Sulbactam-durlobactam e cefepima-taniborbactam

Sumário
- Por que este é um cenário de raciocínio
- Acinetobacter resistente a carbapenêmicos: o problema
- Sulbactam-durlobactam: como age e o que o ATTACK mostrou
- Situação regulatória: FDA e outras agências
- Dose, função renal e preparo
- Cefepima-taniborbactam: o que se sabe
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Checklist final
- Referências
Um homem de 61 anos está na UTI há 10 dias, em ventilação mecânica depois de uma cirurgia abdominal. Ele volta a ter febre, a secreção traqueal fica purulenta e surge um infiltrado novo na radiografia de tórax. O aspirado traqueal cresce Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos. A depuração de creatinina estimada pela fórmula de Cockcroft-Gault é de 70 mL/min. Ele não tem alergia conhecida. A equipe da UTI pergunta se o sulbactam-durlobactam é uma opção e alguém lembra de outro remédio novo, a cefepima-taniborbactam. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. O sulbactam-durlobactam (nome comercial Xacduro) foi desenvolvido especificamente contra o complexo Acinetobacter baumannii-calcoaceticus. A cefepima-taniborbactam é uma combinação ainda em investigação, com espectro voltado a enterobactérias e Pseudomonas aeruginosa resistentes. Os dois remédios são diferentes em alvo, evidência e situação regulatória. O texto não substitui o antibiograma, a comissão de controle de infecção nem o protocolo da sua instituição. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.
Principais pontos
- A FDA aprovou o Xacduro em 23 de maio de 2023 para pneumonia hospitalar e pneumonia associada à ventilação causadas por isolados sensíveis do complexo A. baumannii-calcoaceticus, em pacientes de 18 anos ou mais.
- A dose é de 1 g de sulbactam e 1 g de durlobactam a cada 6 horas, em infusão de 3 horas, com depuração de creatinina de 45 a 129 mL/min, por 7 a 14 dias.
- No estudo de fase 3, a mortalidade em 28 dias foi de 19,0 por cento com sulbactam-durlobactam e de 32,3 por cento com colistina.
- O durlobactam não inibe as metalo-betalactamases da classe B, e o Xacduro não é ativo contra isolados que as produzem.
- A cefepima-taniborbactam recebeu carta de resposta completa da FDA em fevereiro de 2024 e, até outubro de 2026, não constava entre as novas aprovações da FDA; segue sem aprovação nos Estados Unidos.
- A diretriz brasileira recomenda combinar dois antimicrobianos com atividade in vitro contra A. baumannii resistente a carbapenêmicos.
Por que este é um cenário de raciocínio
A pneumonia associada à ventilação por Acinetobacter resistente é um dos problemas mais difíceis da UTI. As opções tradicionais, como polimixinas, têm toxicidade renal e resultados ruins (Shields e colaboradores, 2023). A chegada de remédios novos levanta perguntas práticas: quando usar, em que dose, com que outro antibiótico e o que fazer quando a função renal muda.
O cenário é bom para treino porque junta microbiologia, farmacologia e decisão clínica. É preciso diferenciar colonização de infecção, ler o antibiograma, conhecer o espectro de cada combinação e ajustar a dose pela depuração de creatinina. O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a pensar em outras causas de febre na UTI, e o post sobre sepse na triagem de enfermagem lembra o valor do tempo até o antibiótico.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é decidir se o isolado representa infecção ou colonização. O segundo é confirmar a sensibilidade do isolado. O terceiro é conhecer a indicação aprovada. O quarto é calcular a dose pela depuração de creatinina. O quinto é pensar em cobertura para outros germes. O sexto é acompanhar efeitos adversos e reavaliar a duração.
O que não está em jogo
O texto não discute todas as opções contra Acinetobacter nem o manejo completo da pneumonia na UTI. A escolha final depende do antibiograma, da disponibilidade e da equipe de infectologia. O post sobre tomada de decisão clínica ajuda a pensar na sequência de exames.
Acinetobacter resistente a carbapenêmicos: o problema
O A. baumannii resistente a carbapenêmicos traz internações longas, mais mortes, mais admissões na UTI e mais readmissões (Boutzoukas e Doi, 2025). Numa revisão, a mortalidade associada chegou a 70 por cento, contra 25 por cento com cepas sensíveis (Boutzoukas e Doi, 2025). Os clones internacionais 1 e 2 predominam no mundo, mas a América Latina tem epidemiologia própria, com os clones 4 e 5 frequentes (Boutzoukas e Doi, 2025).
