Mama: intensificar o tratamento endócrino e manter a adesão

Pequeno comprimido amarelo de letrozol sobre papel branco, ao lado da ponta de um lápis com bolinhas pretas
Sumário
  1. Por que este é um cenário de raciocínio
  2. Supressão ovariana na pré-menopausa
  3. monarchE: abemaciclibe por dois anos
  4. NATALEE: ribociclibe por três anos
  5. Quem é de alto risco
  6. A adesão como desfecho clínico
  7. Como manter a paciente no tratamento
  8. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  9. Perguntas frequentes
  10. Checklist final
  11. Referências

Uma enfermeira de 44 anos terminou a quimioterapia e a radioterapia de um câncer de mama com receptor hormonal positivo e HER2 negativo. O tumor tinha 3,5 centímetros, grau 3, e havia metástase em 5 linfonodos axilares. Ela começou tamoxifeno há dois meses e já reclama de ondas de calor e insônia. Na consulta, ouve que existem opções para reduzir ainda mais o risco: supressão ovariana, troca para inibidor de aromatase e um comprimido novo por dois ou três anos. Ela pergunta se tudo isso é necessário e confessa que já pensou em parar o tamoxifeno. A cena é fictícia e foi escrita para ensino.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, até seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto usa o quadro como cenário de raciocínio clínico para estudantes e profissionais de saúde. A pergunta vem da lista do Dr. Alexei para a série de oncologia: quando intensificar o tratamento endócrino adjuvante no câncer de mama, e como garantir que a paciente consiga tomá-lo por anos? Os estudos de referência são o monarchE, com abemaciclibe, o NATALEE, com ribociclibe, os estudos SOFT e TEXT, com supressão ovariana, e os estudos de adesão. O texto não substitui a diretriz do seu país nem o protocolo do seu serviço. Se você joga o caso do dia no NEXO, vai reconhecer o desafio: o melhor tratamento é o que a paciente consegue seguir.

Principais pontos

  • O tratamento endócrino adjuvante dura pelo menos 5 anos, e a adesão cai a cada ano.
  • Na pré-menopausa de alto risco, a supressão ovariana somada ao tamoxifeno ou a um inibidor de aromatase reduz a recidiva, com mais efeitos adversos.
  • O monarchE mostrou que 2 anos de abemaciclibe reduzem a recidiva invasiva em pacientes com linfonodos comprometidos e alto risco.
  • O NATALEE mostrou ganho com 3 anos de ribociclibe numa população mais ampla, incluindo estádio II.
  • Cada intensificação acrescenta toxicidade, custo e consultas, que pesam na adesão.
  • Perguntar sobre efeitos adversos e tratá-los é parte do tratamento, não um detalhe.

Por que este é um cenário de raciocínio

No câncer de mama com receptor hormonal positivo, a recidiva pode aparecer muitos anos depois do diagnóstico. O tratamento endócrino adjuvante reduz esse risco, mas só funciona se for tomado. Por isso, a decisão sobre intensificar o tratamento não pode ser separada da pergunta sobre a adesão.

Nos últimos anos, as opções de intensificação se multiplicaram. A supressão ovariana já tinha lugar na pré-menopausa. Os inibidores de CDK4 e CDK6, usados antes só na doença metastática, passaram a ter dados na adjuvância. Cada opção acrescenta benefício para um grupo específico e acrescenta efeitos adversos para todas as pacientes que a recebem.

O cenário da enfermeira reúne os dois lados do problema. Ela tem risco alto pela quantidade de linfonodos e pelo grau. Ao mesmo tempo, já tem sintomas com tamoxifeno e já pensou em parar. Intensificar sem cuidar dos sintomas pode levar à interrupção de tudo. O post sobre quem decide a sequência do tratamento no câncer de mama mostra como a equipe organiza essas decisões.

O erro que o cenário quer evitar

O erro mais comum é tratar a adesão como problema da paciente e não da equipe. Quando o médico prescreve e só volta a perguntar no ano seguinte, a interrupção silenciosa passa despercebida. Outro erro é intensificar o tratamento em quem tem risco baixo, expondo a paciente a efeitos adversos com pouco ganho.

