Testes genômicos na mama: quando a quimioterapia ajuda

Bloco de parafina retangular com centenas de pequenos cilindros de tecido em tons de marrom, organizados em fileiras
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. O que um teste genômico mede
  3. TAILORx: sem linfonodo comprometido
  4. RxPONDER: com um a três linfonodos
  5. MINDACT: risco clínico contra risco genômico
  6. A mulher na pré-menopausa
  7. O que mudou na prática e o que ainda falha
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Checklist final
  11. Referências

Uma contadora de 47 anos, ainda menstruando, foi operada de um carcinoma invasivo de 1,8 centímetro na mama direita. O laudo mostra receptor de estrógeno fortemente positivo, receptor de progesterona positivo, HER2 negativo, grau 2 e biópsia do linfonodo sentinela sem metástase. O mastologista pediu um teste genômico, que voltou com escore de recorrência 19. Ela chega à consulta de oncologia com uma pergunta direta: "Esse número quer dizer que eu preciso de quimioterapia ou não?". A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. A pergunta vem da lista do Dr. Alexei para a série de oncologia: como usar testes genômicos no câncer de mama com receptor hormonal positivo e HER2 negativo para evitar quimioterapia desnecessária sem tratar de menos quem precisa? Os estudos de referência são o TAILORx, o RxPONDER e o MINDACT. O texto não substitui a diretriz do seu país nem o protocolo do seu serviço. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: um número só ganha sentido quando se juntam a idade, a menopausa e os linfonodos.

Principais pontos

  • Os testes genômicos medem a expressão de genes do tumor e estimam o risco de recidiva e o ganho com quimioterapia.
  • O TAILORx mostrou que, sem linfonodo comprometido e acima de 50 anos, o escore até 25 não indica ganho com quimioterapia.
  • Em mulheres de 50 anos ou menos, houve ganho modesto com escore de 16 a 25, sobretudo de 21 a 25.
  • O RxPONDER estendeu a lógica para 1 a 3 linfonodos e mostrou ganho em mulheres na pré-menopausa, independentemente do escore.
  • O MINDACT mostrou que, com risco clínico alto e genômico baixo, a quimioterapia acrescenta pouco à sobrevida livre de metástase.
  • Parte do ganho em mulheres jovens pode vir da supressão ovariana causada pela quimioterapia, o que abre a discussão sobre alternativas.

Por que este é um cenário de raciocínio

A maioria dos cânceres de mama diagnosticados hoje tem receptor hormonal positivo e HER2 negativo. Para essas pacientes, o tratamento endócrino é a base da adjuvância, e a quimioterapia acrescenta benefício apenas a uma parte delas. O problema é saber qual parte. Durante décadas, tamanho, grau e linfonodos foram os únicos guias, e muitas mulheres receberam quimioterapia por precaução.

Os testes genômicos surgiram para separar melhor esses grupos. Eles não substituem o laudo da patologia. Somam uma camada de informação biológica que ajuda a responder duas perguntas diferentes: qual é o risco de a doença voltar e quanto a quimioterapia reduz esse risco. Confundir essas perguntas é um dos erros mais comuns na interpretação.

O cenário da contadora reúne os elementos que tornam a decisão difícil. Ela tem menos de 50 anos, está na pré-menopausa, não tem linfonodo comprometido e caiu na faixa intermediária do escore. É exatamente o grupo em que os estudos mostraram resultados menos simples. O post sobre quem decide a sequência do tratamento no câncer de mama explica como a reunião multidisciplinar organiza essas escolhas.

O erro que o cenário quer evitar

O erro mais frequente é ler o escore como se ele fosse a decisão. Um escore de 19 significa coisas diferentes para uma mulher de 62 anos e para uma de 47 anos. Outro erro é pedir o teste sem saber o que se fará com o resultado, ou pedi-lo em situações em que ele não muda a conduta.

O que um teste genômico mede

O teste de 21 genes, o mais estudado, mede a expressão de genes ligados a proliferação, receptor de estrógeno, HER2 e invasão, além de genes de referência. Esses grupos são combinados num escore de recorrência de 0 a 100 (Zhang e colaboradores, 2022). O teste foi validado de forma retrospectiva em vários estudos antes de ser testado de forma prospectiva no TAILORx e no RxPONDER (Zhang e colaboradores, 2022).

