Repetição espaçada na Medicina: guia prático com Anki

Num estudo com mais de 1.350 pessoas, o melhor intervalo entre o estudo e a revisão cresceu à medida que a prova ficava mais distante (Cepeda et al., 2008). Mas, como fração do prazo até a prova, ele encolheu: de cerca de 20 a 40% para uma prova em 1 semana para cerca de 5 a 10% para uma prova em 1 ano (Cepeda et al., 2008). Em outras palavras, o momento da revisão importa, e o que é bom para a prova da semana que vem é diferente do que é bom para lembrar no internato.
O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.
Este texto é um guia prático de repetição espaçada para quem estuda Medicina com o Anki: o que é espaçar, o que os estudos na educação médica mostram e o que eles ainda não mostram, como escrever cards bons, como controlar o volume de revisões e como levar os casos do NEXO para o Anki. O princípio geral de revisar em intervalos aparece no texto sobre como encaixar jogos na rotina, e o efeito de se testar, que é a outra metade da repetição espaçada, está no texto sobre revisar jogando.
Principais pontos
- Espaçar a revisão ajuda a reter, e o intervalo ideal depende de quando você precisa lembrar.
- Na educação médica, questões e casos espaçados melhoraram a retenção em ensaios randomizados.
- Os estudos sobre o Anki são observacionais: há associações com notas maiores e também um estudo recente sem associação.
- Cards bons pedem que você produza a resposta, cobram uma ideia por vez e nascem dos seus erros.
- O volume de revisões cresce com os cards novos; ajuste os cards novos ao que você consegue revisar.
- No NEXO, o caso é o teste, e o botão do Anki leva o que você errou para a sua revisão espaçada.
Sumário
- Espaçamento
- Evidência na educação médica
- Como o Anki agenda as revisões
- Cards bons
- Volume
- O botão do Anki no NEXO
- Uma rotina com Anki
- Perguntas frequentes
- Checklist da repetição espaçada
Espaçamento
Repetição espaçada é voltar ao mesmo conteúdo em sessões separadas no tempo, em vez de concentrar todas as repetições de uma vez. No Anki e em ferramentas parecidas, cada volta é um pequeno teste: você vê a pergunta, tenta lembrar e só depois confere.
Um termo com muitos sentidos
Na educação em saúde, "aprendizagem espaçada" quer dizer coisas bem diferentes. Uma revisão de escopo incluiu 120 artigos sobre o tema e concluiu que o termo é definido pouco e mal na literatura da área (Versteeg et al., 2020). Os formatos iam de distribuir o conteúdo ao longo de um único dia até intervalos de vários meses (Versteeg et al., 2020). Na maioria dos casos, o espaçamento foi aplicado nas fases de prática ou de teste, e raramente durante o ensino (Versteeg et al., 2020).
Por isso, quando um estudo diz que "o espaçamento funcionou", vale perguntar: espaçou o quê, com que intervalo e até quando? A resposta muda o que dá para levar para a sua rotina.
Quanto esperar entre uma revisão e outra
A meta-análise clássica sobre prática distribuída, já resumida no texto sobre rotina de estudo, mostrou que o intervalo entre as sessões e o tempo até a prova agem juntos sobre a retenção. O estudo de 2008 mediu isso em escala maior: as pessoas aprenderam um conjunto de fatos, fizeram uma revisão depois de um intervalo de até 3,5 meses e uma prova final depois de até 1 ano (Cepeda et al., 2008).
Para qualquer prazo de prova, aumentar o intervalo até a revisão primeiro melhorou e depois foi piorando aos poucos o resultado final (Cepeda et al., 2008). Ou seja, há um ponto bom: revisar cedo demais rende pouco, e esperar demais também. Os autores concluem que a interação entre intervalo e prazo da prova torna muitas práticas educacionais muito ineficientes (Cepeda et al., 2008).
Esse é um estudo com fatos simples, fora da Medicina. Ele serve para entender o princípio, e não para tirar dele um calendário exato de revisões.
Prova da semana ou conhecimento para o internato
O mesmo estudo ajuda a pensar em dois objetivos diferentes. Para uma prova próxima, o intervalo ótimo foi uma fração maior do prazo; para lembrar depois de 1 ano, o intervalo ótimo foi maior em dias, mas uma fração menor do prazo (Cepeda et al., 2008). Na Medicina, muita coisa estudada no ciclo básico volta no ciclo clínico, no internato e na prova de residência.