O cenário no Brasil
A diretriz da Sociedade Brasileira de Infectologia cita o relatório da Anvisa de 2023: o Acinetobacter spp. foi o quarto germe mais isolado nas infecções de corrente sanguínea ligadas a cateter central em UTIs de adultos, com 2428 isolados, e teve a maior taxa de resistência a carbapenêmicos, de 78,8 por cento (Zavascki e colaboradores, 2025). Num estudo em 14 hospitais brasileiros, o A. baumannii resistente a carbapenêmicos representou 9,8 por cento dos isolados de infecção de corrente sanguínea (Zavascki e colaboradores, 2025).
Por que é tão difícil tratar
Todas as cepas de A. baumannii têm uma betalactamase AmpC cromossômica, e muitas adquirem outras enzimas (Kubin e colaboradores, 2025). Numa série citada em revisão, a maioria dos isolados resistentes tinha um gene de carbapenemase adquirido (Kubin e colaboradores, 2025). Os mecanismos de resistência incluem betalactamases, alteração das proteínas ligadoras de penicilina (PBPs), bombas de efluxo e perda de porinas (bula americana do Xacduro, 5/2023). Por isso, poucos antibióticos mantêm atividade, e vários deles são tóxicos.
Infecção ou colonização
Diferenciar infecção de colonização é um dos maiores desafios com esse germe (Shields e colaboradores, 2023). Em pacientes ventilados, o Acinetobacter pode estar na secreção sem causar pneumonia. No paciente da cena, febre nova, secreção purulenta e infiltrado novo apoiam pneumonia. O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a decidir quando os dados são incompletos.

Sulbactam-durlobactam: como age e o que o ATTACK mostrou
O sulbactam é um betalactâmico com atividade própria contra Acinetobacter, porque inibe as proteínas ligadoras de penicilina PBP1 e PBP3, necessárias para formar a parede da bactéria (McLeod e colaboradores, 2024). O problema é que muitas betalactamases atuais degradam o sulbactam (McLeod e colaboradores, 2024). O durlobactam é um inibidor de betalactamase do tipo diazabicicloctano, sem anel betalactâmico, que protege o sulbactam de várias serino-betalactamases (bula americana do Xacduro, 5/2023). O durlobactam sozinho não tem atividade contra esses isolados (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Espectro e limites
O Xacduro mostrou atividade in vitro contra isolados que produzem enzimas das classes A, C e D de Ambler, incluindo a KPC e as enzimas do tipo OXA (bula americana do Xacduro, 5/2023). Ele não é ativo contra isolados que produzem metalo-betalactamases da classe B nem contra os que têm alteração do sítio alvo do sulbactam nas PBPs (bula americana do Xacduro, 5/2023). Em séries de laboratório, mais de 96 por cento dos isolados resistentes a carbapenêmicos e a colistina foram sensíveis ao sulbactam-durlobactam (Pogue e colaboradores, 2025). A produção da metalo-betalactamase NDM-1 é um dos mecanismos de resistência descritos (Pogue e colaboradores, 2025). Mutações perto do sítio ativo da PBP3 também foram encontradas em mutantes resistentes (McLeod e colaboradores, 2024).
O estudo ATTACK
No estudo de fase 3, 177 adultos com infecção pelo complexo A. baumannii-calcoaceticus foram randomizados para sulbactam-durlobactam (91) ou colistina (86) (bula americana do Xacduro, 5/2023). Os dois grupos receberam também imipenem-cilastatina 1 g a cada 6 horas, para cobrir outros germes da pneumonia hospitalar (bula americana do Xacduro, 5/2023). Na população principal, com infecção confirmada por isolado resistente a carbapenêmicos, a mortalidade em 28 dias foi de 12 em 63 pacientes (19,0 por cento) com sulbactam-durlobactam e de 20 em 62 (32,3 por cento) com colistina, e o remédio foi considerado não inferior (bula americana do Xacduro, 5/2023). A cura clínica foi de 61,9 por cento com sulbactam-durlobactam e de 40,3 por cento com colistina (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Na população analisada, 75 por cento estavam em ventilação mecânica, 53 por cento tinham pneumonia associada à ventilação e a idade média foi de 63 anos (bula americana do Xacduro, 5/2023). Uma revisão destaca a menor taxa de lesão renal aguda pelos critérios RIFLE com sulbactam-durlobactam, de 13 contra 38 por cento (Pogue e colaboradores, 2025). Os autores lembram que o estudo foi pequeno e que faltam outros ensaios clínicos (Pogue e colaboradores, 2025).
