Dupilumabe na DPOC com eosinófilos: quem tratar e vigiar

Sumário
Um homem de 64 anos, ex-fumante de 40 maços-ano, tem doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, com tosse e catarro na maior parte dos dias. Ele usa há mais de um ano a terapia inalatória tripla, com um broncodilatador beta-agonista de longa ação, um antimuscarínico de longa ação e um corticoide inalatório. A técnica inalatória foi revisada e está correta. Mesmo assim, ele teve duas exacerbações no último ano, ambas tratadas com prednisona oral e antibiótico. A espirometria mostra relação VEF1/CVF de 0,55 e VEF1 de 48 por cento do previsto depois do broncodilatador. O hemograma em fase estável mostra 400 eosinófilos por microlitro, valor parecido com o de seis meses atrás. Ele nunca teve diagnóstico de asma. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. Ele trata do dupilumabe, um anticorpo monoclonal aprovado como tratamento adicional de manutenção na DPOC com fenótipo eosinofílico. O texto explica o que é inflamação tipo 2 na DPOC, como ler a contagem de eosinófilos, quem entrou nos estudos BOREAS e NOTUS, qual é a dose, o que a bula manda vigiar e onde estão os limites da evidência. Ele não substitui o protocolo da sua instituição nem a bula local. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: decidir com pistas que chegam em sequência.
Principais pontos
- O dupilumabe (nome comercial Dupixent) bloqueia a sinalização da interleucina 4 e da interleucina 13, duas citocinas centrais da inflamação tipo 2.
- Na DPOC, ele é indicado para adultos não controlados apesar da terapia inalatória e com eosinófilos no sangue aumentados.
- Os estudos BOREAS e NOTUS incluíram pessoas com eosinófilos a partir de 300 por microlitro e exacerbações no ano anterior apesar da terapia tripla.
- A dose na DPOC é de 300 mg por via subcutânea a cada 2 semanas, sem dose de ataque.
- A bula pede atenção a conjuntivite e ceratite, a doenças eosinofílicas, a parasitas intestinais e às vacinas.
- As datas regulatórias deste texto foram conferidas na FDA e na EMA em 24 de outubro de 2026.
Por que este é um cenário de raciocínio
As exacerbações marcam a história natural da DPOC. Uma revisão lembra que exacerbações mais frequentes se associam a queda mais rápida da função pulmonar, a pior qualidade de vida e a maior mortalidade (Ritchie e Wedzicha, 2020). A mesma revisão lembra que eventos repetidos se associam a mortalidade muito maior e que isso levou os serviços de saúde a tentar evitar readmissões (Ritchie e Wedzicha, 2020). Uma análise de 2026 lembra que a DPOC causou cerca de 3,5 milhões de mortes no mundo em 2021 (Ramakrishnan e colaboradores, 2026).
O cenário é bom para treino porque a pergunta não é se o paciente tem DPOC, e sim por que ele continua exacerbando com tratamento inalatório completo. A resposta exige rever a técnica, a adesão, a exposição, as comorbidades e o fenótipo inflamatório antes de pensar num biológico. O post sobre sinais, sintomas e história ajuda a organizar a história das exacerbações, e o post sobre tomada de decisão clínica lembra que cada exame pedido precisa mudar uma decisão.
O que a cena ensina
A cena treina seis hábitos. O primeiro é confirmar o diagnóstico de DPOC com espirometria. O segundo é contar as exacerbações e sua gravidade no último ano. O terceiro é rever a técnica inalatória e a adesão antes de culpar o remédio. O quarto é ler a contagem de eosinófilos em fase estável e repetida. O quinto é procurar asma associada, parasitas e outras causas de eosinofilia. O sexto é combinar o que medir depois de começar.
O que não está em jogo
O texto não discute o tratamento da exacerbação aguda, a oxigenoterapia, a reabilitação pulmonar nem a cirurgia de redução de volume em detalhe. Também não compara preços nem acesso. O dupilumabe não serve para tratar broncoespasmo agudo nem uma exacerbação em curso (bula americana do Dupixent, 4/2026). O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a lidar com o fato de que nenhum biomarcador isolado garante resposta.
