Como estudar no internato com pouco tempo

Corredor longo e vazio de hospital

Se no seu internato o tempo de estudo aparece em pedaços, como o intervalo entre a evolução e a visita, a espera por um exame ou a noite em que o cansaço deixa pouco espaço, você não está sozinho. Numa pesquisa com estudantes do último ano na Alemanha, alguns relataram não ter estratégia de estudo para certas situações, sobretudo por falta de tempo (Corazza et al., 2023).

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto trata de como estudar no internato com o tempo que existe: aprender a partir do paciente, usar intervalos curtos, ler protocolos e diretrizes com critério, conhecer os sinais de alarme das queixas comuns e usar o jogo como complemento. O roteiro de raciocínio para cada paciente está no texto sobre raciocínio clínico, e a rotina de estudo com jogos, no texto sobre como encaixar jogos na rotina.

Principais pontos

  • No internato, a maior parte da aprendizagem vem de participar do cuidado com apoio, e não de estudar sozinho.
  • Unidades curtas de estudo, de menos de 15 minutos, tiveram efeito positivo sobre conhecimento e confiança nas profissões da saúde (De Gagne et al., 2019).
  • Questões curtas espaçadas, com retorno imediato, renderam mais retenção do que o mesmo conteúdo em módulos concentrados.
  • Diretrizes ajudam a decidir e a padronizar o cuidado, mas podem estar erradas para um paciente individual.
  • Poucas doenças perigosas respondem por boa parte dos danos graves de erro diagnóstico; os sinais de alarme ajudam a não deixá-las passar.
  • O jogo complementa o estágio: um caso por dia treina a hipótese, e a decisão à beira do leito se treina com o paciente e o preceptor.

Sumário

Por que o tempo encolhe no internato

O internato muda o lugar do estudo. A sala de aula dá lugar à enfermaria, ao ambulatório e ao plantão, e o tempo livre pode ficar imprevisível.

A aprendizagem muda de lugar

Uma revisão de escopo sobre a autorregulação da aprendizagem de estudantes de Medicina no ambiente clínico encontrou que os níveis de autorregulação mudam nesse ambiente (Cho et al., 2017). A mesma revisão encontrou associação entre autorregulação e desempenho acadêmico, habilidades clínicas e saúde mental (Cho et al., 2017). Em outras palavras: saber planejar, acompanhar e ajustar o próprio estudo pesa mais quando ninguém organiza o horário por você.

A revisão incluiu 14 artigos, com métodos qualitativos, quantitativos e mistos (Cho et al., 2017). Ela também encontrou fatores que podem apoiar a autorregulação (Cho et al., 2017).

O que os internos usam

Na pesquisa com 43 estudantes do último ano, a estratégia mais usada foi buscar informação na internet em forma de texto, seguida de pedir ajuda a médicos e de consultar livros (Corazza et al., 2023). Nas dificuldades da enfermaria, 95,3% buscavam ajuda de médicos, mas só 55,8% faziam isso para tarefas escritas, como cartas médicas (Corazza et al., 2023).

A estratégia também mudava conforme a prova: para exames orais e práticos, 79,1% usavam livros, e para provas escritas, 97,7% usavam uma ferramenta digital (Corazza et al., 2023).

Os autores concluem que os estudantes adaptam a estratégia à situação e recomendam garantir acesso aos recursos que eles preferem: ferramentas digitais e médicos experientes como supervisores (Corazza et al., 2023). Eles também apontam que faltam pesquisas sobre como lidar com o tempo limitado no estágio (Corazza et al., 2023).

O que isso muda no seu estudo

Se o tempo é curto e imprevisível, o estudo precisa de três coisas: um ponto de partida que já esteja na sua frente, o paciente; unidades que caibam nos intervalos; e uma ordem de prioridade, que começa pelo que não pode passar. As próximas seções tratam de cada uma.

