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Surdez e deficiência auditiva na formação médica

Audiômetro de mesa dos anos 1960 com diales e fones sobre superfície clara
Sumário
  1. Espectro e linguagem: surdez e deficiência auditiva
  2. Barreiras em aulas e material didático
  3. Beira-leito, plantão e comunicação com a equipe
  4. Ausculta e alternativas
  5. Simulação, estações práticas e avaliação
  6. Adaptações pedagógicas e tecnológicas
  7. Raciocínio clínico com canal auditivo limitado
  8. Como o NEXO entra
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Na visita, o preceptor fala rápido, de costas para o grupo, enquanto dois residentes trocam hipóteses ao mesmo tempo. Você lê os lábios do preceptor, perde o fio quando alguém tosse, e a pista que muda o diferencial some no ruído. O conteúdo clínico está na sala. O canal auditivo, para você, não é o caminho principal. Esse é o terreno da surdez e da deficiência auditiva na formação médica: aulas, beira-leito, ausculta, simulação, plantão e comunicação com equipe e pacientes.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Este texto trata de estudantes e médicos surdos ou com deficiência auditiva. O foco é formação e ensino: barreiras, adaptações pedagógicas e tecnológicas, e o que muda no treino de raciocínio clínico quando o ouvido não é o canal dominante. O tom é internacional e neutro. Interpretação em língua de sinais aparece como recurso entre outros, sem centrar um país. Não é guia de normas técnicas de software nem post sobre leitores de tela ou deficiência visual.

Principais pontos

  • Surdez e deficiência auditiva cobrem um espectro amplo: perda leve a profunda, unilateral ou bilateral, com ou sem aparelho, implante coclear ou língua de sinais.
  • Barreiras comuns na formação: fala sobreposta, acústica ruim, máscaras opacas, telefone e alarmes só sonoros, ausculta tradicional e avaliações que medem orelha em vez de competência.
  • Adaptações úteis incluem legendas e transcrição em tempo real, interpretação em língua de sinais, sistemas de microfone remoto, posicionamento visual, protocolos escritos e estetoscópios amplificados ou digitais.
  • Padrões técnicos funcionais pedem o resultado clínico (avaliar o coração), não o órgão sensorial usado para chegar lá.
  • No NEXO, casos fictícios com apresentação clínica real e até seis pistas em texto e visão permitem ensaiar raciocínio sem depender do canal auditivo da interface, sem afirmar eficácia.

Espectro e linguagem: surdez e deficiência auditiva

Surdez e deficiência auditiva não são um único perfil. Há quem use língua de sinais como primeira língua; quem fale a língua oral e leia lábios; quem combine aparelho auditivo, implante coclear e texto; quem tenha perda só em um ouvido ou só em frequências altas. A formação médica precisa partir desse espectro, não de um estereótipo único.

Em uma pesquisa nacional com médicos e aprendizes surdos ou com deficiência auditiva, estetoscópios modificados foram a adaptação mais citada: 89% dos respondentes (50 de 56) usavam esse tipo de recurso, ao lado de equipamentos auditivos, anotações, legendagem em tempo real e interpretação (Moreland et al., 2013). A mesma linha de trabalho mostra interesse em cuidar de pacientes com a mesma barreira de comunicação. Isso importa para o ensino: incluir aprendizes com deficiência auditiva não é só justiça de acesso; também amplia a capacidade da força de trabalho de comunicar com pacientes surdos.

Estimativas populacionais lembram a escala do tema. Em um relato sobre aprendizes em medicina de emergência, os autores citam que cerca de 23% das pessoas acima de 12 anos em um grande país têm algum grau de perda auditiva (Meeks et al., 2018). O Relatório Mundial sobre Audição da OMS descreve perda auditiva como questão de saúde pública global e recomenda cuidado centrado na pessoa, reabilitação e acesso a educação e comunicação (OMS, World report on hearing). Na escola médica, a pergunta prática não é "há poucos estudantes afetados?", e sim "o currículo já prevê canais múltiplos para o mesmo conteúdo?".

