Avaliação pré-participação do atleta: o que o exame procura

Sumário
- O que a avaliação procura
- Quem morre de forma súbita no esporte
- História e exame físico
- O eletrocardiograma no rastreio
- O que os programas de rastreio encontram
- O atleta de meia-idade: outro alvo, outros limites
- Os limites do rastreio e o que dizer ao atleta
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Referências
Um jogador de basquete de 17 anos chega à consulta com o formulário do clube nas mãos. Precisa de um carimbo para começar a temporada. Responde que está tudo bem, que nunca desmaiou e que ninguém da família tem problema de coração. A pressão está normal, o coração não tem sopro audível na sala barulhenta, e o formulário está quase pronto.
A pergunta que muda essa consulta é simples: o que exatamente esse exame procura? A avaliação pré-participação não existe para atestar que alguém "pode fazer esporte" de forma genérica. Ela procura um grupo específico de doenças, raras e muitas vezes silenciosas, que podem causar morte súbita durante o esforço. Saber quais são elas define as perguntas, o exame físico e a escolha dos testes.
Este texto organiza o raciocínio por trás da avaliação: quais são os alvos, o que a história, o exame físico e o eletrocardiograma acrescentam, como o desempenho de cada ferramenta foi medido e onde o rastreio falha, do adolescente ao corredor de meia-idade.
Principais pontos
- As grandes sociedades apoiam o rastreio cardiovascular antes do esporte, mas o melhor método no atleta jovem continua em debate (Pelliccia, 2021).
- No jovem, as causas de morte súbita são cardiomiopatias, anomalias coronárias e doenças elétricas; depois dos 35 anos, predomina a doença coronariana (Peterson, 2021; Pelliccia, 2021).
- Num estudo prospectivo, o questionário de 14 pontos detectou 18,8 em cada 100 atletas com doença, e o ECG, 87,5 em cada 100 (Williams, 2019).
- O programa italiano encontrou doenças de risco em 69 de 22.324 crianças, a maioria a partir dos 12 anos (Sarto, 2023).
- Em corredores de meia-idade, os protocolos de triagem deixaram passar as três condições graves encontradas (Laily, 2024).
- Um exame normal reduz o risco, mas o atleta precisa saber quais sintomas relatar depois.
Sumário
- O que a avaliação procura
- Quem morre de forma súbita no esporte
- História e exame físico
- O eletrocardiograma no rastreio
- O que os programas de rastreio encontram
- O atleta de meia-idade: outro alvo, outros limites
- Os limites do rastreio e o que dizer ao atleta
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
O que a avaliação procura
A diretriz europeia de cardiologia do esporte resume o objetivo: detectar doenças associadas à morte súbita, que é a principal causa de morte relacionada ao esporte em atletas (Pelliccia, 2021). O rastreio é apoiado por todas as grandes sociedades médicas, mas a melhor forma de fazê-lo no atleta com menos de 35 anos continua controversa, e os dados para atletas mais velhos são limitados.
A mesma diretriz lembra que a estratégia de rastreio deve se ajustar à população e às doenças de maior risco (Pelliccia, 2021). No jovem, o alvo é um conjunto de doenças estruturais e elétricas: cardiomiopatias, canalopatias, anomalias das coronárias e doenças adquiridas como a miocardite. Acima dos 35 anos, a doença coronariana aterosclerótica responde por mais de 80 em cada 100 mortes súbitas, e os atletas de maior risco são os que têm pouca ou nenhuma história de treino sistemático.
Esse ponto muda a consulta. A avaliação do adolescente que joga basquete e a do executivo de 48 anos que decidiu correr uma maratona têm alvos diferentes, e copiar o mesmo formulário para os dois é o primeiro erro de raciocínio. A pergunta certa é qual doença se procura, e não apenas se o atleta "está apto", raciocínio parecido com o que se usa na cardiologia aeronáutica.