Quarto de hospital vazio e iluminado, com uma cama hospitalar no centro, monitor suspenso e janela ao fundo.
No internato, o ponto de partida do estudo é o paciente que ocupou esse leito no dia. Crédito: Diane A. Reid, National Institutes of Health, domínio público, via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Estudar a partir do paciente do dia

O paciente que você acompanhou é o melhor índice de estudo do internato. Ele define o tema, traz o contexto e dá motivo para lembrar.

Participar com apoio

Um modelo construído a partir de grupos de discussão com estudantes de Medicina descreve o centro da aprendizagem no ambiente clínico como "participação apoiada": participar da prática, da observação ao desempenho, com profissionais que apoiam e desafiam (Dornan et al., 2007). Objetivos claros e períodos contínuos de estágio, com vínculo entre estudante e profissional, favoreceram essa aprendizagem (Dornan et al., 2007).

O mesmo modelo descreve dois resultados que se reforçam: a competência prática e um estado de espírito que inclui confiança, motivação e identidade profissional (Dornan et al., 2007). Esses resultados se reforçam entre si e reforçam a capacidade do estudante de participar ainda mais da prática (Dornan et al., 2007).

Os autores alertam que, para os estudantes ouvidos, "aprendizagem autodirigida" muitas vezes soava como falta de apoio (Dornan et al., 2007). A lição prática: o estudo em casa é complemento do que acontece no serviço, e não substituto. Participar de verdade do cuidado, perguntar e pedir para fazer é parte do estudo.

No começo de cada estágio

O modelo de Dornan aponta que objetivos de aprendizagem claros favorecem a aprendizagem no serviço (Dornan et al., 2007). Como sugestão prática, no primeiro dia de cada estágio, pergunte ao preceptor o que se espera que você saiba fazer ao final, quais são as queixas mais comuns do serviço e quais protocolos ele segue. Essas três respostas viram o mapa do estudo das semanas seguintes: as queixas comuns indicam os sinais de alarme a estudar, e os protocolos indicam as diretrizes a ler na fonte.

Anote também o que você já sabe fazer e o que ainda não fez. A cada semana, compare a lista com o que aconteceu no serviço e peça para participar do que falta. O estudo em casa, nessa lógica, prepara para a próxima oportunidade de participar.

Do leito para o livro

O roteiro para cada paciente, do resumo do problema à lista de hipóteses e à apresentação ao preceptor, está no texto sobre raciocínio clínico, e não vamos repeti-lo aqui. O que este texto acrescenta é o que fazer depois, com pouco tempo:

  1. Escolha uma pergunta por paciente. Não tente estudar a doença inteira; escolha a dúvida que ficou do dia.
  2. Anote a pergunta na hora. No intervalo seguinte, ela já vira tema de estudo.
  3. Responda na fonte certa. Para conduta, o protocolo do serviço e a diretriz que ele segue; para mecanismo, o livro-texto.
  4. Feche com uma frase. Escreva a resposta em uma ou duas linhas; é o que você vai revisar depois.

Sugestão prática do Editorial.

Aproveitar a supervisão

A pergunta que ficou do paciente também é o melhor assunto para o preceptor. Na pesquisa com internos, pedir ajuda a médicos foi a segunda estratégia mais usada (Corazza et al., 2023). Há formatos que organizam essa conversa, como o SNAPPS e o preceptor de um minuto, que serão tema de um texto próprio sobre o raciocínio no internato.

Blocos curtos

Quando o tempo seguido é pouco, os intervalos curtos ganham peso. A pesquisa sobre microaprendizagem e educação espaçada mostra que unidades curtas podem render.

Microaprendizagem

Uma revisão de escopo sobre microaprendizagem nas profissões da saúde incluiu 17 estudos, e todos tinham unidades de menos de 15 minutos (De Gagne et al., 2019). A estratégia teve efeito positivo sobre o conhecimento e a confiança dos profissionais e estudantes (De Gagne et al., 2019). Nenhum dos estudos mediu efeitos no nível mais alto da avaliação, como resultados em pacientes (De Gagne et al., 2019).