Linguagem importa. Preferir "pessoa surda" ou "pessoa com deficiência auditiva" conforme a preferência de cada um; evitar infantilizar; não tratar adaptação como favor. Padrões técnicos de admissão que exigem "ouvir sons cardíacos com o próprio ouvido" medem o órgão, não a competência. Uma análise ética de padrões técnicos para candidatos surdos ou com deficiência auditiva defende padrões funcionais: o estudante precisa avaliar o coração; o caminho pode ser estetoscópio amplificado, visualização ou outro auxílio, desde que a interpretação clínica continue com o estudante (Argenyi, 2016).

Corneta acústica victorian de lata recolhível aberta sobre fundo claro
A história da audição assistida lembra que o canal auditivo sempre teve apoios externos. Na formação atual, o apoio é tecnologia e desenho pedagógico, não improvisação isolada. Crédito: Wellcome Collection, CC BY 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Barreiras em aulas e material didático

Na sala de aula, as barreiras se acumulam. Professor que anda enquanto fala e vira de costas para o quadro. Áudio de vídeo sem legenda. Discussão em grupo com várias vozes sobrepostas. Microfone da sala quebrado. Slide denso lido em voz baixa. Para quem depende de leitura labial, luz ruim e máscara opaca cortam o canal. Para quem usa aparelho, ruído de ar-condicionado e eco destroem a inteligibilidade.

Um estudo de caso de estudante com perda severa e profunda descreve barreiras recorrentes: acústica ruim, comunicações sobrepostas, ruído de fundo e falta de pistas visuais claras. As estratégias que funcionaram na prática incluíram serviços de fala para texto, posicionamento estratégico, aparelho com conexão sem fio, implante e o hábito de confirmar com teach-back (Martin et al., 2025). O ponto para quem desenha currículo: a adaptação precisa ser planejada cedo, não improvisada na véspera da prova.

Lista objetiva de barreiras didáticas a inspecionar:

  • Vídeos de aula sem legenda revisada (automática sem revisão falha em jargão médico).
  • Podcasts e áudios obrigatórios sem transcrição.
  • Seminários sem microfone ou sem interpretação e legenda.
  • Trabalho em grupo sem protocolo de uma pessoa falando de cada vez.
  • Materiais só em áudio (feedback oral sem texto).
  • Avaliações orais cronometradas sem canal visual equivalente.

Em prevalência nacional de deficiência na educação médica, programas relatam acomodações clínicas e didáticas como parte do apoio institucional (Meeks et al., 2020). Em amostra nacional de estudantes de medicina, estudantes com deficiência sensorial ou motora pediram acomodações com frequência relevante; entre as categorias motoras e sensoriais, surdez ou deficiência auditiva aparece como grupo presente e mensurável (Meeks et al., 2022). A mensagem para gestores: o tema já está na turma; a pergunta é se o desenho da aula o reconhece.

Boas práticas de aula acessível ao canal auditivo limitado: repetir perguntas da plateia antes de responder; enfrentar quem precisa de leitura labial; oferecer legenda e slides com antecedência; gravar com legenda; reservar lugar com visão do rosto e da tela; usar um canal de chat escrito para dúvidas. Nada disso baixa o nível clínico. Só remove atrito que não mede conhecimento. Há paralelo com acessibilidade cognitiva em jogos de diagnóstico: clareza e canais múltiplos ajudam quem tem barreira sensorial e também quem está cansado ou em segundo idioma.

Beira-leito, plantão e comunicação com a equipe

No leito, a conversa é rápida, lateral e cheia de ruído. O preceptor murmura o achado; o paciente fala baixo; o monitor alarma; a cortina abafa. Ensino à beira do leito já é exigente para qualquer estudante (ensino à beira do leito). Com canal auditivo limitado, a exclusão acontece em segundos: a hipótese foi dita uma vez, de lado, e o grupo seguiu.

Relatos de rotação em emergência com estudante surdo mostram o que funciona quando há planejamento: intérpretes de saúde designados, materiais acessíveis com antecedência, legendagem de vídeos da plataforma, inclusão do intérprete em cada interação desde a orientação, e conversa prévia com a equipe sobre como comunicar em código e em consulta (Meeks et al., 2018). Telefone para consultoria, códigos só sonoros e ensino "de orelha" sem demonstração visual são barreiras típicas desse ambiente.