O agendador do Anki trata disso automaticamente: cards que você acerta voltam em intervalos cada vez maiores, e os que você erra voltam logo (manual do Anki). O que cabe a você é manter os cards importantes no baralho depois da prova, em vez de apagá-los assim que ela passa.
Espaçar e testar andam juntos
Uma revisão aplicada à educação médica conclui que os testes devem ser frequentes e espaçados no tempo para melhorar a retenção (Larsen et al., 2008). Uma revisão escrita para estudantes de Medicina reúne três métodos que se somam: o efeito do teste, a evocação ativa e a repetição espaçada (Augustin, 2014). Na prática, um card do Anki junta as três coisas: é um teste, pede que você busque a resposta na memória e volta em intervalos.

Evidência na educação médica
Os melhores dados sobre repetição espaçada em Medicina vêm de ensaios com questões e casos enviados em intervalos. Os estudos sobre o Anki em si são outra coisa: medem o uso que os estudantes já fazem e procuram associação com notas.
Questões e casos espaçados
Num ensaio randomizado com estudantes do terceiro ano, cada um recebeu, depois do estágio de urologia, casos e questões semanais por e-mail sobre só 2 dos 4 temas do estágio (Kerfoot et al., 2007). Dos 133 estudantes, 95 fizeram a prova do fim do ano (Kerfoot et al., 2007). O efeito foi maior em quem tinha feito o estágio havia mais tempo: tamanho de efeito de 1,01 para 6 a 8 meses e de 0,73 para 9 a 11 meses (Kerfoot et al., 2007).
Eram questões de múltipla escolha por e-mail, com resposta e explicação, e não cards do Anki (Kerfoot et al., 2007). Os autores concluem que casos e questões distribuídos toda semana podem melhorar bastante a retenção do conhecimento médico (Kerfoot et al., 2007). A ideia geral desse ensaio também aparece no texto sobre rotina de estudo.
Com residentes, e com transferência
Com residentes de urologia, um ensaio comparou uma questão diária por e-mail, com imagem de histopatologia e retorno imediato, com módulos em bloco de mesmo conteúdo (Kerfoot et al., 2010). Cada ciclo de educação espaçada durava 4 semanas e tinha 20 questões com imagens diferentes, repetido 3 vezes (Kerfoot et al., 2010). Os resultados de retenção e de adesão estão no texto sobre como estudar no internato.
Dois pontos do mesmo ensaio interessam a quem monta cards. Os autores relatam que a educação espaçada multiplicou por 4 a eficiência do aprendizado a longo prazo (Kerfoot et al., 2010). E concluem que ela gerou transferência da habilidade de diagnóstico histopatológico, além de melhorar a retenção (Kerfoot et al., 2010).
O que os estudos sobre o Anki medem
Num estudo com 72 estudantes de uma escola dos Estados Unidos, todos relataram fazer questões no estilo da prova, com média de 3.870 questões, e 31% usavam o Anki (Deng et al., 2015). O número de cards únicos do Anki vistos e o número de questões feitas foram preditores independentes da nota do exame de licenciamento (Deng et al., 2015). Já o número de cards vistos num banco comercial de cards prontos não previu a nota (Deng et al., 2015). O tamanho dessa associação está no texto sobre tipos de jogos para estudantes de Medicina.
Num questionário em outra escola, o uso do Anki foi associado a notas maiores no mesmo exame, e, entre os usuários, o uso mais constante se associou a notas maiores e a mais sensação de retenção (Lu et al., 2021). Os autores concluem que o Anki é eficaz, mas o desenho, um questionário com autorrelato, mostra associação, e não causa.
Um estudo recente sem associação
Num estudo transversal com 176 estudantes do primeiro ano de uma escola dos Estados Unidos, 82% usavam o Anki e 51% o tinham como método principal (Spence et al., 2026). Ali, o uso do Anki não se associou a melhor desempenho nas provas internas (Spence et al., 2026). Os autores concluem que o sucesso no início do curso parece mais ligado ao bem-estar e a hábitos de estudo focados do que a uma ferramenta específica (Spence et al., 2026). O texto completo está sob embargo; as informações aqui vêm do resumo.
Uma revisão narrativa recente sobre o Anki na educação médica aponta a principal limitação dessa literatura: amostras pequenas e dados autorrelatados (Mohamed et al., 2025). Os autores pedem estudos maiores e prospectivos sobre retenção a longo prazo e desempenho (Mohamed et al., 2025).
