PneumologiaRaciocínio clínico

Embolia pulmonar: Wells, PERC e D-dímero pela idade

Corte axial de tomografia de tórax em janela de pulmão de paciente com embolia pulmonar
Sumário
  1. Por que a embolia pulmonar é difícil de diagnosticar
  2. Probabilidade clínica: o primeiro passo
  3. PERC: quando nem o D-dímero é necessário
  4. D-dímero: um teste de exclusão
  5. D-dímero ajustado pela idade e YEARS
  6. Imagem, gestação e erros comuns
  7. Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
  8. Perguntas frequentes
  9. Take-home messages
  10. Referências

Uma mulher de 72 anos chega à emergência com falta de ar há dois dias. Não tem dor na perna, não tossiu sangue e a frequência cardíaca está pouco acima do normal. O plantonista pede um D-dímero por hábito, o resultado volta em 640 e, como passou de 500, ela vai para a angiotomografia. O exame é normal. Ninguém perguntou antes qual era a probabilidade clínica de embolia, e ninguém lembrou que, aos 72 anos, o corte poderia ser outro.

Esse roteiro se repete em muitos prontos-socorros. A embolia pulmonar é grave, os sintomas são pouco específicos e o medo de deixar passar empurra para o exame de imagem. O resultado é um uso crescente de tomografia com rendimento baixo, contraste e radiação em quem não precisava, e achados pequenos que podem não ter importância clínica.

Este texto revisa a sequência que organiza o raciocínio: estimar a probabilidade clínica, aplicar o PERC quando ela é baixa, interpretar o D-dímero com o corte certo, incluindo o ajuste pela idade e a estratégia YEARS, e reservar a imagem para quem de fato precisa.

Principais pontos

  • O primeiro passo é sempre a probabilidade clínica, por julgamento estruturado ou por escore como o de Wells.
  • Com probabilidade baixa e os oito critérios do PERC negativos, não é preciso pedir nem o D-dímero.
  • Com probabilidade alta, o caminho é a imagem direta, sem D-dímero.
  • Acima de 50 anos, o corte do D-dímero ajustado pela idade aumenta a especificidade sem perder sensibilidade relevante.
  • O YEARS e o PEGeD usam cortes de D-dímero que variam com a probabilidade clínica e reduzem a necessidade de imagem.
  • A angiotomografia continua sendo o exame de escolha quando a imagem é indicada.

Por que a embolia pulmonar é difícil de diagnosticar

Os sintomas e sinais da embolia pulmonar são pouco específicos, e o diagnóstico às vezes é bem difícil (Glazier e colaboradores, 2024). Os sintomas incluem falta de ar, dor torácica, pré-síncope ou síncope e hemoptise (Glazier e colaboradores, 2024). Na análise do PIOPED II citada por Glazier, a falta de ar foi o sintoma mais frequente em pacientes sem doença cardiopulmonar prévia, presente em 73 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). A hemoptise aparece em cerca de 14 a cada 100, e a síncope ou pré-síncope em menos de 10 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024).

A doença também tem um perfil etário claro. A incidência dobra a cada década após os 40 anos (Jarman e colaboradores, 2021). Entre 20 e 40 anos, as mulheres desenvolvem embolia em taxa que é aproximadamente o dobro da dos homens (Jarman e colaboradores, 2021).

Exames à beira do leito ajudam pouco

A gasometria arterial não parece especialmente útil no diagnóstico (Glazier e colaboradores, 2024). Em um grande estudo clínico citado na revisão, 42 a cada 100 dos pacientes com embolia não tinham hipoxemia (Glazier e colaboradores, 2024). A radiografia de tórax serve sobretudo para excluir diagnósticos que imitam a embolia, como insuficiência cardíaca ou pneumonia (Glazier e colaboradores, 2024). Em 2322 pacientes com embolia comprovada, a radiografia foi normal em 24 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). Os sinais radiológicos clássicos, como a corcova de Hampton, o sinal de Fleischner e o sinal de Westermark, foram maus preditores (Glazier e colaboradores, 2024).