No centro cirúrgico, máscaras e ruído de aspirador cortam leitura labial. Relatos de acomodação em anestesia e em cirurgia descrevem microfones remotos que enviam áudio ao dispositivo auditivo, redução de ruído de fundo quando possível, e educação proativa da equipe pelo próprio aprendiz (caso de residente cirúrgico surdo, 2025). O protocolo visual (gesto de "pausa", quadro branco, mensagem no sistema) deixa de ser "extra" e vira infraestrutura de segurança e de ensino.

Comunicação com pacientes e colegas também muda. Teach-back (pedir que a outra pessoa repita o plano) reduz erro quando a mensagem chegou pela metade. Notas escritas curtas, confirmação visual de alarmes e preferência por salas mais quietas são ajustes de baixo custo. O post sobre comunicar a incerteza diagnóstica e o de medicina narrativa lembram que ouvir a história não é só orelha: é atenção, tempo e registro. Para o aprendiz surdo, "ouvir" pode ser ler, ver e confirmar.

Práticas de plantão e equipe:

  • Combinar canal preferido antes do plantão (texto, interpretação, posição na sala).
  • Evitar dar informação crítica só por voz enquanto se caminha.
  • Repetir alarmes sonoros com sinal visual no monitor ou pulseira vibratória quando disponível.
  • Incluir o intérprete no círculo, não atrás do grupo.
  • Documentar no plano de adaptação o que já funcionou em rodízios anteriores.
Profissional de saúde examina o canal auditivo de colega com otoscópio em consultório
O exame do ouvido é concreto; a acessibilidade na formação também precisa ser concreta: canal visual, texto e posição, não só boa intenção. Crédito: U.S. Air Force / Senior Airman Christopher Toon, Domínio público (obra do governo federal dos EUA), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Ausculta e alternativas

Ausculta é o ponto em que muitos padrões técnicos ainda falam como se o único caminho fosse o tubo clássico no ouvido. Evidência de campo aponta o contrário: estetoscópios amplificados e digitais, com fone circumaural ou transmissão ao aparelho ou ao implante, permitem a estudantes com perda auditiva adquirir a habilidade de interpretar sons cardíacos e pulmonares (Belingheri et al., 2025). Em dois relatos italianos, um estudante com aparelhos usou estetoscópio eletrônico visual com amplificação e fones que envolviam as orelhas; outro, com implantes cocleares, usou estetoscópio digital com transmissão sem fio. Ambos cumpriram as competências exigidas no estágio.

A Associação de Profissionais Médicos com Perdas Auditivas (AMPHL) reúne comparação prática de dispositivos e alertas de compatibilidade: "Bluetooth" não é um único padrão; o encaixe depende do aparelho, do streamer e da faixa de frequências residuais (AMPHL, comparison table). A lição para preceptores: não improvise "tire o aparelho e use o estetoscópio da enfermaria". Planeje o dispositivo com o estudante e, quando couber, com a audiologia, antes do rodízio de cardiologia ou de clínica.

Alternativas e complementos à ausculta tradicional:

  • Estetoscópio amplificado com saída para fone ou para o aparelho auditivo.
  • Estetoscópio digital com visualização de forma de onda quando disponível.
  • Ultrassom à beira do leito como apoio visual à avaliação cardíaca e pulmonar, quando o currículo já o ensina.
  • Gravações legendadas e espectros para treino prévio em laboratório de habilidades.
  • Checagem cruzada com colega e teach-back do achado (sem transferir a responsabilidade clínica ao intérprete).

O padrão funcional de Argenyi cabe aqui: o essencial é interpretar o significado clínico do achado, não provar audição "natural". Ultrassom e traçado não substituem julgamento; abrem outro caminho sensorial para o mesmo julgamento. Quem avalia o estudante deve olhar a qualidade da hipótese e da conduta, não o modelo do tubo.

Estetoscópio preto aberto sobre fundo branco
O estetoscópio clássico não é o único caminho para avaliar sons do corpo. Modelos amplificados e digitais entram como adaptação, não como atalho de competência. Crédito: Sprinno, CC0 1.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Simulação, estações práticas e avaliação

Simulação e estações práticas (incluindo formatos tipo OSCE) misturam fala, ruído, manequim e tempo. Sem desenho inclusivo, a estação mede audição sob estresse, não só raciocínio e habilidade. Ajustes razoáveis: legenda no áudio do manequim; intérprete posicionado no campo de visão sem bloquear o examinador; tempo adicional quando a modalidade de comunicação exige turnos extras; instruções escritas espelhando o que foi dito; máscaras com janela transparente quando a leitura labial for o canal do estudante.