Antes de pensar em biológico
Uma revisão sobre medicina de precisão na DPOC organiza o raciocínio em fenótipos, que são manifestações clínicas observáveis, endótipos, que são subtipos moleculares ou fisiopatológicos, e traços tratáveis, que são características detectáveis e passíveis de tratamento em cada pessoa (Xie e colaboradores, 2025). Para o paciente da cena, a sequência é verificar o básico, como cessação do tabagismo, vacinas, técnica inalatória e reabilitação, e só então perguntar se a inflamação eosinofílica é o traço que falta tratar.
Inflamação tipo 2 e eosinófilos na DPOC
Uma doença heterogênea
Uma revisão de 2025 lembra que a DPOC foi descrita historicamente como uma inflamação neutrofílica guiada pelas vias Th1 e Th17, distinta da inflamação eosinofílica tipo 2 típica da asma (Vanetti e colaboradores, 2025). A mesma revisão diz que 20 a 40 por cento das pessoas com DPOC têm eosinófilos aumentados no escarro ou no sangue, o que sugere um papel da inflamação tipo 2 num subgrupo (Vanetti e colaboradores, 2025). Esse subgrupo tende a ter mais exacerbações, mais resposta ao broncodilatador de curta ação e melhor resposta ao corticoide inalatório (Vanetti e colaboradores, 2025).
A definição atual da DPOC já reconhece a heterogeneidade. Uma revisão do relatório GOLD 2023 lembra que a doença é definida como uma condição pulmonar heterogênea, com sintomas respiratórios crônicos causados por alterações das vias aéreas, como bronquite e bronquiolite, ou dos alvéolos, como enfisema, que causam obstrução persistente e muitas vezes progressiva (Sharma e colaboradores, 2024).
As citocinas tipo 2
Uma revisão sobre inflamação tipo 2 nas vias aéreas lembra que a interleucina 4 e a interleucina 13 são as citocinas centrais dessas doenças (Maspero e colaboradores, 2022). As duas participam da troca de classe dos linfócitos B e da produção de IgE, com liberação de mediadores por basófilos e mastócitos, ruptura da barreira e remodelamento (Maspero e colaboradores, 2022). A interleucina 13 participa da hiperplasia das células caliciformes e da produção de muco, além da contratilidade e da hiperplasia do músculo liso (Maspero e colaboradores, 2022).
Eosinófilos e corticoide inalatório
A contagem de eosinófilos no sangue entrou na prática primeiro como guia para o corticoide inalatório. Uma revisão de 2023 lembra que, em estudos randomizados, uma contagem abaixo de 100 por microlitro identifica pessoas que dificilmente se beneficiam do corticoide inalatório, enquanto acima de 300 por microlitro identifica alta probabilidade de benefício (Lea e colaboradores, 2023). A mesma revisão lembra que o corticoide inalatório pode causar pneumonia, osteoporose, diabetes e catarata (Lea e colaboradores, 2023). Uma revisão do GOLD 2023 lembra que a terapia tripla é considerada para pessoas com eosinófilos a partir de 300 por microlitro e duas exacerbações moderadas ou uma grave (Sharma e colaboradores, 2024).
A contagem é estável?
Essa é uma pergunta prática. Uma revisão de 2025 cita um estudo em que os eosinófilos no sangue tiveram boa estabilidade depois de um ano de observação, com coeficiente de correlação intraclasse de 0,84 (Vanetti e colaboradores, 2025). A maior variabilidade apareceu nas contagens mais altas, mas a passagem entre os grupos abaixo de 100 e a partir de 300 por microlitro foi rara, em menos de 1 por cento da coorte (Vanetti e colaboradores, 2025). Outra revisão lembra que o GOLD usou a contagem de eosinófilos como biomarcador para estimar a eficácia do corticoide inalatório na prevenção de exacerbações, embora a inflamação não faça mais parte da definição da doença (David e colaboradores, 2021). Para o paciente da cena, duas contagens parecidas, em fase estável e longe de corticoide oral, dão mais segurança.
Óxido nítrico exalado
A fração de óxido nítrico exalado, o FeNO, é um marcador da atividade da interleucina 13 (Singh e colaboradores, 2025). Na DPOC, o uso do FeNO é limitado porque o tabagismo atual reduz os valores (Singh e colaboradores, 2025). Uma revisão de 2025 lembra que os estudos BOREAS e NOTUS mostraram benefício do dupilumabe com FeNO acima ou abaixo de 20 partes por bilhão (Thawanaphong e Nair, 2025). Por isso, o FeNO não é critério de seleção na bula.