O eletrocardiograma tem baixa sensibilidade e valor limitado para o diagnóstico (Glazier e colaboradores, 2024). A alteração mais comum é a taquicardia sinusal, presente em cerca de 30 a cada 100, e o padrão S1Q3T3 aparece em apenas 4 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). Seu papel principal é detectar outras doenças graves, como o infarto agudo do miocárdio (Glazier e colaboradores, 2024).

Radiografia de tórax em tons de cinza de paciente com embolia pulmonar grave, com opacidade periférica no pulmão
Radiografia de tórax em embolia pulmonar grave. Sinais clássicos podem aparecer, mas predizem mal a doença, e a radiografia normal não exclui o diagnóstico. Crédito: Hellerhoff, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons (página do arquivo). Recorte nosso, sem a marcação original, em tons de cinza.

Probabilidade clínica: o primeiro passo

Depois da história, do exame e dos testes iniciais, vêm três passos: estimar a probabilidade clínica em todos os pacientes, medir o D-dímero quando indicado e fazer a imagem quando indicada (Glazier e colaboradores, 2024). A probabilidade é classificada como baixa, moderada ou alta, com prevalência de embolia abaixo de 15 a cada 100, de 15 a 40 a cada 100 e acima de 40 a cada 100, respectivamente (Glazier e colaboradores, 2024). Esse é o mesmo raciocínio da probabilidade pré-teste aplicado a uma doença em que errar para os dois lados custa caro.

Julgamento clínico e escores

O julgamento clínico de médicos experientes, o chamado gestalt, foi não inferior aos escores padronizados, como os de Wells e de Genebra (Glazier e colaboradores, 2024). Os escores ainda assim são recomendados como apoio para selecionar quem precisa de mais testes (Glazier e colaboradores, 2024). Wells e Genebra revisado foram amplamente validados e mostraram acurácia preditiva comparável quando aplicados na mesma população (Glazier e colaboradores, 2024).

O escore de Wells

O escore de Wells soma pontos por características objetivas e por uma pergunta subjetiva: se a embolia é o diagnóstico mais provável (Corrigan e colaboradores, 2016). Na tabela reproduzida por Glazier, sinais clínicos de trombose venosa profunda valem 3 pontos, assim como a embolia ser mais provável que um diagnóstico alternativo (Glazier e colaboradores, 2024). Frequência cardíaca acima de 100, imobilização ou cirurgia nas 4 semanas anteriores e embolia ou trombose prévia valem 1,5 ponto cada; hemoptise e câncer nos últimos 6 meses valem 1 ponto cada (Glazier e colaboradores, 2024).

Com menos de 2 pontos, a probabilidade é baixa; de 2 a 6, intermediária; acima de 6, alta (Corrigan e colaboradores, 2016). Na forma dicotômica, até 4 pontos indicam embolia improvável e acima de 4, provável (Corrigan e colaboradores, 2016). Nessa versão modificada, a prevalência de embolia foi de 3 a cada 100 no grupo improvável e de 28 a cada 100 no provável (Glazier e colaboradores, 2024).

O peso da pergunta subjetiva é a força e a fraqueza do escore. Três pontos dependem de o médico achar que nenhum outro diagnóstico explica melhor o quadro (Glazier e colaboradores, 2024). O escore de Genebra revisado não usa esse julgamento subjetivo e inclui itens como idade acima de 65 anos, trombose ou embolia prévia e taquicardia (Glazier e colaboradores, 2024).

Quando a probabilidade é alta

Os critérios de probabilidade alta incluem gestalt acima de 40 a cada 100, Wells acima de 6 ou Genebra acima de 10 (Glazier e colaboradores, 2024). Nesses pacientes, a alta prevalência reduz o valor preditivo negativo do D-dímero e aumenta o risco de falha diagnóstica (Glazier e colaboradores, 2024). Por isso, eles devem seguir direto para a imagem do tórax, sem dosar o D-dímero (Glazier e colaboradores, 2024).

