One Health: o animal e o ambiente no diagnóstico

Pequenas colônias bacterianas brancas e brilhantes espalhadas em linhas sobre ágar vermelho
Sumário
  1. Por que One Health é um cenário de raciocínio
  2. De onde vêm as doenças emergentes
  3. A pergunta que falta: em que você trabalha?
  4. Brucelose: a zoonose que se esconde atrás da febre
  5. Raiva: decidir antes da certeza
  6. Influenza aviária: o olho vermelho de quem trabalha com animais
  7. Exposições e perguntas: uma tabela para a consulta
  8. Trabalhar com a veterinária e o ambiente
  9. Os vieses que deixam a exposição de fora
  10. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  11. Perguntas frequentes
  12. Checklist final
  13. Referências

Um homem de quarenta e seis anos procura atendimento pela terceira vez em cinco semanas. Ele tem febre que vai e volta, suor à noite, cansaço e dor nas costas. Nas duas consultas anteriores, recebeu o diagnóstico de virose e orientação para repouso. O prontuário registra idade, sexo, alergias e medicamentos em uso, mas não diz em que ele trabalha. Na terceira consulta, a médica pergunta, e ele conta que cuida de um rebanho de cabras e ajuda nos partos dos animais. A cena é fictícia e foi escrita para ensino. Este texto usa esse quadro como cenário de raciocínio clínico: por que a exposição a animais, ao trabalho, à água e aos alimentos muda a lista de hipóteses, e o que a ideia de Saúde Única, ou One Health, acrescenta à consulta.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

O texto não é um guia de diagnóstico ou de tratamento de zoonoses. Cada uma dessas doenças tem exames, condutas e regras de notificação próprias, definidas por diretrizes locais. O interesse aqui é o raciocínio: como uma pergunta sobre o mundo fora do corpo do paciente pode mudar o capítulo em que a hipótese está. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o movimento: uma pista sobre exposição pode levar o palpite para outro lugar.

Principais pontos

  • A maior parte das doenças infecciosas emergentes tem origem em animais, e muitas vêm de animais silvestres.
  • A história ocupacional é registrada com muito menos frequência que a idade e o sexo, e é nela que muitas zoonoses aparecem.
  • A brucelose é uma das zoonoses mais comuns do mundo e atinge mais quem trabalha com animais.
  • A raiva é quase sempre fatal depois que os sintomas aparecem, e a decisão de profilaxia depois de uma exposição é tomada antes de qualquer certeza.
  • Saúde Única é a ideia de que a saúde humana, a saúde animal e o ambiente estão ligados e pedem trabalho conjunto entre áreas.

Por que One Health é um cenário de raciocínio

A Organização Mundial da Saúde descreve a Saúde Única como uma abordagem integrada que busca equilibrar a saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas, e mantém uma página sobre o tema. Zinsstag e colaboradores relatam que, apesar dessa visão integrada, grande parte do pensamento e da ação em saúde humana e animal ainda funciona em áreas separadas (Zinsstag e colaboradores, 2011).

Para o clínico, essa separação tem um efeito prático. A consulta costuma olhar para o corpo do paciente e para a história dos sintomas, e deixa de fora o lugar onde ele trabalha, os animais com quem convive, a água que usa e o que come. Muitas infecções só entram na lista de hipóteses quando essas perguntas são feitas.

O que a cena ensina

Na cena da abertura, o paciente passou por duas consultas sem que ninguém perguntasse sobre o trabalho. A explicação mais comum, uma virose, foi aceita mesmo com a febre persistindo por semanas. O post sobre sinais, sintomas e história mostra como a história do paciente vai além da lista de sintomas.

Uma febre que dura demais

Uma febre que persiste por semanas já é, por si só, uma pista de que a explicação inicial pode não bastar. O raciocínio que aceita "virose" na primeira consulta precisa ser revisto quando o quadro não segue o curso esperado. Essa revisão é o momento natural para ampliar a história e perguntar sobre exposições que ainda não foram exploradas.

