Calor e saúde mental: crises, internações e suicídio

Sumário
- O que a temperatura faz com a demanda psiquiátrica
- O que os dados brasileiros mostram
- Suicídio, jovens e temperatura
- Por que o calor piora o quadro mental
- Quem está mais vulnerável
- O que fazer na consulta e no plantão
- Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
- Perguntas frequentes
- Take-home messages
- Referências
Um homem de 34 anos com esquizofrenia, estável há dois anos, chega ao pronto-socorro de Curitiba no terceiro dia seguido de calor fora do comum. A família conta que ele quase não dormiu, ficou irritado, parou de tomar a medicação e passou a tarde trancado em um quarto sem ventilação. Ele está agitado, com pele quente e seca. A equipe pensa primeiro em descompensação psicótica. Ninguém mede a temperatura nas primeiras horas.
Essa cena junta três problemas que o calor costuma juntar: piora do quadro psiquiátrico, risco físico aumentado por medicamentos que atrapalham a termorregulação e uma avaliação que separa mente e corpo quando o paciente precisa das duas coisas ao mesmo tempo. A literatura dos últimos anos mostra que a temperatura ambiente mexe com a demanda psiquiátrica de forma consistente, em países ricos e pobres, em adultos, idosos e jovens.
Este texto organiza o que se sabe: o tamanho do efeito, quais transtornos parecem mais sensíveis, o que acontece com o suicídio, por que alguns pacientes estão em risco físico maior e o que o clínico pode fazer na consulta e no plantão.
Principais pontos
- Dias quentes aumentam atendimentos de emergência e internações por transtornos mentais.
- O efeito aparece em ansiedade, humor, uso de substâncias, esquizofrenia e autolesão.
- O risco de suicídio sobe com a temperatura em muitos países, incluindo o Brasil.
- Crianças, adolescentes e adultos jovens também são afetados, não só idosos.
- Antipsicóticos, anticolinérgicos e diuréticos podem atrapalhar a perda de calor.
- Na onda de calor, o paciente psiquiátrico agitado precisa de avaliação física, começando pela temperatura.
O que a temperatura faz com a demanda psiquiátrica
A pergunta parece simples, mas só ganhou respostas sólidas quando grandes bases de dados permitiram comparar dias quentes e dias amenos na mesma população. Esse desenho, chamado de série temporal, compara a pessoa com ela mesma em momentos diferentes e reduz o peso de fatores que não mudam de um dia para outro.
Uma revisão recente com pessoas de 60 anos ou mais reuniu 76 estudos (Byun e colaboradores, 2024). Numa metanálise de quatro estudos, cada grau a mais de temperatura se associou a um risco relativo de 1,014 para internações ou atendimentos por transtornos mentais. Nas ondas de calor, internações e atendimentos subiram com RR de 1,269, numa análise de seis estudos. Para mortalidade por transtornos mentais, o RR foi de 1,266, mas o intervalo de confiança foi de 0,956 a 1,678, com apenas quatro estudos, o que não permite conclusão firme. A certeza geral da evidência foi classificada como moderada, e o frio também apareceu como fator de risco.
Esses números parecem pequenos quando lidos isoladamente. A questão é a escala. Um aumento modesto de risco aplicado a milhões de pessoas, em dezenas de dias quentes por ano, se traduz em muita demanda extra para serviços que já trabalham no limite.
Como ler esses estudos
Antes de avançar, vale entender o que esses números dizem e o que não dizem. Quase todos os estudos sobre calor e saúde mental são observacionais. Eles mostram que, em dias mais quentes, a mesma população procura mais os serviços de saúde mental. Não mostram, sozinhos, por que isso acontece, nem identificam quem vai piorar.
Outro ponto é a definição de calor. Alguns estudos usam a temperatura média do dia, outros a máxima, outros percentis locais ou ondas de calor com duração mínima. A definição de desfecho também muda: atendimento de emergência, internação, morte ou suicídio. Por isso os números não devem ser somados ou comparados diretamente entre estudos. O que dá força ao conjunto é a direção consistente do efeito em lugares, períodos e métodos tão diferentes.
Por fim, os efeitos costumam aparecer no mesmo dia ou nos dias seguintes ao calor, e muitos estudos somam esse atraso em um risco acumulado. Para a prática, isso significa que a demanda pode continuar alta mesmo depois que a temperatura cai, e que o serviço deve se preparar para alguns dias, e não apenas para o pico.