PERC: quando nem o D-dímero é necessário

O PERC foi desenhado para identificar pacientes em que o risco de testar supera o benefício, com um limiar de teste calculado em 2 a cada 100 de prevalência (Corrigan e colaboradores, 2016). A regra tem oito variáveis objetivas e só se aplica a pacientes com probabilidade clínica baixa (Corrigan e colaboradores, 2016).

Os oito critérios

O PERC é negativo quando todos estes itens estão ausentes: idade acima de 49 anos, pulso acima de 99 por minuto, saturação em ar ambiente abaixo de 95 a cada 100, edema unilateral de perna, hemoptise, trauma ou cirurgia recente, embolia ou trombose prévia e uso de hormônio (Glazier e colaboradores, 2024). Com probabilidade implícita baixa, abaixo de 15 a cada 100, e PERC zero, o valor preditivo negativo passa de 98,5 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024).

A sensibilidade da regra fica entre 96 e 100 a cada 100, mas a especificidade fica entre 15 e 27 a cada 100 (Corrigan e colaboradores, 2016). Em um estudo multicêntrico de validação com 8138 pacientes, 1666 tinham probabilidade baixa e PERC negativo, e 15 deles tiveram tromboembolismo venoso em 45 dias, uma taxa de falso negativo abaixo de 1 a cada 100 (Corrigan e colaboradores, 2016).

O que mostrou o PROPER

O ensaio PROPER testou o PERC em 14 centros na França entre 2015 e 2016, incluindo pacientes com probabilidade clínica abaixo de 15 a cada 100 pelo julgamento do médico (Glazier e colaboradores, 2024). A taxa de falso negativo foi de apenas 1 a cada 100, e o uso do PERC se associou a uma redução de 8 a cada 100 nas tomografias desnecessárias (Glazier e colaboradores, 2024).

As coortes de derivação e validação do PERC tinham cerca de dois terços de mulheres, e o sexo foi avaliado, mas não entrou na regra por não ser significativo (Jarman e colaboradores, 2021). Os critérios valem para o paciente com probabilidade baixa. Aplicados a quem tem probabilidade intermediária, eles não bastam e o D-dímero segue necessário (Jarman e colaboradores, 2021).

D-dímero: um teste de exclusão

O D-dímero é um produto da degradação da fibrina por fibrinólise endógena, e o teste é muito sensível para trombose aguda (Glazier e colaboradores, 2024). Tradicionalmente, valores a partir de 500 ng/mL são considerados anormais, e a sensibilidade dos ensaios atuais fica em torno de 95 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). Um D-dímero negativo exclui a embolia com probabilidade pós-teste abaixo de 2 a cada 100 em pacientes sem probabilidade alta (Corrigan e colaboradores, 2016).

O problema da especificidade

A especificidade, porém, é baixa, tipicamente de 40 a 50 a cada 100, e muitos pacientes com teste positivo precisam de mais exames (Corrigan e colaboradores, 2016). O D-dímero se eleva com frequência em idosos acima de 80 anos, gestantes, sobretudo no terceiro trimestre, pessoas com doença falciforme e quem teve trauma ou cirurgia grande no último mês (Corrigan e colaboradores, 2016).

A idade pesa muito. Até 40 anos, a especificidade fica em torno de 67 a cada 100; a partir de 80, cai para 10 a cada 100, com grande proporção de falsos positivos (Glazier e colaboradores, 2024). Antes do ajuste, o teste conseguia excluir embolia em 60 a cada 100 dos pacientes abaixo de 40 anos, mas em apenas 5 a cada 100 acima de 80 (Douma e colaboradores, 2010).

Analisador de coagulação de bancada em laboratório clínico, com compartimento de amostras e reagentes
Analisador de coagulação em laboratório clínico. O resultado do D-dímero só tem valor quando interpretado junto com a probabilidade clínica e o corte adequado. Crédito: Bondarev.gal, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (página do arquivo). Recorte nosso, sem a tela e sem etiquetas.