Como ler esses resultados
| Estudo | Desenho | O que encontrou |
|---|---|---|
| Kerfoot et al., 2007 | Ensaio randomizado, estudantes do terceiro ano | Questões espaçadas melhoraram a retenção no fim do ano (Kerfoot et al., 2007) |
| Kerfoot et al., 2010 | Ensaio randomizado, residentes | Questão diária espaçada superou módulos em bloco (Kerfoot et al., 2010) |
| Deng et al., 2015 | Observacional, uma escola | Cards únicos do Anki e questões associados à nota (Deng et al., 2015) |
| Lu et al., 2021 | Questionário, uma escola | Uso e constância no Anki associados à nota (Lu et al., 2021) |
| Spence et al., 2026 | Transversal, uma escola, provas internas | Uso do Anki sem associação com desempenho (Spence et al., 2026) |
A leitura honesta é esta: o princípio de testar em intervalos tem apoio experimental, inclusive na educação médica. O Anki é uma forma de aplicar esse princípio, e os estudos sobre ele mostram associações, com amostras pequenas e dados autorrelatados (Mohamed et al., 2025). Se você pesquisa esse tipo de pergunta, o NEXO Researcher é o programa para propor estudos com o NEXO.
Como o Anki agenda as revisões
O Anki é um programa de cards com repetição espaçada, mantido por terceiros. Esta seção descreve o funcionamento pelo manual oficial, para você entender o que acontece quando aperta cada botão.
Os quatro botões
Depois de ver a resposta, você escolhe entre De novo (Again), Difícil (Hard), Bom (Good) e Fácil (Easy) (manual do Anki). O manual pede rigor: se a resposta parcialmente certa contaria como erro fora do Anki, ela é um erro também no Anki, e vale De novo (manual do Anki). Difícil é para a resposta certa com dúvida ou demora; Bom, para a resposta certa com algum esforço; Fácil, para a resposta certa sem esforço (manual do Anki).
O manual descreve como típico usar De novo em cerca de 5 a 20% das vezes e Bom em cerca de 80 a 95% (manual do Anki). Quem achar difícil usar quatro botões pode usar só De novo e Bom (manual do Anki).
Dez segundos para lembrar
Segundo o manual, tudo bem levar um tempo para lembrar, mas, como regra geral, se você não consegue responder em cerca de 10 segundos, é melhor mostrar a resposta e seguir (manual do Anki). Isso conversa com o que se sabe sobre o teste: o retorno depois de tentar lembrar é crucial para aprender (Larsen et al., 2008).
Retenção desejada
No agendador FSRS do Anki, a retenção desejada é a proporção de cards que você deve lembrar quando eles voltam; o padrão é 90% (manual do Anki). Retenção mais alta gera intervalos mais curtos e mais revisões por dia, e o manual alerta que, acima de 90%, a carga sobe muito rápido (manual do Anki).
O manual também avisa sobre um hábito que atrapalha o agendamento: apertar Difícil quando você esqueceu (manual do Anki). Difícil conta como acerto, e, se usado quando você esqueceu, deixa os intervalos longos demais (manual do Anki). Quando esquecer, use De novo.
Quando você atrasa
Se as revisões acumulam, o Anki prioriza, por padrão, os cards que estão esperando há mais tempo, e leva o atraso em conta ao calcular o próximo intervalo (manual do Anki). Assim, depois de uma pausa, você retoma de onde parou, sem precisar recomeçar do zero.
Cards bons
Um card bom é um teste bom. As sugestões abaixo seguem os princípios dos estudos e do manual, e as que são escolha editorial aparecem como sugestão prática.
Pergunte, não mostre
Testes que exigem lembrar com esforço, como os de resposta curta, rendem mais retenção do que os de reconhecimento (Larsen et al., 2008). Para o card, isso significa uma frente que faz uma pergunta, e não uma frente que já traz a resposta escondida no texto. Os formatos de teste que rendem mais estão no texto sobre revisar jogando.