Os estudos da revisão usaram formatos variados, como podcast, mensagens de texto, microblog e redes sociais (De Gagne et al., 2019). Das 17 pesquisas, 82% avaliaram aquisição de conhecimento ou habilidade, e só 29% mediram mudança de comportamento (De Gagne et al., 2019). O formato curto, portanto, tem sinal positivo sobre o que se sabe, mas ainda pouca evidência sobre o que se faz com o paciente.

Uma questão por dia

Num ensaio randomizado com 724 residentes de urologia, a educação espaçada por e-mail trazia, a cada dia, um cenário clínico com imagem de histopatologia e pedia um diagnóstico, com retorno imediato (Kerfoot et al., 2010). O aumento médio de longo prazo nos escores foi de 15,2% com a educação espaçada e de 3,4% com os mesmos conteúdos em módulos concentrados (Kerfoot et al., 2010). Os autores calcularam que a educação espaçada multiplicou por 4 a eficiência da aprendizagem de longo prazo (Kerfoot et al., 2010).

A adesão também foi maior no formato espaçado: 77% dos residentes completaram a educação espaçada, contra 66% nos módulos (Kerfoot et al., 2010).

Um ensaio do mesmo autor com estudantes de Medicina, também com casos espaçados, está resumido no texto sobre como encaixar jogos na rotina.

Testar-se com retorno

Num ensaio com residentes, testes repetidos de resposta curta, com retorno, renderam escores finais maiores do que o estudo repetido de uma folha de revisão, com 39% contra 26% depois de mais de 6 meses (Larsen et al., 2009). Testar-se com retorno ajuda a reter, e isso cabe num intervalo curto: uma pergunta, uma resposta, a conferência.

O que cabe num intervalo

Como sugestão prática, alguns formatos que cabem num intervalo curto:

Formato O que fazer Fonte da ideia
Uma questão comentada Responder antes de ler o comentário Teste com retorno (Larsen et al., 2009)
Um caso curto Formular a hipótese antes de ver a resposta Casos espaçados com retorno (Kerfoot et al., 2010)
A pergunta do paciente Responder em uma ou duas linhas Participação no cuidado (Dornan et al., 2007)
Os sinais de alarme de uma queixa Lembrar a lista antes de conferir Teste com retorno (Larsen et al., 2009)

Para montar a rotina em volta desses blocos, sem repetir o que já está em outro texto, veja como encaixar jogos na rotina.

Relógio de parede com algarismos romanos preso a uma parede de tijolos, numa estação antiga.
No internato, o tempo de estudo chega em intervalos: o desafio é usá-los bem. Crédito: Gerald England, CC BY-SA 2.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

O descanso também conta

Não existe tempo de estudo ideal que sirva para todo internato, e este texto não vai inventar um número. O que os estudos acima mostram é que unidades curtas e espaçadas podem render; o que cada um consegue encaixar depende do estágio, do plantão e do cansaço. Num dia pesado, uma pergunta respondida já é estudo.

Protocolos e diretrizes

No internato, boa parte do que se decide segue um protocolo do serviço ou uma diretriz de sociedade. Saber ler essas fontes é parte do estudo.

O que as diretrizes oferecem

Um artigo clássico sobre diretrizes clínicas descreve que elas podem melhorar a qualidade das decisões, dar recomendações explícitas a quem está em dúvida e tornar o cuidado mais consistente (Woolf et al., 1999). Diretrizes baseadas em avaliação crítica da evidência também mostram quais intervenções têm benefício comprovado e qual é a qualidade dos dados que as sustentam (Woolf et al., 1999).

Os limites das diretrizes

O mesmo artigo aponta que a principal limitação das diretrizes é que as recomendações podem estar erradas, ou ao menos erradas para um paciente individual (Woolf et al., 1999). A evidência sobre o que recomendar muitas vezes falta, e as recomendações envolvem julgamentos de valor ao pesar benefícios e danos (Woolf et al., 1999). Diretrizes inflexíveis podem causar dano ao deixar pouco espaço para ajustar o cuidado às circunstâncias e à história de cada paciente (Woolf et al., 1999).