Quem morre de forma súbita no esporte
O estudo de vigilância prospectiva americano reuniu 331 episódios confirmados de parada cardíaca súbita ou morte súbita em atletas competitivos durante quatro anos (Peterson, 2021). A idade média foi de 16,7 anos, e a maioria dos casos ocorreu em homens, em atletas do ensino médio e durante o exercício, que concentrou 74,0 em cada 100 eventos (Peterson, 2021).
As causas mais comuns foram cardiomiopatia hipertrófica, em 20,6 em cada 100 episódios, hipertrofia ventricular esquerda idiopática, em 13,4, anomalias de coronárias, em 12,0, e morte súbita com autópsia negativa, em 9,6 em cada 100 (Peterson, 2021). As anomalias coronárias foram mais frequentes nos atletas mais novos, e as cardiomiopatias responderam por quase metade dos casos entre universitários e profissionais.
O risco variou muito entre grupos. Jogadores negros de basquete da primeira divisão universitária tiveram a maior incidência anual, de um evento para cada 2087 atletas-ano (Peterson, 2021). Os autores observam que as anomalias coronárias costumam deixar o ECG normal, mas podem se manifestar com dor no peito ou síncope durante o esforço, sintomas que obrigam a afastar essa causa.
Na Itália, o registro do Vêneto acompanhou crianças de 8 a 15 anos por dez anos (Graziano, 2024). A incidência de parada ou morte súbita foi de 0,2 por 100.000 por ano entre 8 e 11 anos e de 1,3 por 100.000 por ano entre 12 e 15 anos (Graziano, 2024). Nenhum atleta morreu de doença estrutural que o rastreio pudesse ter identificado, e a causa ficou sem explicação em quatro dos seis atletas.
História e exame físico
A história clínica: o que perguntar
A história é a parte mais barata da avaliação e a mais fácil de fazer mal. O documento europeu para atletas pediátricos orienta perguntar sobre sintomas cardiovasculares com e sem esforço: dor no peito, falta de ar desproporcional ao exercício, palpitações e síncope (Pieles, 2026).
A história familiar deve buscar doença cardiovascular de início cedo em parentes de primeiro ou segundo grau: cardiomiopatias hereditárias, síndromes arrítmicas, doença isquêmica, dissecção de aorta, doenças do tecido conjuntivo, arritmias ou síncope ao esforço e morte súbita antes dos 40 anos (Pieles, 2026). Condições comuns, como asma, também devem ser anotadas porque seus sintomas se sobrepõem aos da doença cardíaca.
A síncope durante o esforço merece atenção especial. Desmaiar depois de terminar a corrida costuma ter causa vasovagal; desmaiar no meio do esforço, sem aviso, aponta para causa cardíaca até prova em contrário. O raciocínio se aproxima do que se usa na síncope no pronto-socorro.
O problema da história é o desempenho. A diretriz europeia lembra que vários estudos documentaram baixa sensibilidade e alta taxa de respostas positivas nos questionários de pré-participação (Pelliccia, 2021). O adolescente quer jogar, a dor no peito virou "cansaço" e a família às vezes desconhece a causa da morte do tio. Em para-atletas, a tendência a sub-relatar problemas de saúde é ainda mais marcada, o que exige uma conversa adaptada ao tipo de deficiência (Pinheiro, 2024).
O exame físico dirigido
O exame físico procura sinais de algumas doenças-alvo: sopros que sugiram obstrução da via de saída ou doença valvar, diferença de pulsos entre braços e pernas que sugira coarctação da aorta, pressão arterial elevada e estigmas de doenças do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan.
O sopro da cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva aumenta quando o retorno venoso diminui, por exemplo ao passar da posição de cócoras para em pé. Auscultar só com o atleta deitado, numa sala barulhenta, reduz muito a chance de ouvir. A maioria das cardiomiopatias hipertróficas, porém, é não obstrutiva em repouso e não produz sopro algum.