O que dizem as diretrizes
Uma revisão relata que a orientação mais recente da IDSA recomenda o sulbactam-durlobactam como opção preferida onde ele estiver disponível (Iovleva e colaboradores, 2025). A IDSA e a ESCMID recomendam pelo menos dois agentes com atividade in vitro nas infecções graves por A. baumannii resistente a carbapenêmicos (Iovleva e colaboradores, 2025). A diretriz brasileira também recomenda a combinação de dois antimicrobianos com atividade in vitro (Zavascki e colaboradores, 2025). Para o sulbactam em ampicilina-sulbactam, uma revisão considera preferível usar doses otimizadas de pelo menos 6 g por dia de sulbactam, em combinação (Shields e colaboradores, 2023).
Situação regulatória: FDA e outras agências
Estados Unidos. A FDA aprovou o Xacduro em 23 de maio de 2023, pela NDA 216974, como nova entidade molecular e nova combinação, com revisão prioritária (Drugs@FDA, NDA 216974). A indicação é para pacientes de 18 anos ou mais com pneumonia bacteriana hospitalar ou associada à ventilação causada por isolados sensíveis do complexo A. baumannii-calcoaceticus (bula americana do Xacduro, 5/2023). O Xacduro não é indicado para pneumonia causada por outros germes (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Cefepima-taniborbactam. Num comunicado de 23 de fevereiro de 2024, a Venatorx e a Melinta informaram que a FDA emitiu carta de resposta completa sobre o pedido de registro da cefepima-taniborbactam para infecção urinária complicada, incluindo pielonefrite (comunicado da Venatorx e da Melinta, 2024). A carta não apontou problemas de segurança ou eficácia clínica e não pediu novos estudos clínicos; a FDA pediu dados adicionais de química, fabricação e controle (comunicado da Venatorx e da Melinta, 2024). No mesmo comunicado, a combinação é descrita como em investigação, com designações QIDP e Fast Track da FDA (comunicado da Venatorx e da Melinta, 2024). Não encontramos comunicado posterior da Venatorx ou da Melinta. No relatório semestral publicado em 19 de agosto de 2026, a Everest Medicines, parceira da Venatorx na Ásia, ainda lista a combinação na sua carteira de desenvolvimento, em fase anterior ao pedido de registro nos seus territórios, sem indicar aprovação nos Estados Unidos (relatório semestral da Everest Medicines, 19/08/2026). A lista de novas aprovações da FDA de 2026, atualizada em 20 de outubro de 2026, não inclui a taniborbactam (lista de novas aprovações da FDA em 2026). Cuidado para não confundir: a cefepima-zidebactam, outra combinação com cefepima, aparece nessa lista, mas é um produto diferente (lista de novas aprovações da FDA em 2026).
Outros países. Este texto descreve apenas a situação nos Estados Unidos, conferida em fontes primárias. A indicação e o acesso em outros países dependem da agência local, e vale conferir o registro e a disponibilidade antes de usar.
Contraindicação e alertas
A bula americana lista uma contraindicação e alguns alertas principais (bula americana do Xacduro, 5/2023):
- Contraindicação: história de hipersensibilidade grave ao sulbactam, ao durlobactam ou a outros betalactâmicos.
- Reações de hipersensibilidade graves e às vezes fatais podem ocorrer; houve um caso de choque anafilático no estudo.
- Diarreia associada a Clostridioides difficile deve ser investigada se houver diarreia.
- O uso concomitante de inibidores do transportador OAT1, como a probenecida, não é recomendado.