Uma ideia por card
Como sugestão prática, cada card deve cobrar uma coisa só. Um card que pede "tudo sobre a doença" mistura várias respostas, e você acaba apertando Bom porque lembrou de parte delas. O manual sugere tornar os cards mais simples se você passa sistematicamente de 60 segundos por card (manual do Anki).
| Em vez de | Experimente |
|---|---|
| Frente: o nome da doença; verso: um parágrafo inteiro | Frente: qual exame confirma a doença?; verso: o exame |
| Frente: um texto com a resposta destacada | Frente: uma pergunta; verso: a resposta curta |
| Frente: "causas da doença?"; verso: uma lista longa | Um card por causa, cada um com a pista que leva a ela |
| Card copiado de um resumo que você não estudou | Card escrito depois de errar num caso ou numa questão |
Cards que nascem dos seus erros
No estudo com 72 estudantes, o que se associou à nota foi o número de cards únicos do Anki vistos; o de cards vistos num banco comercial de cards prontos, não (Deng et al., 2015). O estudo não explica por quê, e não dá para afirmar que escrever os próprios cards foi a causa. Como sugestão prática, o ponto de partida mais útil para um card é o que você acabou de errar: o erro mostra a lacuna, e o card leva essa lacuna para a revisão espaçada.
A sensação de saber engana
Num ensaio com cards eletrônicos de Nefrologia, as previsões dos estudantes sobre o próprio desempenho não se correlacionaram com o desempenho real (Schmidmaier et al., 2011). No mesmo ensaio, depois de 6 meses a lembrança geral foi baixa, e retestar e reestudar empataram (Schmidmaier et al., 2011). O resultado de curto prazo está no texto sobre tipos de jogos. Para a sua rotina, a lição é dupla: confie mais no teste do que na impressão de que já sabe, e volte ao card ao longo dos meses.
Cards que você sempre erra
O Anki chama de leech o card que você esquece repetidamente; por padrão, quando um card falha 8 vezes em revisão, o Anki marca a nota e suspende o card (manual do Anki). O manual sugere três saídas: reescrever o card, porque talvez ele tenha informação demais ou você esteja tentando decorar algo que não entendeu; apagá-lo, se o conteúdo não vale o tempo; ou esperar, quando a confusão vem de dois conteúdos parecidos aprendidos juntos (manual do Anki).
Na Medicina, essa última situação é comum: duas doenças com nomes ou quadros parecidos, dois fármacos da mesma classe. Como sugestão prática, quando dois cards se confundem, volte ao livro ou ao caso para entender o que separa os dois, e crie um card que pergunte justamente essa diferença. Revisar exemplos parecidos misturados, em vez de em blocos, é o tema da seção sobre misturar temas parecidos no texto de rotina.
Imagem no card
Para conteúdos visuais, como lâminas, exames de imagem e sinais clínicos, como sugestão prática, coloque a imagem na frente e a pergunta sobre ela, e deixe a resposta no verso. Assim o card treina reconhecer o achado, e não só o nome dele.

Volume
Não existe um número de cards por dia com boa evidência para estudantes de Medicina. O que existe são duas coisas úteis: o funcionamento do agendamento, que explica de onde vem a carga, e alguns estudos sobre horas e métodos de estudo.
De onde vem a carga de revisões
Cards novos geram revisões nos dias seguintes. O manual dá um exemplo: quem aprende 20 cards novos por dia, de forma constante, pode esperar algo como 200 revisões por dia (manual do Anki). O mesmo manual relata usuários que estudaram centenas de cards novos nos primeiros dias e depois ficaram sobrecarregados com as revisões (manual do Anki). O exemplo serve para entender a proporção, e não como meta.
O Anki tem limites de cards novos por dia e de revisões por dia (manual do Anki). Quando há revisões atrasadas acumuladas, o manual recomenda parar de introduzir cards novos até pôr a fila em dia (manual do Anki). O simulador do Anki permite estimar a carga em revisões ou minutos por dia para diferentes configurações (manual do Anki).
Mais horas e mais métodos
No estudo transversal com estudantes do primeiro ano, as horas de estudo não se correlacionaram com os resultados, e quem usava três ou mais métodos de estudo teve notas menores nas provas escritas do que quem usava dois ou menos (Spence et al., 2026). No mesmo estudo, mais bem-estar autorrelatado e sono de pelo menos 7 horas se associaram a melhor desempenho nas provas escritas (Spence et al., 2026). São associações de um estudo de uma escola, e não regras, mas elas lembram que mais volume nem sempre quer dizer mais aprendizado.
Como ajustar o seu volume
Como sugestão prática:
- Comece pelo que você consegue revisar, e não pelo que gostaria de aprender. A carga de amanhã depende dos cards novos de hoje.
