Raciocínio clínicoInternato e residência

AMC Clinical Exam: como a prova cobra raciocínio clínico

Tambor de esterilização de aço inoxidável, com tampa de alça curva e presilhas laterais, sobre superfície branca diante de parede clara
Sumário
  1. O que é o AMC Clinical Exam
  2. Como a prova funciona
  3. As quatro áreas das estações
  4. Como o raciocínio clínico aparece nas estações
  5. Como a estação é pontuada
  6. O que os estudos dizem sobre exames clínicos estruturados
  7. Como treinar o raciocínio para o AMC Clinical Exam
  8. Como o NEXO ajuda a treinar o raciocínio do AMC
  9. Perguntas frequentes
  10. Referências

Uma campainha toca no corredor do centro de exames. O candidato para diante de uma porta fechada e lê, num papel preso à parede, a instrução da estação: uma mulher de 46 anos procura o clínico geral porque se sente cansada há três meses. A tarefa é colher a história e, no fim, dizer à examinadora quais são as principais hipóteses. Ele tem dois minutos para ler e oito minutos para fazer a consulta. Quando a campainha tocar de novo, ele entra, cumprimenta a paciente simulada e começa a perguntar.

O NEXO é um jogo diário de diagnóstico médico: um caso clínico por dia, seis pistas progressivas e feedback por proximidade na CID-10 em cinco níveis.

Essa cena resume o que o AMC Clinical Exam cobra: raciocínio clínico mostrado em voz alta, diante de alguém, com tempo contado e com comunicação no centro da tarefa. Este texto explica o que é a prova do Australian Medical Council, como ela funciona, como as estações avaliam o raciocínio, o que os estudos dizem sobre exames clínicos estruturados e como treinar para cada tipo de estação. No fim há uma tabela, perguntas frequentes e um checklist para a reta final.

Principais pontos

  • O AMC Clinical Exam é a prova clínica do Australian Medical Council para médicos formados fora da Austrália que seguem o caminho padrão, e só pode ser feita depois da aprovação no exame de múltipla escolha, o CAT MCQ (AMC).
  • A prova tem 16 estações avaliadas, duas delas piloto, e quatro estações de descanso, com dez minutos por estação: dois de leitura e oito de avaliação (AMC).
  • Cada estação se concentra numa de quatro áreas: história, exame físico, formulação diagnóstica ou conduta, aconselhamento e educação do paciente (AMC).
  • Para passar, o candidato precisa ser aprovado em pelo menos nove das 14 estações pontuadas (AMC).

O que é o AMC Clinical Exam

O Australian Medical Council, o AMC, é a organização que avalia médicos formados fora da Austrália que querem se registrar para trabalhar no país pelo caminho padrão. Esse caminho tem duas provas. A primeira é o CAT MCQ, um exame de múltipla escolha feito em computador, com 150 questões de cinco alternativas, numa sessão de três horas e meia (AMC, CAT MCQ). A segunda é o AMC Clinical Exam, a prova clínica, que só pode ser feita por quem já passou na primeira (AMC).

As duas provas medem coisas diferentes. O CAT MCQ pergunta o que o candidato sabe sobre processo de doença, exame clínico, diagnóstico, investigação, terapia e conduta (AMC, CAT MCQ). A prova clínica pergunta o que ele faz com esse conhecimento diante de um paciente. Ela avalia competências clínicas como anamnese, exame físico, formulação diagnóstica, conduta e comunicação com o paciente, a família e outros profissionais, segundo a página oficial do AMC.

Uma prova no formato OSCE

O AMC Clinical Exam segue a lógica do exame clínico objetivo estruturado, o OSCE. A ideia nasceu em Dundee, na Escócia, e foi descrita em 1975 por Harden e colegas no British Medical Journal: em vez de um único caso longo, avaliado de forma pouco padronizada, o estudante passa por várias estações curtas, cada uma com uma tarefa definida e com critérios de avaliação combinados antes. Quatro anos depois, Harden e Gleeson detalharam como montar e aplicar esse tipo de prova (Harden e Gleeson, 1979).

O guia da AMEE sobre o OSCE, publicado em duas partes em 2013, retoma a história do formato e explica por que ele se espalhou pelas escolas médicas e pelos exames de licença: várias estações, com tarefas e critérios padronizados, dão uma amostra mais ampla do desempenho do que um caso só (Khan et al., 2013, parte I). A segunda parte trata da organização: como escrever as estações, treinar os pacientes simulados e os examinadores e cuidar da logística do dia (Khan et al., 2013, parte II).