Dose, função renal e preparo
A dose recomendada é de 1 g de sulbactam e 1 g de durlobactam a cada 6 horas, em infusão intravenosa de 3 horas, em adultos com depuração de creatinina de 45 a 129 mL/min (bula americana do Xacduro, 5/2023). A duração recomendada é de 7 a 14 dias, guiada pela evolução clínica (bula americana do Xacduro, 5/2023). A tabela resume os ajustes pela função renal.
| Depuração de creatinina (mL/min) | Frequência de 1 g de sulbactam e 1 g de durlobactam | Fonte |
|---|---|---|
| 130 ou mais | A cada 4 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
| 45 a 129 | A cada 6 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
| 30 a 44 | A cada 8 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
| 15 a 29 | A cada 12 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
| Menos de 15, ao iniciar | A cada 12 horas nas 3 primeiras doses, depois a cada 24 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
| Queda para menos de 15 durante o uso | A cada 24 horas | (bula americana do Xacduro, 5/2023) |
A depuração de creatinina é estimada pela fórmula de Cockcroft-Gault (bula americana do Xacduro, 5/2023). Em hemodiálise intermitente, a dose deve ser dada depois do fim da sessão (bula americana do Xacduro, 5/2023). Em pacientes com função renal oscilante, a bula pede monitorar a depuração e ajustar a dose (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Aplicando ao paciente
Com depuração de 70 mL/min, o paciente da cena receberia 1 g de cada componente a cada 6 horas, em 3 horas. Se a depuração caísse para 35 mL/min, o intervalo passaria a 8 horas. Se ele desenvolvesse depuração aumentada, de 130 ou mais, o intervalo cairia para 4 horas. Na UTI, a função renal muda rápido, e vale recalcular a depuração todos os dias. O post sobre pausa diagnóstica lembra de conferir a dose antes de cada mudança.
Preparo e kit
O Xacduro vem num kit com um frasco de 1 g de sulbactam e dois frascos de 0,5 g de durlobactam (bula americana do Xacduro, 5/2023). A diluição deve ocorrer até 1 hora depois da reconstituição (bula americana do Xacduro, 5/2023). Os frascos são guardados em geladeira, entre 2 e 8 °C, e não devem ser congelados (bula americana do Xacduro, 5/2023). A farmácia precisa preparar cada dose com antecedência, porque a infusão dura 3 horas e se repete a cada 6 horas. O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra por que farmácia e enfermagem fazem parte dessa decisão.
Efeitos adversos
No estudo de fase 3, efeitos adversos graves ocorreram em 40 por cento com sulbactam-durlobactam e em 49 por cento com colistina (bula americana do Xacduro, 5/2023). A suspensão por efeito adverso ocorreu em 11 e 16 por cento (bula americana do Xacduro, 5/2023). Os efeitos mais comuns, acima de 10 por cento, foram alteração de exames do fígado, diarreia, anemia e potássio baixo (bula americana do Xacduro, 5/2023). A lista abaixo compara efeitos selecionados.
- Alteração de exames do fígado: 19 por cento com sulbactam-durlobactam e 21 por cento com colistina.
- Diarreia: 17 e 11 por cento.
- Anemia: 13 e 14 por cento.
- Potássio baixo: 12 e 11 por cento.
- Lesão renal aguda: 6 e 36 por cento.
Fonte da lista: (bula americana do Xacduro, 5/2023). Para o paciente da cena, vale pedir provas de função hepática, hemograma, potássio e creatinina durante o tratamento.
Idosos
No estudo de fase 3, 54 por cento dos pacientes tratados com Xacduro tinham 65 anos ou mais (bula americana do Xacduro, 5/2023). Como o remédio é eliminado principalmente pelos rins, a bula orienta ajustar a dose dos idosos pela função renal (bula americana do Xacduro, 5/2023).

Cefepima-taniborbactam: o que se sabe
A taniborbactam é um inibidor de betalactamase com atividade potente contra enzimas das classes A, B, C e D de Ambler (Rodvold e colaboradores, 2025). Isso inclui metalo-betalactamases, que o durlobactam não cobre. Combinada com a cefepima, uma cefalosporina de quarta geração, ela está em estudo para infecções por germes gram-negativos multirresistentes (Rodvold e colaboradores, 2025). O comunicado das empresas cita como alvos principais as enterobactérias produtoras de betalactamase de espectro estendido, as enterobactérias resistentes a carbapenêmicos e a P. aeruginosa multirresistente (comunicado da Venatorx e da Melinta, 2024).