Emergência e internação: o que os grandes estudos mostram
O maior estudo de atendimentos de emergência nos Estados Unidos analisou 3.496.762 visitas por transtornos mentais em 2775 condados, entre 2010 e 2019 (Nori-Sarma e colaboradores, 2022). Nos dias de calor extremo, definidos como acima do percentil 95 local, a taxa de atendimentos foi 8 a cada 100 maior (IRR de 1,08). O efeito foi visto em quase todas as categorias:
- uso de substâncias, IRR de 1,08;
- ansiedade e transtornos relacionados ao estresse, IRR de 1,07;
- transtornos do humor, IRR de 1,07;
- esquizofrenia e outras psicoses, IRR de 1,05;
- autolesão, IRR de 1,06;
- transtornos de comportamento iniciados na infância, IRR de 1,11.
Entre homens, o IRR chegou a 1,10. O estudo também avaliou diferenças por faixa etária, sexo e região do país, o que ajuda a entender que o fenômeno não se limita a um grupo único.
Em Berna, na Suíça, um estudo acompanhou 88.996 internações psiquiátricas entre 1973 e 2017 (Bundo e colaboradores, 2021). O risco de internação subiu 4,0 a cada 100 para cada 10 °C a mais. Em esquizofrenia, o aumento foi de 10,0 a cada 100, e em transtornos do desenvolvimento chegou a 29,0. Esse dado chama atenção porque vem de uma cidade de clima temperado, onde o calor extremo é menos frequente.
Em Adelaide, na Austrália, uma análise de 1993 a 2006 identificou um limiar de 26,7 °C a partir do qual as internações por transtornos mentais e comportamentais começavam a subir (Hansen e colaboradores, 2008). Durante as ondas de calor, essas internações foram 7,3 a cada 100 maiores do que em outros períodos. A mortalidade atribuída a transtornos mentais também aumentou na faixa de 65 a 74 anos e entre pessoas com esquizofrenia. Mortes relacionadas a demência aumentaram nas faixas etárias até 65 anos.

O que os dados brasileiros mostram
O Brasil tem estudos próprios, e eles ajudam a desfazer a ideia de que o problema é só de países ricos ou de climas extremos.
Em Curitiba, uma análise de 2010 a 2016 avaliou a relação entre temperatura e atendimentos por transtornos mentais (da Silva e colaboradores, 2020). O risco relativo associado à temperatura foi de 1,0182 em homens e 1,0407 em mulheres, e os idosos se mostraram mais suscetíveis nesse período.
Um estudo mais recente na mesma cidade analisou 101.452 atendimentos de emergência por transtornos mentais entre 2017 e 2021 (Corvetto e colaboradores, 2023). Comparando um dia de calor extremo (24,5 °C de temperatura média) com a mediana (18,02 °C), o risco acumulado foi de 1,15. Alguns grupos se destacaram:
- tentativas de suicídio, RR de 1,85;
- transtornos neuróticos, ligados ao estresse e somatoformes, RR de 1,18;
- mulheres, RR de 1,20.
Esse segundo estudo encontrou risco menor em idosos (RR de 0,77) e em transtornos mentais orgânicos (RR de 0,60). A diferença em relação ao estudo anterior mostra que o grupo mais vulnerável pode mudar conforme o período, a definição de desfecho e o tipo de serviço analisado. Para a prática, a mensagem é que não existe um único perfil de risco: o calor afeta grupos diferentes em contextos diferentes.
Vale notar também o valor do limiar. Uma temperatura média de 24,5 °C não parece extrema para quem mora no Nordeste ou no Centro-Oeste. O que importa é o calor em relação ao habitual da população local. Por isso os estudos usam percentis da própria cidade, e não um número fixo.
Suicídio, jovens e temperatura
O maior estudo sobre o tema analisou 1.320.148 suicídios em 341 locais de 12 países (Kim e colaboradores, 2019). O Brasil entrou com 13 cidades, entre 1997 e 2005, somando 8801 suicídios. Na análise conjunta, a curva teve forma de J invertido: o risco aumentava com a temperatura até um pico em 27 °C, onde o RR chegava a 1,33. Entre os países, o RR estimado variou de 1,31 nos Estados Unidos a 1,65 em Taiwan.
Uma revisão sistemática com metanálise reuniu 32 estudos sobre temperatura e suicídio (Heo e colaboradores, 2021). O risco de suicídio foi 9 a cada 100 maior para cada aumento de 7,1 °C (RR de 1,09). A revisão também comparou países por nível de renda e apontou lacunas de pesquisa, como a interação entre poluição do ar e temperatura.