Supressão ovariana na pré-menopausa

Na mulher na pré-menopausa, os ovários são a principal fonte de estrógeno. A supressão ovariana, feita com análogos do hormônio liberador de gonadotrofina como a gosserrelina, reduz esse estrógeno e permite usar inibidores de aromatase, que sozinhos não funcionam nessa fase da vida.

O que os estudos SOFT e TEXT mostraram

No subgrupo de mulheres com menos de 35 anos do estudo SOFT, a sobrevida livre de câncer de mama em 5 anos foi de 67,7 em cada 100 com tamoxifeno isolado e de 78,9 em cada 100 com tamoxifeno e supressão ovariana (Yan e colaboradores, 2015). Esse dado ajuda a entender por que a supressão é mais discutida em mulheres jovens e de alto risco (Yan e colaboradores, 2015). A combinação de exemestano com supressão ovariana foi testada na análise conjunta dos estudos TEXT e SOFT (Yan e colaboradores, 2015).

O preço da supressão

No SOFT, ondas de calor, sudorese, perda de libido, secura vaginal, insônia, depressão, sintomas musculoesqueléticos, hipertensão e intolerância à glicose foram mais frequentes com supressão ovariana (Ozaki e colaboradores, 2018). Eventos adversos de grau 3 ou mais ocorreram em 31,3 em cada 100 mulheres com supressão e tamoxifeno, contra 23,7 em cada 100 com tamoxifeno isolado (Ozaki e colaboradores, 2018). A não adesão à supressão subiu de 9,2 em cada 100 no primeiro ano para 21,9 em cada 100 no quarto ano (Ozaki e colaboradores, 2018).

Um subestudo pequeno não encontrou piora cognitiva significativa com supressão ovariana em comparação ao tamoxifeno isolado (Phillips e colaboradores, 2016). Esse dado ajuda a responder a uma dúvida frequente das pacientes, mas vem de 74 mulheres e precisa ser lido com cautela (Phillips e colaboradores, 2016).

Quando a supressão falha

Até 20 em cada 100 mulheres na pré-menopausa que recebem análogo com inibidor de aromatase podem ter supressão ovariana inadequada, com estradiol acima do esperado (Valenza e colaboradores, 2026). Nesses casos, o inibidor de aromatase deixa de funcionar, e a dosagem periódica de estradiol ajuda a detectar o problema (Valenza e colaboradores, 2026).

Modelo molecular de esferas e bastões da gosserelina sobre fundo preto
Modelo molecular da gosserelina, análogo hormonal usado para a supressão ovariana na pré-menopausa. Crédito: MarinaVladivostok, CC0, via Wikimedia Commons.

monarchE: abemaciclibe por dois anos

O monarchE foi um estudo de fase III aberto com 5.637 pacientes com câncer de mama receptor hormonal positivo, HER2 negativo e linfonodos comprometidos de alto risco (Johnston e colaboradores, 2020). Entraram pacientes com 4 ou mais linfonodos comprometidos, ou com 1 a 3 linfonodos e pelo menos um destes fatores: tumor de 5 centímetros ou mais, grau 3 ou Ki-67 central de 20 ou mais (Johnston e colaboradores, 2020).

Dose e duração

As pacientes foram randomizadas para tratamento endócrino padrão com ou sem abemaciclibe 150 mg duas vezes ao dia por 2 anos (Johnston e colaboradores, 2020). O tratamento endócrino seguiu por pelo menos 5 anos (Rastogi e colaboradores, 2024). Confira a bula do seu país antes de prescrever.

Resultados

Na análise com seguimento mediano de 54 meses, o abemaciclibe reduziu o risco de evento de sobrevida livre de doença invasiva, com razão de riscos de 0,680 (Rastogi e colaboradores, 2024). O ganho absoluto aumentou com o tempo, chegando a 7,6 pontos em 5 anos, contra 6 pontos em 4 anos e 4,8 pontos em 3 anos (Rastogi e colaboradores, 2024). Houve menos mortes no grupo abemaciclibe, 208 contra 234, mas a diferença de sobrevida global ainda não tinha significância estatística nessa análise (Rastogi e colaboradores, 2024).