Como age o dupilumabe
O dupilumabe é um anticorpo monoclonal humano da subclasse IgG4 que se liga à subunidade alfa do receptor da interleucina 4 (bula americana do Dupixent, 4/2026). Como essa subunidade faz parte dos receptores da interleucina 4 e da interleucina 13, o bloqueio inibe as duas vias (Thawanaphong e Nair, 2025). A bula descreve que o bloqueio inibe respostas inflamatórias induzidas por essas citocinas, incluindo a liberação de citocinas pró-inflamatórias, quimiocinas, óxido nítrico e IgE (bula americana do Dupixent, 4/2026). A própria bula lembra que o mecanismo de ação não foi definitivamente estabelecido (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Por que os eosinófilos sobem
Um achado que confunde é o aumento dos eosinófilos no sangue durante o tratamento. Nos estudos de DPOC, a eosinofilia definida como 3000 por microlitro ou mais ocorreu em 2,3 por cento com dupilumabe e em 0,7 por cento com placebo, e nenhum desses episódios foi uma doença eosinofílica grave (bula americana do Dupixent, 4/2026). Por isso, o hemograma de controle precisa ser lido junto com os sintomas.
Outros biológicos
Outros anticorpos foram testados na DPOC eosinofílica. Na análise conjunta dos estudos METREX e METREO, o mepolizumabe 100 mg reduziu a taxa anual de exacerbações moderadas ou graves em 18 por cento, com razão de taxas de 0,82 (Pavord e colaboradores, 2021). Uma metanálise em rede de 2025 concluiu que, entre cinco biológicos avaliados, só o dupilumabe reduziu de forma significativa a taxa anual de exacerbações em uma das análises (Li e colaboradores, 2025). Os autores lembram que esse tipo de comparação indireta tem limites de desenho e de população (Li e colaboradores, 2025).
Situação regulatória: FDA e EMA
FDA
Segundo o Drugs@FDA, o Dupixent, BLA 761055, foi aprovado nos Estados Unidos em 28 de março de 2017 (Drugs@FDA, BLA 761055). A indicação na DPOC veio no suplemento 64, aprovado em 27 de setembro de 2024 (Drugs@FDA, BLA 761055). A carta de aprovação diz que o suplemento prevê o uso como tratamento adicional de manutenção em adultos com DPOC não controlada e fenótipo eosinofílico (carta de aprovação da FDA, 27/09/2024). A última ação de rotulagem listada no Drugs@FDA é o suplemento 76, de 15 de julho de 2026 (Drugs@FDA, BLA 761055). A bula consultada para este texto é a revisão de 4/2026 (bula americana do Dupixent, 4/2026).
EMA
Na União Europeia, a página da EMA registra parecer favorável em 20 de julho de 2017 e autorização em 26 de setembro de 2017 (EMA, página do Dupixent). A página, atualizada em 18 de agosto de 2026, lista a indicação para adultos com DPOC e eosinófilos aumentados no sangue que não estejam controlados com a combinação de beta-agonista de longa ação, antimuscarínico de longa ação e corticoide inalatório, ou com os dois broncodilatadores se o corticoide não for apropriado (EMA, página do Dupixent). A página não informa a data da extensão para DPOC, por isso este texto não a cita.
Bula e indicação
Nos Estados Unidos, a indicação é como tratamento adicional de manutenção em adultos com DPOC não controlada e fenótipo eosinofílico (bula americana do Dupixent, 4/2026). A bula não fixa um número mínimo de eosinófilos na indicação, mas descreve os critérios dos estudos, que exigiam pelo menos 300 por microlitro na triagem (bula americana do Dupixent, 4/2026). A única contraindicação é hipersensibilidade conhecida ao dupilumabe ou a qualquer componente (bula americana do Dupixent, 4/2026).
A tabela resume as datas.