Como estudar um protocolo

Com pouco tempo, vale ler o protocolo com três perguntas, como sugestão prática:

  1. Para quem é? Que paciente o protocolo cobre, e quem fica de fora?
  2. Qual é a decisão central? Que passo muda o desfecho, e em que momento?
  3. De onde vem? Que diretriz ou estudo sustenta esse passo, e com que força de evidência?

A terceira pergunta liga o protocolo à fonte. Leia a diretriz original, pelo link da sociedade ou da revista, em vez de resumos sem referência; e lembre que o protocolo do serviço pode adaptar a diretriz à realidade local. Decisões de conduta são sempre da equipe responsável.

Um exemplo: definições de sepse

O consenso internacional que redefiniu sepse e choque séptico em 2016 é um bom exemplo de documento que vale ler na fonte (Singer et al., 2016). Ele define sepse como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção (Singer et al., 2016). O documento também explica por que abandonou critérios anteriores e o termo "sepse grave" (Singer et al., 2016). Ler o raciocínio por trás da definição ajuda a entender o protocolo do serviço, e não só a segui-lo.

O mesmo consenso descreve o choque séptico como um subconjunto da sepse com alterações circulatórias, celulares e metabólicas mais profundas e maior risco de morte (Singer et al., 2016). Na prática clínica, ele é identificado pela necessidade de vasopressor para manter a pressão arterial média em 65 mmHg ou mais e lactato acima de 2 mmol/L, sem hipovolemia (Singer et al., 2016).

Sinais de alarme

Com pouco tempo, a prioridade do estudo é o que não pode passar. Os sinais de alarme ajudam a reconhecer, numa queixa comum, o paciente que pode ter uma doença grave.

Por que priorizar o perigoso

Uma estimativa por modelagem para os Estados Unidos calculou que 15 doenças perigosas respondem por 50,7% dos danos graves causados por erro diagnóstico (Newman-Toker et al., 2024). As 5 principais, AVC, sepse, pneumonia, tromboembolismo venoso e câncer de pulmão, respondem por 38,7% (Newman-Toker et al., 2024). Os autores agrupam essas doenças em três categorias: eventos vasculares, infecções e cânceres (Newman-Toker et al., 2024).

Na mesma estimativa, a taxa média ponderada de erro por caso de doença perigosa foi de 11,1%, e a de dano grave, de 4,4% (Newman-Toker et al., 2024). Os autores concluem que, como só 15 doenças respondem por cerca de metade dos danos graves, o problema pode ser mais tratável do que se imaginava (Newman-Toker et al., 2024). Como sugestão prática para quem tem pouco tempo: comece pelos sinais de alarme das doenças perigosas que aparecem no seu estágio.

O erro diagnóstico também é comum fora do hospital: combinando três estudos nos Estados Unidos, a taxa estimada de erro diagnóstico ambulatorial foi de 5,08% (Singh et al., 2014). Os autores estimam que cerca de metade desses erros poderia causar dano (Singh et al., 2014).

Um exemplo: cefaleia

Na cefaleia, uma revisão reuniu sinais de alarme para cefaleias secundárias na lista SNNOOP10 (Do et al., 2019). Entre eles estão sintomas sistêmicos como febre, história de neoplasia, déficit neurológico, início súbito, início depois dos 65 anos e mudança de padrão ou cefaleia nova (Do et al., 2019). A lista inclui ainda cefaleia posicional, desencadeada por tosse ou esforço, papiledema, gravidez ou puerpério e uso excessivo de analgésicos (Do et al., 2019).

Os autores lembram que faltam estudos epidemiológicos prospectivos sobre esses sinais (Do et al., 2019). A lista é uma ajuda para a triagem, e não uma regra que decide sozinha.