D-dímero ajustado pela idade e YEARS

De onde veio o corte pela idade

Douma e colaboradores definiram o novo corte como idade multiplicada por 10, em µg/L, para pacientes acima de 50 anos (Douma e colaboradores, 2010). Em 1331 pacientes com escore improvável, a embolia pôde ser excluída em 42 a cada 100 com o novo corte, contra 36 a cada 100 com o corte antigo (Douma e colaboradores, 2010). O ganho absoluto foi maior acima de 70 anos, entre 13 e 16 a cada 100 nos três conjuntos de dados (Douma e colaboradores, 2010). As taxas de falha foram de 0,2 a cada 100 na derivação e de 0,6 e 0,3 a cada 100 nas duas validações (Douma e colaboradores, 2010).

Uma metanálise de 13 coortes com 12.497 pacientes sem probabilidade alta confirmou o efeito (Schouten e colaboradores, 2013). Com o corte convencional, a especificidade caiu de 57,6 a cada 100 entre 51 e 60 anos para 14,7 a cada 100 acima de 80 (Schouten e colaboradores, 2013). Com o corte ajustado, foi de 62,3 e 35,2 a cada 100 nas mesmas faixas, e a sensibilidade ficou acima de 97 a cada 100 em todas elas (Schouten e colaboradores, 2013).

ADJUST-PE

No ADJUST-PE, o corte foi de 500 ng/mL até 50 anos e de idade multiplicada por 10 acima disso (Glazier e colaboradores, 2024). Acima de 50 anos, a taxa de embolia entre os pacientes com D-dímero acima de 500, mas abaixo do corte ajustado, foi de apenas 0,3 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). O ajuste se associou a uma redução absoluta calculada de 23 a cada 100 nos exames de imagem (Glazier e colaboradores, 2024).

Na paciente da cena de abertura, com 72 anos, o corte ajustado seria 720. Um D-dímero de 640 ficaria abaixo dele, e, se a probabilidade clínica não fosse alta, a embolia poderia ser excluída sem tomografia, como prevê esse tipo de estratégia (Glazier e colaboradores, 2024).

YEARS e PEGeD

O YEARS usa três itens do escore de Wells: sinais clínicos de trombose venosa profunda, hemoptise e embolia como diagnóstico mais provável (Glazier e colaboradores, 2024). Sem nenhum item, o corte do D-dímero é 1000 ng/mL; com um ou mais, é 500 ng/mL (Glazier e colaboradores, 2024). Aplicado a 3465 pacientes, o algoritmo deixou 2946 sem tratamento, e 18 deles, 0,6 a cada 100, tiveram tromboembolismo sintomático em 3 meses (Glazier e colaboradores, 2024). Comparado ao Wells, o YEARS reduziu as angiotomografias em 14 a cada 100 em termos absolutos (Glazier e colaboradores, 2024).

O PEGeD definiu probabilidade baixa como Wells de 0 a 4,0 e excluiu da imagem quem tinha essa probabilidade e D-dímero abaixo de 1000 ng/mL (Glazier e colaboradores, 2024). O algoritmo teve taxa de diagnósticos perdidos de 0,05 a cada 100 e reduziu a imagem de 52 para 34 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024).

A tabela resume os cortes de cada estratégia.

Estratégia Para quem Regra de exclusão sem imagem
PERC Probabilidade baixa, abaixo de 15 a cada 100 Os oito critérios ausentes, sem D-dímero (Glazier e colaboradores, 2024)
D-dímero convencional Probabilidade não alta Abaixo de 500 ng/mL (Glazier e colaboradores, 2024)
Ajuste pela idade Acima de 50 anos, probabilidade não alta Abaixo de idade vezes 10 (Douma e colaboradores, 2010)
YEARS Suspeita de embolia Zero item e abaixo de 1000, ou um item ou mais e abaixo de 500 (Glazier e colaboradores, 2024)
PEGeD Wells de 0 a 4,0 (Glazier e colaboradores, 2024) Abaixo de 1000 ng/mL (Glazier e colaboradores, 2024)
Probabilidade alta Wells acima de 6 ou gestalt acima de 40 a cada 100 Nenhuma; imagem direta (Glazier e colaboradores, 2024)