De onde vêm as doenças emergentes

Jones e colaboradores analisaram 335 eventos de surgimento de doenças infecciosas entre 1940 e 2004 e encontraram que 60,3 em cada 100 eram zoonoses, das quais 71,8 em cada 100 tinham origem em animais silvestres (Jones e colaboradores, 2008). Os autores concluem que os recursos de vigilância estão mal distribuídos, concentrados em países onde a próxima doença emergente tem menos chance de surgir.

Patógenos que passam entre espécies

Taylor e colaboradores revisaram a literatura e identificaram 1415 espécies de agentes infecciosos que causam doença em pessoas, das quais 868 são zoonóticas (Taylor e colaboradores, 2001). No mesmo estudo, 132 dos agentes associados a doenças emergentes eram zoonóticos, e os patógenos zoonóticos tinham o dobro da chance de estar ligados a doenças emergentes.

Uma origem que muitas vezes passa despercebida

Uma infecção de origem animal nem sempre chega à consulta com sinais que lembrem o animal. Muitas vezes, aparece como febre, cansaço, dor no corpo ou um quadro respiratório comum. É a história de exposição, e não o aspecto do quadro, que diferencia essas infecções das causas mais frequentes dos mesmos sintomas. Por isso, a pergunta precisa ser feita antes de a hipótese existir.

O que isso significa na consulta

Esses números mostram que a pergunta sobre animais não é um detalhe exótico. Ela toca uma parte grande das infecções humanas. O post sobre taxa básica no diagnóstico explica como a frequência de uma doença na população de referência pesa na interpretação das pistas. Para quem trabalha com animais, a população de referência é diferente, e a probabilidade de uma zoonose também.

A pergunta que falta: em que você trabalha?

Politi e colaboradores revisaram 2050 prontuários num centro de ensino e encontraram registro de idade e sexo em cerca de 99 em cada 100 pacientes, contra apenas 27,8 em cada 100 com história ocupacional (Politi e colaboradores, 2004). Os autores concluem que a educação médica precisa corrigir essa lacuna.

Perguntas que abrem o diferencial

Algumas perguntas curtas mudam o rumo da consulta:

  • Em que você trabalha, e o que exatamente faz no dia a dia?
  • Tem contato com animais, no trabalho ou em casa, vivos ou abatidos?
  • Bebeu leite cru ou comeu queijo feito com leite não pasteurizado?
  • Teve contato com água de enchente, de rio ou de lago?
  • Viajou recentemente, e o que fez durante a viagem?
  • Foi mordido, arranhado ou lambido por algum animal?

Como perguntar sem alongar a consulta

A objeção mais comum à história de exposição é o tempo. Na prática, duas ou três perguntas abertas costumam bastar para saber se vale aprofundar. "Em que você trabalha?" e "Tem contato com animais?" levam segundos. Quando a resposta abre uma pista, o resto da conversa ganha foco, e a consulta pode até ficar mais curta, porque o raciocínio deixa de girar em torno de explicações genéricas. Registrar a resposta no prontuário também ajuda quem atender o paciente depois, que não precisará refazer a pergunta.

A ocupação como pista

A ocupação não é só um dado social. Ela diz a que o paciente se expõe todos os dias, e muitas vezes explica um quadro que parecia sem causa. O post sobre diagnóstico diferencial mostra como uma pista nova pode reorganizar a lista de hipóteses.

Brucelose: a zoonose que se esconde atrás da febre

Pappas e colaboradores descrevem a brucelose como a zoonose mais comum do mundo, com um mapa que mudou muito nas últimas décadas, com áreas que controlaram a doença e novos focos em outras regiões (Pappas e colaboradores, 2006). Franco e colaboradores descrevem a doença como muito comum, mas frequentemente negligenciada, nos países em desenvolvimento (Franco e colaboradores, 2007).