O teste de 70 genes, usado no MINDACT, classifica o tumor em risco genômico alto ou baixo, sem faixa intermediária. A análise da expressão gênica é feita em grande escala, e o próprio MINDACT precisou controlar a variação técnica entre milhares de microarranjos para garantir resultados confiáveis (Jacob e colaboradores, 2020).

Para que serve cada resultado

  • Estimar o risco de recidiva a distância com tratamento endócrino isolado.
  • Estimar quanto a quimioterapia acrescenta a esse tratamento.
  • Evitar quimioterapia em quem tem risco baixo, mesmo com fatores clínicos que preocupam.
  • Identificar quem tem risco alto, mesmo com tumor pequeno.
  • Apoiar a conversa com a paciente com um número que ela possa entender.

O que o teste não faz

O teste não substitui a avaliação de receptores e de HER2 pela patologia. Num subestudo do MINDACT, houve discordância entre a imuno-histoquímica central e a medida por expressão gênica de receptores e HER2, sobretudo nas faixas baixas de expressão (Viale e colaboradores, 2016). O teste também não foi desenhado para o triplo-negativo nem para o HER2 positivo, que têm decisões próprias.

Mapa de calor de um microarranjo de DNA, com faixas vermelhas e verdes que mostram diferenças de expressão gênica entre tumores
Análise por microarranjo de DNA, aqui feita em linfomas, que mostra como padrões de expressão gênica separam tumores parecidos ao microscópio. Os testes de mama usam o mesmo princípio. Crédito: Bill Branson, National Cancer Institute, domínio público, via Wikimedia Commons.

TAILORx: sem linfonodo comprometido

O TAILORx incluiu 9.719 pacientes com câncer de mama receptor de estrógeno positivo, HER2 negativo e sem linfonodo comprometido (Beltran-Bless e Ng, 2022). Pacientes com escore até 10 receberam só tratamento endócrino, pacientes com escore de 26 ou mais receberam quimioterapia e tratamento endócrino, e pacientes com escore de 11 a 25 foram randomizadas entre as duas condutas (Beltran-Bless e Ng, 2022).

O resultado principal

No grupo randomizado, o tratamento endócrino isolado não foi inferior ao tratamento combinado para pacientes com escore de 11 a 25, exceto para mulheres de 50 anos ou menos com escore de 16 a 25 (Park e colaboradores, 2025). Em outras palavras, a maioria das mulheres acima de 50 anos com escore até 25 pode dispensar a quimioterapia sem perda de sobrevida livre de doença invasiva (Freeman e colaboradores, 2025).

As mulheres de 50 anos ou menos

Entre as mulheres de 50 anos ou menos, houve um benefício modesto com escore de 21 a 25, ou de 16 a 20 com risco clínico mais alto (Freeman e colaboradores, 2025). Uma análise posterior mostrou que esse benefício ficou concentrado nas mulheres de 46 a 50 anos na pré-menopausa, justamente o grupo mais propenso a entrar em menopausa com a quimioterapia (Zhang e colaboradores, 2022). No TAILORx, só 13 em cada 100 mulheres na pré-menopausa com escore intermediário receberam supressão ovariana (Zhang e colaboradores, 2022).

O escore alto

Com escore de 26 ou mais, a quimioterapia somada ao tratamento endócrino continua indicada, e o seguimento de 12 anos do TAILORx confirmou o benefício nesse grupo (Ünal e colaboradores, 2023). Para o cenário da contadora, com escore 19 e 47 anos, a decisão passa por avaliar o risco clínico e discutir a supressão ovariana como alternativa ou complemento.