Programas que treinam estudantes ouvintes a cuidar de pacientes surdos, surdocegos e com deficiência auditiva usam aula interativa e simulação com pacientes da comunidade e intérpretes de diferentes tipos; após a sessão, confiança e conhecimento sobre cuidado equitativo sobem de forma relevante no relato dos autores (treinamento com simulação, 2025). O espelho para este post: se a escola já simula o cuidado ao paciente surdo, também pode simular o ensino ao estudante surdo, com os mesmos princípios de canal múltiplo.

Em trajetória acadêmica, estudantes com deficiência física ou sensorial, em coortes multicêntricas, mostraram tempos de formatura e progressão comparáveis aos controles quando o apoio está em vigor (Meeks et al., 2021). Isso não apaga barreiras individuais; mostra que deficiência auditiva não é, por si, predicado de fracasso curricular. Avaliação justa separa competência clínica de formato sensorial da tarefa.

Checklist rápido para quem monta estação prática:

  • O áudio crítico tem equivalente em texto ou legenda?
  • O estudante sabe com antecedência qual adaptação está autorizada?
  • O examinador foi briefado para não falar de costas nem sobrepor falas?
  • O critério de nota fala em conduta e raciocínio, não em "ouviu o sopro sem auxílio"?
  • Há plano B se o microfone remoto ou a legenda falhar no dia?

Feedback depois da estação deve ser explícito, como em qualquer caso clínico: nomear o critério, não só certo ou errado. O post sobre feedback útil em casos clínicos vale igual aqui. Para o estudante surdo, feedback só oral e rápido no corredor é barreira; deixe também um parágrafo escrito.

Estojo aberto com oftalmoscópio e otoscópio de exame clínico sobre fundo neutro
Instrumentos de exame lado a lado lembram que a clínica já combina visão e audição. A formação acessível combina canais do mesmo modo. Crédito: Jmh649, Domínio público (declaração do autor), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Adaptações pedagógicas e tecnológicas

A tabela abaixo resume barreiras frequentes e respostas de desenho. Use-a em reunião de acessibilidade, no plano de rodízio e na revisão de estações.

ContextoBarreiraResposta de desenho
Aula teóricaFala rápida, sem legendaLegenda revisada; slides antes; microfone
Tutorial em grupoVozes sobrepostasUm falante por vez; chat escrito
Beira-leitoPreceptor de costas; ruídoPosição face a face; resumo escrito do achado
AuscultaTubo clássico incompatívelEstetoscópio amplificado ou digital planejado
Centro cirúrgicoMáscara e ruídoMicrofone remoto; gestos combinados; máscara com janela
PlantãoAlarme só sonoro; telefoneAlerta visual ou vibratório; texto para consultoria
Simulação / OSCEÁudio sem equivalenteLegenda; tempo extra de turno; critério funcional
Estudo digitalCaso só em áudio ou vídeo sem textoPistas em texto; legenda; ritmo próprio

Interpretação em língua de sinais (por exemplo ASL em contextos de língua inglesa, ou a língua local de sinais) entra como um dos canais, não como o único. Transcrição em tempo real (CART e equivalentes) cobre quem não usa sinais. Sistemas FM ou microfones remotos ajudam quem tem residual auditivo. A escolha é individual e documentada. A Associação AMPHL e os serviços de acessibilidade da escola são o lugar para calibrar o pacote, não o corredor cinco minutos antes da visita.

O que a adaptação não faz: transferir o raciocínio clínico para o intérprete. O intérprete traduz; o estudante decide. Padrões técnicos inclusivos deixam isso explícito. Quem ensina raciocínio diferencial com pistas (diagnóstico diferencial com pistas) já sabe que o valor está em pesar achados; o canal pelo qual o achado chega (texto, sinal, áudio amplificado) é meio, não fim.

Raciocínio clínico com canal auditivo limitado

Raciocínio clínico é integração de achados, hipóteses e calibração de incerteza. O canal sensorial muda a porta de entrada, não a lógica. Quando a fala da equipe chega pela metade, o risco é fechar hipótese cedo demais com dados incompletos, ou ficar em silêncio e ser lido como desengajamento. A resposta pedagógica é tornar o fluxo de informação explícito: o que já foi dito, o que falta, qual a hipótese líder.