Imagem, gestação e erros comuns

Angiotomografia como padrão

A angiotomografia de artérias pulmonares é a modalidade de escolha para o diagnóstico de embolia aguda (Glazier e colaboradores, 2024). Uma metanálise recente citada por Glazier relatou sensibilidade de 94 a cada 100 e especificidade de 98 a cada 100 (Glazier e colaboradores, 2024). O exame também pode mostrar outras causas para os sintomas, como pneumonia, fraturas de costela e pneumotórax (Glazier e colaboradores, 2024). O consenso do PERT recomenda usar a angiotomografia quando a probabilidade é baixa ou intermediária com D-dímero positivo, ou quando é alta (Rivera-Lebron e colaboradores, 2019).

O custo de pedir demais

A angiotomografia expõe o paciente a radiação e contraste (Corrigan e colaboradores, 2016). Em sete sistemas de saúde dos Estados Unidos, com 52.343.517 pessoas-ano de seguimento, o uso de angiotomografia para suspeita de embolia cresceu 450 a cada 100 entre 2004 e 2016 (Wang e colaboradores, 2020). No mesmo período, o uso de cintilografia de ventilação e perfusão caiu 47,1 a cada 100 (Wang e colaboradores, 2020). Os autores concluíram que os esforços contra o excesso de uso não tiveram sucesso completo (Wang e colaboradores, 2020).

Em um centro acadêmico, 268 de 4048 angiotomografias da emergência, 6,6 a cada 100, foram positivas para embolia aguda (Schissler e colaboradores, 2013). O uso subiu sem mudança correspondente no rendimento diagnóstico, e aumentou a chance de diagnosticar embolias menos graves, sem disfunção do ventrículo direito ou lesão miocárdica (Schissler e colaboradores, 2013). Exames mais sensíveis detectam cada vez mais êmbolos pequenos, potencialmente sem significado clínico (Jarman e colaboradores, 2021), o que é o cenário do sobrediagnóstico.

Peça anatômica de pulmão com trombo em sela ocupando a bifurcação das artérias pulmonares
Peça de anatomia patológica com embolia pulmonar em sela. Êmbolos grandes como este são o motivo do cuidado; os pequenos achados de tomografia nem sempre têm o mesmo peso. Crédito: Bakerstmd, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Alternativas à tomografia

Quando há contraindicação à angiotomografia, como doença renal avançada ou alergia ao contraste, a cintilografia de ventilação e perfusão é uma alternativa (Glazier e colaboradores, 2024). Ela tem dose de radiação na mama 50 vezes menor do que a tomografia de 64 cortes e pode ser considerada em mulheres jovens, inclusive gestantes (Glazier e colaboradores, 2024). A diretriz europeia de medicina nuclear afirma que o SPECT de ventilação e perfusão não tem contraindicações e estabelece o diagnóstico mesmo na presença de DPOC, insuficiência cardíaca ou pneumonia (Bajc e colaboradores, 2019). O consenso do PERT sugere considerar ecocardiograma ou cintilografia portátil quando a angiotomografia não é possível (Rivera-Lebron e colaboradores, 2019).

Gestação

Na gestação, a necessidade de evitar radiação excessiva fez da cintilografia de ventilação e perfusão o exame preferido para avaliar embolia (Patel e colaboradores, 2020). Uma metanálise de quatro estudos encontrou 1 evento em 312 gestantes não tratadas após D-dímero negativo, 0,32 a cada 100 (Bellesini e colaboradores, 2021). A sensibilidade combinada foi de 99,5 a cada 100 e o valor preditivo negativo, de 100 a cada 100 (Bellesini e colaboradores, 2021). O rendimento do teste, a proporção de D-dímero negativo, foi de 34,2 a cada 100 (Bellesini e colaboradores, 2021). Em um dos estudos, a proporção de resultados negativos caiu de 25 para 11 e 4 a cada 100 do primeiro ao terceiro trimestre (Bellesini e colaboradores, 2021).