Como o pico de risco fica em uma temperatura comum no verão de muitas cidades, inclusive brasileiras, o efeito não depende apenas de eventos extremos raros. Ele acompanha o calor do dia a dia.
Em jovens, uma revisão sistemática com 28 estudos de pessoas até 24 anos encontrou associação entre calor e suicídio, com aumento de 1,0 a cada 100 no risco para cada 1 °C (Lai e colaboradores, 2026). A mesma revisão encontrou, na exposição a temperaturas altas, risco maior de atendimentos hospitalares ou internações por transtornos mentais (13 a cada 100), por esquizofrenia (14 a cada 100) e por depressão (18 a cada 100).
O estudo brasileiro de Curitiba, com RR de 1,85 para tentativas de suicídio no calor extremo, reforça esse sinal (Corvetto e colaboradores, 2023). São dados de associação populacional. Eles não permitem prever quem vai tentar suicídio em um dia quente, mas indicam que a vigilância precisa aumentar nesses períodos.
Crianças, adolescentes e adultos jovens
A ideia de que o calor só afeta idosos frágeis não se sustenta nos dados de saúde mental. Em Nova York, um estudo com 82.982 atendimentos de emergência e hospitalares ligados à saúde mental em pessoas até 25 anos encontrou associação clara com o calor (Niu e colaboradores, 2023). Nos dias de temperatura elevada, a chance de atendimento de emergência ou hospitalar aumentou com OR de 1,28 entre 6 e 11 anos, 1,17 entre 12 e 17 anos e 1,09 entre 18 e 25 anos.
O grupo mais novo foi o mais afetado. Crianças dependem dos adultos para se proteger do calor, têm menos autonomia para mudar de ambiente e podem expressar desconforto por meio de comportamento, o que combina com o aumento de transtornos de comportamento visto no estudo americano (Nori-Sarma e colaboradores, 2022).
A revisão com pessoas até 24 anos chegou à mesma conclusão (Lai e colaboradores, 2026). Para o pediatra e o médico de família, isso significa incluir o calor na lista de fatores que podem explicar uma piora comportamental aguda, ao lado de sono, escola, conflitos familiares e uso de substâncias.

Por que o calor piora o quadro mental
Os mecanismos não estão totalmente esclarecidos, mas algumas peças se encaixam. Uma revisão sobre o tema reuniu explicações fisiológicas e comportamentais (Lõhmus, 2018). O calor prejudica o sono, e a privação de sono é um gatilho conhecido de descompensação em transtornos do humor e psicoses. O calor também piora funções executivas, como atenção, planejamento e controle de impulsos.
Uma revisão mais recente, que combinou quatro estudos com seis grupos focais com 33 participantes, 21 deles com experiência de transtorno mental e 12 profissionais de saúde, organizou os caminhos citados (Baecker e colaboradores, 2025):
- ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e aumento do estresse psicológico, com evidência ainda limitada;
- piora do sono e menos atividade física;
- isolamento social, associado a humor depressivo;
- menor engajamento no tratamento, porque o desconforto físico reduz a motivação para ir às sessões ou tomar a medicação.
Nos grupos focais, os participantes descreveram irritabilidade, frustração, perda das estratégias habituais de enfrentamento e ansiedade com a própria saúde, que pode levar a uma espiral de piora. Esse relato ajuda a entender por que o efeito aparece em tantas categorias diferentes: o calor não cria um transtorno novo, mas reduz a margem de quem já vive perto do limite.
Medicamentos que atrapalham a termorregulação
Aqui o tema deixa de ser só psiquiátrico e passa a ser clínico. O corpo perde calor principalmente pelo suor e pela dilatação dos vasos da pele. Alguns medicamentos interferem nesses mecanismos.
A revisão sobre saúde mental e calor descreve dois grupos principais (Lõhmus, 2018). Medicamentos com efeito anticolinérgico reduzem a produção de suor, e o suor é a principal forma de resfriamento em ambientes quentes. Antipsicóticos que bloqueiam a dopamina prejudicam o controle central da temperatura e podem causar rigidez muscular, que gera calor. A mesma revisão cita um estudo clássico em hospitais psiquiátricos do estado de Nova York, com dados de 1950 a 1984, no qual os pacientes tinham o dobro do risco de morrer durante ondas de calor em comparação com a população geral. O risco era maior nos anos 1950, antes do uso amplo de antipsicóticos, do que nos anos 1980, o que mostra que os medicamentos não explicam tudo: condições de internação e cuidado também pesam.
