Finerenona na insuficiência cardíaca: potássio e dose

Sumário
- Por que este é um cenário de raciocínio
- Como a finerenona age e o que o FINEARTS-HF mostrou
- Situação regulatória: FDA e EMA
- Dose inicial, meta e exames de controle
- Potássio: a tabela que guia cada ajuste
- Função renal, pressão e interações
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Checklist final
- Referências
Uma mulher de 74 anos recebe alta depois de uma internação por insuficiência cardíaca descompensada. O ecocardiograma mostra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 55, com átrio esquerdo aumentado. Ela usa furosemida, um inibidor do cotransportador de sódio e glicose tipo 2 (SGLT2) e losartana. Na alta, a taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) é de 48 mL/min/1,73 m² e o potássio, de 4,6 mEq/L. Ela também toma itraconazol por uma micose de unha e gosta de suco de toranja no café da manhã. O cardiologista pensa em acrescentar finerenona. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. A finerenona (nome comercial Kerendia) é um antagonista não esteroide do receptor mineralocorticoide. Ela já era usada na doença renal crônica com diabetes tipo 2 e passou a ter indicação na insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 40 ou mais. O desafio está nos detalhes: a dose depende da função renal, o potássio guia cada ajuste e algumas interações proíbem o uso. O texto não substitui a bula do seu país nem o protocolo da sua instituição. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.
Principais pontos
- A FDA aprovou a indicação na insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 40 ou mais em 11 de julho de 2025; a EMA lista a mesma indicação em adultos com insuficiência cardíaca crônica sintomática.
- No FINEARTS-HF, com 6001 pacientes, a finerenona reduziu o desfecho de morte cardiovascular e eventos de insuficiência cardíaca, com razão de taxas de 0,84.
- A dose inicial é de 10 mg com TFGe de 25 a menos de 60 e de 20 mg com TFGe de 60 ou mais; as metas são 20 mg e 40 mg.
- Não se inicia o remédio com potássio acima de 5,0 mEq/L nem com TFGe abaixo de 25.
- Potássio e TFGe devem ser medidos 4 semanas depois de começar e depois de cada mudança de dose.
- Inibidores fortes do CYP3A4, como o itraconazol, são contraindicados; a toranja deve ser evitada.
Por que este é um cenário de raciocínio
A insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida ou preservada é frequente em pessoas idosas e tem poucas opções que mudam desfechos. No FINEARTS-HF, a idade dos participantes variou de 40 a 97 anos, 64 por cento tinham 70 anos ou mais e 24 por cento tinham 80 anos ou mais (Chimura e colaboradores, 2024). A paciente da cena se parece com quem entrou no estudo: idosa, com internação recente, função renal reduzida e uso de diurético de alça (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
O cenário é bom para treino porque junta indicação, dose pela função renal, potássio, interações e orientação ao paciente. Quem atende no pronto-socorro, na enfermaria ou na farmácia pode encontrar essa paciente com potássio alto, creatinina subindo ou pressão baixa. O post sobre sinais, sintomas e história mostra como perguntar sobre remédios e alimentos, e o post sobre diagnóstico diferencial ajuda a pensar em outras causas de potássio alto.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é confirmar a indicação: insuficiência cardíaca sintomática com fração de ejeção de 40 ou mais. O segundo é medir potássio e TFGe antes de começar. O terceiro é escolher a dose inicial pela TFGe. O quarto é revisar todos os remédios em busca de inibidores e indutores do CYP3A4. O quinto é programar exames em 4 semanas. O sexto é ensinar a paciente sobre alimentos, suplementos e sinais de alerta.
O que não está em jogo
O texto não discute o diagnóstico completo da insuficiência cardíaca nem a escolha das outras terapias. A conduta de longo prazo é da equipe que acompanha a paciente. O post sobre tomada de decisão clínica ajuda a pensar na sequência de exames.