Em casos digitais e jogos de diagnóstico, o desenho textual e visual reduz dependência do áudio da interface. Pistas escritas, ícones nomeados e feedback em texto alinham-se a quem não ouve o bip de acerto. Isso conversa com aprendizagem baseada em casos clínicos e com o hábito de treinar diferencial em etapas. Até seis pistas progressivas dão ritmo sem inundar. Casos fictícios com apresentação clínica real mantêm a fidelidade do quadro sem expor pessoas.

Metacognição ajuda: depois do encontro, anotar "o que eu perdi por canal?" versus "o que eu errei por conhecimento?". O post sobre metacognição na Medicina aprofunda o hábito. Do ângulo de acessibilidade auditiva, a primeira pergunta evita culpar o estudante por barreira de formato.

Preceptores podem ensinar o mesmo raciocínio com protocolo visual:

  • Escrever no quadro ou no prontuário a lista diferencial em aberto.
  • Pedir hipótese intermediária antes do próximo achado.
  • Usar teach-back em texto ("escreva em uma linha o plano").
  • Separar demonstração (gesto, imagem) de narração rápida.
  • Garantir que alarmes e valores críticos tenham forma visível.

Nada disso é "abaixar a barra". É medir a barra certa. Estudos de inclusão em emergência e em cirurgia mostram desempenho adequado quando o ambiente deixa de ser hostil ao canal do estudante. A competência clínica permanece a meta; a orelha deixa de ser o único instrumento de admissão à conversa.

Em jogos e plataformas de estudo, o mesmo princípio vale: se o feedback for só um som de acerto, quem não ouve perde a confirmação. Ícone, cor nomeada e texto curto fecham o ciclo sem depender do alto-falante. Isso antecipa temas da pauta de acessibilidade sobre feedback multimodal e fluxo com leitor de tela, sem repetir aqueles ângulos aqui.

Como o NEXO entra

No NEXO, o fluxo do caso do dia apresenta casos fictícios com apresentação clínica real e até seis pistas progressivas em formato legível. Para quem tem canal auditivo limitado, pistas em texto e visão importam: o ensaio de hipótese não depende de narração falada da interface. O ritmo diário favorece sessões curtas, úteis quando a energia já foi gasta em leitura labial e em ruído de plantão.

Recursos do ecossistema ligados ao estudo: NEXO Researcher para aprofundar temas; NEXO Closer quando o foco é fechar lacunas; limites de uso em economia. A página de acessibilidade reúne orientações gerais da plataforma. O texto o que é o NEXO situa o jogo no mapa de ensino clínico.

Como usar o caso do dia com olhar de acessibilidade auditiva (sem promessa de resultado):

  • Leia cada pista em silêncio ou com leitor que você já calibrou; anote a hipótese antes da próxima pista.
  • Se estudar em grupo, combine um minuto de leitura individual antes da discussão oral, para quem lê lábios ou depende de texto.
  • Na explicação, marque um termo novo por vez; peça a versão escrita do feedback se a conversa do grupo for só falada.
  • Use o caso como ensaio de diferencial com informação incompleta, não como prova de audição clínica.
  • Se o mal-estar ou a exclusão na rotação forem intensos, pause e busque a ajuda necessária.

Comparações honestas: o NEXO organiza pistas e feedback em fluxo textual único; rodízios ruidosos e vídeos sem legenda pedem mais do canal auditivo. A escolha do dia depende do objetivo. Para treinar hipótese com poucas pistas legíveis, o formato enxuto cabe. Para treinar ausculta com dispositivo adaptado, o laboratório de habilidades é o lugar. O princípio compartilhado: meça raciocínio e conduta, não a tolerância ao ruído da sala.

Quem cria casos para turmas pode aplicar a mesma lógica fora da plataforma: vinheta em texto claro, pistas numeradas, pedido explícito de hipótese, devolutiva escrita. O NEXO ilustra um caminho; o padrão de canal múltiplo vale para qualquer caso jogável e para qualquer visita bem desenhada.