O benefício foi consistente na pré-menopausa e na pós-menopausa. Nas mulheres na pré-menopausa, o ganho absoluto em 3 anos foi de 5,7 pontos na sobrevida livre de doença invasiva (Paluch-Shimon e colaboradores, 2023).

Toxicidade e reduções de dose

Os eventos adversos mais frequentes com abemaciclibe foram diarreia, neutropenia e fadiga, e a trombose venosa ocorreu em 2,3 em cada 100 pacientes, contra 0,5 em cada 100 no controle (Johnston e colaboradores, 2020). Das 2.791 pacientes tratadas com abemaciclibe, 43,7 em cada 100 precisaram de redução de dose, sobretudo por diarreia (Goetz e colaboradores, 2024). As análises mostraram que o benefício se manteve com a dose reduzida para 100 mg ou 50 mg (Goetz e colaboradores, 2024). Esse dado é útil na conversa com a paciente, porque reduzir a dose para manter o tratamento é melhor do que interrompê-lo.

EstudoMedicamento e doseDuraçãoPopulaçãoResultado principalFonte
monarchEAbemaciclibe 150 mg duas vezes ao dia2 anosLinfonodos comprometidos de alto riscoGanho absoluto de 7,6 pontos em 5 anosRastogi e colaboradores, 2024
NATALEERibociclibe 400 mg ao dia, 21 de 28 dias3 anosEstádio IIA selecionado, IIB e IIIGanho absoluto de 4,9 pontos em 4 anosFasching e colaboradores, 2025
SOFT, menores de 35 anosTamoxifeno com supressão ovariana5 anosPré-menopausaSobrevida livre de câncer de mama de 78,9 contra 67,7 em cada 100Yan e colaboradores, 2015

NATALEE: ribociclibe por três anos

O NATALEE foi um estudo de fase III aberto que incluiu mulheres em qualquer fase da menopausa e homens com câncer de mama receptor hormonal positivo e HER2 negativo, nos estádios IIA selecionados, IIB e III (Slamon e colaboradores, 2023). O estádio IIA podia ser sem linfonodo comprometido, desde que houvesse fatores adicionais de risco, ou com 1 a 3 linfonodos (Fasching e colaboradores, 2025).

Dose e duração

As pacientes receberam ribociclibe 400 mg uma vez ao dia, nos dias 1 a 21 de ciclos de 28 dias, por 36 meses, com letrozol 2,5 mg ou anastrozol 1 mg por dia durante 60 meses (Fasching e colaboradores, 2025). Homens e mulheres na pré-menopausa também receberam gosserrelina (Fasching e colaboradores, 2025). Confira a bula do seu país antes de prescrever.

Resultados

Na análise de 4 anos com 5.101 pacientes, o ribociclibe manteve benefício na sobrevida livre de doença invasiva, com razão de riscos de 0,72 (Fasching e colaboradores, 2025). A taxa em 4 anos foi de 88,5 em cada 100 com ribociclibe e de 83,6 em cada 100 sem ele, uma diferença de 4,9 pontos (Fasching e colaboradores, 2025). A sobrevida global ainda era imatura, com razão de riscos de 0,83 e intervalo que incluía 1 (Fasching e colaboradores, 2025).

Toxicidade

Os eventos adversos mais frequentes com ribociclibe foram neutropenia, artralgia e náusea, e as alterações hepáticas foram sobretudo aumentos de transaminases sem aumento de bilirrubina (Fasching e colaboradores, 2025). O prolongamento do intervalo QT ocorreu em 5,4 em cada 100 pacientes com ribociclibe e em 1,6 em cada 100 sem ele (Fasching e colaboradores, 2025). Isso exige eletrocardiograma e revisão de medicamentos que também prolongam o QT.