Como a finerenona age e o que o FINEARTS-HF mostrou
A finerenona é um antagonista não esteroide e seletivo do receptor mineralocorticoide (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Ela bloqueia a ativação desse receptor pela aldosterona e pelo cortisol, sem afinidade relevante pelos receptores de andrógeno, progesterona, estrogênio e glicocorticoide (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A ativação excessiva do receptor mineralocorticoide parece contribuir para fibrose e inflamação (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
O estudo FINEARTS-HF
O FINEARTS-HF foi um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo em adultos com insuficiência cardíaca em classe funcional II a IV e fração de ejeção de 40 ou mais (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Os pacientes precisavam ter TFGe de pelo menos 25 e potássio de até 5,0 mEq/L (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Foram analisados 6001 pacientes, 3003 com finerenona e 2998 com placebo, seguidos por mediana de 2,7 anos (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Mais da metade, 54 por cento, teve um evento de insuficiência cardíaca nos 3 meses anteriores, e 20 por cento foram randomizados durante a internação ou até 7 dias depois do evento (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
A idade média foi de 72 anos, 46 por cento eram mulheres, a fração de ejeção média foi de 53 e 48 por cento tinham TFGe abaixo de 60 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A maioria usava diurético de alça (87 por cento), e 14 por cento usavam inibidor de SGLT2 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Em 6 meses, cerca de 65 por cento chegaram à dose alvo (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
A finerenona reduziu o desfecho primário composto de morte cardiovascular e eventos totais de insuficiência cardíaca, com razão de taxas de 0,84 e intervalo de confiança de 0,74 a 0,95 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Os eventos totais de insuficiência cardíaca também caíram, com razão de 0,82 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Na página da EMA, o desfecho ocorreu em 21 por cento dos pacientes com finerenona (624 de 3003) e em 24 por cento com placebo (719 de 2998) (EMA, Kerendia). O efeito foi consistente nos subgrupos pré-especificados, incluindo sexo, fração de ejeção, classe funcional, TFGe, tempo desde o último evento, uso de inibidor de SGLT2 e diabetes (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
As análises de subgrupos
Várias análises pré-especificadas detalharam o efeito em grupos diferentes. O benefício foi parecido em todas as faixas de idade, inclusive nos octogenários (Chimura e colaboradores, 2024). Foi semelhante em mulheres e homens, num estudo em que cerca de 45,5 por cento eram mulheres (Chimura e colaboradores, 2025). A fragilidade foi comum e se associou a pior evolução, mas não mudou o efeito da finerenona (Butt e colaboradores, 2025). Também não houve diferença de efeito entre quem tinha ou não fibrilação atrial (Matsumoto e colaboradores, 2025).
A análise pela fração de ejeção estudou todo o espectro incluído no estudo (Docherty e colaboradores, 2025). Os pacientes com fração de ejeção que antes era abaixo de 40 e melhorou tiveram risco parecido com o resto do estudo e benefício comparável (Pabon e colaboradores, 2025). Os autores lembram que a melhora da fração de ejeção não significa recuperação do coração (Pabon e colaboradores, 2025). A finerenona também reduziu a intensificação de diurético oral no ambulatório, que ocorreu em 21 por cento dos pacientes e se associou a pior prognóstico (Cunningham e colaboradores, 2025).
Com ou sem inibidor de SGLT2
O efeito da finerenona sobre morte cardiovascular e piora da insuficiência cardíaca foi consistente com ou sem uso de inibidor de SGLT2, e não surgiram novos sinais de segurança com a combinação (Vaduganathan e colaboradores, 2025). Isso importa para a paciente da cena, que já usa um inibidor de SGLT2. Na análise conjunta FINE-HEART, com 18.991 participantes de três estudos, a finerenona não reduziu de forma significativa a morte cardiovascular, mas a morte por qualquer causa caiu com significância nominal (Vaduganathan e colaboradores, 2024).
Antes da insuficiência cardíaca: os estudos renais
A finerenona chegou primeiro à doença renal crônica com diabetes tipo 2. Na análise de desfechos cardiovasculares em pacientes com doença renal crônica e diabetes tipo 2, o desfecho cardiovascular incluiu morte cardiovascular, infarto, acidente vascular cerebral e internação por insuficiência cardíaca (Filippatos e colaboradores, 2021). Na análise conjunta FIDELITY, os efeitos adversos ligados a potássio alto foram mais frequentes com finerenona (14,0 por cento) que com placebo (6,9 por cento), sem mortes por esse motivo (Agarwal e colaboradores, 2022). Esses dados ajudam a entender o perfil de segurança que se repetiu na insuficiência cardíaca.