No estudo prospectivo americano com atletas do ensino médio, o exame físico foi alterado em 356 dos 3620 avaliados, quase sempre sem doença correspondente (Williams, 2019). Esse é o retrato de um teste com muitos falsos positivos: cada achado leva a um ecocardiograma, e a imensa maioria dos ecocardiogramas é normal. O risco de iniciar cascatas de cuidado existe em qualquer estratégia de rastreio e precisa entrar na conta.
O eletrocardiograma no rastreio
O ECG é o centro do debate. A diretriz europeia afirma que, quando médicos experientes usam critérios modernos de interpretação para atletas, o ECG supera a história e o exame físico em todas as medidas de desempenho (Pelliccia, 2021). A ecocardiografia pode encontrar outras doenças estruturais, mas a evidência é insuficiente para recomendá-la como exame de rotina.
O estudo de Williams comparou as duas estratégias nos mesmos atletas (Williams, 2019). Entre 3620 adolescentes, 16 tinham doenças associadas a morte súbita. O questionário de 14 pontos da American Heart Association teve sensibilidade de 18,8 em cada 100, especificidade de 68,0 em cada 100 e valor preditivo positivo de 0,3 em cada 100 (Williams, 2019). O ECG interpretado pelos critérios de Seattle teve sensibilidade de 87,5, especificidade de 97,5 e valor preditivo positivo de 13,6 em cada 100 (Williams, 2019).
Uma metanálise de estudos publicados entre 2015 e 2020 reuniu 28.011 atletas de 10 a 35 anos (Goff, 2023). A associação entre história e exame físico e a detecção de condições ligadas a morte súbita não foi estatisticamente significativa. Para o ECG, a razão de chances foi de 148.
| Ferramenta | Sensibilidade | Especificidade | Valor preditivo positivo | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Questionário de 14 pontos da AHA | Baixa | Moderada | Muito baixo | Williams, 2019 |
| ECG com critérios de Seattle | Alta | Alta | Baixo, mas bem maior que o do questionário | Williams, 2019 |
| Ecocardiograma de rotina | Evidência insuficiente para rastreio | Evidência insuficiente | Evidência insuficiente | Pelliccia, 2021 |
| Teste de esforço em assintomático acima de 35 anos | Baixo valor preditivo positivo | Muitos falsos positivos | Baixo | Pelliccia, 2021 |
Esses números ilustram a lógica de sensibilidade, especificidade e valores preditivos. Mesmo o melhor teste tem valor preditivo positivo baixo quando a doença é rara: de cada sete ECGs alterados, cerca de um corresponde a doença real. A interpretação por quem conhece as adaptações do coração do atleta é o que separa um bom programa de rastreio de uma fábrica de encaminhamentos.
Por que o ECG do atleta exige leitor treinado
O treino intenso remodela o coração. Bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, repolarização precoce e aumento isolado da voltagem do QRS são achados comuns em atletas e, em geral, refletem adaptação (Pieles, 2026). Outros achados, como inversão de onda T em derivações laterais ou depressão do segmento ST, pedem investigação porque podem ser o primeiro sinal de cardiomiopatia.
O documento europeu para atletas pediátricos acrescenta que o ECG da criança e do adolescente tem padrões próprios e propõe definições de achados normais, limítrofes e anormais para quem tem menos de 16 anos (Pieles, 2026). Na ausência de sintomas e de história familiar relevante, vários desses padrões dispensam investigação. A leitura fina do traçado é tema do texto sobre o ECG do atleta nesta série.
O ponto para o rastreio é que o mesmo ECG pode render muito ou pouco conforme quem o interpreta. Critérios antigos, criados para a população geral, classificavam como anormais muitos traçados de atletas saudáveis. Os critérios modernos reduziram os falsos positivos sem perder sensibilidade, e a diretriz europeia condiciona o bom desempenho do ECG a médicos experientes usando esses critérios (Pelliccia, 2021).