O estudo CERTAIN-1
O CERTAIN-1 foi um estudo de fase 3, randomizado e duplo-cego, em adultos com infecção urinária complicada (Moeck e colaboradores, 2024). A cefepima-taniborbactam foi superior ao meropeném no desfecho composto de sucesso microbiológico e clínico na visita de teste de cura (Moeck e colaboradores, 2024). Na análise por perfil de resistência, os pacientes com germes portadores de serino-carbapenemases, como KPC-3 e OXA-48, tiveram sucesso composto em 5 de 6 e sucesso clínico em todos; os 3 pacientes com metalo-betalactamases tiveram sucesso composto (Moeck e colaboradores, 2024). São números pequenos, que mostram atividade, mas não permitem conclusões firmes sobre esses subgrupos.
Farmacocinética nos rins e no pulmão
A cefepima e a taniborbactam são eliminadas sobretudo pela urina, e a função renal afeta as duas da mesma forma (Dowell e colaboradores, 2022). Com TFGe de 30 a 59, a depuração das duas caiu 63 por cento; abaixo de 30, caiu 78 por cento para a cefepima e 81 por cento para a taniborbactam (Dowell e colaboradores, 2022). Num estudo em voluntários sadios, com 2 g de cefepima e 0,5 g de taniborbactam em infusão de 4 horas a cada 8 horas, os dois componentes chegaram ao líquido de revestimento epitelial do pulmão (Rodvold e colaboradores, 2025). A razão entre o líquido pulmonar e o plasma livre variou de 0,197 a 0,373 para a cefepima e de 0,153 a 0,253 para a taniborbactam (Rodvold e colaboradores, 2025). Esse regime é de pesquisa e não é uma dose aprovada.
Por que ela não serve ao paciente da cena
Até a consulta de 24 de outubro de 2026, a cefepima-taniborbactam não tinha aprovação da FDA (lista de novas aprovações da FDA em 2026). A Everest ainda a apresentava como produto em desenvolvimento em agosto de 2026 (relatório semestral da Everest Medicines, 19/08/2026). Antes de qualquer uso, confira a situação atual na FDA. Além disso, o estudo principal foi em infecção urinária, e não em pneumonia por Acinetobacter (Moeck e colaboradores, 2024). Para o paciente da cena, a opção com indicação aprovada nos Estados Unidos é o sulbactam-durlobactam, se o isolado for sensível (bula americana do Xacduro, 5/2023). Saber diferenciar os dois remédios evita confusão na passagem de plantão.
O que a comparação ensina
Os dois remédios ilustram a mesma ideia: um inibidor de betalactamase novo protege um betalactâmico antigo. O alvo de cada um, porém, é diferente. O durlobactam protege o sulbactam contra enzimas das classes A, C e D no Acinetobacter (bula americana do Xacduro, 5/2023). A taniborbactam protege a cefepima também contra metalo-betalactamases, com foco em enterobactérias e Pseudomonas (Rodvold e colaboradores, 2025). Pedir o mecanismo de resistência ao laboratório, quando disponível, ajuda a escolher.
Quando o paciente piora
Se o paciente da cena piorar apesar do tratamento, vale repetir culturas, rever a sensibilidade e procurar outros focos. Se surgir diarreia, é preciso investigar C. difficile (bula americana do Xacduro, 5/2023). Se surgir exantema ou hipotensão logo depois da infusão, pensar em hipersensibilidade (bula americana do Xacduro, 5/2023). O post sobre deterioração clínica na enfermaria mostra como escalar quando os sinais vitais mudam.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. A pneumonia por Acinetobacter resistente é um bom exercício porque um antibiograma, uma depuração de creatinina ou uma enzima de resistência mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento, e o post sobre simulação de atendimento mostra como treinar a passagem de plantão.
Três exercícios com casos
Mude a função renal. Diga a frequência da dose se a depuração caísse para 20 mL/min.
Mude a enzima. Diga o que esperar do Xacduro se o isolado produzisse NDM.
Mude o germe. Diga por que o Xacduro não serve se o germe fosse Klebsiella pneumoniae resistente.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
O Xacduro serve para qualquer gram-negativo resistente?
Não. A indicação é só para pneumonia hospitalar ou associada à ventilação por isolados sensíveis do complexo A. baumannii-calcoaceticus (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Qual é a dose habitual?
1 g de sulbactam e 1 g de durlobactam a cada 6 horas, em 3 horas, com depuração de 45 a 129 mL/min (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Precisa de outro antibiótico junto?