Cartela de comprimidos vazia vista de cima, com os alvéolos abertos
Uma cartela vazia pode ser sinal de adesão, mas a contagem de comprimidos e o relato da paciente nem sempre coincidem. Crédito: Sprinno, CC0, via Wikimedia Commons.

Quem é de alto risco

Os dois estudos definiram alto risco de forma diferente, e essa diferença tem consequência prática. Numa coorte com 4.795 pacientes, 28 em cada 100 seriam de alto risco pelos critérios do monarchE e 56,1 em cada 100 pelos critérios do NATALEE (Arecco e colaboradores, 2025). A sobrevida livre de doença em 7 anos foi de 69 em cada 100 nas pacientes de alto risco pelos dois critérios, contra 89 em cada 100 nas de baixo risco pelos dois (Arecco e colaboradores, 2025).

Num registro francês com 3.103 pacientes tratadas entre 2005 e 2015, 14,2 em cada 100 seriam elegíveis para abemaciclibe pelos critérios do monarchE (Ladoire e colaboradores, 2025). Esses números mostram que a escolha do critério muda muito o número de pacientes expostas a um tratamento caro e com efeitos adversos.

Aplicando os critérios à cena

A enfermeira da cena tem 5 linfonodos comprometidos, o que a coloca no grupo de alto risco do monarchE, que exigia 4 ou mais linfonodos ou 1 a 3 com fatores adicionais (Johnston e colaboradores, 2020). Ela também cumpriria os critérios do NATALEE, que incluía o estádio III (Slamon e colaboradores, 2023). Por estar na pré-menopausa, qualquer um dos dois esquemas exigiria supressão ovariana, como foi feito nos estudos. A escolha entre eles depende de fatores práticos, como o risco de diarreia, a função hepática, o eletrocardiograma, o acesso ao medicamento e a preferência da paciente, já que não há comparação direta entre os dois.

Perguntas para decidir a intensificação

  • Quantos linfonodos estavam comprometidos e qual era o tamanho do tumor?
  • Qual era o grau e, quando disponível, o Ki-67?
  • A paciente está na pré-menopausa ou na pós-menopausa?
  • Ela tem comorbidades que aumentam o risco de diarreia, neutropenia, trombose ou arritmia?
  • Usa medicamentos que interagem ou prolongam o QT?
  • Já tem efeitos adversos com o tratamento endócrino atual?
  • O serviço consegue fazer exames de sangue e eletrocardiogramas com a frequência necessária?

A adesão como desfecho clínico

Os estudos de intensificação mostram ganhos de poucos pontos. Esses ganhos desaparecem se a paciente não tomar o medicamento. Por isso, a adesão precisa ser tratada como desfecho clínico, medido e acompanhado.

O tamanho do problema

Numa revisão sistemática com 26 estudos, a adesão média em 5 anos foi de 66,2 em cada 100 pacientes, e a persistência foi de 66,8 em cada 100 (Yussof e colaboradores, 2022). Em média, a adesão caiu 25,5 pontos do primeiro para o quinto ano (Yussof e colaboradores, 2022). Na Escócia, numa coorte com 3.361 mulheres, adesão abaixo de 80 em cada 100 dias de tratamento se associou a pior sobrevida, com razão de riscos de 1,20 (Makubate e colaboradores, 2013).

Como medir

Numa coorte espanhola com 692 mulheres, a adesão variou de 92 em cada 100 pelo relato da paciente a 94,7 em cada 100 pelo relato do médico, mas a concordância entre as medidas foi baixa (Font e colaboradores, 2012). A persistência em 5 anos foi de 74,7 em cada 100, e mulheres com menos de 50 anos aderiram menos (Font e colaboradores, 2012). O relato isolado tende a superestimar a adesão, e a revisão sistemática confirmou que a adesão é maior quando medida por autorrelato do que por registro de dispensação (Yussof e colaboradores, 2022).

Sinais de que a paciente pode estar parando

  • Respostas vagas quando se pergunta como está tomando o comprimido.
  • Receitas renovadas com intervalo maior do que o esperado.
  • Queixas repetidas de dor articular, ondas de calor ou insônia sem tratamento.
  • Sintomas depressivos novos ou piora do humor.
  • Faltas às consultas ou aos exames de controle.