Situação regulatória: FDA e EMA
Estados Unidos. A FDA aprovou o Kerendia em 9 de julho de 2021, pela NDA 215341, como nova entidade molecular com revisão prioritária (Drugs@FDA, NDA 215341). A indicação na insuficiência cardíaca entrou pelo suplemento 9, classificado como nova indicação, em 11 de julho de 2025 (Drugs@FDA, NDA 215341). Um suplemento de 16 de setembro de 2026 trouxe mudança de bula com dados clínicos (Drugs@FDA, NDA 215341). Na bula revisada em 9/2026, a indicação inclui adultos com insuficiência cardíaca e fração de ejeção de 40 ou mais, para reduzir o risco de morte cardiovascular, internação por insuficiência cardíaca e visitas urgentes por insuficiência cardíaca (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A mesma bula mantém a indicação na doença renal crônica com diabetes tipo 2 e inclui a doença renal crônica com diabetes tipo 1 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
União Europeia. O Kerendia recebeu autorização de comercialização válida em toda a União Europeia em 16 de fevereiro de 2022 (EMA, Kerendia). A página da EMA lista duas indicações: doença renal crônica com albuminúria associada ao diabetes tipo 2 em adultos e insuficiência cardíaca crônica sintomática com fração de ejeção de 40 ou mais em adultos (EMA, Kerendia). O remédio está sob monitorização adicional, e o resumo do EPAR foi atualizado em 7 de maio de 2026 (EMA, Kerendia).
Outros países. A indicação exata e o acesso dependem da agência local. A paciente da cena estaria dentro da indicação americana e da europeia, desde que tenha sintomas e fração de ejeção de 40 ou mais.
Contraindicações
A bula americana lista três contraindicações (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026):
- Hipersensibilidade a qualquer componente do produto.
- Uso junto com inibidores fortes do CYP3A4.
- Insuficiência adrenal.
A bula usa o itraconazol como exemplo de inibidor forte do CYP3A4 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Para a paciente da cena, a finerenona não pode começar enquanto ela usa esse antifúngico. Vale esperar o fim do tratamento ou discutir outra opção para a micose com quem a receitou.
Dose inicial, meta e exames de controle
Antes de começar, a bula pede medir potássio e TFGe (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Não se deve iniciar o remédio se o potássio estiver acima de 5,0 mEq/L (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A dose inicial depende da TFGe, e a dose alvo na insuficiência cardíaca também (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
| TFGe no início (mL/min/1,73 m²) | Dose inicial | Dose alvo na insuficiência cardíaca | Fonte |
|---|---|---|---|
| 60 ou mais | 20 mg uma vez ao dia | 40 mg uma vez ao dia | (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026) |
| 25 a menos de 60 | 10 mg uma vez ao dia | 20 mg uma vez ao dia | (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026) |
| Menos de 25 | Início não recomendado | Não se aplica | (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026) |
A paciente da cena tem TFGe de 48. Se o itraconazol já tiver terminado e o potássio continuar em 4,6 mEq/L, ela começaria com 10 mg e teria como meta 20 mg. No FINEARTS-HF, os pacientes começaram exatamente assim: 10 mg com TFGe de 25 a menos de 60 e 20 mg com TFGe de 60 ou mais (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Exames de controle
Potássio e TFGe devem ser medidos 4 semanas depois de começar e 4 semanas depois de cada mudança de dose, e depois periodicamente (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). No primeiro mês, é esperado um pequeno aumento da creatinina, de menos de 0,1 mg/dL, com queda de 2 a 3 mL/min/1,73 m² na TFGe, que depois se estabiliza e é reversível (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). O ácido úrico também pode subir um pouco (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Comprimidos e doses esquecidas
Os comprimidos têm 10, 20 e 40 mg e podem ser triturados para quem tem dificuldade de engolir (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Se a paciente esquecer uma dose, deve tomá-la no mesmo dia; se só lembrar no dia seguinte, pula a dose esquecida e segue o horário normal (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Vale escrever isso na receita, porque pacientes idosos com muitos remédios costumam dobrar a dose por engano.