EstudoPopulaçãoTesteAchado centralFonte
TAILORxSem linfonodo comprometido, 9.719 pacientes21 genesEscore de 11 a 25 sem ganho com quimioterapia acima de 50 anosBeltran-Bless e Ng, 2022
RxPONDER1 a 3 linfonodos, escore até 2521 genesSem ganho na pós-menopausa, ganho de até 5 pontos na pré-menopausaFreeman e colaboradores, 2025
MINDACTRisco clínico alto e genômico baixo70 genesSobrevida livre de metástase em 5 anos de 95,9 com e 94,4 sem quimioterapia, em cada 100Steyerberg e colaboradores, 2021

Como explicar o resultado à paciente

A paciente costuma ouvir "escore intermediário" como "risco médio de morrer". O escore precisa ser traduzido para a pergunta que ela fez: a quimioterapia vai ajudar ou não? Para uma mulher acima de 50 anos sem linfonodo comprometido e escore até 25, a resposta baseada no TAILORx é que o ganho esperado é nulo ou muito pequeno (Freeman e colaboradores, 2025). Para a contadora de 47 anos com escore 19, a resposta honesta é que existe um ganho modesto em mulheres da idade dela, e que parte desse ganho pode ser obtida com supressão ovariana (Zhang e colaboradores, 2022).

Essa conversa exige tempo. Muitas pacientes preferem receber quimioterapia por medo, mesmo quando o benefício é pequeno, e outras recusam mesmo quando ele é claro. O papel do médico é apresentar os números de forma compreensível e respeitar a escolha informada.

RxPONDER: com um a três linfonodos

O RxPONDER fez a mesma pergunta para pacientes com 1 a 3 linfonodos comprometidos e escore até 25. Na pós-menopausa, a quimioterapia não trouxe ganho para quem tinha risco genômico baixo ou intermediário (Freeman e colaboradores, 2025). Na pré-menopausa, houve benefício absoluto de até 5 pontos com quimioterapia, independentemente do escore (Freeman e colaboradores, 2025).

Por que a menopausa pesa tanto

Os autores e revisores levantaram a hipótese de que parte desse ganho venha da falência ovariana induzida pela quimioterapia, e não do efeito citotóxico (Freeman e colaboradores, 2025). No RxPONDER, a supressão ovariana foi acrescentada para 19 em cada 100 pacientes na pré-menopausa que receberam só tratamento endócrino (Zhang e colaboradores, 2022). Uma análise exploratória do estudo não mostrou diferença significativa com a supressão ovariana, mas o número de pacientes era pequeno e a análise não foi planejada para isso (Zhang e colaboradores, 2022).

Micrometástase no linfonodo

Uma situação frequente é a micrometástase linfonodal. Num registro com 72.068 mulheres com menos de 50 anos, a quimioterapia se associou a melhor sobrevida global quando havia de 1 a 3 linfonodos com metástase e escore abaixo de 26, mas não quando havia só micrometástase (Bilani e colaboradores, 2023). Esse dado é observacional e precisa ser lido com cautela.

MINDACT: risco clínico contra risco genômico

O MINDACT usou outra lógica. Avaliou o risco clínico e o risco pelo teste de 70 genes e randomizou as pacientes em que os dois discordavam. O grupo mais importante foi o de risco clínico alto e risco genômico baixo.

O resultado principal

Nas pacientes com risco clínico alto e genômico baixo que não receberam quimioterapia, a sobrevida livre de metástase a distância em 5 anos foi de 94,7 em cada 100, e o critério de não inferioridade foi atingido (Steyerberg e colaboradores, 2021). Na análise por intenção de tratar, esse número foi de 95,9 em cada 100 com quimioterapia e de 94,4 em cada 100 sem ela, uma diferença de 1,5 ponto (Steyerberg e colaboradores, 2021). A razão de riscos ajustada foi de 0,78, sem significância estatística (Steyerberg e colaboradores, 2021).

Tumores pequenos

Numa análise do MINDACT com tumores de até 1 centímetro, sem linfonodo comprometido, o prognóstico de longo prazo das pacientes com risco genômico alto foi parecido com o das de risco baixo, e a quimioterapia não pareceu melhorar a sobrevida no grupo de risco alto (Hilbers e colaboradores, 2024). O número de pacientes randomizadas era pequeno, e os autores pedem cautela (Hilbers e colaboradores, 2024).