Onde a prova se encaixa na pirâmide de Miller

Em 1990, George Miller propôs uma pirâmide para pensar a avaliação clínica, com quatro degraus: saber, saber como, mostrar como e fazer (Miller, 1990). Provas de múltipla escolha bem escritas chegam ao segundo degrau, porque pedem que o candidato aplique o conhecimento a uma vinheta. O OSCE sobe para o terceiro: o candidato precisa mostrar, numa situação simulada, que sabe fazer. É por isso que o AMC Clinical Exam vem depois do CAT MCQ. Primeiro o AMC confere o conhecimento; depois, a capacidade de mostrar esse conhecimento em ação.

Como a prova funciona

O AMC Clinical Exam tem 16 estações avaliadas e quatro estações de descanso. Das 16 avaliadas, duas são estações piloto, que servem para testar material novo e não contam para o resultado, de modo que 14 estações são pontuadas (AMC). O candidato não sabe quais são as estações piloto, então precisa tratar todas como se valessem.

Cada estação dura dez minutos: dois para ler a instrução fora da sala e oito para realizar a tarefa (AMC). Os dois minutos de leitura parecem pouco, mas são o momento em que o raciocínio começa. É ali que o candidato descobre a idade do paciente, o cenário, a queixa e, sobretudo, o que a estação quer: história, exame, diagnóstico ou conduta.

As estações usam pacientes simulados ou apresentações em vídeo, e podem trazer prontuários, resultados de exames e imagens para interpretar (AMC). O AMC também informa que há aplicações online da prova, e as regras de cada formato ficam na página oficial, que vale reler antes de marcar a data.

O que cai

O conteúdo cobre medicina, cirurgia, saúde da mulher, pediatria e saúde mental, em cenários de atenção na comunidade e no hospital (AMC). Na prática, isso significa que a mesma prova pode ter uma consulta com um adolescente ansioso, uma gestante com sangramento, um idoso com dor abdominal na emergência e uma conversa com um pai sobre a vacinação do filho. O nível esperado é o de um médico recém-formado, no início do internato na Austrália.

Como se passa

Para ser aprovado, o candidato precisa passar em pelo menos nove das 14 estações pontuadas (AMC). Essa regra tem uma consequência prática importante: uma estação ruim não reprova ninguém. O que reprova é um padrão de estações fracas. Por isso, a estratégia mais segura é manter um desempenho estável em todas, sem deixar que um tropeço contamine as estações seguintes.

  • Leia a instrução inteira nos dois minutos, incluindo a última linha, que costuma dizer o que entregar.
  • Entre na sala com um plano curto para os oito minutos.
  • Use as estações de descanso para respirar e esquecer a estação anterior.
  • Trate todas as estações como pontuadas, porque você não sabe quais são piloto.
Espéculo retal antigo de latão polido, com duas alças para os dedos, um anel de aço com parafuso e lâminas longas e curvas deitadas para trás, sobre fundo cinza
Espéculo retal feito em Paris no fim do século XIX. Nas estações de exame físico, explicar o exame, pedir consentimento e oferecer acompanhante contam tanto quanto a técnica. Crédito: Wellcome Collection, CC BY 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

As quatro áreas das estações

Segundo o AMC, cada estação se concentra numa de quatro áreas: história, exame físico, formulação diagnóstica, ou conduta, aconselhamento e educação do paciente (AMC). Saber em qual área você está muda o que fazer nos oito minutos. Uma estação de história não pede exame completo; uma estação de conduta não pede que você recomece a anamnese do zero.

Área da estaçãoO que a tarefa costuma pedirOnde o raciocínio apareceComo treinar
HistóriaColher a anamnese de um paciente simulado e, às vezes, dizer as hipóteses no fimNas perguntas escolhidas, que precisam separar as hipóteses mais prováveis das perigosasMontar, para cada queixa comum, uma lista curta de diagnósticos e as perguntas que distinguem cada um
Exame físicoExaminar um sistema e explicar os achados ao examinadorNo exame focado, guiado pela hipótese, e na interpretação dos achadosTreinar a sequência de exame em voz alta, com colega no papel de paciente
Formulação diagnósticaInterpretar dados, como prontuário, exames ou imagens, e propor diagnóstico e diagnósticos diferenciaisNa síntese dos dados e na justificativa de cada hipóteseResumir casos em uma frase e defender o diagnóstico mais provável com três dados
Conduta, aconselhamento e educaçãoExplicar um diagnóstico, um plano ou um risco ao paciente ou à famíliaNa escolha do que priorizar e na adaptação da explicação ao pacienteEnsaiar explicações curtas, sem jargão, e conferir o entendimento do paciente