O que os programas de rastreio encontram
O programa italiano é o mais longo e documentado. Ao longo de 11 anos, 22.324 crianças de 7 a 18 anos passaram por 65.397 avaliações anuais com história, exame físico, ECG de repouso e teste de esforço (Sarto, 2023). Foram identificadas doenças de risco em 69 crianças, entre cardiopatias congênitas, canalopatias, cardiomiopatias e cicatriz ventricular não isquêmica com arritmias.
Dois detalhes desse estudo importam para a prática. A maioria dos diagnósticos, 91 em cada 100, ocorreu a partir dos 12 anos, e 64 em cada 100 surgiram numa reavaliação, não na primeira consulta (Sarto, 2023). Cada diagnóstico exigiu, em média, um gasto estimado de 73.312 euros. Durante um seguimento de 7,5 anos em média, uma criança com rastreio normal teve parada cardíaca recuperada durante o esporte (Sarto, 2023).
O estudo de Pádua, com 25.251 jovens atletas de 8 a 15 anos, encontrou 26 diagnósticos novos, com rendimento maior a partir dos 12 anos (Graziano, 2024). Dois atletas com rastreio negativo tiveram parada ou morte súbita sem explicação durante o seguimento. Com base nesses dados, o documento europeu para atletas pediátricos recomenda história, exame físico e ECG de 12 derivações começando no máximo aos 12 anos (Pieles, 2026).
Nos Estados Unidos, a prática varia. Numa pesquisa com médicos das principais conferências universitárias, 45 de 65 responderam; todos faziam história e exame físico, e 58 em cada 100 também incluíam o ECG para todos os atletas (Miars, 2018). Para jogadores de basquete masculino, a inclusão do ECG subia para 71 em cada 100 escolas (Miars, 2018). Entre os médicos que haviam desenhado o protocolo sem considerar a epidemiologia da morte súbita, a maioria disse que não mudaria a prática mesmo diante dos dados atuais. O dado mostra que a escolha do protocolo depende também de recursos, hábito e cultura institucional, além da evidência. Para quem trabalha num serviço sem acesso fácil a ECG lido por especialista, uma história e um exame físico bem feitos continuam sendo o ponto de partida, desde que seus limites sejam conhecidos e explicados ao atleta e à família.
O atleta de meia-idade: outro alvo, outros limites
Depois dos 35 anos, a doença coronariana passa a ser o alvo principal (Pelliccia, 2021). A diretriz europeia recomenda estimar o risco cardiovascular com escores como o SCORE e considerar a avaliação antes do esporte em quem tem maior probabilidade de doença. O teste de esforço de rotina em adultos assintomáticos tem baixo valor preditivo positivo e muitos falsos positivos, e fica reservado para quem tem sintomas ou risco alto.
Um estudo holandês testou essas regras em 25 homens de 35 a 50 anos que se preparavam para a primeira maratona (Laily, 2024). A triagem do American College of Sports Medicine classificou todos como sem necessidade de liberação médica; a da sociedade europeia classificou dois como de alto risco. A avaliação completa, com ecocardiograma, teste cardiopulmonar e ressonância, encontrou três condições graves que exigiam restrição: aneurisma de aorta, cardiomiopatia hipertrófica e fibrose miocárdica depois de miocardite.
A triagem americana deixou passar as três, e a europeia marcou apenas um desses três homens como de alto risco, por dislipidemia e não pela cardiomiopatia (Laily, 2024). O estudo é pequeno e não muda as recomendações sozinho, mas mostra que questionários e escores deixam escapar doença estrutural. A tensão entre investigar mais e evitar excesso é a mesma discutida na probabilidade pré-teste pelo raciocínio de Bayes.
Os limites do rastreio e o que dizer ao atleta
Todo programa de rastreio deixa casos passarem. Parte das mortes súbitas ocorre com coração estruturalmente normal, sem alteração detectável antes do evento (Peterson, 2021). Anomalias coronárias costumam deixar o ECG normal. E doenças como a miocardite podem surgir depois de uma avaliação limpa.