Antes de uma aula, rodízio ou caso digital, passe por esta lista:

  • Há legenda ou transcrição para o áudio crítico?
  • A posição na sala permite ver rostos e tela?
  • Estetoscópio ou equivalente adaptado foi planejado com antecedência?
  • Alarmes e valores críticos têm forma visual?
  • O critério de avaliação é funcional, não orgânico?
  • O feedback também existe em texto?
  • A equipe foi briefada sobre o canal do estudante?
  • Há plano se a tecnologia falhar no dia?

Se algum item falhar, corrija o desenho antes de atribuir o erro ao estudante. Depois, treine com um caso completo no fluxo real.

Jogue o caso do dia.

Perguntas frequentes

Surdez e deficiência auditiva são a mesma coisa?

Não necessariamente. Há quem se identifique como surdo (muitas vezes com língua de sinais e cultura surda) e quem se descreva como pessoa com deficiência auditiva. Pergunte a preferência de cada pessoa e documente o canal de comunicação que funciona.

Adaptação na ausculta "não conta" como exame físico?

Conta, se o estudante interpreta o achado e decide. Padrões técnicos funcionais pedem a competência, não o órgão. Estetoscópios amplificados e digitais são adaptações descritas na literatura de formação.

O intérprete pode explicar o caso pelo estudante?

Não. O intérprete traduz. A hipótese e a conduta são do estudante. Deixe isso claro para a equipe e para o próprio aprendiz.

Legenda automática resolve aula de Medicina?

Raramente sozinha. Jargão, nomes de fármacos e siglas quebram a legenda automática. Prefira legenda revisada ou transcrição profissional quando o conteúdo for avaliativo.

Isso só importa em países com uma lei específica?

Não. O princípio de canal múltiplo e de padrão funcional vale em qualquer escola que forme médicos. Leis locais mudam o enquadramento jurídico; a pedagogia inclusiva muda a aula.

Como o NEXO se encaixa sem virar promessa de resultado?

Como ambiente de ensaio com pistas em texto e visão, casos fictícios com apresentação clínica real e até seis pistas. Use-o para praticar o hábito de hipótese; não como prova de competência nem como tratamento.

Referências

  1. Moreland CJ, et al. Deafness among physicians and trainees: a national survey. Acad Med. 2013. PMID 23269300.
  2. Meeks LM, et al. Deaf and Hard-of-Hearing Learners in Emergency Medicine. West J Emerg Med. 2018. PMID 30429935.
  3. Argenyi M. Technical Standards and Deaf and Hard of Hearing Medical School Applicants and Students: Interrogating Sensory Capacity and Practice Capacity. AMA J Ethics. 2016. PMID 27780030.
  4. Meeks LM, et al. National Prevalence of Disability and Clinical Accommodations in Medical Education. JAMA Netw Open. 2020. PMID 33178890.
  5. Meeks LM, et al. The Performance and Trajectory of Medical Students With Disabilities: Results From a Multisite, Multicohort Study. Acad Med. 2021. PMID 34817411.
  6. Meeks LM, et al. Assessment of Accommodation Requests Reported by a National Sample of US MD Students by Category of Disability. JAMA. 2022. PMID 35951317.
  7. Belingheri M, et al. Inclusion in medical training: accommodations for hearing loss. Occup Med (Lond). 2025. PMID 39603268.
  8. Martin AI, et al. Barriers in the medical curriculum for learners with hearing loss: a case study. Acad Med. 2025. PMID 40550140.
  9. Merrill K, Meiklejohn DA. Inclusion in Surgery: Case Study of a Deaf Surgical Resident in Otolaryngology. Acad Med. 2025. PMID 40550120.
  10. Zhou SY, et al. Training Medical Students in Deaf, DeafBlind, and Hard-of-Hearing Patient Care Through Interactive Lecture and Simulation. MedEdPORTAL. 2025. PMID 41446566.
  11. World Health Organization. World report on hearing. 2021. https://www.who.int/publications/i/item/9789240020481
  12. Association of Medical Professionals with Hearing Losses (AMPHL). Stethoscope comparison. https://www.amphl.org/comparison-table
  13. Meeks LM, et al. Accommodating Deaf and Hard of Hearing Students in Operating Room Environments: A Case Study. J Postsecondary Educ Disabil. 2015. ERIC EJ1083809.
  14. AMPHL. Stethoscope FAQ. https://www.amphl.org/stethoscope-faq

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