- Priorize as revisões sobre os cards novos quando a fila crescer.
- Corte cards que não servem mais, como os de uma matéria cuja prova já passou e que você não vai precisar de novo.
- Use o simulador do Anki antes de mudar a retenção desejada ou o limite de cards novos.
- Observe o seu sono e o seu cansaço: se o Anki está tomando o lugar do descanso, vale reduzir os cards novos.
O botão do Anki no NEXO
No NEXO, cada caso é um teste curto: até seis pistas, uma de cada vez, e um palpite com resposta livre, buscando o diagnóstico na CID-10. A cada palpite, a proximidade aparece em cinco níveis, e a explicação no fim do caso mostra o que faltou. É nesse momento, logo depois do erro, que o card ganha sentido.
O botão do Anki cria o card direto do NEXO e abre no app do Anki, busca os cards que você já tem e, quando o caso tem imagem, leva a imagem para o card. Assim, o caso de hoje entra na sua repetição espaçada, e o Anki cuida dos intervalos.
Diário, Arquivo e regularidade
O Diário traz um caso por dia, o mesmo para todo mundo, e renova à meia-noite: um teste novo todos os dias, ao lado das revisões do Anki. O Arquivo reúne os casos diários anteriores e ajuda a revisar uma área antes da prova. A sequência registra os dias em que você jogou, e as conquistas marcam o caminho. Para entender os limites de cada modo, veja a página de economia do NEXO.
Do caso ao card, passo a passo
Como sugestão prática:
- Jogue o caso e anote a pista em que mudou de ideia.
- Leia a explicação do fim do caso.
- Crie o card com o botão do Anki, com uma pergunta sobre o ponto que faltou.
- Deixe o Anki agendar as revisões e responda com rigor.
- Volte a casos da mesma área no Arquivo dias depois.
Para pesquisar, levar à turma e criar
Se você pesquisa aprendizagem e quer propor estudos sobre revisão e memória com o NEXO, conheça o NEXO Researcher. Para levar o NEXO à faculdade, à liga ou à residência, há o NEXO Closer. Médicos que revisam os casos da sua especialidade participam pelo NEXO Curator, e quem cria conteúdo de saúde nas redes pode participar pelo NEXO Creators.
Uma rotina com Anki
A rotina abaixo é uma sugestão prática do Editorial, para ajustar à sua fase do curso e ao seu tempo.
| Momento | O que fazer |
|---|---|
| Todo dia, primeiro | Revisões do Anki que venceram |
| Todo dia, depois | Caso do Diário; crie cards só do que errou |
| Depois da aula | Cards novos sobre o que você estudou e testou |
| Uma vez por semana | Casos de uma área no Arquivo e questões no formato da prova |
| Antes da prova | Mais testes do tema e menos cards novos |
| Depois da prova | Revise o que errou e corte os cards que não servem mais |
Erros comuns
- Criar cards demais no começo: a carga de revisões dos dias seguintes cresce junto (manual do Anki).
- Apertar Difícil quando esqueceu: os intervalos ficam longos demais (manual do Anki).
- Cards que mostram em vez de perguntar: lembrar com esforço rende mais do que reconhecer (Larsen et al., 2008).
- Confiar na sensação de saber: ela pode não acompanhar o desempenho real (Schmidmaier et al., 2011).
- Ler um estudo de associação como prova de efeito: os estudos sobre o Anki são observacionais (Mohamed et al., 2025).
- Insistir num card que nunca fica: reescreva, apague ou adie, como sugere o manual (manual do Anki).
- Ficar só nos cards: questões e casos testam o mesmo conteúdo de outro ângulo.
Perguntas frequentes
O Anki funciona para Medicina?
O princípio que ele aplica, testar em intervalos, tem apoio em ensaios na educação médica (Kerfoot et al., 2007). Os estudos sobre o Anki em si são observacionais: alguns associaram o uso a notas maiores (Lu et al., 2021), e um estudo recente não encontrou associação com as provas internas (Spence et al., 2026).
Quantos cards novos por dia?
O número ideal ainda não tem boa evidência. Ajuste os cards novos à quantidade de revisões que você consegue fazer, lembrando que cada card novo gera revisões nos dias seguintes (manual do Anki).
Quanto tempo esperar entre as revisões?
Depende de quando você precisa lembrar: o intervalo ótimo cresce com o prazo até a prova (Cepeda et al., 2008). No Anki, o agendador calcula os intervalos a partir das suas respostas.