Idosos e fígado
No FINEARTS-HF, 79 por cento dos pacientes tinham 65 anos ou mais e 43 por cento tinham 75 anos ou mais, e a bula não pede ajuste de dose pela idade (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Na insuficiência hepática grave (Child-Pugh C), o uso deve ser evitado; na moderada (Child-Pugh B), vale monitorar o potássio com mais frequência (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A amamentação não é recomendada durante o tratamento (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Potássio: a tabela que guia cada ajuste
Na insuficiência cardíaca, a bula traz uma tabela de ajuste guiada pelo potássio medido (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Ela vale para cada exame de controle e para cada decisão de subir ou descer a dose.
| Potássio (mEq/L) | Dose atual de 10 mg | Dose atual de 20 mg | Dose atual de 40 mg |
|---|---|---|---|
| Menos de 5,0 | Subir para 20 mg | Manter 20 mg se a TFGe inicial era abaixo de 60; se era 60 ou mais, subir para 40 mg | Manter 40 mg |
| 5,0 a menos de 5,5 | Manter | Manter | Manter |
| 5,5 a menos de 6,0 | Suspender e reiniciar com 10 mg quando o potássio ficar abaixo de 5,5 | Reduzir para 10 mg | Reduzir para 20 mg |
| 6,0 ou mais | Suspender | Suspender | Suspender |
Fonte da tabela: (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Depois de suspender por potássio de 6,0 ou mais, o remédio pode ser reiniciado com 10 mg quando o potássio ficar abaixo de 5,5 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Há duas regras extras. Se a TFGe caiu mais de 30 por cento em relação ao valor anterior, a dose deve ser mantida, sem subir (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Se o potássio repetido continuar em 5,5 ou mais, o reinício com 10 mg só deve ocorrer quando o potássio ficar abaixo de 5,0 (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Com que frequência o potássio sobe
No FINEARTS-HF, o potássio acima de 5,5 mmol/L foi mais frequente com finerenona, e o potássio abaixo de 3,5 mmol/L foi menos frequente (Vardeny e colaboradores, 2025). Potássio acima de 6,0 foi pouco comum, mas também mais visto com finerenona (Vardeny e colaboradores, 2025). As internações por potássio alto foram raras, 0,5 por cento com finerenona e 0,2 por cento com placebo, e não houve mortes por esse motivo (Vardeny e colaboradores, 2025). Uma metanálise confirmou risco maior de potássio alto com finerenona na insuficiência cardíaca, com risco relativo de 2,07 (Yu e colaboradores, 2025).
O potássio baixo também pesa
Valores nos dois extremos, abaixo de 3,5 e acima de 5,5 mmol/L, se associaram a mais eventos nos dois grupos (Vardeny e colaboradores, 2025). Numa análise que combinou potássio e função renal, os pacientes com potássio acima de 4,5 mmol/L tiveram menos eventos de insuficiência cardíaca e menos mortes que os com potássio de até 4,5 mmol/L (Ferreira e colaboradores, 2025). A TFGe abaixo de 60 aumentou o risco de eventos, sem grande influência do potássio (Ferreira e colaboradores, 2025). Ou seja, o objetivo não é manter o potássio no menor valor possível, e sim dentro da faixa segura.
Aplicando à paciente
Suponha que, 4 semanas depois de começar com 10 mg, o potássio esteja em 5,1 mEq/L. Pela tabela, a dose de 10 mg deve ser mantida. Se estiver em 4,8 mEq/L, a dose pode subir para 20 mg, a meta dela. Se chegar a 5,7 mEq/L, a finerenona deve ser suspensa e reiniciada com 10 mg quando o potássio cair abaixo de 5,5. O post sobre pausa diagnóstica lembra de conferir o exame e a dose atual antes de decidir.