Nenhum desses sinais confirma a interrupção, mas cada um justifica uma conversa franca. A paciente costuma contar a verdade quando percebe que a equipe quer ajudar e não julgar. Perguntar "quantos comprimidos você esqueceu na última semana?" funciona melhor do que "você está tomando direitinho?", porque a primeira pergunta aceita uma resposta honesta.

No cenário da enfermeira, a confissão de que pensou em parar é uma oportunidade. Antes de discutir supressão ovariana ou inibidor de CDK4 e CDK6, a equipe precisa tratar as ondas de calor e a insônia e explicar por que o tamoxifeno importa. Só depois faz sentido acrescentar um tratamento que trará novos efeitos adversos.

Por que as pacientes param

Numa pesquisa online com 2.353 mulheres e 54 homens, 91,2 em cada 100 relataram efeitos adversos do tratamento endócrino, e cerca de um terço interrompeu o tratamento antes do previsto (Berkowitz e colaboradores, 2021). No mesmo levantamento, 31,5 em cada 100 sentiram que os efeitos adversos foram minimizados pela equipe (Berkowitz e colaboradores, 2021). A revisão sistemática apontou depressão, comorbidades e efeitos adversos como fatores associados a menor adesão (Yussof e colaboradores, 2022).

Técnica de mamografia de máscara prepara o mamógrafo numa sala de exames
A mamografia anual faz parte do seguimento durante os anos de tratamento endócrino, e cada consulta é uma oportunidade de perguntar sobre efeitos adversos. Crédito: Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, domínio público, via Wikimedia Commons.

Como manter a paciente no tratamento

A adesão melhora quando a equipe trata os sintomas, explica o motivo do tratamento e mantém contato regular. Não há uma única intervenção que resolva o problema, mas algumas têm evidência.

Informação e contato

Num estudo randomizado com inibidor de aromatase, a adesão em 12 meses foi de 48 em cada 100 no grupo controle, de 62,7 em cada 100 no grupo com contato telefônico e de 64,7 em cada 100 no grupo que recebeu cartas informativas (Ziller e colaboradores, 2013). A análise conjunta mostrou diferença significativa a favor das intervenções (Ziller e colaboradores, 2013).

Tratar a dor articular

A dor articular do inibidor de aromatase é uma das causas mais frequentes de interrupção. Num estudo com 253 mulheres com esse sintoma, 26,9 em cada 100 interromperam o tratamento, e a combinação de mais de uma estratégia de manejo, como analgésico, fisioterapia ou ajuste do esquema, se associou a menos interrupções nas pacientes com dor intensa (Liang e colaboradores, 2026).

Estratégias práticas

  • Perguntar em toda consulta, de forma direta, quantos comprimidos a paciente deixou de tomar.
  • Investigar e tratar ondas de calor, insônia, dor articular e secura vaginal.
  • Oferecer troca de medicamento antes que a paciente desista sozinha.
  • Reduzir a dose dos inibidores de CDK4 e CDK6 quando necessário, em vez de suspender.
  • Rastrear depressão e encaminhar para apoio psicológico.
  • Combinar um canal de contato entre as consultas.

O post sobre incerteza diagnóstica ajuda a conversar sobre benefícios pequenos e riscos conhecidos.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10. A intensificação endócrina é um bom exercício porque a pista decisiva pode estar na anamnese, como a interrupção silenciosa do tamoxifeno, e não no laudo. O post sobre diagnóstico diferencial com pistas mostra como treinar com pistas progressivas.

Três exercícios com casos

Mude o risco. Diga o que muda se a paciente tiver tumor de 2,5 centímetros, grau 2 e nenhum linfonodo comprometido.

Mude a menopausa. Diga como escolher o esquema se a paciente tiver 62 anos e osteoporose.

Mude a adesão. Diga o que fazer se, no sexto mês de abemaciclibe, a paciente relatar diarreia diária e admitir que pulou várias doses.