Cesto plástico verde com dezenas de tubos de coleta de sangue com tampas roxas e amarelas, sobre uma mesa
Tubos de coleta de sangue reunidos num cesto. Na suspeita de zoonose, informar o laboratório sobre a hipótese ajuda a escolher o exame e protege quem manipula a amostra. Crédito: Fumikas Sagisavas, CC0, via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Quem se expõe

Pereira e colaboradores reuniram 63 estudos sobre brucelose ocupacional e identificaram cinco grupos mais expostos: trabalhadores rurais, trabalhadores de abatedouros, veterinários e auxiliares, profissionais de laboratório e caçadores (Pereira e colaboradores, 2020). Na metanálise do mesmo estudo, criadores de animais, profissionais de laboratório e trabalhadores de abatedouro tiveram uma chance 3,47 vezes maior de infecção que pessoas sem contato com as fontes.

As fontes de exposição

Os mesmos autores apontam como principais fatores de risco o contato direto com fluidos de animais, a falta de uso de equipamento de proteção, a exposição acidental a vacinas animais vivas atenuadas e o descumprimento de normas de biossegurança (Pereira e colaboradores, 2020). Eles relatam também que a falta de conhecimento sobre a doença entre os profissionais mais expostos aumenta a chance de infecção.

O laboratório também precisa saber

Quando a hipótese de zoonose existe, contá-la ao laboratório faz parte do raciocínio. A informação ajuda a escolher o exame certo e protege quem manipula a amostra, já que profissionais de laboratório estão entre os grupos expostos descritos por Pereira e colaboradores (Pereira e colaboradores, 2020).

Raiva: decidir antes da certeza

Fooks e colaboradores descrevem a raiva como uma doença em que mordidas de cães respondem por mais de 99 em cada 100 infecções humanas e que, depois que os sintomas aparecem, é quase sempre fatal (Fooks e colaboradores, 2017). Os autores explicam que a profilaxia pós-exposição feita a tempo pode impedir a doença e envolve o cuidado adequado da ferida, a imunoglobulina antirrábica e a vacina.

Seringa antiga de vidro e metal, com agulha longa, sobre uma folha de instruções impressa
Seringa hipodérmica veterinária antiga, de vidro e metal. A vacinação de animais e a profilaxia de pessoas expostas são duas faces da mesma prevenção. Crédito: davidd, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O tamanho do problema

Hampson e colaboradores estimaram que a raiva transmitida por cães causa cerca de 59 mil mortes humanas por ano no mundo (Hampson e colaboradores, 2015). Os autores concluem que investimentos conjuntos dos setores médico e veterinário poderiam reduzir muito essa carga.

Uma decisão sob incerteza

A decisão de profilaxia depois de uma mordida é um exemplo claro de decisão sob incerteza. O médico quase nunca sabe se o animal estava infectado, e o custo de errar para menos é muito maior que o custo de errar para mais. O relatório técnico da OMS sobre raiva orienta iniciar a profilaxia de imediato quando a vigilância local é ausente ou limitada, sem esperar o fim da observação do animal, e oferece a profilaxia imediata às crianças mordidas (OMS, 2018). As indicações seguem as recomendações da OMS, reunidas no documento de posição sobre vacinas contra a raiva de 2018, e as normas de cada país. O post sobre tomada de decisão clínica mostra como pesar o custo de cada tipo de erro.

Errar para o lado certo

Nessa decisão, o raciocínio clínico se afasta da busca pela hipótese mais provável e se aproxima da pergunta sobre qual erro seria pior. Um paciente que recebe profilaxia sem ter sido infectado passa por injeções e retornos. Um paciente infectado que não recebe profilaxia pode morrer. Essa assimetria justifica agir com uma probabilidade baixa, e a conversa com o paciente precisa deixar isso claro, para que ele complete o esquema mesmo quando o animal parece saudável. O post sobre incerteza diagnóstica mostra como decidir bem quando a informação ainda é incompleta, e por que a melhor decisão nem sempre depende de reduzir toda a incerteza antes de agir.