O teste muda a opinião dos especialistas

Num levantamento com 41 especialistas do próprio MINDACT, a informação de risco genômico baixo mudou 19 em cada 100 recomendações de quimioterapia para não fazer quimioterapia (Lopes Cardozo e colaboradores, 2023). O mesmo estudo mostrou variação entre especialistas na avaliação do risco, o que reforça o valor de uma informação objetiva (Lopes Cardozo e colaboradores, 2023).

Lâmina de vidro de microscopia com um fragmento de tecido corado de roxo, sobre fundo branco
Lâmina com tecido corado. O laudo histológico, com receptores, HER2, grau e linfonodos, continua sendo a base em que o teste genômico se apoia. Crédito: Mikael Häggström, CC0, via Wikimedia Commons.

O que o MINDACT acrescenta ao raciocínio

O MINDACT ensina que um tumor com aparência clínica de alto risco pode ter biologia de baixo risco. Uma paciente com tumor de 3 centímetros, grau 3 e até 3 linfonodos pode ser classificada como risco clínico alto, e o teste de 70 genes pode mostrar risco genômico baixo. Nessa situação, a diferença de 1,5 ponto em 5 anos precisa ser pesada contra os efeitos da quimioterapia (Steyerberg e colaboradores, 2021). Um modelo de decisão construído a partir das 6.693 mulheres do MINDACT mostrou que quem se beneficia do teste depende muito do ganho mínimo que a paciente considera aceitável (Steyerberg e colaboradores, 2021). Estudos de preferência citados pelos autores mostraram que esse ganho mínimo varia muito entre mulheres, de menos de 1 até 7 pontos (Steyerberg e colaboradores, 2021). Os autores concluíram que a indicação do teste pode ser mais restrita do que o estudo sugeria à primeira vista (Steyerberg e colaboradores, 2021). Na prática, isso significa perguntar à paciente quanto benefício ela exige antes de aceitar a quimioterapia, e só então decidir se o teste vai mudar alguma coisa.

A mulher na pré-menopausa

A pré-menopausa é o ponto em que os testes genômicos menos simplificam a decisão. Nas mulheres mais velhas, o escore separa bem quem precisa de quimioterapia. Nas mais jovens, o benefício aparece mesmo com escore intermediário, e a explicação mais provável envolve o efeito hormonal da quimioterapia.

O escore continua prognóstico

Numa coorte de mulheres com 40 anos ou menos, o escore manteve valor prognóstico. A sobrevida livre de recidiva a distância em 6 anos foi de 96,9 em cada 100 sem linfonodo comprometido e de 85,2 em cada 100 com linfonodo comprometido, na faixa de 11 a 25 (Poorvu e colaboradores, 2020). Com escore de 26 ou mais, esses números caíram para 85,1 e 71,3 em cada 100 (Poorvu e colaboradores, 2020).

Perguntas para a conversa com a paciente

  • A paciente está mesmo na pré-menopausa, com ciclos regulares?
  • Qual é o risco clínico, considerando tamanho, grau e idade?
  • Ela aceitaria supressão ovariana por vários anos como alternativa?
  • Ela tem planos de gestação que mudam a escolha?
  • Quais efeitos da quimioterapia mais a preocupam?
  • O serviço consegue oferecer seguimento para a supressão ovariana?

O escore intermediário numa mulher jovem não é um empate. É um convite para discutir as opções com mais detalhe. O post sobre incerteza diagnóstica mostra como conduzir decisões em que a evidência não aponta um único caminho.

O que mudou na prática e o que ainda falha

Os testes genômicos já mudaram condutas. Num estudo alemão com 366 pacientes, o escore mudou a recomendação de tratamento em 33 em cada 100 pacientes, e a confiança dos médicos aumentou em 45 em cada 100 (Eiermann e colaboradores, 2013). Nesse mesmo estudo, 33 em cada 100 pacientes a menos receberam quimioterapia em comparação com a recomendação inicial (Eiermann e colaboradores, 2013).

