em 7 horas (Deligiannidis e colaboradores, 2021).

Como ler esses números

Os estudos compararam a zuranolona com placebo, e não com sertralina, psicoterapia ou brexanolona. O seguimento foi curto, até o dia 45. A diferença de cerca de 4 pontos parece pequena numa escala que vai além de 50 pontos, mas veio cedo, já no dia 3. Para a mulher da cena, a promessa honesta é de uma resposta mais rápida em parte das pacientes, com sonolência como preço, e não de cura em duas semanas. O post sobre pausa diagnóstica lembra de parar antes de atribuir todo sintoma à depressão.

Da indicação ao acompanhamento

Antes de prescrever, cinco perguntas mudam a conduta: há risco imediato, há sintomas psicóticos ou de euforia, como estão o fígado e os rins, quais remédios ela usa e quem vai ajudar nas noites de tratamento.

As opções

Uma diretriz europeia de 2025 recomenda fortemente a terapia cognitivo-comportamental para sintomas depressivos na gestação e no pós-parto (Radoš e colaboradores, 2025). A terapia interpessoal e as terapias de terceira onda receberam recomendação fraca (Radoš e colaboradores, 2025). A diretriz recomenda fortemente tratar a depressão pós-parto com antidepressivo depois de pesar riscos e benefícios para a mulher e para a criança amamentada (Radoš e colaboradores, 2025). Ela também recomenda a brexanolona para depressão pós-parto moderada a grave, se disponível e aceita pela mulher (Radoš e colaboradores, 2025). A diretriz não traz recomendação sobre a zuranolona.

A dose

A bula americana pede 50 mg por via oral uma vez ao dia, à noite, por 14 dias, com alimento que contenha gordura, por exemplo uma refeição de 400 a 1000 calorias com 25 a 50 por cento de gordura (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Se houver efeitos depressores do sistema nervoso central, a dose pode ser reduzida para 40 mg (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Com inibidores fortes do CYP3A4, a dose é de 30 mg; com indutores do CYP3A4, o uso deve ser evitado (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Na insuficiência hepática grave, classificação Child-Pugh C, e na insuficiência renal moderada ou grave, com filtração abaixo de 60 mL/min/1,73 m², a dose é de 30 mg (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Se uma dose for esquecida, a próxima é tomada no horário normal da noite seguinte, sem tomar cápsulas extras (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Advertências

A advertência em tarja preta trata da direção: em dois estudos de simulação, a capacidade de dirigir de adultos saudáveis piorou de forma dependente da dose (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A pessoa não deve dirigir nem fazer atividades perigosas até pelo menos 12 horas depois de cada dose durante os 14 dias, e pode não perceber a própria sonolência (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). O uso com álcool, opioides ou outros depressores do sistema nervoso central aumenta o risco de sedação (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A bula não lista contraindicações (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Gestação, contracepção e amamentação

Com base em estudos em animais, a zuranolona pode causar dano ao feto (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A bula pede contracepção eficaz durante o tratamento e por 1 semana depois da última dose (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Num estudo de lactação com 14 mulheres saudáveis que tomaram 30 mg por 5 dias, a zuranolona apareceu em níveis baixos no leite, com dose relativa para o lactente abaixo de 1 por cento (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Não há dados sobre efeitos no bebê amamentado, e os dados sobre produção de leite são limitados (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). A bula pede pesar os benefícios da amamentação, a necessidade clínica da mãe e os possíveis efeitos no bebê (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

  • Tomar 50 mg à noite, com alimento que contenha gordura, por 14 dias.
  • Reduzir para 40 mg se houver efeitos depressores do sistema nervoso central.
  • Usar 30 mg com inibidor forte do CYP3A4, na insuficiência hepática grave e na insuficiência renal moderada ou grave.
  • Não dirigir até pelo menos 12 horas depois de cada dose, durante todo o tratamento.
  • Usar contracepção eficaz durante o tratamento e por 1 semana depois.
  • Comunicar imediatamente piora da depressão ou pensamentos suicidas.

Fonte da lista: (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Imagem de microscopia óptica de uma vilosidade arredondada com borda rosa, células claras no interior e hemácias vermelhas
Vilosidade coriônica com células de Hofbauer em microscopia óptica. A bula pede contracepção eficaz durante o tratamento com zuranolona e por 1 semana depois. Foto: Mikael Häggström, Wikimedia Commons, CC0.

Aplicando à paciente

A mulher da cena não tem risco imediato, nem sintomas psicóticos, nem história de euforia. A equipe pede hemograma e função da tireoide, revisa remédios e confirma que ela não usa inibidores ou indutores do CYP3A4. Se a escolha for a zuranolona, a conversa cobre a dose à noite com uma refeição, a sonolência, a direção, o álcool e a contracepção (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Ela não vai dirigir nos 14 dias, e o companheiro assume as noites e o transporte. A decisão sobre a amamentação é dela, com a informação da bula sobre o leite (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). Em paralelo, a equipe oferece psicoterapia (Radoš e colaboradores, 2025). O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a lembrar de causas clínicas de cansaço e humor baixo no puerpério.