Um estudo com 9721 pacientes do Medicare avaliou o risco de internação por doença relacionada ao calor conforme o uso de medicamentos (Layton e colaboradores, 2020). O uso isolado de várias classes já se associou a risco maior, com RR entre 1,16 e 1,37, incluindo diuréticos, anticolinérgicos e antipsicóticos. Nas ondas de calor, o risco de internação por calor subiu entre 21 e 33 a cada 100 nas diferentes classes analisadas.
Isso não quer dizer que esses medicamentos devam ser suspensos no verão. A suspensão abrupta traz riscos próprios, inclusive de recaída, e o estudo do Medicare não foi desenhado para orientar essa decisão. O que muda é a vigilância: quem usa essas classes precisa saber que o calor é um risco a mais e ter um plano para os dias quentes.
| Grupo | O que os estudos mostram | O que fazer na prática |
|---|---|---|
| Idosos com transtorno mental | Internações maiores nas ondas de calor; frio também é risco | Perguntar sobre ventilação, hidratação e quem acompanha |
| Esquizofrenia e outras psicoses | Mais internações e mais mortes no calor em vários estudos | Medir temperatura em toda agitação aguda no verão |
| Crianças e adolescentes | Atendimentos maiores, sobretudo de 6 a 11 anos | Incluir calor na avaliação de piora comportamental |
| Uso de anticolinérgicos, antipsicóticos ou diuréticos | Mais internação por doença relacionada ao calor | Plano para dias quentes, sem suspender por conta própria |
| Risco de suicídio | Risco sobe com a temperatura em vários países | Reforçar seguimento e contato nos períodos de calor |
Quem está mais vulnerável
Os estudos variam, mas alguns grupos aparecem com frequência. Pessoas com esquizofrenia surgem em quase todas as análises como mais sensíveis, com mais internações e mais mortes (Hansen e colaboradores, 2008; Bundo e colaboradores, 2021). A explicação provável junta o efeito dos medicamentos, a dificuldade de perceber e relatar o desconforto e as condições de moradia.
Os idosos aparecem como grupo vulnerável em revisões amplas (Byun e colaboradores, 2024) e em parte dos estudos brasileiros (da Silva e colaboradores, 2020), embora o estudo mais recente de Curitiba tenha encontrado o padrão oposto (Corvetto e colaboradores, 2023). Crianças e adolescentes aparecem com risco aumentado em atendimentos de emergência (Niu e colaboradores, 2023). Homens tiveram IRR maior no estudo americano (Nori-Sarma e colaboradores, 2022), enquanto mulheres tiveram RR maior nos dois estudos de Curitiba (da Silva e colaboradores, 2020; Corvetto e colaboradores, 2023).
Essa variação é um lembrete de que a vulnerabilidade depende de contexto. Renda, moradia, acesso a ventilação, rede de apoio e tipo de serviço disponível pesam tanto quanto idade ou sexo.
O que fazer na consulta e no plantão
O primeiro passo é incluir o calor no raciocínio. Diante de uma piora psiquiátrica aguda em período quente, vale perguntar como a pessoa está dormindo, onde passa o dia, se tem acesso a água e ventilação e se continua tomando a medicação. Essas perguntas cabem em poucos minutos e mudam a conduta.
O segundo passo é não separar mente e corpo. O paciente com transtorno mental agitado em dia de calor pode ter febre, desidratação, doença relacionada ao calor ou efeito adverso de medicamento. A temperatura deve ser medida cedo. Pele quente e seca, confusão que não combina com o padrão habitual do paciente ou rigidez muscular pedem avaliação clínica antes de atribuir tudo ao quadro psiquiátrico. A incerteza diagnóstica nesse cenário é real, e a melhor estratégia é manter as duas hipóteses abertas.
O terceiro passo é preventivo. Para quem usa anticolinérgicos, antipsicóticos ou diuréticos, uma conversa antes do verão sobre sinais de alerta, hidratação e ambientes frescos tem baixo custo. Registrar essa orientação no prontuário ajuda a equipe a retomar o assunto nas consultas seguintes.