História

Nas estações de história, o tempo é o principal adversário. Oito minutos não bastam para uma anamnese completa, do tipo que se faz numa enfermaria. O candidato precisa escolher. Isso exige ter, antes de entrar na sala, uma ideia das hipóteses que a queixa sugere. Com essa lista na cabeça, as perguntas deixam de ser um roteiro decorado e passam a ser testes: cada resposta aumenta ou diminui a chance de uma hipótese.

A escuta também conta. O paciente simulado costuma ter informações que só aparecem se o candidato der espaço. Uma pergunta aberta no começo, seguida de silêncio, rende mais do que dez perguntas fechadas em sequência. O texto sobre medicina narrativa mostra por que ouvir a história do paciente melhora o diagnóstico.

Exame físico

Nas estações de exame físico, o examinador quer ver um exame focado e bem feito, não uma lista de manobras. O candidato deve se apresentar, explicar o que vai fazer, pedir consentimento, cuidar da privacidade e, quando o exame for íntimo, oferecer acompanhante. Depois, deve narrar o que procura e o que encontra. Narrar ajuda o examinador a acompanhar o raciocínio e ajuda o candidato a não pular etapas.

Formulação diagnóstica

Nas estações de formulação diagnóstica, o candidato recebe dados, como um resumo de caso, resultados de exames ou imagens, e precisa chegar a um diagnóstico e a diagnósticos diferenciais. Aqui o raciocínio é explícito: o examinador quer ouvir por que você pensa no que pensa. Uma boa resposta diz o diagnóstico mais provável, os dados que o sustentam, as alternativas que ainda precisam ser afastadas e o que faria para afastá-las.

Conduta, aconselhamento e educação

Nas estações de conduta, aconselhamento e educação, o candidato conversa com o paciente ou com a família sobre um diagnóstico, um tratamento ou um risco. A tarefa pede clareza e empatia: começar pelo que o paciente já sabe, explicar em partes, checar o entendimento e combinar o próximo passo. O post sobre o protocolo SPIKES traz uma estrutura útil para conversas difíceis, e o texto sobre empatia e raciocínio clínico na consulta mostra como as duas coisas andam juntas.

Como o raciocínio clínico aparece nas estações

Numa prova de múltipla escolha, o raciocínio fica escondido: o examinador só vê a alternativa marcada. Numa estação clínica, ele fica à mostra. O examinador vê quais perguntas você faz, em que ordem, o que você examina, o que você deixa de lado e como você explica a conclusão. Por isso, a prova clínica premia quem pensa de forma organizada e consegue mostrar essa organização.

Os dois minutos de leitura

O raciocínio começa fora da sala. Nos dois minutos de leitura, faça três perguntas a si mesmo. Qual é a tarefa? Quais são as hipóteses principais para esse paciente, nesse cenário? Qual delas seria perigoso deixar passar? Com essas respostas, você entra na sala sabendo o que procurar. Se a estação descreve uma mulher de 46 anos com cansaço há três meses, a lista pode incluir anemia, hipotireoidismo, depressão, diabetes e distúrbios do sono, e as primeiras perguntas devem ajudar a separar essas hipóteses.

Hipóteses que guiam as perguntas

Uma consulta guiada por hipóteses tem uma cara reconhecível. As perguntas se agrupam em torno de uma suspeita, mudam de rumo quando uma resposta surpreende e voltam para os sinais de alarme antes do fim. Na estação de cansaço, por exemplo, perguntar sobre sangramento menstrual, perda de peso, humor, sono, sede e frio não é uma lista aleatória: cada pergunta testa uma hipótese da lista. Quando o examinador vê esse padrão, ele vê raciocínio.

Esse tipo de raciocínio também protege contra o fechamento precoce. Se você decide cedo demais que o cansaço é depressão, pode deixar de perguntar sobre sangramento e perder uma anemia. O hábito de manter duas ou três hipóteses abertas até o fim, e de checar os sinais de alarme mesmo quando a hipótese principal parece clara, é o mesmo que se treina no diagnóstico diferencial do dia a dia.