Cards ou questões?
Os dois. No estudo com 72 estudantes, o número de questões feitas e o número de cards únicos do Anki vistos foram preditores independentes da nota, cada um controlando o outro e outros fatores acadêmicos (Deng et al., 2015). São associações, e não efeito medido em ensaio. Como sugestão prática, use as questões para aplicar o conteúdo num enunciado e os cards para os fatos e conceitos que você precisa ter à mão.
Vale usar o Anki no internato?
Com pouco tempo, unidades curtas e espaçadas também renderam em residentes (Kerfoot et al., 2010). Como encaixar a revisão nos intervalos do estágio está no texto sobre como estudar no internato. Como sugestão prática, no internato, crie cards a partir dos pacientes e casos do dia, e reduza os cards novos de temas que não vão aparecer.
Baralho pronto ou cards próprios?
Os estudos não testaram isso diretamente. No estudo com 72 estudantes, os cards únicos do Anki se associaram à nota, e os de um banco comercial de cards prontos, não (Deng et al., 2015). Como sugestão prática, se usar um baralho pronto, acrescente cards dos seus erros.
Atrasei as revisões. Começo de novo?
Pode continuar de onde parou. O Anki prioriza os cards que esperam há mais tempo e leva o atraso em conta no próximo intervalo (manual do Anki). Pare os cards novos até pôr a fila em dia (manual do Anki).
Repetição espaçada serve só para fatos?
Os ensaios de educação espaçada usaram casos clínicos e questões, e não só fatos (Kerfoot et al., 2007). Para treinar o raciocínio com casos inteiros, combine os cards com casos e questões. Os casos espaçados com imagem dos residentes também foram além da retenção, segundo os autores, com transferência da habilidade de diagnóstico (Kerfoot et al., 2010).
Como o NEXO entra na repetição espaçada?
O caso do NEXO é o teste, e o botão do Anki leva o que você errou para os seus cards, com a imagem do caso quando houver. O Diário mantém um caso novo por dia, e o Arquivo permite voltar a uma área.
O que é o FSRS?
É um agendador do Anki que estima quanto você tende a esquecer e marca as revisões a partir de uma retenção desejada, com padrão de 90% (manual do Anki).
Checklist da repetição espaçada
- Seus cards fazem perguntas, e não mostram a resposta?
- Cada card cobra uma ideia só?
- Os cards nascem dos seus erros em casos e questões?
- Você responde com rigor, usando De novo quando esquece?
- A carga de revisões cabe no seu dia?
- Você para os cards novos quando a fila atrasa?
- Testa o mesmo conteúdo também em casos e questões?
- Volta aos temas ao longo dos meses, e não só antes da prova?
- Lê os estudos sobre o Anki como associações?
- Cuida do sono mesmo em semana de prova?
Referências
- Cepeda NJ, Vul E, Rohrer D, Wixted JT, Pashler H. Spacing effects in learning: a temporal ridgeline of optimal retention. Psychol Sci. 2008. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19076480/
- Versteeg M, Hendriks RA, Thomas A, Ommering BWC, Steendijk P. Conceptualising spaced learning in health professions education: A scoping review. Med Educ. 2020. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31860936/
- Larsen DP, Butler AC, Roediger HL 3rd. Test-enhanced learning in medical education. Med Educ. 2008. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18823514/
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- Lu M, Farhat JH, Beck Dallaghan GL. Enhanced Learning and Retention of Medical Knowledge Using the Mobile Flash card Application Anki. Med Sci Educ. 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34956708/
- Spence LE, Khoury SK, Gronewold A, Regan MP, Daly DT, Nebel C. Wellness and Work: Anki, Study Habits, and Exam Outcomes in First-Year Medical Students. Med Sci Educ. 2026. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41939075/
- Mohamed NSA, Alrafi MA, AlBani B, et al. Application of Anki Flashcards in Medical Education: A Narrative Review. Med Sci Educ. 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41798361/
- Schmidmaier R, Ebersbach R, Schiller M, et al. Using electronic flashcards to promote learning in medical students: retesting versus restudying. Med Educ. 2011. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21988625/
- Anki Manual. Leeches. https://docs.ankiweb.net/leeches.html
- Anki Manual. Studying. https://docs.ankiweb.net/studying.html
- Anki Manual. Deck Options. https://docs.ankiweb.net/deck-options.html