| Agência | Evento | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| FDA | Aprovação inicial, BLA 761055 | 28/03/2017 | (Drugs@FDA, BLA 761055) |
| FDA | Indicação na DPOC, suplemento 64 | 27/09/2024 | (carta de aprovação da FDA, 27/09/2024) |
| FDA | Última ação de rotulagem listada, suplemento 76 | 15/07/2026 | (Drugs@FDA, BLA 761055) |
| EMA | Parecer favorável | 20/07/2017 | (EMA, página do Dupixent) |
| EMA | Autorização na União Europeia | 26/09/2017 | (EMA, página do Dupixent) |
O que mostraram os estudos
Quem entrou nos estudos
Os estudos BOREAS e NOTUS duraram 52 semanas e incluíram juntos 1874 adultos (bula americana do Dupixent, 4/2026). Os critérios exigiam relação VEF1/CVF abaixo de 0,7, VEF1 entre 30 e 70 por cento do previsto, eosinófilos de pelo menos 300 por microlitro na triagem e pelo menos duas exacerbações moderadas ou uma grave no ano anterior apesar da terapia tripla (bula americana do Dupixent, 4/2026). A idade média foi de 65 anos, com cerca de 40 maços-ano, cerca de 30 por cento de fumantes atuais e VEF1 de cerca de 50 por cento do previsto (bula americana do Dupixent, 4/2026). Quase todos tinham bronquite crônica e usavam terapia tripla (bula americana do Dupixent, 4/2026).
O paciente da cena se parece com esses participantes. Ele tem 64 anos, duas exacerbações moderadas no ano, terapia tripla, VEF1 de 48 por cento e 400 eosinófilos por microlitro. Isso não garante resposta, mas indica que a evidência foi produzida em pessoas como ele.
Exacerbações
No BOREAS, a taxa anual de exacerbações moderadas ou graves foi de 0,78 com dupilumabe e de 1,10 com placebo, com razão de taxas de 0,71 (bula americana do Dupixent, 4/2026). No NOTUS, foi de 0,86 contra 1,30, com razão de taxas de 0,66 (bula americana do Dupixent, 4/2026). A página da EMA traz os mesmos números arredondados (EMA, página do Dupixent). Uma revisão de 2025 descreve essas reduções como de 30 e 34 por cento (Singh e colaboradores, 2025). O tempo até a primeira exacerbação também foi maior com dupilumabe, com razão de risco de 0,80 no BOREAS e de 0,71 no NOTUS (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Função pulmonar
O VEF1 depois do broncodilatador melhorou mais com dupilumabe. Na semana 12, a diferença em relação ao placebo foi de 74 mL no BOREAS e de 68 mL no NOTUS (bula americana do Dupixent, 4/2026). Na semana 52, foi de 79 mL e de 67 mL (bula americana do Dupixent, 4/2026). Uma revisão lembra que o VEF1 antes do broncodilatador melhorou 83 mL e 82 mL na semana 12 (Singh e colaboradores, 2025). São ganhos modestos em mililitros, mas medidos num grupo com obstrução importante.
Uma análise com vários desfechos
Uma análise post hoc de 2026 com 1872 participantes dos dois estudos usou a razão de vitórias, que ordena os desfechos pela gravidade, começando por morte e hospitalização (Ramakrishnan e colaboradores, 2026). O dupilumabe teve razão de vitórias de 1,31 para eventos clinicamente significativos em relação ao placebo (Ramakrishnan e colaboradores, 2026). Os autores interpretam o resultado como melhores chances de evitar desfechos graves, além de ganhos de função pulmonar e de sintomas, mas a análise não foi planejada no início dos estudos (Ramakrishnan e colaboradores, 2026).
A tabela resume os resultados principais.
| Estudo | Participantes | Exacerbações por ano | VEF1 na semana 12 | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| BOREAS | 468 contra 471 | 0,78 contra 1,10, razão 0,71 | Diferença de 74 mL | (bula americana do Dupixent, 4/2026) |
| NOTUS | 935 no total | 0,86 contra 1,30, razão 0,66 | Diferença de 68 mL | (bula americana do Dupixent, 4/2026) (Singh e colaboradores, 2025) |
| METREX e METREO, mepolizumabe | Análise conjunta | Razão de taxas de 0,82 | Não é o foco desta tabela | (Pavord e colaboradores, 2021) |
| BOREAS e NOTUS, razão de vitórias | 1872 | Razão de vitórias de 1,31 | Incluída na hierarquia | (Ramakrishnan e colaboradores, 2026) |
Efeitos adversos
Na análise conjunta de segurança, com 938 pessoas com dupilumabe e 934 com placebo, as reações mais frequentes foram infecção viral, em 14,2 contra 12,3 por cento, dor de cabeça, em 7,8 contra 6,6 por cento, e nasofaringite, em 7,8 contra 7,4 por cento (bula americana do Dupixent, 4/2026). Dor nas costas, diarreia, dor nas articulações, infecção urinária, reação no local da injeção e rinite também foram um pouco mais frequentes com dupilumabe (bula americana do Dupixent, 4/2026). A colecistite ocorreu em 0,6 por cento com dupilumabe e em 0,1 por cento com placebo (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Como ler esses números
Os estudos selecionaram pessoas com eosinófilos a partir de 300 por microlitro, exacerbações frequentes e terapia tripla. Os resultados não se aplicam automaticamente a quem tem eosinófilos mais baixos, a quem não usa terapia tripla ou a quem tem asma associada. O post sobre diagnóstico diferencial ajuda a lembrar que uma eosinofilia pode ter outras causas, como asma, parasitas, alergia a medicamentos ou vasculite.