Um exemplo: infecção que pode ser sepse

Fora da UTI, o consenso de sepse propõe um escore de beira de leito, o qSOFA, para identificar adultos com suspeita de infecção com maior chance de evolução ruim (Singer et al., 2016). Ele considera ao menos 2 de 3 critérios: frequência respiratória de 22 por minuto ou mais, alteração do estado mental e pressão sistólica de 100 mmHg ou menos (Singer et al., 2016).

Como estudar os sinais de alarme

Como sugestão prática, para cada queixa comum do seu estágio:

  1. Ache a lista na fonte: uma revisão, uma diretriz ou o protocolo do serviço.
  2. Lembre antes de conferir: tente escrever os sinais de memória e só depois compare.
  3. Ligue cada sinal à doença que ele sugere: por que a febre na cefaleia preocupa?
  4. Confira no paciente: na próxima vez que a queixa aparecer, pergunte e examine os sinais da lista.
Queixa Doenças perigosas a lembrar Fonte
Cefaleia Causas secundárias, como as que a lista SNNOOP10 ajuda a triar Do et al., 2019
Suspeita de infecção Sepse Singer et al., 2016
Déficit neurológico agudo AVC, entre as 5 doenças com mais danos estimados Newman-Toker et al., 2024
Dispneia Pneumonia e tromboembolismo venoso, entre as 5 doenças com mais danos estimados Newman-Toker et al., 2024

A coluna "queixa" é uma organização do Editorial; as doenças vêm das fontes citadas.

Priorizar a hipótese grave na lista de diagnósticos diferenciais é tema do texto sobre raciocínio clínico.

Jogo como complemento

O jogo cabe nos intervalos e treina uma parte do trabalho: formular a hipótese a partir de pistas. O paciente, o preceptor e o protocolo seguem no centro do internato, e o jogo soma a eles.

O que a evidência permite dizer

Uma revisão sistemática sobre gamificação nas profissões da saúde encontrou que ela pode ajudar a aprendizagem, mas a maioria dos estudos não tinha grupo controle bem definido; os detalhes estão no texto sobre gamificação na educação médica (van Gaalen et al., 2021). O que se sabe com mais segurança é que testar-se com retorno ajuda a reter (Larsen et al., 2009), e um caso clínico com resposta e gabarito é uma forma de teste. Se você pesquisa educação médica e quer estudar o efeito de jogos de casos no internato, o NEXO Researcher recebe propostas de estudo.

O NEXO no intervalo do estágio

No NEXO, cada caso chega em até seis pistas, e você formula a hipótese a partir dos achados, como faria com um paciente. O Diário traz um caso por dia, o mesmo para todo mundo, e renova à meia-noite: um bom formato para um intervalo do estágio e para comparar com a turma depois.

O Adrenalina é um caso contra o relógio: antes de jogar, você escolhe a dose, e quanto mais alta, menos tempo. Há um caso de Adrenalina por dia, um treino de raciocínio sob pressão de tempo. O Arquivo reúne os casos diários anteriores, bom para um bloco de revisão por área quando sobra mais tempo. Para entender os limites de cada modo, veja a página de economia do NEXO. Para levar o caso do dia ao internato, à liga ou à residência da sua faculdade, conheça o NEXO Closer. Médicos que querem revisar casos da sua especialidade participam pelo NEXO Curator, e quem cria conteúdo para estudantes pode conhecer o NEXO Creators.

Do jogo ao paciente

Como sugestão prática, use o caso do jogo como ponte para o estágio. Se o caso do dia foi de uma queixa que você verá no serviço, revise os sinais de alarme dela. Se você errou o diagnóstico, anote a dúvida, como faria com um paciente, e responda no próximo intervalo.

Guardar o que aprendeu

As respostas curtas do dia só ajudam se você voltar a elas. Como sugestão prática, guarde as perguntas e respostas num só lugar, organizadas por estágio ou por queixa, e revise-as testando-se: leia a pergunta, tente responder e só depois confira. Testes repetidos com retorno renderam mais retenção do que reler o mesmo conteúdo (Larsen et al., 2009). Ao fim de cada estágio, esse caderno vira o resumo do que você realmente viu.