A mudança dos pontos de corte também teve efeito. Num centro suíço com 326 pacientes, as novas faixas do TAILORx reduziram a proporção de escore baixo de cerca de 60 para 20 em cada 100 e dobraram a faixa intermediária (Chiru e colaboradores, 2023). Mesmo assim, a recomendação geral de quimioterapia não mudou de forma significativa, 19 contra 22 em cada 100 (Chiru e colaboradores, 2023). Isso mostra que a reclassificação não leva automaticamente a mais quimioterapia, desde que a equipe saiba que a faixa de 11 a 25 continua sem ganho para a maioria das mulheres acima de 50 anos.

Tendências depois dos grandes estudos

Num banco de dados dos Estados Unidos com 504.937 mulheres, o uso de quimioterapia em mulheres na pré-menopausa sem linfonodo comprometido e escore intermediário caiu de 29,6 em cada 100 em 2010 para 11,1 em cada 100 em 2022 (Freeman e colaboradores, 2025). Nas mulheres na pré-menopausa com linfonodo comprometido e escore baixo ou intermediário, o uso quase dobrou entre 2019 e 2022, coincidindo com a publicação do RxPONDER (Freeman e colaboradores, 2025).

Erros comuns na interpretação

  • Usar o escore de 26 como corte único para todas as idades.
  • Esquecer que o resultado orienta a quimioterapia, não o tratamento endócrino.
  • Aplicar o resultado do TAILORx a pacientes com linfonodo comprometido.
  • Ignorar o estado menopausal ou defini-lo só pela idade.
  • Pedir o teste quando a quimioterapia já está decidida por outros motivos.

Esses erros aparecem com frequência em discussões de caso e em provas. Cada um deles leva a uma conduta defensável à primeira vista, mas diferente do que os estudos sustentam. Treinar a leitura do escore junto com a idade e a axila evita a maior parte deles.

Barreiras que persistem

O custo do teste limita o acesso em países de renda baixa e média, e muitas decisões ainda são tomadas só com dados clínicos e patológicos (Ünal e colaboradores, 2023). Diferenças por raça e etnia também foram descritas no TAILORx, com pior sobrevida livre de doença invasiva em mulheres negras mesmo com escore parecido (Beltran-Bless e Ng, 2022). Essas diferenças provavelmente envolvem fatores biológicos e sociais (Beltran-Bless e Ng, 2022).

Técnica de laboratório sentada diante de um computador que mostra a imagem de um microarranjo
A leitura do microarranjo é feita por software, mas a interpretação clínica depende de quem conhece a paciente. Crédito: Bill Branson, National Cancer Institute, domínio público, via Wikimedia Commons.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. O teste genômico é um bom exercício porque o mesmo número muda de significado conforme a idade, a menopausa e os linfonodos. O post sobre diagnóstico diferencial com pistas mostra como treinar com pistas progressivas.

Três exercícios com casos

Mude a idade. Diga o que muda se a paciente da cena tiver 63 anos e estiver na pós-menopausa.

Mude a axila. Diga como agir se o linfonodo sentinela mostrar metástase em 2 linfonodos, com o mesmo escore.

Mude o escore. Diga o que discutir se o escore for 28 e a paciente recusar quimioterapia.

O post sobre tomada de decisão clínica trata de quando um exame muda a conduta. Os limites de uso do jogo estão na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato.

Perguntas frequentes

Escore de recorrência baixo dispensa o tratamento endócrino?

Não. O teste orienta a decisão sobre quimioterapia. No MINDACT, o tratamento endócrino se associou a melhores resultados mesmo em tumores pequenos de risco genômico baixo (Hilbers e colaboradores, 2024).

Vale pedir o teste com 4 ou mais linfonodos comprometidos?

Os grandes estudos com o teste de 21 genes incluíram até 3 linfonodos (Freeman e colaboradores, 2025). Com mais linfonodos, a quimioterapia costuma ser indicada pelo risco clínico.

Por que o resultado é diferente para mulheres jovens?

Porque o ganho com quimioterapia apareceu mesmo com escore intermediário, e parte dele pode vir da supressão ovariana causada pela quimioterapia (Zhang e colaboradores, 2022).

Os dois testes são equivalentes?

Não foram comparados diretamente nos grandes estudos. O de 21 genes dá um escore contínuo, e o de 70 genes classifica o risco em alto ou baixo (Steyerberg e colaboradores, 2021).