Função renal, pressão e interações
Na insuficiência cardíaca, a piora da função renal foi mais frequente com finerenona (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Os efeitos ligados à função renal ocorreram em 18 por cento com finerenona e em 12 por cento com placebo (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Entre eles, a bula cita insuficiência renal (7 e 4 por cento), queda da TFGe (5 e 4 por cento), lesão renal aguda (4 e 2 por cento) e falência renal (3 e 2 por cento) (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Esses efeitos levaram a mudança de dose em 9 por cento com finerenona e em 4 por cento com placebo, e a internação em 2,0 e 1,3 por cento (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). A bula orienta considerar adiar a subida da dose ou interromper o remédio quando a função renal piora (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Pressão arterial
A finerenona reduziu a pressão sistólica de forma precoce e sustentada no FINEARTS-HF (Ostrominski e colaboradores, 2026). O benefício sobre morte cardiovascular e eventos de insuficiência cardíaca foi consistente em todas as faixas de pressão no início e pareceu independente da queda da pressão (Ostrominski e colaboradores, 2026). A pressão inicial não mudou o perfil de segurança (Ostrominski e colaboradores, 2026). Nos estudos renais, a hipotensão ocorreu em 4,6 por cento com finerenona e em 3,0 por cento com placebo (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Para a paciente idosa da cena, vale medir a pressão em pé e perguntar sobre tontura, sobretudo se o diurético for ajustado.
Outros efeitos
Nos estudos renais, a hiponatremia ocorreu em 1,3 por cento com finerenona e em 0,7 por cento com placebo (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). As internações por potássio alto foram de 0,9 e 0,2 por cento, e a suspensão do remédio por esse motivo foi de 1,7 e 0,6 por cento (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). O remédio não é removido por diálise, porque cerca de 90 por cento circula ligado a proteínas (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Interações que mudam a conduta
A finerenona é metabolizada pelo CYP3A4, e a bula organiza as interações assim (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026):
- Inibidores fortes do CYP3A4, como o itraconazol: uso contraindicado.
- Toranja e suco de toranja: evitar.
- Inibidores moderados ou fracos do CYP3A4: monitorar o potássio ao iniciar ou ajustar qualquer um dos dois remédios.
- Indutores fortes ou moderados do CYP3A4: evitar, porque reduzem o efeito.
- Remédios ou suplementos que aumentam o potássio: monitorar o potássio com mais frequência.
- Substratos sensíveis do CYP2C8: monitorar quando a dose for de 40 mg, porque a finerenona é um inibidor fraco dessa enzima.
A paciente da cena tem duas interações na lista: o itraconazol e o suco de toranja. Ela também usa losartana, e a bula pede controle mais frequente do potássio com remédios que o aumentam (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). Isso não impede o uso, mas reforça o controle em 4 semanas. A bula orienta o paciente a falar com o médico antes de usar suplementos de potássio ou substitutos de sal com potássio (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra por que a farmácia ajuda a encontrar essas interações.
Quando a paciente piora
Se a paciente chegar com fraqueza, palpitações ou alterações no eletrocardiograma, o potássio deve ser checado logo. Se chegar com vômitos, diarreia ou pouca ingestão de líquidos, a função renal pode piorar rápido, e a dose deve ser revista. O post sobre deterioração clínica na enfermaria mostra como escalar quando os sinais vitais mudam.
O que orientar na alta
A orientação na alta precisa ser curta e concreta. A paciente deve saber o nome do remédio, a dose e o motivo. Deve saber que precisa colher potássio e creatinina em 4 semanas, e a data deve estar escrita. Deve evitar suco de toranja, substitutos de sal e suplementos de potássio sem falar com a equipe. Deve avisar qualquer médico que for receitar um remédio novo de que usa finerenona, porque inibidores e indutores do CYP3A4 mudam a conduta (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026). E deve saber quais sinais pedem contato: fraqueza, palpitação, tontura ao levantar ou queda da quantidade de urina.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. A finerenona é um bom exercício porque um número de potássio, uma TFGe ou um antifúngico novo mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento, e o post sobre incerteza diagnóstica ajuda quando os dados não fecham. O post sobre simulação de atendimento mostra como treinar a orientação de alta.
Três exercícios com casos
Mude a TFGe. Diga a dose inicial e a meta se a TFGe fosse de 65.
Mude o potássio. Diga o que fazer se, com 20 mg, o potássio estivesse em 5,6 mEq/L.
Mude o remédio. Diga o que fazer se a paciente começasse um indutor forte do CYP3A4.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
A finerenona substitui a espironolactona?