O quarto passo é a vigilância de suicídio. Os dados não permitem dizer que um paciente específico vai piorar em um dia quente, mas mostram que o risco populacional sobe. Em serviços de saúde mental, reforçar contatos telefônicos, antecipar retornos e revisar planos de segurança nos períodos de calor são medidas coerentes com a evidência.
Erros que se repetem
O primeiro erro é atribuir toda agitação no verão ao transtorno de base. A probabilidade pré-teste de doença relacionada ao calor sobe muito em pacientes com esquizofrenia que usam antipsicóticos durante uma onda de calor, e a febre pode passar despercebida quando ninguém mede a temperatura.
O segundo erro é pensar que o problema é só de idosos. Os dados de Nova York e a revisão em jovens mostram risco claro em crianças e adolescentes (Niu e colaboradores, 2023; Lai e colaboradores, 2026).
O terceiro erro é orientar a suspensão de medicamentos por conta do calor. O estudo do Medicare mostra risco associado às classes, mas não testa a retirada, e a recaída tem custo alto (Layton e colaboradores, 2020).
O quarto erro é usar um limiar fixo de temperatura. O que conta é o calor em relação ao que a população está acostumada, como mostram os percentis locais usados nos estudos (Nori-Sarma e colaboradores, 2022; Corvetto e colaboradores, 2023).
O quinto erro é ignorar o frio. A revisão em idosos mostrou que temperaturas baixas também se associam a piores desfechos de saúde mental (Byun e colaboradores, 2024).

Como o NEXO ajuda a treinar esse raciocínio
No NEXO, o caso do dia é fictício, com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas, e você propõe o diagnóstico buscando o código na CID-10.
Os limites de uso do jogo estão descritos na página de economia do NEXO. Se você pesquisa ensino de raciocínio clínico, a página para pesquisadores explica como entrar em contato. Profissionais que escrevem ou revisam casos encontram informações em curadoria e em criadores, e instituições podem conhecer a proposta na página para parcerias. Treinar o diagnóstico diferencial com pistas e buscar o código certo na CID-10 completam esse treino.
Perguntas frequentes
O calor realmente aumenta as crises psiquiátricas?
Sim, em estudos populacionais. Atendimentos de emergência e internações por transtornos mentais sobem nos dias quentes em vários países, incluindo o Brasil. O efeito é modesto para cada pessoa, mas grande quando somado na população.
Quais transtornos parecem mais sensíveis ao calor?
O efeito aparece em ansiedade, humor, uso de substâncias, esquizofrenia, autolesão e transtornos de comportamento na infância. Esquizofrenia aparece com destaque em internações e mortes em vários estudos.
Existe relação entre calor e suicídio?
Os dados mostram que o risco de suicídio aumenta com a temperatura em muitos países, inclusive em cidades brasileiras. É uma associação populacional, que justifica reforçar a vigilância nos períodos quentes, mas não prevê o risco individual.
Devo suspender antipsicóticos no verão?
Não por conta própria. Esses medicamentos se associam a mais risco de doença relacionada ao calor, mas a suspensão pode causar recaída. O caminho é vigilância, hidratação, ambiente fresco e um plano combinado com o médico.
Por que crianças são afetadas?
Elas dependem dos adultos para se proteger do calor e muitas vezes expressam desconforto pelo comportamento. Em Nova York, a faixa de 6 a 11 anos teve o maior aumento de atendimentos nos dias quentes.
Take-home messages
- O calor aumenta atendimentos e internações por transtornos mentais.
- O efeito atinge várias categorias, de ansiedade a psicoses e uso de substâncias.
- O risco de suicídio acompanha a temperatura em muitos países, incluindo o Brasil.
- Crianças e jovens também são vulneráveis, não só idosos.
- Anticolinérgicos, antipsicóticos e diuréticos aumentam o risco de doença pelo calor.
- No plantão de verão, agitação psiquiátrica pede temperatura medida e avaliação clínica.
Referências
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- Byun G, Choi Y, Foo D, et al. Effects of ambient temperature on mental and neurological conditions in older adults: A systematic review and meta-analysis. Environ Int. 2024. PMID 39603080.
- Corvetto JF, Federspiel A, Sewe MO, et al. Impact of heat on mental health emergency visits: a time series study from all public emergency centres, in Curitiba, Brazil. BMJ Open. 2023. PMID 38135317.
- da Silva I, de Almeida DS, Hashimoto EM, et al. Risk assessment of temperature and air pollutants on hospitalizations for mental and behavioral disorders in Curitiba, Brazil. Environ Health. 2020. PMID 32631375.
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