O teste vale para tumores HER2 positivos?

Não. Os estudos incluíram tumores HER2 negativos, e o HER2 positivo tem tratamento próprio, discutido no post sobre o pertuzumabe adjuvante.

Checklist final

  • Confirmei receptor hormonal positivo e HER2 negativo no laudo.
  • Defini o número de linfonodos comprometidos e se há só micrometástase.
  • Registrei a idade e o estado menopausal com critério objetivo.
  • Pedi o teste só quando o resultado pode mudar a conduta.
  • Interpretei o escore junto com o risco clínico.
  • Discuti a supressão ovariana com mulheres na pré-menopausa.
  • Expliquei à paciente o que o número significa e o que não significa.
  • Planejei o tratamento endócrino independentemente da quimioterapia.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Beltran-Bless AA, Ng TL. Race, ethnicity, and clinical outcomes in hormone receptor-positive, human epidermal growth factor 2 negative (HER2-), node negative breast cancer in the randomized TAILORx trial: gaps in biologic and social determinants of health. Ann Transl Med. 2022. PMID 36660702.
  2. Bilani N, Patel R, Crowley F, et al. Outcomes in Premenopausal Patients with HR+/HER2- Breast Cancer and Lymph Node Micrometastasis Based on the 21-Gene Recurrence Score. Oncologist. 2023. PMID 37682780.
  3. Chiru ED, Oseledchyk A, Schoetzau A, et al. Application of a 21-Gene Recurrence Score in a Swiss Single-Center Breast Cancer Population: A Comparative Analysis of Treatment Administration before and after TAILORx. Diagnostics (Basel). 2023. PMID 38201405.
  4. Eiermann W, Rezai M, Kümmel S, et al. The 21-gene recurrence score assay impacts adjuvant therapy recommendations for ER-positive, node-negative and node-positive early breast cancer resulting in a risk-adapted change in chemotherapy use. Ann Oncol. 2013. PMID 23136233.
  5. Freeman JQ, Saha P, Peiffer DS, et al. Adjuvant Chemotherapy Use for Hormone Receptor-Positive, ERBB2-Negative Breast Cancer After RxPONDER Trial. JAMA Netw Open. 2025. PMID 41632146.
  6. Hilbers FS, Poncet C, Tryfonidis K, et al. Benefit of systemic therapy in MINDACT patients with small, ER-positive, HER2-negative breast cancers. NPJ Breast Cancer. 2024. PMID 39488549.
  7. Jacob L, Witteveen A, Beumer I, et al. Controlling technical variation amongst 6693 patient microarrays of the randomized MINDACT trial. Commun Biol. 2020. PMID 32719399.
  8. Lopes Cardozo JMN, Veira SE, Ait Hassou L, et al. Agreement on risk assessment and chemotherapy recommendations among breast cancer specialists: A survey within the MINDACT cohort. Breast. 2023. PMID 37225592.
  9. Park JM, Lee SJ, Ahn JH, et al. Characteristics of premenopausal breast cancer patients with a midrange 21-gene recurrence score. Ann Surg Treat Res. 2025. PMID 40226167.
  10. Poorvu PD, Gelber SI, Rosenberg SM, et al. Prognostic Impact of the 21-Gene Recurrence Score Assay Among Young Women With Node-Negative and Node-Positive ER-Positive/HER2-Negative Breast Cancer. J Clin Oncol. 2020. PMID 31809240.
  11. Steyerberg EW, de Wreede LC, van Klaveren D, et al. Personalized Decision Making on Genomic Testing in Early Breast Cancer: Expanding the MINDACT Trial with Decision-Analytic Modeling. Med Decis Making. 2021. PMID 33655778.
  12. Viale G, Slaets L, de Snoo FA, et al. Discordant assessment of tumor biomarkers by histopathological and molecular assays in the EORTC randomized controlled 10041/BIG 03-04 MINDACT trial breast cancer : Intratumoral heterogeneity and DCIS or normal tissue components are unlikely to be the cause of discordance. Breast Cancer Res Treat. 2016. PMID 26820652.
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