Viajantes e migrantes

Gautret e colaboradores revisaram os registros de 23 pessoas com raiva que cruzaram uma fronteira entre a infecção e o diagnóstico, e encontraram que migrantes vindos de áreas endêmicas e seus descendentes responderam por dois terços do total (Gautret e colaboradores, 2020). No mesmo estudo, 74 em cada 100 pacientes não receberam profilaxia antes do início dos sintomas. A pergunta sobre mordidas de animais durante viagens ou visitas à família faz parte da história.

Influenza aviária: o olho vermelho de quem trabalha com animais

Rolfes e colaboradores descreveram 70 infecções humanas por influenza aviária A(H5N1) nos Estados Unidos entre 2024 e 2025: 41 em pessoas expostas a vacas leiteiras e 24 em pessoas expostas a aves de criação comercial (Rolfes e colaboradores, 2025). No mesmo estudo, 62 pacientes relataram olhos vermelhos, a maioria teve quadro leve e não houve transmissão entre pessoas.

A pista está no trabalho

Os autores apontam a exposição ocupacional a animais infectados como fator de risco para a infecção (Rolfes e colaboradores, 2025). Um olho vermelho, sozinho, costuma levar a hipóteses comuns. Num trabalhador de fazenda leiteira ou de granja durante um surto em animais, a mesma pista pede outra pergunta.

Outras exposições, a mesma lógica

O mesmo raciocínio vale para outras zoonoses que não são o foco deste texto, como a leptospirose, ligada ao contato com água contaminada. Em todas elas, a pista decisiva costuma estar na história, e não no exame físico. A pergunta certa sobre exposição faz a hipótese aparecer, e os exames vêm depois para confirmá-la ou afastá-la.

Quando o clínico e o veterinário se falam

Casos assim mostram por que a informação sobre surtos em animais interessa ao clínico. Saber que há um surto em rebanhos ou granjas da região muda a probabilidade de uma infecção que, de outro modo, nem entraria na lista. O inverso também vale: um caso humano incomum pode ser o primeiro sinal de um problema nos animais.

Exposições e perguntas: uma tabela para a consulta

A tabela abaixo resume, de forma didática, algumas exposições e as perguntas que ajudam a trazê-las para a consulta. Ela simplifica um campo complexo e não substitui as diretrizes locais.

Exposição Exemplo de zoonose ligada Pergunta que ajuda
Trabalho com gado, cabras ou ovelhas Brucelose O que você faz no trabalho e tem contato com partos ou abate?
Leite cru e derivados Brucelose Consome leite ou queijo sem pasteurização?
Mordida ou arranhão de animal Raiva Foi mordido, arranhado ou lambido em ferida, aqui ou em viagem?
Fazenda leiteira ou granja durante surto Influenza aviária Trabalha com vacas ou aves, e há doença nos animais?
Água de enchente, rio ou lago Leptospirose Teve contato com água parada ou de enchente?
Laboratório ou clínica veterinária Várias Manipula amostras ou animais doentes?

Trabalhar com a veterinária e o ambiente

A OMS, junto com outras agências internacionais, publicou um plano de ação conjunto de Saúde Única para o período de 2022 a 2026. Destoumieux-Garzón e colaboradores defendem que o sucesso dessa abordagem depende de derrubar as barreiras entre a medicina humana, a medicina veterinária e as ciências do ambiente (Destoumieux-Garzón e colaboradores, 2018).

Bolsa veterinária antiga de couro marrom, com alças e fivelas, sobre fundo branco
Bolsa veterinária antiga de couro, usada para levar instrumentos e medicamentos ao atendimento dos animais. Crédito: J. Cripps, Auckland War Memorial Museum, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O que muda na prática

Para o clínico, Saúde Única não exige mudar de profissão. Exige lembrar que o paciente vive num ambiente, convive com animais e trabalha em algum lugar, e que essas informações podem estar ligadas ao diagnóstico. Também exige saber a quem comunicar um caso suspeito, para que os serviços de vigilância humana e animal possam agir.