Raciocínio dito em voz alta

Em muitas estações, o candidato precisa dizer ao examinador o que encontrou e o que pensa. Esse resumo final é uma oportunidade. Uma estrutura simples funciona bem: uma frase de síntese com idade, queixa e achados principais; o diagnóstico mais provável com dois ou três dados que o sustentam; os diagnósticos diferenciais importantes; e o próximo passo. Treinar essa fala até ela sair natural vale tanto quanto revisar conteúdo.

O contexto australiano

A prova avalia o candidato no contexto da prática na Austrália. Isso inclui a relação com o clínico geral, a organização do cuidado na comunidade, a comunicação com pacientes de culturas diferentes e as expectativas sobre consentimento e privacidade. Um estudo com médicos formados no exterior que trabalhavam na Austrália analisou questões de comunicação entre esses médicos e seus pacientes, um tema que a prova clínica cobra em quase todas as estações (McGrath et al., 2012). O texto sobre humildade cultural na formação médica ajuda a pensar essas diferenças.

Frasco oval de vidro azul cobalto para escarro, com tampas de rosca de estanho serrilhadas nas duas pontas, deitado sobre fundo cinza
Frasco de bolso para escarro feito na Inglaterra. Numa estação de história, perguntar sobre tosse, escarro e contato com tuberculose pode separar hipóteses em poucos minutos. Crédito: Wellcome Collection, CC BY 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Como a estação é pontuada

O AMC explica que o examinador dá, em cada estação, uma avaliação global do desempenho, apoiada em passos-chave da tarefa, em domínios de desempenho e na impressão geral sobre a atuação do candidato (AMC). Em outras palavras, a nota não é uma soma mecânica de itens marcados. Ela reflete se o candidato fez o que a tarefa pedia, com segurança e com a qualidade esperada de um médico no início da carreira.

Passos-chave

Os passos-chave são as ações que a tarefa torna obrigatórias. Numa estação sobre dor torácica, perguntar sobre as características da dor e os fatores de risco cardiovascular é um passo-chave. Numa estação de aconselhamento sobre um novo medicamento, explicar efeitos adversos importantes e o que fazer se eles aparecerem também é. Deixar de cumprir um passo-chave pesa mais do que esquecer um detalhe secundário.

Domínios de desempenho

Os domínios descrevem dimensões do desempenho que atravessam as tarefas. A lista a seguir é ilustrativa (abordagem ao paciente, técnica, interpretação, comunicação e segurança) e não é citação literal do AMC; o material oficial do exame deve ser consultado para os critérios exatos. Um candidato pode acertar o diagnóstico e ainda assim perder pontos se não explicou o exame ao paciente ou se não verificou o entendimento no fim. Ler a descrição oficial dos domínios no material do AMC ajuda a perceber onde estão esses pontos.

A impressão geral

A impressão geral resume a pergunta que o examinador faz a si mesmo: esse candidato está pronto para atender esse paciente com segurança, sob supervisão, no início da prática? Fluência, organização e respeito pesam aqui. Por isso, um plano claro para os oito minutos e um resumo final bem estruturado costumam melhorar a impressão geral mesmo quando a estação foi difícil.

O que os estudos dizem sobre exames clínicos estruturados

Existe pouca pesquisa publicada especificamente sobre o AMC Clinical Exam, mas há estudos sobre médicos formados no exterior que passam por exames desse tipo e sobre o próprio formato OSCE. Eles ajudam a entender o que a prova mede e onde os candidatos costumam ter dificuldade.

Validade de exames clínicos para médicos formados no exterior

No Canadá, Takahashi e colegas avaliaram a validade de um exame clínico de grande escala aplicado a médicos formados no exterior em Ontário e reuniram evidências sobre o que essa prova mede (Takahashi et al., 2012). Em Alberta, Vallevand e Violato estudaram um exame clínico objetivo de alto impacto para o mesmo público e analisaram tanto a validade de construto quanto a capacidade da prova de prever o desempenho posterior (Vallevand e Violato, 2012). Esses resultados não são sobre a prova australiana, mas mostram que exames clínicos estruturados para médicos formados fora do país podem medir algo que importa para a prática.