Acompanhamento

O plano inclui contato nos primeiros dias, consulta perto do dia 15, nova aplicação da escala e uma decisão combinada sobre o que fazer se os sintomas voltarem. A família sabe que piora da depressão ou pensamentos de morte pedem contato imediato com a equipe ou avaliação urgente num serviço de saúde (bula americana do Zurzuvae, 4/2026). O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra como obstetrícia, psiquiatria, enfermagem, pediatria e farmácia montam esse plano juntas.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. A depressão pós-parto é um bom exercício porque uma pergunta direta, um remédio em uso ou a rotina da família mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.

Três exercícios com casos

Mude o rim. Diga que dose usar se a filtração glomerular fosse de 45 mL/min/1,73 m².

Mude o remédio em uso. Diga o que fazer se ela tomasse um indutor do CYP3A4 para epilepsia.

Mude a entrevista. Diga como a conduta muda se ela relatasse ouvir vozes ou ideias de que o bebê corre perigo.

O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a pergunta direta sobre pensamentos de morte e a conversa sobre direção e amamentação.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura o tratamento?

Catorze dias, uma dose por noite (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Pode ser usada junto com antidepressivo?

Sim. A bula diz que pode ser usada sozinha ou junto com um antidepressivo oral (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Posso dirigir durante o tratamento?

Não até pelo menos 12 horas depois de cada dose, durante os 14 dias (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Posso amamentar?

O remédio aparece em níveis baixos no leite, e não há dados sobre efeitos no bebê. A decisão pesa os benefícios da amamentação e a necessidade da mãe (bula americana do Zurzuvae, 4/2026).

Está aprovada na Europa?

Sim. O Zurzuvae recebeu autorização na União Europeia em 17 de setembro de 2025 (EMA, página do Zurzuvae).

Checklist final

  • Confirmei o diagnóstico com entrevista, além da escala.
  • Perguntei diretamente sobre pensamentos de morte e registrei a resposta.
  • Descartei sintomas psicóticos, euforia e causas clínicas.
  • Revisei inibidores e indutores do CYP3A4, fígado e rins.
  • Expliquei a dose à noite com alimento que contenha gordura.
  • Combinei não dirigir até 12 horas depois de cada dose.
  • Conversei sobre contracepção e amamentação.
  • Marquei a reavaliação perto do dia 15 e o plano se os sintomas voltarem.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Ahmadinezhad GS, Karimi FZ, Abdollahi M, et al. Association between postpartum depression and breastfeeding self-efficacy in mothers: a systematic review and meta-analysis. BMC Pregnancy Childbirth. 2024. PMID 38609849.
  2. Althaus AL, Ackley MA, Belfort GM, et al. Preclinical characterization of zuranolone (SAGE-217), a selective neuroactive steroid GABA(A) receptor positive allosteric modulator. Neuropharmacology. 2020. PMID 32976892.
  3. Biogen. ZURZUVAE® (zuranolone) capsules, for oral use, CIV. Prescribing Information. Revisada em 4/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
  4. Dagher RK, Bruckheim HE, Colpe LJ, et al. Perinatal Depression: Challenges and Opportunities. J Womens Health (Larchmt). 2021. PMID 33156730.
  5. Deligiannidis KM, Meltzer-Brody S, Gunduz-Bruce H, et al. Effect of Zuranolone vs Placebo in Postpartum Depression: A Randomized Clinical Trial. JAMA Psychiatry. 2021. PMID 34190962.
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  8. Lim G. Perinatal depression. Curr Opin Anaesthesiol. 2021. PMID 33935170.
  9. Oliveira JA, Eskandar K, Freitas MAA, et al. Zuranolone for postpartum depression: a systematic review and meta-analysis of two randomized studies. Rev Bras Ginecol Obstet. 2024. PMID 39669307.
  10. Oliveira TA, Luzetti GGCM, Rosalém MMA, et al. Screening of Perinatal Depression Using the Edinburgh Postpartum Depression Scale. Rev Bras Ginecol Obstet. 2022. PMID 35253138.
  11. Radoš SN, Ganho-Ávila A, Rodriguez-Muñoz MF, et al. Evidence-based clinical practice guidelines for prevention, screening and treatment of peripartum depression. Br J Psychiatry. 2025. PMID 40566968.
  12. Smythe KL, Petersen I, Schartau P. Prevalence of Perinatal Depression and Anxiety in Both Parents: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2022. PMID 35749112.
  13. U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 217369, Zurzuvae. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.

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