Uma semana possível no internato

O plano abaixo é uma sugestão prática do Editorial, para ajustar ao seu estágio. Ele não define tempo de estudo; define o que fazer em cada tipo de momento.

Momento O que fazer
No serviço Participar do cuidado e anotar uma pergunta por paciente
Intervalo curto Uma questão comentada, um caso do jogo ou os sinais de alarme de uma queixa
Fim do dia Responder as perguntas do dia em uma ou duas linhas
Dia mais livre Ler uma diretriz original do estágio e revisar uma área no Arquivo
Depois de um plantão Descansar; se der, só revisar as respostas da semana

Como ajustar

Em estágios com muito tempo de espera, os intervalos curtos se multiplicam; em plantões pesados, quase desaparecem. O que importa é ter os formatos prontos, para que o intervalo não seja gasto decidindo o que estudar. Se a semana sair do plano, a pergunta do paciente continua sendo o melhor ponto de partida.

Erros comuns

  • Estudar a doença inteira a cada paciente: com pouco tempo, uma pergunta respondida rende mais do que um capítulo começado.
  • Trocar o serviço pelo estudo em casa: a aprendizagem no internato depende de participar do cuidado (Dornan et al., 2007).
  • Ler só resumos de protocolo: a diretriz original mostra a força da evidência e os limites da recomendação (Woolf et al., 1999).
  • Estudar só o mais provável: as doenças perigosas concentram os danos de erro diagnóstico (Newman-Toker et al., 2024).
  • Deixar tudo para o fim de semana: unidades curtas e espaçadas também rendem (Kerfoot et al., 2010).

Perguntas frequentes

Como estudar no internato com pouco tempo?

Parta do paciente do dia, use intervalos curtos com questões e casos, priorize os sinais de alarme e leia as diretrizes na fonte. Unidades de menos de 15 minutos tiveram efeito positivo sobre conhecimento numa revisão de escopo (De Gagne et al., 2019).

Quantas horas por dia estudar no internato?

O número de horas varia de estágio para estágio, e nenhum valor tem boa evidência. Os estudos mostram que unidades curtas e espaçadas podem render, como a questão diária com retorno do ensaio com residentes (Kerfoot et al., 2010).

Vale mais estudar em casa ou aprender no serviço?

O serviço é o centro. O modelo de aprendizagem no ambiente clínico descreve a "participação apoiada" como a condição central (Dornan et al., 2007). O estudo em casa complementa, respondendo às perguntas que os pacientes deixaram.

Como estudar protocolos e diretrizes?

Pergunte para quem é o protocolo, qual é a decisão central e de onde vem a recomendação. Diretrizes podem estar erradas para um paciente individual, como lembra um artigo clássico sobre o tema (Woolf et al., 1999).

Por que estudar sinais de alarme?

Porque poucas doenças perigosas concentram os danos. Numa estimativa para os Estados Unidos, 15 doenças responderam por 50,7% dos danos graves de erro diagnóstico (Newman-Toker et al., 2024).

Como apresentar o caso ao preceptor?

Há formatos próprios para isso, como o SNAPPS e o preceptor de um minuto, que serão tema de um texto sobre o raciocínio no internato. O roteiro com cada paciente está no texto sobre raciocínio clínico.

Como um jogo de casos ajuda no internato?

Ajuda como complemento ao estágio. Testar-se com retorno ajuda a reter (Larsen et al., 2009), e um caso com gabarito é uma forma de teste; a decisão à beira do leito continua sendo treinada com o paciente e o preceptor.

Por que estudar a pergunta do paciente e não a doença inteira?

Porque o tempo é curto e a pergunta já traz contexto. A aprendizagem no internato depende de participar do cuidado (Dornan et al., 2007), e a pergunta que ficou do paciente liga o estudo em casa ao que você viu no serviço.