O documento europeu para atletas pediátricos recomenda informar os atletas e os pais sobre as limitações do rastreio e orientar que relatem qualquer sintoma futuro (Pieles, 2026). Essa conversa é parte da avaliação, não um aviso de rodapé. O carimbo de apto pode criar uma falsa segurança que atrasa a procura por ajuda quando a síncope ao esforço aparecer.
A outra metade da prevenção está fora do consultório. O rastreio reduz a chance de um evento, e a resposta de emergência no local do esporte, com reanimação imediata e desfibrilador acessível, muda o desfecho quando o evento acontece. Na série americana, 158 dos 331 atletas sobreviveram à parada (Peterson, 2021). O princípio de priorizar a reanimação também aparece em situações raras, como nas lesões por raio.
Também vale lembrar o viés de julgar o rastreio pelo resultado. Quando um atleta avaliado morre, a tendência é concluir que a avaliação foi mal feita, mesmo que ela tenha seguido as recomendações. Separar a qualidade da decisão do desfecho, como se discute nos vieses retrospectivo e de resultado, ajuda a avaliar programas com justiça.
Voltando ao jogador de basquete
O adolescente da cena inicial pertence a um dos grupos de maior incidência descritos na vigilância americana (Peterson, 2021). A consulta muda quando se pergunta especificamente sobre dor no peito e desmaio durante o treino, e não "se está tudo bem". Muda também quando a ausculta é feita em pé e de cócoras, quando os pulsos femorais são palpados e quando a família é questionada sobre morte súbita em parentes com menos de 40 anos (Pieles, 2026).
Se o serviço usa o ECG, ele deve ser lido com critérios para atletas. Se o ECG mostra inversão de onda T lateral, o próximo passo é a investigação dirigida, e não a liberação. Se tudo vem normal, o atestado sai acompanhado de uma orientação clara: síncope ou dor no peito durante o esforço exigem parar e procurar avaliação. Essa rede de segurança, com o tempo usado como ferramenta, segue a lógica de esperar com rede de segurança.
Populações com necessidades próprias
Para-atletas têm problemas de saúde ligados ao tipo de deficiência e ao esporte, e costumam encontrar barreiras de acesso ao cuidado (Pinheiro, 2024). A declaração de consenso sobre a avaliação periódica de para-atletas recomenda revisar a história de saúde, adaptar o exame às exigências da modalidade e à deficiência e usar a consulta para educação preventiva. A avaliação periódica ajuda a compensar a tendência a sub-relatar problemas.
Crianças abaixo de 12 anos são outro grupo especial. O rendimento do rastreio é menor nessa faixa, e os eventos são mais raros (Graziano, 2024). O documento europeu admite que um ecocardiograma único pode ajudar a identificar doença estrutural invisível ao ECG, desde que a estrutura para isso exista (Pieles, 2026).
Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Ler cada pista como um teste e conhecer o escore canadense de risco de síncope completam esse treino.
Perguntas frequentes
O que a avaliação pré-participação procura?
Doenças cardiovasculares associadas a morte súbita durante o esforço: cardiomiopatias, canalopatias, anomalias coronárias e, depois dos 35 anos, doença coronariana (Pelliccia, 2021).
O questionário e o exame físico bastam?
Têm desempenho baixo. No estudo prospectivo com adolescentes, o questionário de 14 pontos detectou 18,8 em cada 100 atletas com doença, contra 87,5 em cada 100 do ECG (Williams, 2019).
O ecocardiograma deve ser feito em todos?
A diretriz europeia considera a evidência insuficiente para o ecocardiograma de rotina no rastreio (Pelliccia, 2021). Ele entra quando a história, o exame ou o ECG mostram alteração.
A partir de que idade fazer o ECG?