De volta à cena

Na cena da abertura, a pergunta sobre o trabalho muda o rumo da consulta. A médica passa a considerar uma zoonose ligada ao rebanho, informa o laboratório sobre a hipótese e pensa em quem mais pode ter se exposto: outras pessoas que ajudam nos partos, a família que consome o leite, o próprio rebanho. Se a hipótese se confirmar, o caso deixa de ser só de um paciente e passa a envolver o serviço de vigilância e a saúde animal. É esse caminho, do paciente para a fonte comum, que a ideia de Saúde Única tenta tornar rotina.

A notificação como parte do raciocínio

Muitas zoonoses são de notificação obrigatória. Notificar não é só um dever administrativo: é a forma de ligar o caso individual a uma possível fonte comum, nos animais ou no ambiente. O caso que o clínico vê pode ser o primeiro de uma série.

Os vieses que deixam a exposição de fora

A ausência da pergunta sobre exposição raramente é falta de conhecimento. Ela costuma vir de hábitos de consulta e de vieses previsíveis:

  1. Ancoragem na primeira explicação, como "virose", mesmo quando o quadro não segue o curso esperado.
  2. Fechamento prematuro, quando a lista de hipóteses para de crescer cedo demais.
  3. Uma história centrada nos sintomas, que não pergunta sobre trabalho, animais, água e alimentos.
  4. A ideia de que zoonoses são raras demais para entrar no diferencial.
  5. A separação entre áreas, que faz o clínico não saber de surtos em animais.

Croskerry descreve a ancoragem e o fechamento prematuro entre os erros cognitivos mais frequentes no diagnóstico (Croskerry, 2003). O post sobre pausa diagnóstica mostra como um momento curto de verificação ajuda a perceber o que ficou de fora.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas. Você propõe um diagnóstico buscando o código na CID-10 e recebe um retorno de proximidade em cinco níveis, que mostra se o palpite ficou no código exato, na mesma categoria, no mesmo grupo, no mesmo capítulo ou em outro capítulo. Esse formato conversa com o tema deste texto: uma pista sobre exposição pode levar o palpite de um quadro inespecífico para o capítulo das doenças infecciosas e parasitárias.

Para usar o caso do dia como treino, experimente três hábitos. Antes de cada palpite, pergunte que exposição poderia explicar o quadro. Quando uma pista sobre trabalho, viagem ou animais aparecer, pergunte como ela muda a lista. Depois do resultado, anote qual pergunta sobre exposição teria antecipado o diagnóstico.

Três exercícios com casos

Pergunte pelo trabalho. Em cada caso, imagine qual seria a ocupação do paciente e como ela mudaria o diferencial.

Mude o ambiente. Releia um caso imaginando que o paciente vive numa área rural, com animais, e veja que hipóteses entram na lista.

Pense em quem mais. Diante de uma zoonose, pergunte quem mais se expôs à mesma fonte, pessoas ou animais.

O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos mostra como casos ajudam a fixar padrões que raramente aparecem na prática diária.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.

Perguntas frequentes

O que é One Health, ou Saúde Única?

É a abordagem que trata a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente como ligadas entre si. Ela pede trabalho conjunto entre a medicina, a veterinária e as ciências do ambiente.

O que é uma zoonose?

É uma infecção que pode passar entre animais e pessoas. Muitas doenças infecciosas emergentes são zoonoses, e várias têm origem em animais silvestres.

Por que perguntar a ocupação do paciente?

Porque o trabalho diz a que o paciente se expõe todos os dias. Trabalhadores rurais, de abatedouros, de laboratório e veterinários, por exemplo, têm maior exposição a algumas zoonoses.

O que fazer depois de uma mordida de animal?