Erros que se repetem

Cada um desses passos é uma decisão sobre exames que deveria depender da pergunta clínica, e não do hábito.

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio

No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.

Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar o diagnóstico diferencial com pistas e buscar o código certo na CID-10 completam esse treino.

Perguntas frequentes

Posso usar o PERC em qualquer paciente com suspeita de embolia?

Não. O PERC só se aplica a pacientes com probabilidade clínica baixa (Corrigan e colaboradores, 2016). Com probabilidade intermediária ou PERC positivo, o próximo passo é o D-dímero (Jarman e colaboradores, 2021).

O D-dímero ajustado pela idade é seguro?

Nos estudos de derivação e validação, as taxas de falha ficaram entre 0,2 e 0,6 a cada 100 (Douma e colaboradores, 2010). Na metanálise, a sensibilidade do corte ajustado permaneceu acima de 97 a cada 100 em todas as faixas etárias (Schouten e colaboradores, 2013).

Qual a diferença entre YEARS e ajuste pela idade?

O YEARS muda o corte conforme a presença de três itens clínicos; o ajuste pela idade muda o corte conforme a idade (Glazier e colaboradores, 2024). No YEARS, só 0,6 a cada 100 dos pacientes deixados sem tratamento tiveram tromboembolismo em 3 meses (Glazier e colaboradores, 2024). Glazier resume a lição dos dois: com probabilidade baixa, D-dímero abaixo de 1000 ng/mL exclui sem imagem; sem probabilidade baixa, vale o corte ajustado pela idade (Glazier e colaboradores, 2024).

Quando pular o D-dímero e ir direto para a tomografia?

Quando a probabilidade clínica é alta, porque nessa situação o valor preditivo negativo do D-dímero cai (Glazier e colaboradores, 2024).

O D-dímero serve na gestação?

Uma metanálise sugere que ele permite excluir tromboembolismo com segurança em gestantes com probabilidade baixa ou intermediária, mas o rendimento cai ao longo da gestação (Bellesini e colaboradores, 2021).

Take-home messages

  • Estime a probabilidade clínica antes de pedir qualquer exame.
  • PERC negativo com probabilidade baixa dispensa o D-dímero.
  • Probabilidade alta vai direto para a imagem.
  • Acima de 50 anos, use o corte de D-dímero ajustado pela idade.
  • YEARS e PEGeD reduzem a imagem com segurança nos estudos.
  • Angiotomografia é o padrão quando indicada, mas pedir demais tem custo.

Referências

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  2. Bellesini M, Robert-Ebadi H, Combescure C, et al. D-dimer to rule out venous thromboembolism during pregnancy: A systematic review and meta-analysis. J Thromb Haemost. 2021. PMID 34161671.
  3. Corrigan D, Prucnal C, Kabrhel C. Pulmonary embolism: the diagnosis, risk-stratification, treatment and disposition of emergency department patients. Clin Exp Emerg Med. 2016. PMID 27752629.
  4. Douma RA, le Gal G, Söhne M, et al. Potential of an age adjusted D-dimer cut-off value to improve the exclusion of pulmonary embolism in older patients: a retrospective analysis of three large cohorts. BMJ. 2010. PMID 20354012.
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  7. Patel H, Sun H, Hussain AN, et al. Advances in the Diagnosis of Venous Thromboembolism: A Literature Review. Diagnostics (Basel). 2020. PMID 32498355.
  8. Rivera-Lebron B, McDaniel M, Ahrar K, et al. Diagnosis, Treatment and Follow Up of Acute Pulmonary Embolism: Consensus Practice from the PERT Consortium. Clin Appl Thromb Hemost. 2019. PMID 31185730.
  9. Schissler AJ, Rozenshtein A, Kulon ME, et al. CT pulmonary angiography: increasingly diagnosing less severe pulmonary emboli. PLoS One. 2013. PMID 23776522.
  10. Schouten HJ, Geersing GJ, Koek HL, et al. Diagnostic accuracy of conventional or age adjusted D-dimer cut-off values in older patients with suspected venous thromboembolism: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2013. PMID 23645857.
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