O documento europeu para atletas pediátricos recomenda começar no máximo aos 12 anos, quando o rendimento do rastreio aumenta (Pieles, 2026; Sarto, 2023).
Corredor amador de 45 anos precisa de teste de esforço?
Depende do risco. O teste de rotina em assintomáticos tem baixo valor preditivo positivo e fica para quem tem sintomas ou risco alto (Pelliccia, 2021).
Um rastreio normal garante segurança?
Reduz o risco, mas casos com rastreio normal foram descritos (Sarto, 2023). O atleta deve saber relatar sintomas novos (Pieles, 2026).
Take-home messages
- A avaliação pré-participação procura doenças específicas, e o alvo muda com a idade.
- No jovem, cardiomiopatias, anomalias coronárias e doenças elétricas lideram as causas; depois dos 35 anos, a doença coronariana.
- Síncope durante o esforço aponta para causa cardíaca até prova em contrário.
- O ECG interpretado com critérios para atletas supera a história e o exame físico, mas tem valor preditivo positivo limitado.
- Muitos diagnósticos aparecem a partir dos 12 anos e em reavaliações.
- Em adultos de meia-idade, questionários e escores deixam escapar doença estrutural.
- Informar os limites do rastreio e garantir reanimação no local completam a prevenção.
Jogue o caso do dia no NEXO.
Referências
- Pelliccia A, Sharma S, Gati S, et al. 2020 ESC Guidelines on sports cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease. Eur Heart J. 2021. PMID 32860412. DOI 10.1093/eurheartj/ehaa605.
- Peterson DF, Kucera K, Thomas LC, et al. Aetiology and incidence of sudden cardiac arrest and death in young competitive athletes in the USA: a 4-year prospective study. Br J Sports Med. 2021. PMID 33184114. DOI 10.1136/bjsports-2020-102666.
- Graziano F, Schiavon M, Cipriani A, et al. Causes of sudden cardiac arrest and death and the diagnostic yield of sport preparticipation screening in children. Br J Sports Med. 2024. PMID 38233088. DOI 10.1136/bjsports-2023-107357.
- Sarto P, Zorzi A, Merlo L, et al. Value of screening for the risk of sudden cardiac death in young competitive athletes. Eur Heart J. 2023. PMID 36760222. DOI 10.1093/eurheartj/ehad017.
- Williams EA, Pelto HF, Toresdahl BG, et al. Performance of the American Heart Association (AHA) 14-Point Evaluation Versus Electrocardiography for the Cardiovascular Screening of High School Athletes: A Prospective Study. J Am Heart Assoc. 2019. PMID 31286819. DOI 10.1161/JAHA.119.012235.
- Goff NK, Hutchinson A, Koek W, et al. Meta-analysis on the Effectiveness of ECG Screening for Conditions Related to Sudden Cardiac Death in Young Athletes. Clin Pediatr (Phila). 2023. PMID 36797841. DOI 10.1177/00099228231152857.
- Laily I, Wiggers TGH, van Steijn N, et al. Pre-Participation Screenings Frequently Miss Occult Cardiovascular Conditions in Apparently Healthy Male Middle-Aged First-Time Marathon Runners. Cardiology. 2024. PMID 38325343. DOI 10.1159/000536553.
- Miars CW, Stamatis A, Morgan GB, et al. Cardiovascular Screening Practices and Attitudes From the NCAA Autonomous "Power" 5 Conferences. Sports Health. 2018. PMID 29792780. DOI 10.1177/1941738118775039.
- Pieles GE, Cavarretta E, Orchard JJ, et al. Cardiac evaluation of paediatric athletes. Eur Heart J. 2026. PMID 41967042. DOI 10.1093/eurheartj/ehag188.
- Pinheiro L, Verhagen E, Ocarino J, et al. Periodic health evaluation in Para athletes: a position statement based on expert consensus. BMJ Open Sport Exerc Med. 2024. PMID 39411023. DOI 10.1136/bmjsem-2024-001946.