São remédios diferentes. A finerenona é não esteroide e seletiva, e a indicação aprovada na insuficiência cardíaca vale para fração de ejeção de 40 ou mais (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Qual é a dose inicial?
Pela bula, 10 mg com TFGe de 25 a menos de 60 e 20 mg com TFGe de 60 ou mais, uma vez ao dia (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Quando colher potássio?
Antes de começar, 4 semanas depois de começar, 4 semanas depois de cada mudança de dose e depois periodicamente (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Pode usar com inibidor de SGLT2?
Sim. No FINEARTS-HF, o efeito foi consistente com ou sem inibidor de SGLT2 (Vaduganathan e colaboradores, 2025).
Que alimento evitar?
Toranja e suco de toranja (bula americana do Kerendia, revisada em 9/2026).
Checklist final
- Confirmei insuficiência cardíaca sintomática com fração de ejeção de 40 ou mais.
- Medi potássio e TFGe antes de começar.
- Conferi que o potássio está em até 5,0 mEq/L e a TFGe em 25 ou mais.
- Escolhi a dose inicial e a meta pela TFGe.
- Revisei inibidores e indutores do CYP3A4, toranja e fontes de potássio.
- Programei potássio e TFGe em 4 semanas.
- Usei a tabela de potássio para cada ajuste.
- Orientei sobre dose esquecida, tontura e sinais de alerta.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- Agarwal R, Filippatos G, Pitt B, et al. Cardiovascular and kidney outcomes with finerenone in patients with type 2 diabetes and chronic kidney disease: the FIDELITY pooled analysis. Eur Heart J. 2022. PMID 35023547.
- Bayer HealthCare Pharmaceuticals. KERENDIA® (finerenone) tablets, for oral use. Prescribing Information. Revisada em 9/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Butt JH, Jhund PS, Henderson AD, et al. Finerenone According to Frailty in Heart Failure: A Prespecified Analysis of the FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025. PMID 40531488.
- Chimura M, Petrie MC, Schou M, et al. Finerenone Improves Outcomes in Patients With Heart Failure With Mildly Reduced or Preserved Ejection Fraction Irrespective of Age: A Prespecified Analysis of FINEARTS-HF. Circ Heart Fail. 2024. PMID 39342655.
- Chimura M, Wang X, Jhund PS, et al. Finerenone in Women and Men With Heart Failure With Mildly Reduced or Preserved Ejection Fraction: A Secondary Analysis of the FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025. PMID 39550721.
- Cunningham JW, Chatur S, Claggett BL, et al. Finerenone and Outpatient Worsening Heart Failure With Mildly Reduced or Preserved Ejection Fraction: A Secondary Analysis of the FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025. PMID 40009358.
- Docherty KF, Henderson AD, Jhund PS, et al. Efficacy and Safety of Finerenone Across the Ejection Fraction Spectrum in Heart Failure With Mildly Reduced or Preserved Ejection Fraction: A Prespecified Analysis of the FINEARTS-HF Trial. Circulation. 2025. PMID 39342512.
- European Medicines Agency. Kerendia. EPAR. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Ferreira JP, Vaduganathan M, Claggett BL, et al. Interplay of serum potassium and kidney function with finerenone in heart failure with mildly reduced or preserved ejection fraction: Findings from FINEARTS-HF. Eur J Heart Fail. 2025. PMID 41039732.
- Filippatos G, Anker SD, Agarwal R, et al. Finerenone and Cardiovascular Outcomes in Patients With Chronic Kidney Disease and Type 2 Diabetes. Circulation. 2021. PMID 33198491.
- Matsumoto S, Henderson AD, Jhund PS, et al. Finerenone and Atrial Fibrillation in Heart Failure: A Secondary Analysis of the FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025. PMID 40156827.
- Ostrominski JW, Claggett BL, Kulac IJ, et al. Finerenone and Blood Pressure in Heart Failure With Mildly Reduced or Preserved Ejection Fraction: The FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2026. PMID 42418169.
- Pabon MA, Vardeny O, Vaduganathan M, et al. Finerenone in Heart Failure With Improved Ejection Fraction: The FINEARTS-HF Randomized Clinical Trial. JAMA Cardiol. 2025. PMID 40397470.
- U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. NDA 215341, Kerendia. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
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