Microaprendizagem funciona na Medicina?

Uma revisão de escopo com 17 estudos nas profissões da saúde encontrou efeito positivo sobre conhecimento e confiança (De Gagne et al., 2019). Nenhum estudo avaliou resultados em pacientes, então o efeito sobre a prática ainda não foi medido.

Como estudar para a prova de residência durante o internato?

Com o mesmo princípio dos intervalos curtos: testar-se com retorno e espaçar a revisão. Testes repetidos com retorno renderam 39% contra 26% do estudo repetido depois de mais de 6 meses (Larsen et al., 2009), e questões curtas espaçadas renderam mais retenção do que módulos concentrados (Kerfoot et al., 2010). O paciente do dia continua sendo um bom índice do que revisar.

Como o NEXO ajuda no internato?

O Diário traz um caso por dia em até seis pistas, bom para um intervalo do estágio. O Adrenalina treina o raciocínio contra o relógio, e o Arquivo reúne os casos anteriores para revisar uma área.

Checklist do internato

  1. Você anota uma pergunta por paciente?
  2. As perguntas do dia são respondidas em uma ou duas linhas?
  3. Você participa do cuidado, e não só observa?
  4. Os intervalos curtos têm formatos prontos: questão, caso, sinais de alarme?
  5. Você se testa antes de conferir a resposta?
  6. Você lê a diretriz original do que vê no estágio?
  7. Sabe para quem é e de onde vem cada protocolo?
  8. Conhece os sinais de alarme das queixas comuns do estágio?
  9. O jogo entra como complemento, ligado ao que você vê no serviço?
  10. O descanso também está no plano?

Quer treinar hoje? Jogue o caso do dia no NEXO.

Referências

  1. Corazza L, Shirkhani S, Berberat PO, Wijnen-Meijer M. Structured interviews on self-regulated learning strategies of medical students in the final year of medical school. BMC Med Educ. 2023. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37620862/
  2. Cho KK, Marjadi B, Langendyk V, Hu W. The self-regulated learning of medical students in the clinical environment - a scoping review. BMC Med Educ. 2017. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28693468/
  3. Dornan T, Boshuizen H, King N, Scherpbier A. Experience-based learning: a model linking the processes and outcomes of medical students' workplace learning. Med Educ. 2007. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17209896/
  4. De Gagne JC, Park HK, Hall K, et al. Microlearning in Health Professions Education: Scoping Review. JMIR Med Educ. 2019. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31339105/
  5. Kerfoot BP, Fu Y, Baker H, et al. Online spaced education generates transfer and improves long-term retention of diagnostic skills: a randomized controlled trial. J Am Coll Surg. 2010. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20800189/
  6. Larsen DP, Butler AC, Roediger HL 3rd. Repeated testing improves long-term retention relative to repeated study: a randomised controlled trial. Med Educ. 2009. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19930508/
  7. Woolf SH, Grol R, Hutchinson A, Eccles M, Grimshaw J. Clinical guidelines: potential benefits, limitations, and harms of clinical guidelines. BMJ. 1999. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10024268/
  8. Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA. 2016. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26903338/
  9. Newman-Toker DE, Nassery N, Schaffer AC, et al. Burden of serious harms from diagnostic error in the USA. BMJ Qual Saf. 2024. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37460118/
  10. Singh H, Meyer AN, Thomas EJ. The frequency of diagnostic errors in outpatient care: estimations from three large observational studies involving US adult populations. BMJ Qual Saf. 2014. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24742777/
  11. Do TP, Remmers A, Schytz HW, et al. Red and orange flags for secondary headaches in clinical practice: SNNOOP10 list. Neurology. 2019. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30587518/
  12. van Gaalen AEJ, Brouwer J, Schönrock-Adema J, et al. Gamification of health professions education: a systematic review. Adv Health Sci Educ Theory Pract. 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33128662/

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