Da seleção ao acompanhamento
Antes de começar
- Confirmar DPOC com espirometria e revisar a técnica inalatória e a adesão.
- Contar as exacerbações do último ano e sua gravidade.
- Repetir a contagem de eosinófilos em fase estável, longe de corticoide oral.
- Investigar asma associada, parasitas e outras causas de eosinofilia.
- Atualizar as vacinas e evitar vacinas de vírus vivos durante o tratamento.
- Registrar o estado dos olhos e combinar o que fazer se surgir conjuntivite.
Dose e aplicação
Na DPOC, a dose é de 300 mg por via subcutânea a cada 2 semanas, sem dose de ataque (bula americana do Dupixent, 4/2026). A bula pede que pacientes ou cuidadores recebam treinamento sobre preparo e aplicação antes do uso (bula americana do Dupixent, 4/2026). O dupilumabe é um tratamento adicional, por isso os inaladores de manutenção continuam.
Advertências da bula
A bula lista reações de hipersensibilidade, incluindo anafilaxia, doença do soro e angioedema (bula americana do Dupixent, 4/2026). Ela lista conjuntivite e ceratite e recomenda orientar o paciente a relatar sintomas oculares novos ou piores (bula americana do Dupixent, 4/2026). Ela lembra que podem surgir doenças eosinofílicas, como pneumonia eosinofílica e granulomatose eosinofílica com poliangiíte, e que erupção vasculítica, piora de sintomas pulmonares, complicações cardíacas, lesão renal ou neuropatia pedem atenção, sobretudo quando o corticoide oral é reduzido (bula americana do Dupixent, 4/2026).
A bula diz que o dupilumabe não deve ser usado para tratar exacerbações agudas nem broncoespasmo agudo (bula americana do Dupixent, 4/2026). Também diz que os corticoides sistêmicos, inalatórios ou tópicos não devem ser interrompidos de forma abrupta ao iniciar o tratamento (bula americana do Dupixent, 4/2026). Pessoas com asma associada não devem ajustar nem parar o tratamento da asma sem orientação médica (bula americana do Dupixent, 4/2026). Psoríase e dor articular, incluindo artrite psoriásica, também estão nas advertências (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Parasitas e vacinas
Pessoas com infecção conhecida por helmintos devem ser tratadas antes de iniciar o dupilumabe (bula americana do Dupixent, 4/2026). Se a infecção surgir durante o tratamento e não responder ao antiparasitário, o dupilumabe deve ser interrompido até a resolução (bula americana do Dupixent, 4/2026). As vacinas devem ser completadas antes do início, conforme o calendário vigente, e vacinas de vírus vivos devem ser evitadas durante o tratamento (bula americana do Dupixent, 4/2026). Em regiões onde verminoses são comuns, essa etapa merece atenção especial.

Acompanhamento
O seguimento inclui contar exacerbações, medir a função pulmonar, perguntar sobre sintomas oculares, rever o hemograma se houver sintomas novos e procurar sinais de vasculite (bula americana do Dupixent, 4/2026). A decisão de continuar depende de uma comparação honesta com o ano anterior, já que nem todos respondem. O post sobre pausa diagnóstica ajuda a reavaliar antes de concluir que houve ou não resposta. O post sobre raciocínio clínico interprofissional mostra como pneumologia, atenção primária, enfermagem, farmácia e oftalmologia podem dividir esse acompanhamento.
Gestação
A bula informa que existe um registro de exposição na gestação e lembra que anticorpos IgG atravessam a placenta (bula americana do Dupixent, 4/2026). Na DPOC, a população é mais velha, mas a pergunta continua valendo para mulheres em idade fértil.