No estudo, os pacientes receberam também imipenem-cilastatina para outros germes (bula americana do Xacduro, 5/2023). As diretrizes citadas recomendam dois agentes ativos nas infecções graves (Iovleva e colaboradores, 2025).
A cefepima-taniborbactam já pode ser usada?
Em fevereiro de 2024, a FDA emitiu carta de resposta completa (comunicado da Venatorx e da Melinta, 2024). Até 20 de outubro de 2026, a combinação não constava entre as novas aprovações da FDA (lista de novas aprovações da FDA em 2026), e a Everest a listava em agosto de 2026 como produto em desenvolvimento (relatório semestral da Everest Medicines, 19/08/2026). Confira a situação atual antes de usar.
Por quanto tempo tratar?
De 7 a 14 dias, guiado pela evolução clínica (bula americana do Xacduro, 5/2023).
Checklist final
- Diferenciei infecção de colonização com dados clínicos e de imagem.
- Confirmei o isolado e a sensibilidade ao sulbactam-durlobactam.
- Perguntei sobre metalo-betalactamases, que tiram a atividade do Xacduro.
- Calculei a depuração de creatinina por Cockcroft-Gault e escolhi o intervalo.
- Programei infusões de 3 horas e o preparo com a farmácia.
- Pensei na cobertura de outros germes e no segundo agente ativo.
- Pedi função hepática, hemograma, potássio e creatinina durante o tratamento.
- Revisei a duração de 7 a 14 dias.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- Boutzoukas A, Doi Y. The global epidemiology of carbapenem-resistant Acinetobacter baumannii. JAC Antimicrob Resist. 2025. PMID 40735512.
- Dowell JA, Marbury TC, Smith WB, et al. Safety and Pharmacokinetics of Taniborbactam (VNRX-5133) with Cefepime in Subjects with Various Degrees of Renal Impairment. Antimicrob Agents Chemother. 2022. PMID 35920662.
- Entasis Therapeutics. XACDURO® (sulbactam for injection; durlobactam for injection), co-packaged for intravenous use. Prescribing Information. Revisada em 5/2023. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Iovleva A, Fowler VG Jr, Doi Y. Treatment Approaches for Carbapenem-Resistant Acinetobacter baumannii Infections. Drugs. 2025. PMID 39607595.
- Kubin CJ, Garzia C, Uhlemann A-C. Acinetobacter baumannii treatment strategies: a review of therapeutic challenges and considerations. Antimicrob Agents Chemother. 2025. PMID 40631987.
- McLeod SM, O'Donnell JP, Narayanan N, et al. Sulbactam-durlobactam: a β-lactam/β-lactamase inhibitor combination targeting Acinetobacter baumannii. Future Microbiol. 2024. PMID 38426849.
- Moeck G, Gasink LB, Mendes RE, et al. Patient outcomes by baseline pathogen resistance phenotype and genotype in CERTAIN-1, a Phase 3 study of cefepime-taniborbactam versus meropenem in adults with complicated urinary tract infection. Antimicrob Agents Chemother. 2024. PMID 38780262.
- Pogue JM, Harrington J, Wangchinda W, et al. New Perspectives on Antimicrobial Agents: Sulbactam-durlobactam. Antimicrob Agents Chemother. 2025. PMID 40844462.
- Rodvold KA, Gotfried MH, Sabato P, et al. Plasma and intrapulmonary pharmacokinetics of cefepime and taniborbactam in healthy adult participants. Antimicrob Agents Chemother. 2025. PMID 40476839.
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- U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 216974, Xacduro. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Venatorx Pharmaceuticals, Melinta Therapeutics. Venatorx and Melinta Provide Update on Status of U.S. New Drug Application for Cefepime-Taniborbactam. Business Wire. 23/02/2024. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Everest Medicines Limited. INTERIM RESULTS ANNOUNCEMENT FOR THE SIX MONTHS ENDED 30 JUNE 2026. HKEXnews. 19/08/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- U.S. Food and Drug Administration. Novel Drug Approvals for 2026. Atualizada em 20/10/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Zavascki AP, Chebabo A, Cunha CA, et al. Guideline for antimicrobial treatment of multidrug-resistant Gram-negative infections: practice recommendations of the Brazilian Society of Infectious Diseases. Braz J Infect Dis. 2025. PMID 41130038.