Procurar atendimento logo. A profilaxia pós-exposição feita a tempo previne a raiva e inclui o cuidado com a ferida, a vacina e, quando indicado, a imunoglobulina, segundo as recomendações da OMS e as normas locais.

A influenza aviária passa de pessoa para pessoa?

Nos casos humanos descritos nos Estados Unidos entre 2024 e 2025, não foi detectada transmissão entre pessoas, e a exposição a animais infectados foi o fator de risco.

O que o clínico ganha com a Saúde Única?

Ganha uma história mais completa e uma lista de hipóteses mais certa. Também ganha a ligação com os serviços de vigilância, que transformam um caso isolado numa informação útil para a comunidade.

Checklist final

  • Perguntei em que o paciente trabalha e o que faz no dia a dia.
  • Perguntei sobre contato com animais, leite cru, água e viagens.
  • Considerei zoonoses quando o quadro não seguiu o curso esperado.
  • Diante de mordida ou arranhão, pensei na profilaxia da raiva sem esperar certeza.
  • Informei o laboratório sobre a hipótese de zoonose.
  • Lembrei da notificação e de quem mais pode ter se exposto.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Croskerry P. The importance of cognitive errors in diagnosis and strategies to minimize them. Acad Med. 2003. PMID 12915363.
  2. Destoumieux-Garzón D, Mavingui P, Boetsch G, et al. The One Health concept: 10 years old and a long road ahead. Front Vet Sci. 2018. PMID 29484301.
  3. Fooks AR, Cliquet F, Finke S, et al. Rabies. Nat Rev Dis Primers. 2017. PMID 29188797.
  4. Franco MP, Mulder M, Gilman RH, et al. Human brucellosis. Lancet Infect Dis. 2007. PMID 18045560.
  5. Gautret P, Diaz-Menendez M, Goorhuis A, et al. Epidemiology of rabies cases among international travellers, 2013-2019: a retrospective analysis of published reports. Travel Med Infect Dis. 2020. PMID 32525075.
  6. Hampson K, Coudeville L, Lembo T, et al. Estimating the global burden of endemic canine rabies. PLoS Negl Trop Dis. 2015. PMID 25881058.
  7. Jones KE, Patel NG, Levy MA, et al. Global trends in emerging infectious diseases. Nature. 2008. PMID 18288193.
  8. Pappas G, Papadimitriou P, Akritidis N, et al. The new global map of human brucellosis. Lancet Infect Dis. 2006. PMID 16439329.
  9. Pereira CR, Cotrim de Almeida JVF, Cardoso de Oliveira IR, et al. Occupational exposure to Brucella spp.: a systematic review and meta-analysis. PLoS Negl Trop Dis. 2020. PMID 32392223.
  10. Politi BJ, Arena VC, Schwerha J, et al. Occupational medical history taking: how are today's physicians doing? J Occup Environ Med. 2004. PMID 15213517.
  11. Rolfes MA, Kniss K, Kirby MK, et al. Human infections with highly pathogenic avian influenza A(H5N1) viruses in the United States from March 2024 to May 2025. Nat Med. 2025. PMID 40712649.
  12. Taylor LH, Latham SM, Woolhouse ME. Risk factors for human disease emergence. Philos Trans R Soc Lond B Biol Sci. 2001. PMID 11516376.
  13. World Health Organization. One Health. Página do tema.
  14. World Health Organization. One Health Joint Plan of Action (2022-2026). 2022. Página da publicação.
  15. World Health Organization. Rabies vaccines: WHO position paper, April 2018. Wkly Epidemiol Rec. 2018. Página da publicação.
  16. World Health Organization. WHO Expert Consultation on Rabies: third report. WHO Technical Report Series, No. 1012. 2018. Página da publicação.
  17. Zinsstag J, Schelling E, Waltner-Toews D, et al. From "one medicine" to "one health" and systemic approaches to health and well-being. Prev Vet Med. 2011. PMID 20832879.

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