Exame físico e comunicação

Um estudo publicado no JAMA comparou habilidades de exame físico de residentes formados nos Estados Unidos e no exterior um lembrete de que o exame físico precisa de treino supervisionado, seja qual for a escola de origem (Ozuah et al., 2001). Na Austrália, McGrath e colegas ouviram médicos formados no exterior e examinaram como a comunicação com os pacientes australianos aparece na experiência desses médicos (McGrath et al., 2012).

Depois da prova

Passar no exame é o começo de uma adaptação mais longa. Um programa de apoio a médicos formados no exterior em áreas rurais da Austrália foi avaliado com métodos mistos, o que mostra que o apoio continua necessário depois da aprovação (Wright et al., 2012). Um estudo sobre queixas e processos disciplinares em dois estados australianos comparou médicos formados no exterior e no país e analisou se esses riscos mudavam conforme a origem da formação (Elkin et al., 2012). A leitura prática é simples: as habilidades que a prova clínica cobra, sobretudo comunicação e segurança, continuam importando muito depois dela.

Como treinar o raciocínio para o AMC Clinical Exam

A preparação para uma prova clínica tem uma diferença básica em relação à preparação para uma prova escrita: ela precisa de outra pessoa. Ler sobre como colher uma história não basta. É preciso colher histórias, com tempo contado, e receber retorno sobre o que funcionou.

Monte um grupo de treino

Três pessoas é um bom número. Uma faz o candidato, outra faz o paciente simulado com um roteiro e a terceira observa com uma lista de passos-chave. Depois de cada estação, os três conversam por alguns minutos e trocam de papel. Fazer o papel de paciente e de examinador ensina tanto quanto fazer o de candidato, porque mostra o que o examinador vê.

Escreva estações curtas

Cada membro do grupo pode escrever estações a partir das queixas mais comuns de cada área: medicina, cirurgia, saúde da mulher, pediatria e saúde mental. Uma boa estação tem uma instrução curta para o candidato, um roteiro para o paciente simulado, com o que ele conta espontaneamente e o que só conta se perguntado, e uma lista de passos-chave para o observador. O texto sobre como escrever um caso clínico para ensino traz um bom ponto de partida.

Treine a leitura de dois minutos

Use um cronômetro e leia instruções de estação em dois minutos. No fim, escreva num papel a tarefa, três hipóteses e o sinal de alarme mais importante. Repetir esse exercício muitas vezes torna a leitura automática e libera atenção para a consulta.

Treine o resumo final

Grave a si mesmo resumindo casos em menos de um minuto, com a estrutura de síntese, diagnóstico provável, diferenciais e próximo passo. Ouça a gravação e corte o que sobra. Esse treino também ajuda nas estações de formulação diagnóstica, em que o resumo é a própria tarefa.

Revise o erro, não só a estação

Depois de cada estação, pergunte o que deu errado. Faltou conhecimento? Você leu mal a tarefa? Fechou cedo numa hipótese? Esqueceu um passo-chave de comunicação? Classificar o erro ajuda a corrigir o problema certo. O texto sobre feedback em casos clínicos mostra como tirar mais de cada retorno, e o post sobre metacognição na medicina explica por que pensar sobre o próprio raciocínio melhora o desempenho.

Treine sob pressão

No dia da prova, a ansiedade pode encurtar a escuta e acelerar conclusões. Simular a prova inteira, com 16 estações, intervalos de descanso e o tempo oficial, ajuda a conhecer a própria reação ao cansaço. O texto sobre estresse agudo e raciocínio clínico explica o que acontece com o pensamento sob pressão e como se proteger.

  • Faça pelo menos um simulado completo com 16 estações e quatro de descanso.
  • Respeite os dois minutos de leitura e os oito de tarefa.
  • Peça ao observador que anote só três coisas por estação: o que foi bem, o que faltou e um passo-chave esquecido.
  • Revise as anotações no dia seguinte, não na mesma noite.

Quem também se prepara para outras provas pode comparar os formatos nos textos sobre como o MCCQE cobra raciocínio clínico e como o USMLE Step 2 CK cobra raciocínio clínico. As duas são provas de múltipla escolha; o AMC Clinical Exam cobra o mesmo raciocínio, mas pede que ele seja mostrado diante de um paciente.

Comadre antiga de cerâmica com esmalte verde, de borda em anel e cabo tubular, vista de cima sobre fundo preto
Comadre de cerâmica esmaltada feita na Inglaterra. Em estações de cuidado hospitalar, perguntar sobre hábito intestinal e diurese ajuda a montar a história de um paciente acamado. Crédito: Wellcome Collection, CC BY 4.0 (licença), via Wikimedia Commons (página do arquivo).