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, cada caso começa com poucas pistas e você decide o que perguntar, o que pedir e quando fechar o raciocínio. A DPOC eosinofílica é um bom exercício porque a contagem de eosinófilos, o número de exacerbações e uma história de asma mudam a conduta. O post sobre aprendizagem baseada em casos clínicos explica por que esse formato fixa o conhecimento.
Três exercícios com casos
Mude o laboratório. Diga o que fazer se os eosinófilos estivessem em 150 por microlitro.
Mude a história. Diga o que muda se o paciente tivesse asma desde a infância.
Mude a evolução. Diga o que fazer se, no terceiro mês, surgissem olhos vermelhos e coceira.
O post sobre simulação de atendimento ajuda a treinar a conversa sobre expectativas, injeções e sinais de alerta.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias.
Perguntas frequentes
O dupilumabe substitui os inaladores?
Não. Ele é um tratamento adicional de manutenção, e os inaladores continuam (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Qual contagem de eosinófilos foi usada nos estudos?
Pelo menos 300 por microlitro na triagem, junto com exacerbações frequentes apesar da terapia tripla (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Qual é a dose?
300 mg por via subcutânea a cada 2 semanas, sem dose de ataque (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Quais efeitos merecem atenção?
Conjuntivite e ceratite, hipersensibilidade, doenças eosinofílicas e infecções por parasitas (bula americana do Dupixent, 4/2026).
Está aprovado na Europa?
Sim. A página da EMA lista a indicação para DPOC com eosinófilos aumentados (EMA, página do Dupixent).
Checklist final
- Confirmei DPOC com espirometria.
- Contei as exacerbações do último ano.
- Revisei técnica inalatória, adesão e tabagismo.
- Repeti os eosinófilos em fase estável.
- Investiguei asma, parasitas e outras causas de eosinofilia.
- Atualizei as vacinas e evitei vacinas de vírus vivos.
- Orientei sobre sintomas oculares e sinais de vasculite.
- Combinei como medir a resposta depois de um ano.
Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.
Referências
- David B, Bafadhel M, Koenderman L, et al. Eosinophilic inflammation in COPD: from an inflammatory marker to a treatable trait. Thorax. 2021. PMID 33122447.
- European Medicines Agency. Dupixent | European Medicines Agency (EMA). Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Lea S, Higham A, Beech A, et al. How inhaled corticosteroids target inflammation in COPD. Eur Respir Rev. 2023. PMID 37852657.
- Li S, Yi B, Wang H, et al. Efficacy and Safety of Biologics Targeting Type 2 Inflammation in COPD: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. Int J Chron Obstruct Pulmon Dis. 2025. PMID 40626315.
- Maspero J, Adir Y, Al-Ahmad M, et al. Type 2 inflammation in asthma and other airway diseases. ERJ Open Res. 2022. PMID 35923421.
- Pavord ID, Chapman KR, Bafadhel M, et al. Mepolizumab for Eosinophil-Associated COPD: Analysis of METREX and METREO. Int J Chron Obstruct Pulmon Dis. 2021. PMID 34163157.
- Ramakrishnan S, Petousi N, Bon J, et al. Win Ratio Analysis to Clarify Clinical Benefits: A Post Hoc Analysis of Phase 3 BOREAS and NOTUS (Two Pivotal Studies to Assess the Efficacy, Safety, and Tolerability of Dupilumab in Patients With Moderate-to-Severe COPD With Type 2 Inflammation). Chest. 2026. PMID 41794122.
- Regeneron Pharmaceuticals. DUPIXENT® (dupilumab) injection, for subcutaneous use. Prescribing Information. Revisada em 4/2026. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
- Ritchie AI, Wedzicha JA. Definition, Causes, Pathogenesis, and Consequences of Chronic Obstructive Pulmonary Disease Exacerbations. Clin Chest Med. 2020. PMID 32800196.
- Sharma M, Joshi S, Banjade P, et al. Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) 2023 Guidelines Reviewed. Open Respir Med J. 2024. PMID 38660684.
- Singh D, Higham A, Mathioudakis AG, et al. Chronic Obstructive Pulmonary Disease (COPD): Developments in Pharmacological Treatments. Drugs. 2025. PMID 40392521.
- Thawanaphong S, Nair P. Contemporary Concise Review 2024: Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Respirology. 2025. PMID 40437348.
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- U.S. Food and Drug Administration. Drugs@FDA: FDA-Approved Drugs. BLA 761055, Dupixent. Consultada em 24/10/2026. Fonte oficial.
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