O post sobre tomada de decisão clínica trata de escolhas com benefício pequeno. Os limites de uso do jogo estão na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato.

Perguntas frequentes

Qual é a dose de abemaciclibe no monarchE?

Abemaciclibe 150 mg duas vezes ao dia por 2 anos, com tratamento endócrino padrão (Johnston e colaboradores, 2020). Confira a bula do seu país antes de prescrever.

Qual é a dose de ribociclibe no NATALEE?

Ribociclibe 400 mg uma vez ao dia, nos dias 1 a 21 de ciclos de 28 dias, por 36 meses, com letrozol ou anastrozol (Fasching e colaboradores, 2025). Confira a bula do seu país antes de prescrever.

A redução de dose do abemaciclibe compromete o benefício?

Não, segundo as análises do monarchE, que mostraram benefício consistente com 150 mg, 100 mg ou 50 mg (Goetz e colaboradores, 2024).

Toda mulher na pré-menopausa precisa de supressão ovariana?

Não. O ganho maior apareceu em mulheres jovens e de alto risco, e a supressão traz mais efeitos adversos (Yan e colaboradores, 2015) (Ozaki e colaboradores, 2018).

A baixa adesão aumenta mesmo o risco?

Sim. Numa coorte escocesa, a adesão abaixo de 80 em cada 100 dias de tratamento se associou a maior mortalidade (Makubate e colaboradores, 2013).

Checklist final

  • Classifiquei o risco pelos linfonodos, tamanho, grau e Ki-67.
  • Defini o estado menopausal com critério objetivo.
  • Discuti supressão ovariana nas mulheres jovens de alto risco.
  • Avaliei elegibilidade para abemaciclibe ou ribociclibe.
  • Pedi exames de base, incluindo hemograma, função hepática e eletrocardiograma quando indicado.
  • Perguntei sobre efeitos adversos e adesão em toda consulta.
  • Combinei um canal de contato entre as consultas.
  • Planejei a duração total do tratamento endócrino.

Quer praticar o raciocínio com pistas progressivas? Jogue o caso do dia.

Referências

  1. Arecco L, Blondeaux E, Bruzzone M, et al. Prognostic implications of risk definitions from the monarchE and NATALEE trials. J Natl Cancer Inst. 2025. PMID 39908473.
  2. Berkowitz MJ, Thompson CK, Zibecchi LT, et al. How patients experience endocrine therapy for breast cancer: an online survey of side effects, adherence, and medical team support. J Cancer Surviv. 2021. PMID 32804353.
  3. Fasching PA, Stroyakovskiy D, Yardley DA, et al. Ribociclib Plus Endocrine Therapy in Hormone Receptor-Positive/ERBB2-Negative Early Breast Cancer: 4-Year Outcomes From the NATALEE Randomized Clinical Trial. JAMA Oncol. 2025. PMID 40996773.
  4. Font R, Espinas JA, Gil-Gil M, et al. Prescription refill, patient self-report and physician report in assessing adherence to oral endocrine therapy in early breast cancer patients: a retrospective cohort study in Catalonia, Spain. Br J Cancer. 2012. PMID 22955858.
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  6. Johnston SRD, Harbeck N, Hegg R, et al. Abemaciclib Combined With Endocrine Therapy for the Adjuvant Treatment of HR+, HER2-, Node-Positive, High-Risk, Early Breast Cancer (monarchE). J Clin Oncol. 2020. PMID 32954927.
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  13. Rastogi P, O'Shaughnessy J, Martin M, et al. Adjuvant Abemaciclib Plus Endocrine Therapy for Hormone Receptor-Positive, Human Epidermal Growth Factor Receptor 2-Negative, High-Risk Early Breast Cancer: Results From a Preplanned monarchE Overall Survival Interim Analysis, Including 5-Year Efficacy Outcomes. J Clin Oncol. 2024. PMID 38194616.
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  18. Ziller V, Kyvernitakis I, Knöll D, et al. Influence of a patient information program on adherence and persistence with an aromatase inhibitor in breast cancer treatment--the COMPAS study. BMC Cancer. 2013. PMID 24006873.

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