Checklist para a reta final

  • Li a página oficial do AMC Clinical Exam e as regras do dia da prova.
  • Sei reconhecer, em dois minutos, se a estação é de história, exame, formulação diagnóstica ou conduta.
  • Treinei estações de medicina, cirurgia, saúde da mulher, pediatria e saúde mental.
  • Tenho uma estrutura pronta para o resumo final ao examinador.
  • Pratico explicar exames, pedir consentimento e oferecer acompanhante.
  • Fiz pelo menos um simulado completo, com 16 estações e quatro de descanso.
  • Mantenho um caderno de erros organizado pelas quatro áreas.
  • Já decidi como vou usar as estações de descanso para recomeçar do zero.

Quer treinar o diagnóstico diferencial todos os dias, sem perder o ritmo dos estudos? Jogue o caso do dia no NEXO.

Como o NEXO ajuda a treinar o raciocínio do AMC

O NEXO oferece um caso clínico por dia, com casos fictícios com apresentação clínica real, para ser resolvido em até seis pistas. Cada pista acrescenta um dado, como faria um paciente que conta a história aos poucos, e você decide quando já tem informação suficiente para chegar ao diagnóstico. É um treino curto de diagnóstico diferencial que cabe entre uma sessão de estações e outra, e que obriga a pensar antes de ver a resposta.

O formato não substitui o treino em grupo com paciente simulado, mas exercita uma parte do raciocínio que as estações de história e de formulação diagnóstica cobram: juntar dados aos poucos, manter hipóteses abertas e não fechar cedo demais. Para entender como funciona a pontuação e o ritmo de jogo, veja a página de economia do NEXO. Se você coordena um grupo de estudo, uma liga ou um curso preparatório e quer usar casos com a turma, conheça o NEXO Closer. Pesquisadores em educação médica podem propor estudos pelo NEXO Researcher, médicos que revisam casos participam pelo NEXO Curator e criadores de conteúdo de medicina podem conhecer o NEXO Creators.

Perguntas frequentes

Preciso passar no CAT MCQ antes da prova clínica?

Sim. A aprovação no CAT MCQ é requisito para se inscrever no AMC Clinical Exam, segundo o AMC.

Quantas estações tem a prova?

São 16 estações avaliadas, duas delas piloto, e quatro estações de descanso, com dez minutos por estação: dois de leitura e oito de tarefa (AMC).

Quantas estações preciso passar?

Pelo menos nove das 14 estações pontuadas, segundo o AMC. As duas estações piloto ficam fora da conta, mas o candidato não sabe quais são.

Quais áreas da medicina caem?

Medicina, cirurgia, saúde da mulher, pediatria e saúde mental, em cenários da comunidade e do hospital (AMC).

Os pacientes da prova são simulados?

Sim. As estações usam pacientes simulados ou apresentações em vídeo, além de prontuários, exames e imagens (AMC).

Por onde começar a estudar?

Pela página oficial e pelas especificações do AMC. Depois, monte um grupo de treino, escreva estações das quatro áreas e treine com tempo contado, revisando os erros de cada sessão.

Referências

  1. Australian Medical Council. AMC Clinical Examination. https://www.amc.org.au/assessment/clinical-exam/
  2. Australian Medical Council. AMC Computer Adaptive Test (CAT) Multiple Choice Question (MCQ) Examination. https://www.amc.org.au/assessment/mcq/
  3. Harden RM, Stevenson M, Downie WW, Wilson GM. Assessment of clinical competence using objective structured examination. Br Med J. 1975. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1115966/
  4. Harden RM, Gleeson FA. Assessment of clinical competence using an objective structured clinical examination (OSCE). Med Educ. 1979. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/763183/
  5. Khan KZ, Ramachandran S, Gaunt K, Pushkar P. The Objective Structured Clinical Examination (OSCE): AMEE Guide No. 81. Part I: an historical and theoretical perspective. Med Teach. 2013. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23968323/
  6. Khan KZ, Gaunt K, Ramachandran S, Pushkar P. The Objective Structured Clinical Examination (OSCE): AMEE Guide No. 81. Part II: organisation & administration. Med Teach. 2013. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23968324/
  7. Miller GE. The assessment of clinical skills/competence/performance. Acad Med. 1990. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2400509/
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